segunda-feira, 25 de junho de 2018

OS DOIS BRAÇOS LONGOS DO PAPA: FÉ E CARIDADE

Papa almoça com os pobres na sala Paulo VI

A caridade do Papa e sua gestão, que deve sempre ser mais eficaz, foi um dos temas tratados pelo próprio Papa Francisco na recente entrevista à agência de notícias britânica Reuters.
Cidade do Vaticano
Celebra-se, neste domingo (23/06), o Dia da Caridade do Papa, promovido pela Conferência Episcopal Italiana (CEI) em colaboração com o Óbolo de São Pedro. Esse dia é celebrado todos os anos no domingo próximo ao dia 29 de junho, Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo.
O secretário-geral da CEI, dom Nunzio Galantino, enviou uma carta a cerca de 25 mil paróquias italianas, explicando que esta iniciativa é para cada pessoa um uma ocasião “para acrescentar a nossa mão à mão do Santo Padre e abraçar juntos a ele a humanidade” como “filhos de um Deus, rico em misericórdia”.
Dom Galantino reflete sobre o que nos torna ricos ou pobres e escreve que tudo depende do olhar que se assume: “Se for exclusivamente terreno, prevalece o peso específico do que é material e imediato, dinheiro e sucesso, fama e poder. Mas é o olhar de Deus que sempre inverte a perspectiva e nos devolve a dimensão eterna que nos pertence como seus filhos, e com ela a liberdade que os bens e a consideração social nos tiram, tentando reduzir nossa a humanidade somente ao ‘ter’.”
Os dois braços longos do Papa: fé e caridade
A caridade do Papa e sua gestão, que deve sempre ser mais eficaz, foi um dos temas tratados pelo próprio Papa Francisco na recente entrevista à agência de notícias britânica Reuters.
“De agora em diante”, disse o Papa, “um cardeal irá chefiar o organismo competente. O atual responsável pela Esmolaria Apostólica será, portanto, elevado a cardeal e assim os seus sucessores, institucionalizando um perfil mais elevado ao departamento que promove a ajuda aos pobres”.
Francisco explicou: “Penso que existam dois braços longos do Papa - aquele que cuida da custódia da fé, e ali o trabalho é feito pela Congregação para a Doutrina da Fé, e o prefeito deve ser um cardeal.”
“O outro braço longo do Papa é a caridade, e ali deve haver um cardeal: estes são os dois braços longos do Papa: fé e caridade.”
Iniciativas da Esmolaria Apostólica
O arcebispo polonês dom Konrad Krajewski, atualmente responsável pela Esmolaria Apostólica, que remonta ao início do século XIII, será criado cardeal no Consistório da próxima quinta-feira (28/06), junto com outros 13 arcebispos.
Guiado por dom Krajewski, a esmolaria viu multiplicar as iniciativas de caridade. Ele gira muitas vezes pelas ruas de Roma para encontrar os pobres e sem-teto.
O Papa o recomendou, pedindo-lhe para “sair” e dizendo-lhe que em seu escritório não haveria necessidade de uma escrivaninha.
“Nas proximidades da Praça de São Pedro”, relata Philip Pullella, da Reuters, “foram instalados chuveiros e estruturas de saúde para os sem-teto e necessitados, e grupos deles foram acompanhados a espetáculos de circo e visitas particulares à Capela Sistina”.
Fonte: Vatican News
 

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ECCLESIA REFORMATA ET SEMPER REFORMANDA EST : O PROCESSO DE ESCOLHA DE UM BISPO.

