domingo, 16 de dezembro de 2018

DOM PAULO EVARISTO ARNS: UM DOS GRANDES PASTORES QUE DEUS CONCEDEU AO BRASIL


Dom Paulo Evaristo Arns está entre os grandes pastores que Deus concedeu à Igreja no Brasil. A fala é do bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Steiner, ao recordar os dois anos de falecimento do cardeal arcebispo emérito de São Paulo. No próximo dia 14, se faz memória da Páscoa de dom Paulo Evaristo, o qual ainda se faz presente nas comunidades, na ação pastoral e nas preocupações da arquidiocese de São Paulo.

Segundo dom Leonardo Steiner, dom Paulo faz parte do grupo de homens preparados intelectualmente, com sensibilidade pastoral, atentos para as questões dos direitos, para a questão da paz, da participação e da inserção de todas as pessoas na sociedade brasileira. “Isto é, homens do Evangelho”.

“Dom Paulo Evaristo é uma dessas grandes figuras que a arquidiocese de São Paulo recorda, rememora. Foi uma presença marcante, acolhedora, de paz. Também foi um homem de uma atuação política, não política partidária, mas no sentido da atuação de haver bons partidos, bons políticos, profundamente preocupado com a ética na política e um homem que esteve muito presente nas periferias da arquidiocese de São Paulo”, afirmou dom Leonardo.

Após dois anos de seu falecimento e recorrentemente lembrado por sua atuação em favor dos mais pobres e na defesa dos direitos humanos, dom Leonardo agradece a Deus pelo primo de sangue e irmão no episcopado: “Nós agradecemos a Deus e desejamos nós dar continuidade a essa presença que nós sentimos que ele continua presente nas comunidades, na ação pastoral, nas preocupações da arquidiocese de São Paulo. Dom Paulo é muito recordado por dom Odilo [cardeal Scherer, arcebispo de São Paulo], sempre de novo recordando as passagens da vida, mas especialmente também a ação pastoral”.
Dom Leonardo ainda sublinha que dom Paulo Evaristo “é recordado também pela sociedade brasileira”, seu período à frente da arquidiocese de São Paulo, com sua incansável denúncia de violações durante a Ditadura Militar no Brasil revela uma “presença extraordinária”.

“E que possamos ser todos tão fieis ao Evangelho como ele foi, ao menos tentarmos ser fiéis assim como ele tentou”, almeja dom Leonardo. 

Fonte: CNBB
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sábado, 15 de dezembro de 2018

ADVENTO: TRAVESSIA...PARA A SOLIDARIEDADE Reflexão sobre a Liturgia do 3º Domingo do Advento - Lc 3,10-18




A esperança é sempre inquieta e mobilizadora, é impulso que nos faz desejar e buscar uma mudança decisiva que favoreça instaurar um mundo mais humanizador, abrindo-nos a um “mais além” que já está próximo. (Reprodução/ Pixabay)
Por Adroaldo Palaoro*

“Quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem” (Lc 3,11)

Em meio às sombras, perplexidades, contradições, provocações e intolerâncias, que constituem o atual momento histórico, queremos, neste Advento, dar vez a um brado de esperança e expressar a fé no futuro da nossa vida. A esperança tem raízes na eternidade, mas ela se alimenta de pequenas coisas; nos despojados gestos ela floresce e aponta para um sentido novo. É preciso um coração contemplativo para captar o “mistério” que nos envolve.

A esperança, como força transformadora da realidade, inclui uma clara tomada de decisões de dirigir as energias vitais para ir ao encontro daquilo que é imprescindível para a vida.

Por isso, em um mundo de muita injustiça social, onde milhões de pessoas vivem em condições de pobreza extrema e submergidos em círculos de violência, a esperança se apresenta a nós como uma força capaz de despertar nossa consciência adormecida e assumir nossa responsabilidade. A esperança é sempre inquieta e mobilizadora, é impulso que nos faz desejar e buscar uma mudança decisiva que favoreça instaurar um mundo mais humanizador, abrindo-nos a um “mais além” que já está próximo.

Mesmo diante dos profundos dilemas internos e sociais, achamos possível ser e viver de outro modo, inventamos e reinventamos opções, criamos novas saídas... e, sem cessar, sonhamos com o “mais” e o “melhor”.

Afinal, somos seres de “travessia”...

Essa “travessia” não é apenas geográfica; trata-se de uma experiência que requer a atitude de “saída de si” para ir ao outro como diferente; e isso implica “passar” para o seu lugar, aprender a ver o mundo a partir de sua perspectiva, deixar-nos questionar e desinstalar-nos por ele, tão despojado da condição de pessoa.

