quinta-feira, 30 de junho de 2022

FESTA DE SÃO PEDRO NA COMUNIDADE IV VICINAL EM BURITICUPU


Após o novenário de São Pedro, que foi celebrado com muita alegria e participação pelas comunidades, grupos e movimentos da Paróquia, a Comunidade IV Vicinal celebrou neste dia 29.06 o dia de seu padroeiro.

As comemorações deram início às 16h30 com a presença de muitos fiéis da área missionária da Paróquia, muita música, animação e brincadeiras com os que ali se fizeram presentes.

A Santa Missa deu início às 19h30, e foi presidida pelo pároco Pe. António. Fiéis das áreas da Matriz e do II Núcleo se fizeram presentes.

Na homilia, o padre António nos relembrou da missão de Pedro Apóstolo e de sua importância no projeto da Missão de Jesus Cristo. Encorajou a todos a seguir a missão comunitária na evangelização da comunidade.

Que São Pedro interceda sempre pela comunidade firmando sua evangelização na rocha firme que é Cristo.

Após a Santa Missa teve confraternização de todos que se fizeram presente nesta linda festa.


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quarta-feira, 29 de junho de 2022

CARTA APOSTÓLICA ' DESIDERIO DESIDERAVI' SOBRE A FORMAÇÃO LITÚRGICA DO POVO DE DEUS

"Gostaria que esta carta nos ajudasse a reviver o espanto diante da beleza da verdade da celebração cristã, a recordar a necessidade de uma autêntica formação litúrgica e a reconhecer a importância de uma arte de celebração"

"Toda esta riqueza não está longe de nós: está nas nossas igrejas, nas nossas festas cristãs, na centralidade do domingo, na força dos sacramentos que celebramos. A vida cristã é um caminho contínuo de crescimento: somos chamados deixar-se formar com alegria e em comunhão"

"Por esta razão, gostaria de deixar-vos mais uma indicação para continuar o nosso caminho. Convido-vos a redescobrir o significado do ano litúrgico e do dia do Senhor: este é também um mandato do Concílio (cf. Sacrosanctum Concilium , nº 102-111) "

29.06.2022

Carta Apostólica Desiderio Desideravi do Santo Padre Francisco aos bispos, sacerdotes e diáconos, pessoas consagradas e todos os fiéis leigos sobre a formação litúrgica do povo de Deus

Desiderio desideravi hoc Pascha manducare vobiscum, antequam patiar (Lc 22, 15)

1. Caros irmãos e irmãs: com esta carta desejo chegar a todos – depois de ter escrito aos bispos após a publicação do Motu Proprio Traditionis custodes – para partilhar convosco algumas reflexões sobre a Liturgia, dimensão fundamental para a vida do Igreja. O assunto é muito extenso e merece cuidadosa consideração em todos os seus aspectos: no entanto, com este escrito não pretendo tratar o assunto de forma exaustiva. Quero simplesmente oferecer alguns elementos de reflexão para contemplar a beleza e a verdade da celebração cristã.
A Liturgia: o “hoje” da história da salvação

2. “Desejei ardentemente comer convosco esta páscoa, antes que padeça” (Lc 22,15) As palavras de Jesus com as quais começa o relato da Última Ceia são o meio pelo qual nos é dada a admirável possibilidade de vislumbrar a profundidade do amor das Pessoas da Santíssima Trindade para conosco.

3.Pedro e João foram enviados para preparar o necessário para poder comer a Páscoa, mas, olhando bem, toda a criação, toda a história – que finalmente estava prestes a ser revelada como história da salvação – é uma grande preparação para essa Ceia. Pedro e os demais estão naquela mesa, inconscientes e ao mesmo tempo necessários: todo presente, para ser tal, deve ter alguém disposto a recebê-lo. Neste caso, a desproporção entre a imensidão do dom e a pequenez de quem o recebe é infinita e não pode deixar de nos surpreender. No entanto – pela misericórdia do Senhor – o dom é confiado aos Apóstolos para que seja levado a todos os homens.

4. Ninguém ganhou lugar naquela Ceia, todos foram convidados, ou melhor, atraídos pelo desejo ardente que Jesus tem de comer aquela Páscoa com eles: Ele sabe que é o Cordeiro daquela Páscoa, ele sabe que é a Páscoa . Esta é a novidade absoluta daquela Ceia, a única e verdadeira novidade da história, que a torna única e, portanto, “última”, irrepetível. No entanto, seu desejo infinito de restabelecer aquela comunhão conosco, que foi e continua sendo seu projeto original, não será satisfeito até que todo homem, de toda tribo, língua, povo e nação (Ap 5,9) tenha comido seu Corpo. e bebeu seu Sangue: portanto, essa mesma Ceia estará presente na celebração da Eucaristia até seu retorno.

5. O mundo ainda não sabe, mas todos estão convidados para as bodas do Cordeiro (Ap 19,9). A única coisa necessária para ter acesso é o vestido nupcial da fé que vem da escuta da Sua Palavra (cf. Rm 10,17): a Igreja o faz à medida, com a brancura de uma roupa lavada no Sangue do Cordeiro ( cf. Ap 7,14). Não devemos ter um momento de descanso, sabendo que nem todos receberam ainda o convite para a Ceia, ou que outros o esqueceram ou o perderam nos tortuosos caminhos da vida humana. Por isso, tenho dito que “sonho com uma opção missionária capaz de transformar tudo, para que os costumes, estilos, horários, linguagem e todas as estruturas eclesiais se tornem um canal adequado para a evangelização do mundo atual e não para o auto- preservação” (Evangelii Gaudium, n.

6. Antes de nuestra respuesta a su invitación – mucho antes – está su deseo de nosotros: puede que ni siquiera seamos conscientes de ello, pero cada vez que vamos a Misa, el motivo principal es porque nos atrae el deseo que Él tiene de nosotros. Por nuestra parte, la respuesta posible, la ascesis más exigente es, como siempre, la de entregarnos a su amor, la de dejarnos atraer por Él. Ciertamente, nuestra comunión con el Cuerpo y la Sangre de Cristo ha sido deseada por Él en la última Cena.

7. O conteúdo do Pão partido é a cruz de Jesus, seu sacrifício em amorosa obediência ao Pai. Se não tivéssemos tido a Última Ceia, ou seja, a antecipação ritual de sua morte, não teríamos podido compreender como a execução de sua sentença de morte poderia ser o ato perfeito e agradável de adoração ao Pai, o único verdadeiro ato de adoração. Poucas horas depois, os Apóstolos teriam podido ver na cruz de Jesus, se tivessem suportado o seu peso, o que significava “corpo entregue”, “sangue derramado”: ​​e é o que recordamos em cada Eucaristia. Quando ele volta, ressuscitado dos mortos, para partir o pão para os discípulos de Emaús e seus seguidores, que voltaram para pescar e não homens, no lago da Galiléia, aquele gesto abre-lhes os olhos, cura-os da cegueira. o horror da cruz,

8. Se tivéssemos chegado a Jerusalém depois de Pentecostes e tivéssemos sentido o desejo não só de ter notícias de Jesus de Nazaré, mas de reencontrá-lo, não teríamos outra possibilidade senão buscar os seus para ouvir suas palavras e ver seus gestos, mais vivos do que nunca. Não teríamos outra possibilidade de um verdadeiro encontro com Ele a não ser na comunidade que celebra. Por isso, a Igreja sempre guardou, como seu tesouro mais precioso, o mandato do Senhor: “fazei isto em memória de mim”.