A igreja católica e cada um de nós membro da igreja sabe da necessidade permanente da renovação, que os padres conciliares do último Concilio Ecumênico Vaticano II  que  ocorreu de (1962-1965) chamavam de "aggiornamento" ou seja uma igreja que pudesse responder as grandes questões do ser humano do seu tempo.  
Atualmente é visível e louvável  o grande esforço do Papa Francisco que parece querer começar uma reforma na gestão da Igreja, que é chamada de Curia Romana, parece que ao menos o nome deve ser mudado,"PRAEDICATE EVANGELIUM" isso  já sinaliza algo de bom. 
Pois bem, é este grupo " cúria romana" os amigos da corte, que tem seus braços em quase todos países com a chamada Nunciatura apostólica que faz a escolha dos bispos. É  um processo moroso e  burocrático  principalmente para as "dioceses pequenas", critério discutível, quando falamos do continente chamado Brasil.
O certo é que neste ritmo num futuro não muito distante, a escolha de um padre para ser bispo para este tal grupo de diocese, talvez será  o mesmo para a formação de um presbítero que em média dura oito anos, para os tempos do século XXI  quiça seja muito.
O presbítero na sua formação faz dois curso superiores presenciais,  raridade entres os  profissionais das pequenas e médias cidades. A realidade é que  somente no quarto  ano de seminário  é que de fato começa-se a estudar o que de fato interessa, a Teologia, quando metade dos alunos ou mais já abandonaram  formação. Consequente os custos são altos e os resultados são poucos os que chegam a serem ordenados. Esta equação em breve começará a ser refletida por mais pessoas que tem os cargos de direção na nossa  querida igreja que atenta aos sinais dos tempos dará uma resposta  melhor a uma das  questões do nosso tempo, a escassez de presbíteros, um sinal deste novo tempo no Brasil é o ANO NACIONAL DO LAICATO. 
É sempre necessário a busca do equilíbrio, entre as questões globais e as locais. Para que uma não sufoque a outra. Nesta busca a renovação é sempre a dinâmica que deve permear toda  a vida da comunidade cristã, desde a escolha do bispo ao coordenador de uma comunidade, pastoral, grupo e movimento, para que a ação do Espírito Santo seja cada vez mais visível  com a  alegria, o diálogo e o entusiasmo de quem é batizado. 
Boa semana e que Deus nos abençoe. Amém
Fonte: Pascom paroquial Santa Rita de Cássia
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JUÍZES SEM TETO:A INDEFINIÇÃO SOBRE O AUXILIO MORADIA IMPÔS AO PAÍS UM CUSTO DE UM PRIVILÉGIO INDEFENSÁVEL.


Folha de S.Paulo – (O que a Folha pensa)


Uma decisão tomada há quase quatro anos pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, já custou mais de R$ 4 bilhões aos cofres públicos sem que a controvérsia em torno da legalidade da medida fosse solucionada pela corte.
Em setembro de 2014, como relator de três ações movidas por juízes, Fux estendeu a todos os magistrados do país o auxílio-moradia, benefício concebido originalmente apenas para os que atuassem em comarcas longínquas.
Desde então, até profissionais com casa própria e que residem na mesma cidade em que trabalham ganharam direito a um adicional de R$ 4.377 mensais, livre de tributos e do teto imposto pela Constituição aos vencimentos dos servidores —atualmente, o salário dos ministros do Supremo, R$ 33,7 mil.
Fux concedeu a dádiva por meio de liminares, ou seja, decisões de caráter provisório. Seus efeitos prevalecem até hoje porque as ações sobre o assunto não foram julgadas no plenário do STF. 
Em março, quando os integrantes do tribunal se preparavam para examiná-las, Fux atendeu a um pedido da Associação dos Magistrados Brasileiros e suspendeu o julgamento, remetendo o caso a uma câmara de conciliação coordenada pela Advocacia-Geral da União. 
A ideia era que as partes envolvidas se reunissem até encontrar uma solução consensual para o problema, mas o esforço foi inútil. Passados três meses, a AGU jogou a toalha na última terça (19), informando ao Supremo que a tentativa de conciliação fracassara. 
A AGU considera ilegal a extensão indiscriminada do auxílio-moradia e fincou pé na posição. As associações de magistrados que participaram das discussões também não se mostraram dispostas a ceder.
Surgiram no processo duas sugestões para contornar o problema. A primeira seria incorporar o valor do penduricalho aos rendimentos dos juízes e, para acomodá-lo, aumentar o teto salarial dos funcionários públicos.
A outra ideia seria propor ao Congresso a criação de outro adicional para os magistrados, proporcional ao tempo de serviço na carreira, que substituiria o auxílio-moradia.
É fácil perceber que as duas propostas só atendem ao interesse das corporações, que se recusam a abrir mão dos seus ganhos, e não resolvem o problema do governo, que não tem dinheiro e teme alimentar pressões de outras categorias se satisfizer os magistrados.
Cabe agora ao STF decidir o que fazer. Considerando os custos da indefinição para o contribuinte, é desejável que o faça logo.
Não deveria ser uma escolha difícil. Num momento em que juízes e ministros do STF proclamam suas virtudes no combate aos privilégios dos poderosos, o auxílio-moradia se tornou moralmente insustentável.
Fonte: folhadesaopaulo.com.br
 