Ir ao encontro do outro só é possível a partir do cultivo da sensibilidade, entendida como o movimento afetivo necessário para olhar e sentir a verdade na realidade de quem sofre. Não se trata de “dar coisas”, mas deixar-nos “afetar cordialmente” pela dor do outro.

Neste 3º. domingo do Advento, o apelo à mudança, na voz de João Batista, se torna mais concreto.

“Quê devemos fazer”? Tal pergunta é uma prova da sinceridade daqueles que se aproximavam de João. Com três pinceladas o Batista enfatiza a necessidade de mudar a maneira de pensar e de agir: é preciso abrir-se à alteridade até chegar a partilhar com outros, é preciso sair do estreito círculo do “meu” para que a escra-vidão do possuir abra passagem à liberdade de preferir o bem maior da relação; ativar a alegria de saber que uma túnica sobrante abriga agora o corpo de um irmão; a economia deve estar a serviço da vida e de todas as pessoas; reacender o impulso a ser “pacifistas ativos”, defendendo e protegendo os pobres e indefesos.

Encontramo-nos aqui diante da razão ética originária que não se baseia tanto numa compreensão da realidade, mas na compaixão com a pessoa do “outro”, excluído, pobre, dominado, marginalizado...

Lucas apresenta a mensagem de João Batista a partir de uma perspectiva ética, que pode e deve aplicar-se a todos os povos. Deixa de lado os aspectos exclusivamente religiosos (confessionais) de sua mensagem e o condensa em um programa ético de deveres sociais, que se aplicam primeiramente a todos os homens e mulheres e logo a dois grupos especiais: os publicanos e os soldados.

Esta é uma mensagem muito simples. Não precisa reuniões episcopais, nem conselhos de países, nem comissões internacionais. É uma mensagem imediata e próxima, de comunhão humana, pacífica, generosa. É uma mensagem que crê no ser humano. Não se trata de “matar” os publicanos e os soldados, mas de descobrir que também eles são humanos, iniciando a grande revolução da igualdade e partilha de bens.

Esta é a moral natural de João Batista. Este é para Lucas o ponto de partida para chegar ao evangelho. Jesus vai além (é gratuidade). Mas, para chegar a Jesus é preciso passar por João Batista.

A resposta de João Batista não é teoria vazia. É através de gestos e ações concretas de justiça, respeito, solidariedade, partilha e coerência cristã que se vai construindo um tecido social mais digno de filhos(as) de Deus, realizando as transformações radicais e profundas que as pessoa e a sociedade tanto necessitam. Frente a diferentes públicos, João não faz alusão nenhuma à religião; o que ele pede a todos é melhorar a convivência humana.

O envolvimento com o “outro” nos conduz à autenticidade, à libertação de apegos e avareza, à liberdade para partilhar e receber e a uma imensa felicidade.

A “sensibilidade solidária” suscita em nós um desejo novo que articula um novo horizonte de sentido às nossas vidas e gera um horizonte de utopia e de esperança por um mundo justo e fraterno. A solidariedade é a não-violência em ação; é a fonte de todas as qualidades espirituais: a capacidade de perdão, a acolhida compassiva, a tolerância e todas as demais virtudes.

Além disso, é a que de fato dá sentido às nossas atividades cotidianas e as torna construtivas.

A solidariedade permeia e ressignifica, assim, toda a nossa existência. Não é um evento, um ato isolado. Ela torna oblativa a vida em suas diferentes expressões, fermenta o cotidiano de nossas existências, infunde sentido e razão de ser àquilo que somos e fazemos.

Nas experiências de “convivência” com os pobres adquirimos os valores evangélicos da capacidade de celebrar, da simplicidade, da hospitalidade... Eles tem um jeito de nos trazer de volta para o essencial da vida. Eles são uma fonte de esperança, uma fonte de autenticidade. Eles se tornam nossos amigos.

Importa, portanto, “re-inventar” com urgência a solidariedade como valor ético e como atitude permanente de vida; não uma solidariedade ocasional, mas uma solidariedade cotidiana que se encarna nos pequenos gestos de inclusão do dia-a-dia.

Na criação da “nova comunidade”dos(as) seguidores(as) de Jesus, a partilha substitui a acumulação e a abertura aos outros se apresenta como alternativa às relações interpessoais de opressão e exclusão; aqui está configurada uma das propostas mestras na proclamação do Reino de Deus.