9. Desde o início, a Igreja teve consciência de que não era uma representação, nem mesmo sagrada, da Ceia do Senhor: não teria sentido e ninguém teria pensado em "encená-la" - ainda mais sob o olhar de Maria, a Mãe do Senhor – aquele momento exaltado na vida do Mestre. Desde o início, a Igreja compreendeu, iluminada pelo Espírito Santo, que o que era visível em Jesus, o que podia ser visto com os olhos e tocado com as mãos, suas palavras e seus gestos, a concretude do Verbo Encarnado, passou para a celebração dos sacramentos. [1]

A Liturgia: lugar de encontro com Cristo

10. Aqui está toda a poderosa beleza da Liturgia. Se a Ressurreição fosse para nós um conceito, uma ideia, um pensamento; Se o Ressuscitado fosse para nós a memória da memória dos outros, tão autoritários como os Apóstolos, se não nos fosse dada também a possibilidade de um verdadeiro encontro com Ele, seria como declarar consumada a novidade do Verbo feito carne. Por outro lado, a Encarnação, além de ser o único evento novo conhecido na história, é também o método que a Santíssima Trindade escolheu para nos abrir o caminho da comunhão. A fé cristã ou é um encontro vivo com Ele, ou não é.

11. La Liturgia nos garantiza la posibilidad de tal encuentro. No nos sirve un vago recuerdo de la última Cena, necesitamos estar presentes en aquella Cena, poder escuchar su voz, comer su Cuerpo y beber su Sangre: le necesitamos a Él. En la Eucaristía y en todos los Sacramentos se nos garantiza la posibilidad de encontrarnos con el Señor Jesús y de ser alcanzados por el poder de su Pascua. El poder salvífico del sacrificio de Jesús, de cada una de sus palabras, de cada uno de sus gestos, mirada, sentimiento, nos alcanza en la celebración de los Sacramentos. Yo soy Nicodemo y la Samaritana, el endemoniado de Cafarnaún y el paralítico en casa de Pedro, la pecadora perdonada y la hemorroisa, la hija de Jairo y el ciego de Jericó, Zaqueo y Lázaro; el ladrón y Pedro, perdonados. El Señor Jesús que inmolado, ya no vuelve a morir; y sacrificado, vive para siempre, [2] continúa perdonándonos, curándonos y salvándonos con el poder de los Sacramentos. A través de la encarnación, es el modo concreto por el que nos ama; es el modo con el que sacia esa sed de nosotros que ha declarado en la cruz (Jn 19,28).

12. O nosso primeiro encontro com a sua Páscoa é o acontecimento que marca a vida de todos nós, crentes em Cristo: o nosso baptismo. Não é uma adesão mental ao seu pensamento ou submissão a um código de comportamento imposto por ele: é a imersão em sua paixão, morte, ressurreição e ascensão. Não é um gesto mágico: a magia é contrária à lógica dos Sacramentos porque afirma ter poder sobre Deus e, por isso, vem do tentador. Em perfeita continuidade com a Encarnação, nos é dada a possibilidade, em virtude da presença e ação do Espírito, de morrer e ressuscitar em Cristo.

13. A maneira como isso acontece é tocante. A oração de bênção pela água batismal[3] revela-nos que Deus criou a água precisamente em vista do batismo. Quer dizer que enquanto Deus criou a água ele pensou no batismo de cada um de nós, e este pensamento o acompanhou em suas ações ao longo da história da salvação todas as vezes que, com um propósito específico, ele quis usar a água. É como se, depois de criá-lo, quisesse aperfeiçoá-lo para se tornar a água do batismo. E por isso quis enchê-la com o movimento do seu Espírito que pairava sobre ela (cf. Gn 1,2), para que contivesse em germe o poder de santificar; Ele a usou para regenerar a humanidade no dilúvio (cf. Gn 6,1-9,29); ele o dominou separando-o para abrir um caminho de libertação no Mar Vermelho (cf. Ex 14);

Finalmente, misturou-o com o sangue de seu Filho, dom do Espírito inseparavelmente ligado ao dom da vida e da morte do Cordeiro imolado por nós, e do seu lado traspassado derramou-o sobre nós (Jo 19,34). . Nesta água fomos imersos para que, pelo seu poder, pudéssemos ser enxertados no Corpo de Cristo e, com Ele, ressuscitar para a vida imortal (cf. Rm 6,1-11).

A Igreja: Sacramento do Corpo de Cristo

14. Como nos recordou o Concílio Vaticano II (cf. Sacrosanctum Concilium, n. 5), citando a Escritura, os Padres e a Liturgia – colunas da verdadeira Tradição – do lado de Cristo adormecido na cruz brotou o admirável sacramento de todos os Igreja.[4] O paralelismo entre o primeiro e o novo Adão é surpreendente: assim como do lado do primeiro Adão, depois de ter deixado cair uma letargia sobre ele, Deus formou Eva, do lado do novo Adão, adormecido no sono da morte , nasce a nova Eva, a Igreja. O espanto está nas palavras que, poderíamos imaginar, o novo Adão faz suas olhando para a Igreja: "Esta é, de fato, osso dos meus ossos e carne da minha carne" (Gn 2,23). Por termos crido na Palavra e ter descido na água do batismo, nos tornamos osso de seus ossos, carne de sua carne.

15. Sem esta incorporação, não há possibilidade de experimentar a plenitude do culto a Deus. De fato, apenas um é o ato perfeito e agradável de adoração ao Pai, a obediência do Filho cuja medida é sua morte na cruz. A única possibilidade de participar de sua oferta é ser filhos no Filho. Este é o presente que recebemos. O sujeito que atua na Liturgia é sempre e somente Cristo-Igreja, o Corpo Místico de Cristo.

O significado teológico da liturgia

16. Devemos ao Concílio – e ao movimento litúrgico que o precedeu – a redescoberta da compreensão teológica da Liturgia e de sua importância na vida da Igreja: os princípios gerais enunciados pela Sacrosanctum Concilium, assim como eram fundamentais para a reforma, continuem a ser para a promoção de uma participação plena, consciente, ativa e fecunda na celebração (cf. Sacrosanctum Concilium, n. 11.14), "fonte primária e necessária da qual os fiéis devem beber o espírito verdadeiramente cristão" (Sacrosanctum Concilium, No. 14). Com esta carta, gostaria simplesmente de convidar toda a Igreja a redescobrir, guardar e viver a verdade e a força da celebração cristã. Gostaria que a beleza da celebração cristã e suas consequências necessárias na vida da Igreja não fossem desfiguradas por uma compreensão superficial e redutora de seu valor ou, pior ainda, por sua instrumentalização a serviço de alguma visão ideológica, seja ela qual for pode ser. . A oração sacerdotal de Jesus na Última Ceia para que todos sejam um (Jo 17,21), julga todas as nossas divisões em torno do Pão partido, sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade.[5]

17. Adverti em várias ocasiões sobre uma perigosa tentação para a vida da Igreja que é o “mundanismo espiritual”: falei muito dela na Exortação Evangelii gaudium (nn. 93-97), identificando o gnosticismo e o neopelagianismo como dois modos ligados entre si, que o alimentam.

A primeira reduz a fé cristã a um subjetivismo que encerra o indivíduo "na imanência de sua própria razão ou de seus sentimentos" (Evangelii gaudium, 94).