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sábado, 23 de junho de 2018

"JOÃO É O SEU NOME"

D. Rodolfo Weber: Arcebispo de Passo Fundo

Dia 24 de junho festeja-se o nascimento de São João Batista, o precursor de Jesus Cristo. Muitas festas populares existem inspiradas nesta data. O evangelista São Lucas 1,57-66 relata divergências na escolha do nome para a criança recém-nascida. Os vizinhos e parentes querem um nome já consagrado na família, mas seus pais não. Por fim, Zacarias escreveu: “João é o seu nome”. É o desafio dos pais quando precisam discernir o nome do filho. O que é um nome? Por que ter nome?
O nome proporciona uma identidade para a pessoa. Ela sai do anonimato ou da quantidade tornando-se única. Lembremo-nos dos campos de concentração nazistas onde os prisioneiros ao ingressarem perdiam a identidade e era-lhes impresso, com ferro incandescente, na pele um número. Era a primeira medida de tortura para desonrar o prisioneiro e torná-lo anônimo.
O nome faz com que a pessoa seja nominável ou invocável de modo que se possa estabelecer relações. Por meio do nome, o outro entra na estrutura das minhas relações humanas, a ponto de eu poder chamá-lo. O nome significa e cria, portanto, entrosamento e inclusão na estrutura das relações sociais. Poder ser chamado permite estabelecer a coexistência com aquele que o chama pelo nome.
Revelar o próprio nome é dar-se a conhecer aos outros. É entregar-se a si mesmo tornando-se acessível, capaz de ser conhecido mais intimamente e de ser chamado pessoalmente. A essência da pessoa revela-se, pois no encontro com o outro me conheço e me torno conhecido.
O segundo mandamento manda respeitar o nome de Deus. Na história da salvação, para se relacionar com os humanos, Deus se apresentou com um nome para não ficar um mero “Ser Supremo”. O dom do nome pertence a ordem da confiança e da intimidade, por isso só deve ser usado para bendizê-lo, louvá-lo e glorificá-lo. Os homens conhecendo o nome Deus fez com que Ele começasse a coexistir com a humanidade.
O Catecismo da Igreja Católica ensina: “O nome de todo homem é sagrado. O nome é o ícone da pessoa. Exige respeito, em sinal da dignidade de quem o leva” (n.2158). Assim como o nome de Deus deve ser respeitado, da mesma forma o nome de todo ser humano merece reverência. De muitas maneiras o nome das pessoas pode ser profanado. Apelidos pejorativos que substituem o nome e a identidade; invocar o nome de alguém como garantia de veracidade de uma mentira, falsificação de assinaturas.
Os pais têm uma grande e nobre responsabilidade na escolha do nome dos filhos, pois eles serão chamados por toda vida pelo nome recebido. Por isso recomenda-se aos pais cristãos que se inspirem em nomes de santos, bíblicos, ou que exprimam virtudes cristãs. É um ato de amor dar um nome com o qual seu portador sinta-se feliz e confortável.
Fonte: cnbb.net.br

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D. GUILHERME: " O FUTEBOL COMO UM GRANDE NEGÓCIO EXPLICA A APATIA DO BRASILEIRO"


“Os jogadores não vestem mais a camisa do Brasil eles vestem a camisa do dinheiro”, esta é uma das razões que explicam a apatia e o pouco envolvimento dos brasileiros com a Copa do Mundo de Futebol realizada na Rússia. A avaliação é do bispo da diocese de Lajes (SC), dom Guilherme Werlang, também presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora. Outra razão, segundo o bispo, está na própria qualidade do futebol canarinho que está deixando muito a desejar.
Para dom Guilherme, dizer que os jogadores defendem a pátria brasileira não é verdade. O bispo aponta que eles têm mais compromissos com seus clubes internacionais e defendem contratos milionários que daí podem advir. “A copa é um grande palco para onde os grandes empresários olham em busca dos jogadores que podem lhe render muitos lucros”, disse.
O bispo ainda apontou o fato de a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) estar associada à corrupção. Estes fatores, na avaliação do bispo de Lajes, estão fazendo o futebol perder a magia que teve até o início da década de 70, quando os principais jogadores permaneciam no Brasil, proximidade que fez crescer as torcidas.