Com nossos gestos solidários nos mobilizamos e nos aproximamos do Senhor que chega. Neste dia Deus discernirá entre o trigo e a palha que existem em nossa conduta.

Vivemos a cultura da “palha”, que nos força permanecer na superficialidade, na aparência, na exterioridade da vida, impedindo-nos perceber o trigo presente em nossa interioridade.

Vivemos, muitas vezes, imersos em meio a tanta palha que nos afoga e nos incapacita viver a cultura do encontro solidário. De fato, a cultura da superficialidade, da aparência, da vaidade... são as marcas de nossa sociedade atual; marcas que nos desfiguram e nos desumanizam.

Só quem sai de si em direção ao outro, através de gestos solidários, é capaz de peneirar a palha para deixar emergir o trigo de vida que carrega dentro.

Somente a “sensibilidade solidária” será capaz de fazer a pessoa retornar à sua casa, ao centro, ao seu eu profundo; só ela ativará os recursos consistentes, os pontos de luz, o trigo que carrega dentro.

O ego não ama ninguém além de si mesmo, atendendo apenas às suas próprias necessidades e à sua própria gratificação. Sofrendo de uma falta total de compaixão ou empatia, ele pode ser extraordinariamente cruel para com os outros. Ele não se dá conta de que vive fechado em si mesmo, prisioneiro de uma lógica que o desumaniza, esvaziando-se de todo dignidade. Aumenta seus celeiros, mas não sabe ampliar o horizonte de sua vida. Aumenta sua riqueza, mas diminui e empobrece sua vida. Acumula bens, mas não conhece a amizade, o amor generoso, a alegria e a solidariedade. Não sabe compartilhar, só monopolizar.

Finalmente, acaba-se por criar uma dura cortiça que defende e isola a pessoa do entorno e que a aliena numa insensibilidade para com tudo aquilo que não seja sua própria realidade. É uma espécie de "embriaguez" na qual a alteridadedesaparece.

A verdadeira riqueza é investir numa única fortuna: a do amor, do favorecimento da vida, a do descentramento de si, o do encontro solidário em favor dos mais pobres e desfavorecidos.

Texto bíblico: Lc 3,10-18

Na Oração: Segundo o Batista, a conversão exige “saber peneirar” (saber selecionar ou eleger), “recolher o trigo” (ir ao essencial e não ficar na superfície) e “queimar a palha” (eliminar o que não serve ou o que imobiliza); acolher a Boa Nova da vinda do Senhor requer essa conversão.
Se sua vida “passar pela peneira”, o quanto de trigo permanecerá? O quanto de palha deve ser lançado fora?

*Adroaldo Palaoro é padre jesuíta e atua no ministério dos Exercícios Espirituais

Fonte: Domtotal
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

CAMPANHA PARA A EVANGELIZAÇÃO: CONTRIBUIR PARA PRESENÇA CONTINUADA DA IGREJA


No próximo domingo, 16, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) promove a Coleta Nacional da Campanha para a Evangelização. Neste tempo do Advento, todas as comunidades do Brasil são chamadas a colaborar com as atividades evangelizadoras. O bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, gravou um vídeo motivando a participação neste momento de contribuição para que a Igreja seja “presença continuada de Deus em nosso meio, na sociedade brasileira”.
O secretário-geral da CNBB explica que as Comissões Episcopais de Pastoral da entidade são dinamizadas com a ajuda dessa coleta, assim como algumas dioceses e prelazias com menos recursos. A Campanha para a Evangelização deste ano ocorre em sintonia com a Exortação Apostólica do papa Francisco: Gaudete et Exsultate, sobre o chamado à santidade no mundo atual, com o lema “Evangelizar partindo de Cristo”.

Partilha
O gesto concreto de colaboração na Coleta da Campanha para a Evangelização será partilhado, solidariamente, entre as arquidioceses, dioceses e prelazias, que receberão 45% dos recursos. Os 18 regionais da CNBB terão 20% e o Secretariado-geral da CNBB contará com 35% das contribuições.
Assim partilhados, os recursos devem apoiar inúmeras iniciativas da Igreja no Brasil no serviço da evangelização, da dinamização das pastorais, na luta pela justiça social, nas experiências missionárias das Igrejas irmãs e na missão ad gentes.
No caso do Secretariado-geral, a parcela da arrecadação é destinada aos principais eventos e projetos da CNBB, como as reuniões de seus conselhos episcopais e as iniciativas das comissões episcopais.