A segunda anula o valor da graça para contar apenas com a própria força, dando origem a "um elitismo narcísico e autoritário, onde em vez de evangelizar o que se faz é analisar e classificar os outros, e em vez de facilitar o acesso se gasta energias no controle da graça ” (Evangelii gaudium, n. 94).

Essas formas distorcidas de cristianismo podem ter consequências desastrosas para a vida da Igreja.

18. É evidente, em tudo o que quis recordar acima, que a Liturgia é, por sua própria natureza, o antídoto mais eficaz contra esses venenos. Obviamente, falo da Liturgia em seu sentido teológico e – Pio XII já disse – não como um cerimonial decorativo... ou um mero conjunto de leis e preceitos... que ordena o cumprimento dos ritos.[6]

19. Se o gnosticismo nos intoxica com o veneno do subjetivismo, a celebração litúrgica nos liberta da prisão de uma autorreferencialidade alimentada por nossa própria razão ou sentimento: a ação celebrativa não pertence ao indivíduo, mas a Cristo-Igreja, à totalidade dos fiéis unidos em Cristo. A Liturgia não diz “eu”, mas “nós”, e qualquer limitação à amplitude desse “nós” é sempre demoníaca. A Liturgia não nos deixa sozinhos na busca de um suposto conhecimento individual do mistério de Deus, mas toma-nos pela mão, juntos, em assembléia, para nos conduzir ao mistério que a Palavra e os sinais sacramentais revelam a nós. E o faz, em coerência com a ação de Deus, seguindo o caminho da Encarnação, através da linguagem simbólica do corpo, que se estende às coisas, ao espaço e ao tempo.

Redescubra todos os dias a beleza da verdade da celebração cristã

20. Se o neopelagianismo nos intoxica com a presunção de uma salvação conquistada com nossa força, a celebração litúrgica nos purifica proclamando a gratuidade do dom da salvação recebido na fé. Participar do sacrifício eucarístico não é uma conquista nossa, como se pudéssemos nos gloriar diante de Deus e diante de nossos irmãos. O início de cada celebração me lembra quem eu sou, pedindo-me para confessar meu pecado e convidando-me a rezar à Bem-Aventurada Virgem Maria, aos anjos, aos santos e a todos os irmãos e irmãs, para interceder por mim diante do Senhor: certamente não somos dignos de entrar em sua casa, precisamos de uma palavra dele para nos salvar (cf. Mt 8,8). Não temos outra glória senão a cruz de nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Gl 6,14). A liturgia nada tem a ver com um moralismo ascético: é o dom pascal do Senhor que, acolhido com docilidade, renova a nossa vida. Não se entra no Cenáculo senão pela força atrativa de seu desejo de comer a Páscoa conosco: Desiderio desideravi hoc Pascha manducare vobiscum, antequam patiar (Lc 22,15).

21. Sin embargo, tenemos que tener cuidado: para que el antídoto de la Liturgia sea eficaz, se nos pide redescubrir cada día la belleza de la verdad de la celebración cristiana. Me refiero, una vez más, a su significado teológico, como ha descrito admirablemente el n. 7 de la Sacrosanctum Concilium: la Liturgia es el sacerdocio de Cristo revelado y entregado a nosotros en su Pascua, presente y activo hoy a través de los signos sensibles (agua, aceite, pan, vino, gestos, palabras) para que el Espíritu, sumergiéndonos en el misterio pascual, transforme toda nuestra vida, conformándonos cada vez más con Cristo.

22. A contínua redescoberta da beleza da Liturgia não é a busca de um esteticismo ritual, que se compraz apenas com o cuidado da formalidade externa de um rito, ou se satisfaz com uma escrupulosa observância das rubricas. Evidentemente, esta afirmação não pretende endossar, de forma alguma, a atitude oposta que confunde o simples com um descuido banal, o essencial com superficialidade ignorante, a concretude da ação ritual com um funcionalismo prático exagerado.

23. Sejamos claros: é preciso cuidar de todos os aspectos da celebração (espaço, tempo, gestos, palavras, objetos, roupas, canções, música,...) e observar todas as rubricas: essa atenção bastaria não roubar à assembléia o que lhe corresponde, isto é, o mistério pascal celebrado na forma ritual estabelecida pela Igreja. Mas mesmo que a qualidade e o padrão da ação comemorativa fossem garantidos, isso não seria suficiente para nossa plena participação.

Maravilhe-se com o mistério pascal, parte essencial da ação litúrgica

24. Se faltar o assombro pelo mistério pascal que se faz presente na concretude dos sinais sacramentais, corremos o risco de ser verdadeiramente impermeáveis ​​ao oceano de graça que inunda cada celebração. Não bastam os esforços, ainda que louváveis, por uma melhor qualidade da celebração, nem um apelo à interioridade: mesmo isso corre o risco de se reduzir a uma subjetividade vazia se não acolher a revelação do mistério cristão. O encontro com Deus não é o resultado de uma busca interior individual, mas é um acontecimento dado: podemos encontrar Deus através do fato novo da Encarnação que, na Última Ceia, chega ao ponto de querer ser comido por nós . Infelizmente, como pode escapar-nos o fascínio pela beleza desta dádiva?

25. Quando digo espanto pelo mistério pascal, não me refiro absolutamente ao que me parece significar a vaga expressão “sentido do mistério”: às vezes, entre as alegadas acusações contra a reforma litúrgica está que de ter – diz-se – afastado da celebração. O espanto de que falo não é uma espécie de desorientação diante de uma realidade obscura ou de um rito enigmático, mas é a admiração pelo fato de que o plano salvífico de Deus nos foi revelado na Páscoa de Jesus (cf. Ef 1,3- 14), cuja eficácia continua a chegar até nós na celebração dos “mistérios”, isto é, dos sacramentos. No entanto, não deixa de ser verdade que a plenitude da revelação tem, em relação à nossa finitude humana, um excesso que nos transcende e que terá seu cumprimento no fim dos tempos, quando o Senhor voltar. Se o espanto for verdadeiro, não há risco de que a alteridade da presença de Deus não seja percebida, mesmo na proximidade que a Encarnação quis. Se a reforma tivesse eliminado esse “senso de mistério”, seria um mérito e não uma acusação. A beleza, como a verdade, sempre gera admiração e, quando se refere ao mistério de Deus, leva à adoração.

26. El asombro es parte esencial de la acción litúrgica porque es la actitud de quien sabe que está ante la peculiaridad de los gestos simbólicos; es la maravilla de quien experimenta la fuerza del símbolo, que no consiste en referirse a un concepto abstracto, sino en contener y expresar, en su concreción, lo que significa.
A necessidade de uma formação litúrgica séria e vital 

27. Es ésta, pues, la cuestión fundamental: ¿cómo recuperar la capacidad de vivir plenamente la acción litúrgica? La reforma del Concilio tiene este objetivo. El reto es muy exigente, porque el hombre moderno – no en todas las culturas del mismo modo – ha perdido la capacidad de confrontarse con la acción simbólica, que es una característica esencial del acto litúrgico.

28. La posmodernidad – en la que el hombre se siente aún más perdido, sin referencias de ningún tipo, desprovisto de valores, porque se han vuelto indiferentes, huérfano de todo, en una fragmentación en la que parece imposible un horizonte de sentido – sigue cargando con la pesada herencia que nos dejó la época anterior, hecha de individualismo y subjetivismo (que recuerdan, una vez más, al pelagianismo y al gnosticismo), así como por un espiritualismo abstracto que contradice la naturaleza misma del hombre, espíritu encarnado y, por tanto, en sí mismo capaz de acción y comprensión simbólica.