Dom Guilherme analisa o futebol. Foto: Assessoria de Imprensa CNBB/Matheus de Souza
Esporte popular – Apesar destas mudanças, o futebol ainda é uma grande paixão do povo brasileiro, segundo dom Guilherme, em razão de ser um esporte democrático. “O futebol começou na várzea, num campo de chão batido. Em todo lugar, onde não havia muitas alternativas de esporte e lazer para o povo simples e pobre, bastava comprar uma bola, demarcar as linhas e distribuir os jogadores”, disse.
A paixão do povo brasileiro também pode ser explicada pelo fato de não ser um jogo individual mas um esporte praticado em equipe, com competição entre os dois lados. “O futebol pode ser praticado nas favelas, bairros e ruas do interior, nas roças e fazendas e é acessível aos mais pobres”, aponta.
Fonte: cnbb.net,br


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A SERVIÇO DE QUEM ESTÁ A JUSTIÇA BRASILEIRA?


Essa pergunta nem deveria existir. Mas lendo as últimas decisões da justiça brasileira nos seus mais elevados tribunais, surgem indícios da  grande e temida parcialidade. E esta parcialidade ainda favorecendo quem já é  mais forte. A última é sobre os planos de saúde. RIO - Menos de dez dias depois de a Justiça restringir os reajustes dos planos de saúde individuais em 5,72%, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) conseguiu derrubar a liminar e anunciou um aumento de praticamente o dobro (10%) para esses contratos, como antecipou o colunista do GLOBO Ancelmo Gois. O percentual de reajuste, muito acima do índice oficial de inflação, o IPCA — que acumula alta de 2,76% nos 12 meses encerrados até abril — será aplicado sobre contratos de 8 milhões de beneficiários, o que representa 17% do total de 47,3 milhões de pessoas que contam com planos de saúde no país. O aumento é retroativo a maio.





Sobre as questões partidárias, torna-se inútil tecer comentários, é muito mais visível o empenho da justiça na seleção dos julgamentos. A pergunta que fica: Isso algum dia vai mudar ou sempre foi assim e os cidadãos mais simples não percebiam ou não tinham coragem de expressar sua reprovação.  
Fonte: oglobo.com e Pascom Santa Rita de Cássia.
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BRASIL: A "MERITOCRACIA" DESMENTIDA PELOS NÚMEROS


Estudo revela: mobilidade social no país é a segunda menor, entre trinta nações. Mais pobres precisam trabalhar duro por nove gerações, para atingir renda média…
Por Camilla Veras Mota, da BBC Brasil | Imagem: Rodrigo Guimarães, Barracos (2009)
A chance de uma criança de baixa renda de ter um futuro melhor que a realidade em que nasceu está, em maior ou menor grau, relacionada à escolaridade e ao nível de renda de seus pais. Nos países ricos, o “elevador social” anda mais rápido. Nos emergentes, mais devagar – no Brasil, ainda mais lentamente.
O país ocupa a segunda pior posição em um estudo sobre mobilidade social feito pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) com dados de 30 países e divulgado nesta sexta-feira.
De acordo com o estudo O elevador social está quebrado? Como promover mobilidade social, seriam necessárias nove gerações para que os descendentes de um brasileiro entre os 10% mais pobres atingissem o nível médio de rendimento do país. A estimativa é a mesma para a África do Sul e só perde para a Colômbia, onde o período de ascensão levaria 11 gerações.
O indicador da OCDE foi construído levando em consideração a “elasticidade intergeracional de renda”. Ou seja, quanto o nível de rendimento dos filhos é determinado pelo dos pais. A instituição ressalta no estudo que a simulação tem finalidade ilustrativa – para dar dimensão da dificuldade de ascensão social – e que não deve ser interpretada como o tempo preciso para que um domicílio de baixa renda atinja a renda média.
Na média entre os países membros da OCDE, a chamada “persistência” da renda intergeracional é de 40%. Isso significa que, se uma família tem rendimento duas vezes maior o que de outra, o filho terá, em média, renda 40% mais alta que a da criança que veio da família de menor renda.
Nos países nórdicos, a persistência é de 20%. No Brasil, de 70%, conforme a pesquisa.
Mais de um terço daqueles que nascem entre os 20% mais pobres no Brasil permanece na base da pirâmide, enquanto apenas 7% consegue chegar aos 20% mais ricos. Na média da OCDE, 31% dos filhos que crescem entre 20% mais pobres permanecem nesse grupo e 17% ascendem ao topo da pirâmide.