29. La Iglesia reunida en el Concilio ha querido confrontarse con la realidad de la modernidad, reafirmando su conciencia de ser sacramento de Cristo, luz de las gentes (Lumen Gentium), poniéndose a la escucha atenta de la palabra de Dios (Dei Verbum) y reconociendo como propios los gozos y las esperanzas (Gaudium et spes) de los hombres de hoy. Las grandes Constituciones conciliares son inseparables, y no es casualidad que esta única gran reflexión del Concilio Ecuménico – la más alta expresión de la sinodalidad de la Iglesia, de cuya riqueza estoy llamado a ser, con todos vosotros, custodio – haya partido de la Liturgia (Sacrosanctum Concilium).

30. Concluyendo la segunda sesión del Concilio (4 de diciembre de 1963) san Pablo VI se expresaba así:[7]

«Por lo demás, no ha quedado sin fruto la ardua e intrincada discusión, puestos que uno de los temas, el primero que fue examinado, y en un cierto sentido el primero también por la excelencia intrínseca y por su importancia para la vida de la Iglesia, el de la sagrada Liturgia, ha sido terminado y es hoy promulgado por Nos solemnemente. Nuestro espíritu exulta de gozo ante este resultado. Nos rendimos en esto el homenaje conforme a la escala de valores y deberes: Dios en el primer puesto; la oración, nuestra primera obligación; la Liturgia, la primera fuente de la vida divina que se nos comunica, la primera escuela de nuestra vida espiritual, el primer don que podemos hacer al pueblo cristiano, que con nosotros que cree y ora, y la primera invitación al mundo para que desate en oración dichosa y veraz su lengua muda y sienta el inefable poder regenerador de cantar con nosotros las alabanzas divinas y las esperanzas humanas, por Cristo Señor en el Espíritu Santo».

31. Nesta carta não posso me deter na riqueza de cada uma das expressões, que deixo para sua meditação. Se a Liturgia é "o ápice para onde tende a ação da Igreja e, ao mesmo tempo, a fonte de onde brota toda a sua força" (Sacrosanctum Concilium, 10), compreendemos bem o que está em jogo na questão litúrgica. Seria trivial ler as tensões, infelizmente presentes em torno da celebração, como uma simples divergência entre diferentes sensibilidades sobre uma forma ritual.

O problema é, antes de tudo, eclesiológico. Não vejo como se pode dizer que a validade do Concílio seja reconhecida – embora me surpreenda um pouco que um católico possa presumir não fazê-lo – e não aceitar a reforma litúrgica nascida da Sacrosanctum Concilium, que expressa a realidade da Liturgia em estreita ligação com a visão da Igreja admiravelmente descrita pela Lumen Gentium. Por isso – como expliquei na carta enviada a todos os Bispos – senti-me no dever de afirmar que “os livros litúrgicos promulgados pelos Santos Pontífices Paulo VI e João Paulo II, de acordo com os decretos do Concílio Vaticano II, como única expressão da lex orandi do Rito Romano” (Motu Proprio Traditionis custodes, art. 1).

A não aceitação da reforma, bem como uma compreensão superficial dela, nos desvia da tarefa de encontrar as respostas para a pergunta que repito: como crescer na capacidade de viver plenamente a ação litúrgica? Como podemos continuar a nos maravilhar com o que acontece diante de nossos olhos na celebração? Precisamos de uma formação litúrgica séria e vital.

32. Voltemos ao Cenáculo de Jerusalém: na manhã de Pentecostes nasceu a Igreja, célula inicial da nova humanidade. Somente a comunidade de homens e mulheres reconciliados, porque foram perdoados; vivo, porque Ele está vivo; verdadeiras, porque são habitadas pelo Espírito da verdade, podem abrir o estreito espaço do individualismo espiritual.

33. É a comunidade de Pentecostes que pode partir o Pão com a certeza de que o Senhor está vivo, ressuscitado dos mortos, presente com a sua palavra, com os seus gestos, com a oferta do seu Corpo e do seu Sangue. A partir desse momento, a celebração torna-se o lugar privilegiado, não o único, do encontro com Ele. Sabemos que, só graças a este encontro, o homem se torna plenamente homem. Só a Igreja de Pentecostes pode conceber o homem como pessoa, aberta a uma relação plena com Deus, com a criação e com os seus irmãos.

34. Aqui surge a questão decisiva da formação litúrgica. Guardini diz: “É assim também que se delineia a primeira tarefa prática: apoiados por esta transformação interior de nosso tempo, devemos aprender mais uma vez a nos situarmos diante da relação religiosa como homens em sentido pleno.[8] É isso que torna a Liturgia possível, é nisso que devemos nos formar. O próprio Guardini não hesita em afirmar que, sem formação litúrgica, “as reformas no rito e no texto não servem de muito”.[9] Não pretendo agora tratar exaustivamente do riquíssimo tema da formação litúrgica: quero apenas oferecer alguns pontos de reflexão. Acho que podemos distinguir dois aspectos: formação para a liturgia e formação para a liturgia. A primeira é uma função da segunda, que é essencial.

35. É necessário encontrar canais de formação como estudo da Liturgia: desde o movimento litúrgico, muito se tem feito nesse sentido, com valiosas contribuições de muitos estudiosos e instituições acadêmicas. No entanto, é necessário difundir esse conhecimento fora da esfera acadêmica, de forma acessível, para que cada crente cresça no conhecimento do significado teológico da Liturgia - esta é a questão decisiva e fundadora de todo conhecimento e de toda prática litúrgica -, bem como no desenvolvimento da celebração cristã, adquirindo a capacidade de compreender os textos eucológicos, os dinamismos rituais e o seu valor antropológico.

36. Penso na normalidade das nossas assembleias que se reúnem para celebrar a Eucaristia no Dia do Senhor, domingo após domingo, Páscoa após Páscoa, em momentos específicos da vida das pessoas e das comunidades, nas diversas idades da vida: os ministros ordenados realizam uma ação pastoral da maior importância quando levam pela mão os fiéis batizados para conduzi-los à repetida experiência da Páscoa. Recordemos sempre que a Igreja, Corpo de Cristo, é a celebrante, não apenas o sacerdote. O conhecimento que vem do estudo é apenas o primeiro passo para poder entrar no celebrado mistério. É evidente que, para orientar os irmãos e irmãs, os ministros que presidem a assembleia devem conhecer o caminho, tanto por tê-lo estudado no mapa da ciência teológica, quanto a tê-la frequentado na prática de uma experiência de fé viva, alimentada pela oração, certamente não apenas como um compromisso a cumprir. No dia da ordenação, cada sacerdote ouve seu bispo dizer: "Considere o que você faz e imite o que você comemora, e conforma sua vida ao mistério da cruz do Senhor".[10]

37. La configuración del estudio de la Liturgia en los seminarios debe tener en cuenta también la extraordinaria capacidad que la celebración tiene en sí misma para ofrecer una visión orgánica del conocimiento teológico. Cada disciplina de la teología, desde su propia perspectiva, debe mostrar su íntima conexión con la Liturgia, en virtud de la cual se revela y realiza la unidad de la formación sacerdotal (cfr. Sacrosanctum Concilium, n. 16). Una configuración litúrgico-sapiencial de la formación teológica en los seminarios tendría ciertamente efectos positivos, también en la acción pastoral. No hay ningún aspecto de la vida eclesial que no encuentre su culmen y su fuente en ella.

La pastoral de conjunto, orgánica, integrada, más que ser el resultado de la elaboración de complicados programas, es la consecuencia de situar la celebración eucarística dominical, fundamento de la comunión, en el centro de la vida de la comunidad. La comprensión teológica de la Liturgia no permite, de ninguna manera, entender estas palabras como si todo se redujera al aspecto cultual. Una celebración que no evangeliza, no es auténtica, como no lo es un anuncio que no lleva al encuentro con el Resucitado en la celebración: ambos, pues, sin el testimonio de la caridad, son como un metal que resuena o un címbalo que aturde (cfr. 1Cor 13,1).

38. Para los ministros y para todos los bautizados, la formación litúrgica, en su primera acepción, no es algo que se pueda conquistar de una vez para siempre: puesto que el don del misterio celebrado supera nuestra capacidad de conocimiento, este compromiso deberá ciertamente acompañar la formación permanente de cada uno, con la humildad de los pequeños, actitud que abre al asombro.

39. Una última observación sobre los seminarios: además del estudio, deben ofrecer también la oportunidad de experimentar una celebración, no sólo ejemplar desde el punto de vista ritual, sino auténtica, vital, que permita vivir esa verdadera comunión con Dios, a la cual debe tender también el conocimiento teológico. Sólo la acción del Espíritu puede perfeccionar nuestro conocimiento del misterio de Dios, que no es cuestión de comprensión mental, sino de una relación que toca la vida. Esta experiencia es fundamental para que, una vez sean ministros ordenados, puedan acompañar a las comunidades en el mismo camino de conocimiento del misterio de Dios, que es misterio de amor.

40. Esta última consideración nos lleva a reflexionar sobre el segundo significado con el que podemos entender la expresión “formación litúrgica”. Me refiero al ser formados, cada uno según su vocación, por la participación en la celebración litúrgica. Incluso el conocimiento del estudio que acabo de mencionar, para que no se convierta en racionalismo, debe estar en función de la puesta en práctica de la acción formativa de la Liturgia en cada creyente en Cristo.

41. De cuanto hemos dicho sobre la naturaleza de la Liturgia, resulta evidente que el conocimiento del misterio de Cristo, cuestión decisiva para nuestra vida, no consiste en una asimilación mental de una idea, sino en una real implicación existencial con su persona. En este sentido, la Liturgia no tiene que ver con el “conocimiento”, y su finalidad no es primordialmente pedagógica (aunque tiene un gran valor pedagógico: cfr. Sacrosanctum Concilium, n. 33) sino que es la alabanza, la acción de gracias por la Pascua del Hijo, cuya fuerza salvadora llega a nuestra vida.

La celebración tiene que ver con la realidad de nuestro ser dóciles a la acción del Espíritu, que actúa en ella, hasta que Cristo se forme en nosotros (cfr. Gál 4,19). La plenitud de nuestra formación es la conformación con Cristo. Repito: no se trata de un proceso mental y abstracto, sino de llegar a ser Él. Esta es la finalidad para la cual se ha dado el Espíritu, cuya acción es siempre y únicamente confeccionar el Cuerpo de Cristo. Es así con el pan eucarístico, es así para todo bautizado llamado a ser, cada vez más, lo que recibió como don en el bautismo, es decir, ser miembro del Cuerpo de Cristo. León Magno escribe: «Nuestra participación en el Cuerpo y la Sangre de Cristo no tiende a otra cosa sino a convertirnos en lo que comemos».[11]

42. Esta implicación existencial tiene lugar – en continuidad y coherencia con el método de la Encarnación – por vía sacramental. La Liturgia está hecha de cosas que son exactamente lo contrario de abstracciones espirituales: pan, vino, aceite, agua, perfume, fuego, ceniza, piedra, tela, colores, cuerpo, palabras, sonidos, silencios, gestos, espacio, movimiento, acción, orden, tiempo, luz. Toda la creación es manifestación del amor de Dios: desde que ese mismo amor se ha manifestado en plenitud en la cruz de Jesús, toda la creación es atraída por Él.

Es toda la creación la que es asumida para ser puesta al servicio del encuentro con el Verbo encarnado, crucificado, muerto, resucitado, ascendido al Padre. Así como canta la plegaria sobre el agua para la fuente bautismal, al igual que la del aceite para el sagrado crisma y las palabras de la presentación del pan y el vino, frutos de la tierra y del trabajo del hombre.

43. La Liturgia da gloria a Dios no porque podamos añadir algo a la belleza de la luz inaccesible en la que Él habita (cfr. 1Tim 6,16) o a la perfección del canto angélico, que resuena eternamente en las moradas celestiales. La Liturgia da gloria a Dios porque nos permite, aquí en la tierra, ver a Dios en la celebración de los misterios y, al verlo, revivir por su Pascua: nosotros, que estábamos muertos por los pecados, hemos revivido por la gracia con Cristo (cfr. Ef 2,5), somos la gloria de Dios. Ireneo, doctor unitatis, nos lo recuerda: «La gloria de Dios es el hombre vivo, y la vida del hombre consiste en la visión de Dios: si ya la revelación de Dios a través de la creación da vida a todos los seres que viven en la tierra, ¡cuánto más la manifestación del Padre a través del Verbo es causa de vida para los que ven a Dios!».[12]

44. Guardini escribe: «Con esto se delinea la primera tarea del trabajo de la formación litúrgica: el hombre ha de volver a ser capaz de símbolos».[13] Esta tarea concierne a todos, ministros ordenados y fieles. La tarea no es fácil, porque el hombre moderno es analfabeto, ya no sabe leer los símbolos, apenas conoce de su existencia. Esto también ocurre con el símbolo de nuestro cuerpo. Es un símbolo porque es la unión íntima del alma y el cuerpo, visibilidad del alma espiritual en el orden de lo corpóreo, y en ello consiste la unicidad humana, la especificidad de la persona irreductible a cualquier otra forma de ser vivo.

Nuestra apertura a lo trascendente, a Dios, es constitutiva: no reconocerla nos lleva inevitablemente a un no conocimiento, no sólo de Dios, sino también de nosotros mismos. No hay más que ver la forma paradójica en que se trata al cuerpo, o bien tratado casi obsesivamente en pos del mito de la eterna juventud, o bien reducido a una materialidad a la cual se le niega toda dignidad. El hecho es que no se puede dar valor al cuerpo sólo desde el cuerpo. Todo símbolo es a la vez poderoso y frágil: si no se respeta, si no se trata como lo que es, se rompe, pierde su fuerza, se vuelve insignificante.

Ya no tenemos la mirada de San Francisco, que miraba al sol –al que llamaba hermano porque así lo sentía –, lo veía bellu e radiante cum grande splendore y, lleno de asombro, cantaba: de te Altissimu, porta significatione. [14] Haber perdido la capacidad de comprender el valor simbólico del cuerpo y de toda criatura hace que el lenguaje simbólico de la Liturgia sea casi inaccesible para el hombre moderno.

No se trata, sin embargo, de renunciar a ese lenguaje: no se puede renunciar a él porque es el que la Santísima Trinidad ha elegido para llegar a nosotros en la carne del Verbo. Se trata más bien de recuperar la capacidad de plantear y comprender los símbolos de la Liturgia. No hay que desesperar, porque en el hombre esta dimensión, como acabo de decir, es constitutiva y, a pesar de los males del materialismo y del espiritualismo – ambos negación de la unidad cuerpo y alma –, está siempre dispuesta a reaparecer, como toda verdad.