Brasil ocupa segunda pior posição em estudo sobre mobilidade social feito pela OCDE com dados de 30 países
Pai pobre, filho pobre
Isso é o que o estudo chama de “chão pegajoso” (sticky floor): a dificuldade das famílias de baixa renda de sair da pobreza.
Filhos de pais na base da pirâmide têm dificuldade de acesso à saúde e maior probabilidade de frequentar uma escola com ensino de baixa qualidade.
A educação precária, em geral, limita as opções para esses jovens no mercado de trabalho. Sobram-lhes empregos de baixa remuneração, em que a possibilidade de crescimento salarial para quem tem pouca qualificação é pequena – e a chance de perpetuação do ciclo de pobreza, grande.
Nesse sentido, a desigualdade social e de renda, destaca o levantamento, é definidora do acesso às oportunidades que podem fazer com que alguém consiga ascender socialmente.
“Além do chão pegajoso, países como o Brasil têm também tetos pegajosos (sticky ceilings)”, acrescenta Stefano Scarpetta, diretor de emprego, trabalho e assuntos sociais da OCDE, referindo-se às famílias de alta renda.
O nível elevado de desigualdade também se manifesta sobre a mobilidade no topo da pirâmide. Aqui, é pequena a probabilidade de que as crianças mais abastadas eventualmente se tornem adultos de classes sociais mais baixas que a dos pais.
Scarpetta pondera que, ao contrário da tendência global de aumento da desigualdade, o Brasil conseguiu reduzir suas disparidades na última década, até o início da recessão. O país fez pouco, entretanto, para corrigir os problemas estruturais que mantêm em movimento o ciclo da pobreza – a qualidade precária da educação e da saúde e a falta de treinamento para os milhões de trabalhadores de baixa qualificação.
“O Brasil fez um bom trabalho tirando milhões de famílias da extrema pobreza, com o Bolsa Família, por exemplo. Falta agora fazer a ‘segunda geração’ de políticas”, disse o economista.
A classe média
Quando se analisa a mobilidade apenas do indivíduo, e não de uma geração a outra, o estudo da OCDE verifica que, de forma geral, a classe média é o estamento com maior flexibilidade – para cima e para baixo.
No Brasil, a mobilidade da base da pirâmide para a classe média é maior do que em vários emergentes. Essa ascensão, contudo, é frágil.
A estrutura do mercado de trabalho, com uma participação elevada do emprego informal, intensifica os efeitos negativos das crises sobre a população mais vulnerável. Como aconteceu com parte da “nova classe média” durante a última recessão, o desemprego pode ser um caminho de retorno à pobreza.
Mobilidade social e crescimento econômico
O nível baixo de mobilidade social tem implicações negativas sobre o crescimento da economia como um todo, diz o estudo da OCDE. Talentos em potencial podem ser perdidos ou subaproveitados, com menos iniciativas na área de negócios e menos investimentos.
“Isso debilita a produtividade e crescimento econômico potencial em nível nacional”, ressalta o texto.
Um elevador social “quebrado” também se manifesta sobre o bem-estar social.
A percepção de que a oportunidade de ascensão depende de fatores que estão fora do alcance – como a renda dos pais ou o acesso a educação – gera desesperança e sentimento de exclusão. Isso aumenta a probabilidade de conflitos sociais, diz a pesquisa.
‘O Brasil fez um bom trabalho tirando milhões de famílias da extrema pobreza, com o Bolsa Família, por exemplo. Falta agora fazer a ‘segunda geração’ de políticas’, diz diretor da OCDE
Tendência global
O problema não é exclusivo dos países emergentes. Mesmo países ricos, com desempenho expressivamente superiores ao do Brasil nos indicadores de educação – França, Alemanha – estão acima da média da OCDE entre as estimativas do número de gerações necessário para que os 10% mais pobres atinjam a renda média.
“Por mais que esses países tenham bom desempenho no PISA (avaliação global do desempenho escolar), esses índices são uma média. Países como a França, por exemplo, são bastante heterogêneos”, ressalta Scarpetta.
 Fonte: outraspalavras.net

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