45. Entonces, la pregunta que nos hacemos es ¿cómo volver a ser capaces de símbolos? ¿Cómo volver a saber leerlos para vivirlos? Sabemos muy bien que la celebración de los sacramentos es – por la gracia de Dios – eficaz en sí misma (ex opere operato), pero esto no garantiza una plena implicación de las personas sin un modo adecuado de situarse frente al lenguaje de la celebración. La lectura simbólica no es una cuestión de conocimiento mental, de adquisición de conceptos, sino una experiencia vital.

46. Ante todo, debemos recuperar la confianza en la creación. Con esto quiero decir que las cosas – con las cuales “se hacen” los sacramentos – vienen de Dios, están orientadas a Él y han sido asumidas por Él, especialmente con la encarnación, para que pudieran convertirse en instrumentos de salvación, vehículos del Espíritu, canales de gracia. Aquí se advierte la distancia, tanto de la visión materialista, como espiritualista. Si las cosas creadas son parte irrenunciable de la acción sacramental que lleva a cabo nuestra salvación, debemos situarnos ante ellas con una mirada nueva, no superficial, respetuosa, agradecida. Desde el principio, contienen la semilla de la gracia santificante de los sacramentos.

47. Otra cuestión decisiva – reflexionando de nuevo sobre cómo nos forma la Liturgia – es la educación necesaria para adquirir la actitud interior, que nos permita situar y comprender los símbolos litúrgicos. Lo expreso de forma sencilla. Pienso en los padres y, más aún, en los abuelos, pero también en nuestros párrocos y catequistas.

Muchos de nosotros aprendimos de ellos el poder de los gestos litúrgicos, como la señal de la cruz, el arrodillarse o las fórmulas de nuestra fe. Quizás puede que no tengamos un vivo recuerdo de ello, pero podemos imaginar fácilmente el gesto de una mano más grande que toma la pequeña mano de un niño y acompañándola lentamente mientras traza, por primera vez, la señal de nuestra salvación.

El movimiento va acompañado de las palabras, también lentas, como para apropiarse de cada instante de ese gesto, de todo el cuerpo: «En el nombre del Padre... y del Hijo... y del Espíritu Santo... Amén». Para después soltar la mano del niño y, dispuesto a acudir en su ayuda, ver cómo repite él solo ese gesto ya entregado, como si fuera un hábito que crecerá con él, vistiéndolo de la manera que sólo el Espíritu conoce. A partir de ese momento, ese gesto, su fuerza simbólica, nos pertenece o, mejor dicho, pertenecemos a ese gesto, nos da forma, somos formados por él.

No es necesario hablar demasiado, no es necesario haber entendido todo sobre ese gesto: es necesario ser pequeño, tanto al entregarlo, como al recibirlo. El resto es obra del Espíritu. Así hemos sido iniciados en el lenguaje simbólico. No podemos permitir que nos roben esta riqueza. A medida que crecemos, podemos tener más medios para comprender, pero siempre con la condición de seguir siendo pequeños.

Ars celebrandi

48. Un modo para custodiar y para crecer en la comprensión vital de los símbolos de la Liturgia es, ciertamente, cuidar el arte de celebrar. Esta expresión también es objeto de diferentes interpretaciones. Se entiende más claramente teniendo en cuenta el sentido teológico de la Liturgia descrito en el número 7 de Sacrosanctum Concilium, al cual nos hemos referido varias veces. El ars celebrandi no puede reducirse a la mera observancia de un aparato de rúbricas, ni tampoco puede pensarse en una fantasiosa – a veces salvaje – creatividad sin reglas. El rito es en sí mismo una norma, y la norma nunca es un fin en sí misma, sino que siempre está al servicio de la realidad superior que quiere custodiar.

49. Como cualquier arte, requiere diferentes conocimientos. En primer lugar, la comprensión del dinamismo que describe la Liturgia. El momento de la acción celebrativa es el lugar donde, a través del memorial, se hace presente el misterio pascual para que los bautizados, en virtud de su participación, puedan experimentarlo en su vida: sin esta comprensión, se cae fácilmente en el “exteriorismo” (más o menos refinado) y en el rubricismo (más o menos rígido).

Es necesario, pues, conocer cómo actúa el Espíritu Santo en cada celebración: el arte de celebrar debe estar en sintonía con la acción del Espíritu. Sólo así se librará de los subjetivismos, que son el resultado de la prevalencia de las sensibilidades individuales, y de los culturalismos, que son incorporaciones sin criterio de elementos culturales, que nada tienen que ver con un correcto proceso de inculturación.

Por último, es necesario conocer la dinámica del lenguaje simbólico, su peculiaridad, su eficacia.

50. De estas breves observaciones se desprende que el arte de celebrar no se puede improvisar. Como cualquier arte, requiere una aplicación asidua. Un artesano sólo necesita la técnica; un artista, además de los conocimientos técnicos, no puede carecer de inspiración, que es una forma positiva de posesión: el verdadero artista no posee un arte, ni es poseído por él. Uno no aprende el arte de celebrar porque asista a un curso de oratoria o de técnicas de comunicación persuasiva (no juzgo las intenciones, veo los efectos).

Toda herramienta puede ser útil, pero siempre debe estar sujeta a la naturaleza de la Liturgia y a la acción del Espíritu. Es necesaria una dedicación diligente a la celebración, dejando que la propia celebración nos transmita su arte. Guardini escribe: «Debemos darnos cuenta de lo profundamente arraigados que estamos todavía en el individualismo y el subjetivismo, de lo poco acostumbrados que estamos a la llamada de las cosas grandes y de lo pequeña que es la medida de nuestra vida religiosa.

Hay que despertar el sentido de la grandeza de la oración, la voluntad de implicar también nuestra existencia en ella. Pero el camino hacia estas metas es la disciplina, la renuncia a un sentimentalismo blando; un trabajo serio, realizado en obediencia a la Iglesia, en relación con nuestro ser y nuestro comportamiento religioso».[15] Así es como se aprende el arte de la celebración.

51. Al hablar de este tema, podemos pensar que sólo concierne a los ministros ordenados que ejercen el servicio de la presidencia. En realidad, es una actitud a la que están llamados a vivir todos los bautizados. Pienso en todos los gestos y palabras que pertenecen a la asamblea: reunirse, caminar en procesión, sentarse, estar de pie, arrodillarse, cantar, estar en silencio, aclamar, mirar, escuchar.

Son muchas las formas en que la asamblea, como un solo hombre (Neh 8,1), participa en la celebración. Realizar todos juntos el mismo gesto, hablar todos a la vez, transmite a los individuos la fuerza de toda la asamblea. Es una uniformidad que no sólo no mortifica, sino que, por el contrario, educa a cada fiel a descubrir la auténtica singularidad de su personalidad, no con actitudes individualistas, sino siendo conscientes de ser un solo cuerpo.

No se trata de tener que seguir un protocolo litúrgico: se trata más bien de una “disciplina” – en el sentido utilizado por Guardini – que, si se observa con autenticidad, nos forma: son gestos y palabras que ponen orden en nuestro mundo interior, haciéndonos experimentar sentimientos, actitudes, comportamientos. No son el enunciado de un ideal en el que inspirarnos, sino una acción que implica al cuerpo en su totalidad, es decir, ser unidad de alma y cuerpo.

52. Entre los gestos rituales que pertenecen a toda la asamblea, el silencio ocupa un lugar de absoluta importancia. Varias veces se prescribe expresamente en las rúbricas: toda la celebración eucarística está inmersa en el silencio que precede a su inicio y marca cada momento de su desarrollo ritual.

En efecto, está presente en el acto penitencial; después de la invitación a la oración; en la Liturgia de la Palabra (antes de las lecturas, entre las lecturas y después de la homilía); en la plegaria eucarística; después de la comunión.[16] No es un refugio para esconderse en un aislamiento intimista, padeciendo la ritualidad como si fuera una distracción: tal silencio estaría en contradicción con la esencia misma de la celebración. El silencio litúrgico es mucho más: es el símbolo de la presencia y la acción del Espíritu Santo que anima toda la acción celebrativa, por lo que, a menudo, constituye la culminación de una secuencia ritual.

Precisamente porque es un símbolo del Espíritu, tiene el poder de expresar su acción multiforme. Así, retomando los momentos que he recordado anteriormente, el silencio mueve al arrepentimiento y al deseo de conversión; suscita la escucha de la Palabra y la oración; dispone a la adoración del Cuerpo y la Sangre de Cristo; sugiere a cada uno, en la intimidad de la comunión, lo que el Espíritu quiere obrar en nuestra vida para conformarnos con el Pan partido. Por eso, estamos llamados a realizar con extremo cuidado el gesto simbólico del silencio: en él nos da forma el Espíritu.

53. Cada gesto y cada palabra contienen una acción precisa que es siempre nueva, porque encuentra un momento siempre nuevo en nuestra vida. Permitidme explicarlo con un sencillo ejemplo. Nos arrodillamos para pedir perdón; para doblegar nuestro orgullo; para entregar nuestras lágrimas a Dios; para suplicar su intervención; para agradecerle un don recibido: es siempre el mismo gesto, que expresa esencialmente nuestra pequeñez ante Dios.

Sin embargo, realizado en diferentes momentos de nuestra vida, modela nuestra profunda interioridad y posteriormente se manifiesta externamente en nuestra relación con Dios y con nuestros hermanos. Arrodillarse debe hacerse también con arte, es decir, con plena conciencia de su significado simbólico y de la necesidad que tenemos de expresar, mediante este gesto, nuestro modo de estar en presencia del Señor.

Si todo esto es cierto para este simple gesto, ¿cuánto más para la celebración de la Palabra? ¿Qué arte estamos llamados a aprender al proclamar la Palabra, al escucharla, al hacerla inspiración de nuestra oración, al hacer que se haga vida? Todo ello merece el máximo cuidado, no formal, exterior, sino vital, interior, porque cada gesto y cada palabra de la celebración expresada con “arte” forma la personalidad cristiana del individuo y de la comunidad.

54. Si bien es cierto que el ars celebrandi concierne a toda la asamblea que celebra, no es menos cierto que los ministros ordenados deben cuidarlo especialmente. Visitando comunidades cristianas he comprobado, a menudo, que su forma de vivir la celebración está condicionada – para bien, y desgraciadamente también para mal – por la forma en que su párroco preside la asamblea.

Podríamos decir que existen diferentes “modelos” de presidencia. He aquí una posible lista de actitudes que, aunque opuestas, caracterizan a la presidencia de forma ciertamente inadecuada: rigidez austera o creatividad exagerada; misticismo espiritualizador o funcionalismo práctico; prisa precipitada o lentitud acentuada; descuido desaliñado o refinamiento excesivo; afabilidad sobreabundante o impasibilidad hierática.

A pesar de la amplitud de este abanico, creo que la inadecuación de estos modelos tiene una raíz común: un exagerado personalismo en el estilo celebrativo que, en ocasiones, expresa una mal disimulada manía de protagonismo. Esto suele ser más evidente cuando nuestras celebraciones se difunden en red, cosa que no siempre es oportuno y sobre la que deberíamos reflexionar. Eso sí, no son estas las actitudes más extendidas, pero las asambleas son objeto de ese “maltrato” frecuentemente.

55. Se podría decir mucho sobre la importancia y el cuidado de la presidencia. En varias ocasiones me he detenido en la exigente tarea de la homilía.[17] Me limitaré ahora a algunas consideraciones más amplias, queriendo, de nuevo, reflexionar con vosotros sobre cómo somos formados por la Liturgia. Pienso en la normalidad de las Misas dominicales en nuestras comunidades: me refiero, pues, a los presbíteros, pero implícitamente a todos los ministros ordenados.

56. El presbítero vive su participación propia durante la celebración en virtud del don recibido en el sacramento del Orden: esta tipología se expresa precisamente en la presidencia. Como todos los oficios que está llamado a desempeñar, éste no es, primariamente, una tarea asignada por la comunidad, sino la consecuencia de la efusión del Espíritu Santo recibida en la ordenación, que le capacita para esta tarea. El presbítero también es formado al presidir la asamblea que celebra.

57. Para que este servicio se haga bien – con arte – es de fundamental importancia que el presbítero tenga, ante todo, la viva conciencia de ser, por misericordia, una presencia particular del Resucitado. El ministro ordenado es en sí mismo uno de los modos de presencia del Señor que hacen que la asamblea cristiana sea única, diferente de cualquier otra (cfr. Sacrosanctum Concilium, n. 7). Este hecho da profundidad “sacramental” – en sentido amplio – a todos los gestos y palabras de quien preside. L

a asamblea tiene derecho a poder sentir en esos gestos y palabras el deseo que tiene el Señor, hoy como en la última cena, de seguir comiendo la Pascua con nosotros. Por tanto, el Resucitado es el protagonista, y no nuestra inmadurez, que busca asumir un papel, una actitud y un modo de presentarse, que no le corresponde.

El propio presbítero se ve sobrecogido por este deseo de comunión que el Señor tiene con cada uno: es como si estuviera colocado entre el corazón ardiente de amor de Jesús y el corazón de cada creyente, objeto de su amor. Presidir la Eucaristía es sumergirse en el horno del amor de Dios. Cuando se comprende o, incluso, se intuye esta realidad, ciertamente ya no necesitamos un directorio que nos dicte el adecuado comportamiento. Si lo necesitamos, es por la dureza de nuestro corazón.

La norma más excelsa y, por tanto, más exigente, es la realidad de la propia celebración eucarística, que selecciona las palabras, los gestos, los sentimientos, haciéndonos comprender si son o no adecuados a la tarea que han de desempeñar. Evidentemente, esto tampoco se puede improvisar: es un arte, requiere la aplicación del sacerdote, es decir, la frecuencia asidua del fuego del amor que el Señor vino a traer a la tierra (cfr. Lc 12,49).

58. Cuando la primera comunidad parte el pan en obediencia al mandato del Señor, lo hace bajo la mirada de María, que acompaña los primeros pasos de la Iglesia: “perseveraban unánimes en la oración, junto con algunas mujeres y María, la madre de Jesús” (Hch 1,14). La Virgen Madre “supervisa” los gestos de su Hijo encomendados a los Apóstoles. Como ha conservado en su seno al Verbo hecho carne, después de acoger las palabras del ángel Gabriel, la Virgen conserva también ahora en el seno de la Iglesia aquellos gestos que conforman el cuerpo de su Hijo. El presbítero, que en virtud del don recibido por el sacramento del Orden repite esos gestos, es custodiado en las entrañas de la Virgen. ¿Necesitamos una norma que nos diga cómo comportarnos?

59. Convertidos en instrumentos para que arda en la tierra el fuego de su amor, custodiados en las entrañas de María, Virgen hecha Iglesia (como cantaba san Francisco), los presbíteros se dejan modelar por el Espíritu que quiere llevar a término la obra que comenzó en su ordenación. La acción del Espíritu les ofrece la posibilidad de ejercer la presidencia de la asamblea eucarística con el temor de Pedro, consciente de su condición de pecador (cfr. Lc 5,1-11), con la humildad fuerte del siervo sufriente (cfr. Is 42 ss), con el deseo de “ser comido” por el pueblo que se les confía en el ejercicio diario de su ministerio.

60. La propia celebración educa a esta cualidad de la presidencia; repetimos, no es una adhesión mental, aunque toda nuestra mente, así como nuestra sensibilidad, estén implicadas en ella. El presbítero está, por tanto, formado para presidir mediante las palabras y los gestos que la Liturgia pone en sus labios y en sus manos.

No se sienta en un trono[18], porque el Señor reina con la humildad de quien sirve.

No roba la centralidad del altar, signo de Cristo, de cuyo lado, traspasado en la cruz, brotó sangre y agua, inicio de los sacramentos de la Iglesia y centro de nuestra alabanza y acción de gracias.[19]

Al acercarse al altar para la ofrenda, se enseña al presbítero la humildad y el arrepentimiento con las palabras: «Acepta, Señor, nuestro corazón contrito y nuestro espíritu humilde; que este sea hoy nuestro sacrificio y que sea agradable en tu presencia, Señor, Dios nuestro».[20]

No puede presumir de sí mismo por el ministerio que se le ha confiado, porque la Liturgia le invita a pedir ser purificado, con el signo del agua: «Lava del todo mi delito, Señor, y limpia mi pecado».[21]

Las palabras que la Liturgia pone en sus labios tienen distintos significados, que requieren tonalidades específicas: por la importancia de estas palabras, se pide al presbítero un verdadero ars dicendi. Éstas dan forma a sus sentimientos interiores, ya sea en la súplica al Padre en nombre de la asamblea, como en la exhortación dirigida a la asamblea, así como en las aclamaciones junto con toda la asamblea.

Con la plegaria eucarística – en la que participan también todos los bautizados escuchando con reverencia y silencio e interviniendo con aclamaciones[22] – el que preside tiene la fuerza, en nombre de todo el pueblo santo, de recordar al Padre la ofrenda de su Hijo en la última cena, para que ese inmenso don se haga de nuevo presente en el altar. Participa en esa ofrenda con la ofrenda de sí mismo. El presbítero no puede hablar al Padre de la última cena sin participar en ella. No puede decir: «Tomad y comed todos de él, porque esto es mi Cuerpo, que será entregado por vosotros», y no vivir el mismo deseo de ofrecer su propio cuerpo, su propia vida por el pueblo a él confiado. Esto es lo que ocurre en el ejercicio de su ministerio.


O sacerdote é El continuamente treinado na ação celebrativa para tudo isso e muito mais***

61. He querido ofrecer simplemente algunas reflexiones que ciertamente no agotan el inmenso tesoro de la celebración de los santos misterios. Pido a todos los obispos, presbíteros y diáconos, a los formadores de los seminarios, a los profesores de las facultades teológicas y de las escuelas de teología, y a todos los catequistas, que ayuden al pueblo santo de Dios a beber de la que siempre ha sido la fuente principal de la espiritualidad cristiana.

Estamos continuamente llamados a redescubrir la riqueza de los principios generales expuestos en los primeros números de la Sacrosanctum Concilium, comprendiendo el íntimo vínculo entre la primera Constitución conciliar y todas las demás. Por eso, no podemos volver a esa forma ritual que los Padres Conciliares, cum Petro y sub Petro, sintieron la necesidad de reformar, aprobando, bajo la guía del Espíritu y según su conciencia de pastores, los principios de los que nació la reforma. Los santos Pontífices Pablo VI y Juan Pablo II, al aprobar los libros litúrgicos reformados ex decreto Sacrosancti Œcumenici Concilii Vaticani II, garantizaron la fidelidad de la reforma al Concilio. Por eso, escribí Traditionis Custodes, para que la Iglesia pueda elevar, en la variedad de lenguas, una única e idéntica oración capaz de expresar su unidad.[23] Esta unidad que, como ya he escrito, pretendo ver restablecida en toda la Iglesia de Rito Romano.

62. Quisiera que esta carta nos ayudara a reavivar el asombro por la belleza de la verdad de la celebración cristiana, a recordar la necesidad de una auténtica formación litúrgica y a reconocer la importancia de un arte de la celebración, que esté al servicio de la verdad del misterio pascual y de la participación de todos los bautizados, cada uno con la especificidad de su vocación.

Toda esta riqueza no está lejos de nosotros: está en nuestras iglesias, en nuestras fiestas cristianas, en la centralidad del domingo, en la fuerza de los sacramentos que celebramos. La vida cristiana es un continuo camino de crecimiento: estamos llamados a dejarnos formar con alegría y en comunión.

63. Por eso, me gustaría dejaros una indicación más para proseguir en nuestro camino. Os invito a redescubrir el sentido del año litúrgico y del día del Señor: también esto es una consigna del Concilio (cfr. Sacrosanctum Concilium, nn. 102-111).

64. A la luz de lo que hemos recordado anteriormente, entendemos que el año litúrgico es la posibilidad de crecer en el conocimiento del misterio de Cristo, sumergiendo nuestra vida en el misterio de su Pascua, mientras esperamos su vuelta. Se trata de una verdadera formación continua. Nuestra vida no es una sucesión casual y caótica de acontecimientos, sino un camino que, de Pascua en Pascua, nos conforma a Él mientras esperamos la gloriosa venida de nuestro Salvador Jesucristo.[24]

65. En el correr del tiempo, renovado por la Pascua, cada ocho días la Iglesia celebra, en el domingo, el acontecimiento de la salvación. El domingo, antes de ser un precepto, es un regalo que Dios hace a su pueblo (por eso, la Iglesia lo protege con un precepto). La celebración dominical ofrece a la comunidad cristiana la posibilidad de formarse por medio de la Eucaristía. De domingo a domingo, la Palabra del Resucitado ilumina nuestra existencia queriendo realizar en nosotros aquello para lo que ha sido enviada (cfr. Is 55,10-11). De domingo a domingo, la comunión en el Cuerpo y la Sangre de Cristo quiere hacer también de nuestra vida un sacrificio agradable al Padre, en la comunión fraterna que se transforma en compartir, acoger, servir. De domingo a domingo, la fuerza del Pan partido nos sostiene en el anuncio del Evangelio en el que se manifiesta la autenticidad de nuestra celebración.

Abandonemos las polémicas para escuchar juntos lo que el Espíritu dice a la Iglesia, mantengamos la comunión, sigamos asombrándonos por la belleza de la Liturgia. Se nos ha dado la Pascua, conservemos el deseo continuo que el Señor sigue teniendo de poder comerla con nosotros. Bajo la mirada de María, Madre de la Iglesia.

Dado en Roma, en San Juan de Letrán, a 29 de junio, solemnidad de los Santos Pedro y Pablo, Apóstoles, del año 2022, décimo de mi pontificado.

¡Tiemble el hombre todo entero, estremézcase el mundo todo y exulte el cielo cuando Cristo, el Hijo de Dios vivo, se encuentra sobre el altar en manos del sacerdote! 


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