Oração da CE

Deus, nosso Pai, quereis a salvação de todos os povos da Terra.
Nós vos pedimos que susciteis em nós o compromisso com a Evangelização, para que todos conheçam a vida que de vós provém.
Nós vos pedimos que nossos projetos evangelizadores sirvam para nossa santificação e da sociedade inteira que, assim, será justa, fraterna e solidária.
Nós vos pedimos que, em nossas comunidades e em toda a Igreja no Brasil, cresça o sentimento de partilha e que, por meio da Coleta para a Evangelização e do testemunho de comunhão, todas as comunidades recebam a força do Evangelho.
Por nosso Senhor Jesus Cristo vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Amém. 

Fonte: CNBB
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70 anos da Declaração Universal. Deus e sua imagem, fonte dos Direitos Humanos

Em tempos de repressão, defender os direitos humanos é um perigo, mas é um imperativo da consciência.
Nenhum governo tem autoridade para violar tais direitos.
 Está blasfemando se o faz em nome de Deus. (Richard Felix by Unsplash)
Por Élio Gasda*

As redes sociais foram invadidas de enorme comoção com a viralização de um vídeo da morte de um cão num supermercado. Famosos e políticos manifestaram indignação, quase 1,5 milhão de pessoas assinaram uma petição exigindo a punição dos responsáveis. Até o Ministério Público de São Paulo instaurou inquérito para apurar a ocorrência. Ninguém apoia este tipo de violência contra os animais, mas isso em um país violento onde barbaridades cotidianas contra seres humanos são naturalizadas. Cães e gatos têm plano de saúde, herança, chá de bebê, hotel, estilista, num país com uma quantidade absurda de crianças vítimas de bala perdida, violência doméstica, fome. Dez dias após a morte do animal, na Paraíba, José Bernardo e Rodrigo Celestino, trabalhadores rurais foram barbaramente assassinados. Seres humanos: imagens vivas de Deus. Comoção nas redes?

Brasil vive uma ofensiva contra os direitos em pleno aniversário de 70 anos Declaração Universal dos Direitos Humanos: direito à saúde, direito à alimentação, direito à água, o direito à educação e assistência social, direito à Previdência Social, o direito ao trabalho e os direitos do trabalho, liberdade de expressão. Todos direitos humanos.

A Declaração Universal lista os direitos inerentes, inalienáveis e universais. Seus princípios aplicam-se “sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição”. O documento reflete a evolução da consciência ética da humanidade através dos tempos. Aponta um ideal a ser buscado por todos. A obrigação primeira de fazer respeitar os direitos humanos recai sobre os Estados. O Brasil, signatário da Declaração, aderiu aos principais tratados internacionais sobre o tema e incorporou seus princípios na Constituição e em outros textos jurídicos.

O presidente diplomado pelo TSE fez dos ataques aos direitos humanos um indutor de sua carreira política. Em twitter de 2016, o mesmo definiu os direitos humanos como esterco de vagabundagem. Em 2017, afirmou que “não dá para fazer política de combate à violência, de segurança pública, tendo ao lado direitos humanos”. Esbravejou, em 1999: “Eu sou favorável à tortura”. Um direito que nunca pode ser suspenso é o de não ser “submetido a tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante”. A partir de 2019 o país adotará este crime de lesa humanidade como política de governo? Tortura é o que resume seu pensamento. Seu ídolo é o mais covarde dos torturadores, Ulstra. Crueldade como necropolítica (Achille Mbembe). Alegrar-se com o sofrimento alheio é próprio de mentes desajustadas (a futura ministra dos direitos humanos afirma que “viu Jesus no pé de goiaba”). 

Figuras excêntricas recorrem à misoginia, à xenofobia e à homofobia para dar a impressão de que são líderes machões. Tentam debilitar o princípio da igualdade, fundamento dos direitos humanos. Talvez por isso, 2018 foi um ano marcado pela resistência das mulheres. “Elas estão na linha de frente da batalha pelos direitos humanos” (Kumi Naidoo, Secretário-geral da ONU). Durante a maior parte da história, as mulheres se viram sitiadas por discriminações fomentadas pelas normas e hierarquias de gênero. A intervenção de uma mulher, Hansa Mehta, foi fundamental para mudar a redação do artigo 1º da Declaração, de “Todos os homens nascem livres e iguais” para “Todos os seres humanos nascem livres e iguais”.

Em tempos de repressão, defender os direitos humanos é um perigo, mas é um imperativo da consciência. As pessoas que o fazem são sinais de esperança. “Somos responsáveis não apenas pelo que falamos, mas também pelo que não falamos ao guardar silencio” (Aziz Nesin). Não podemos nem queremos guardar silêncio. Sempre que a humanidade foi confrontada com grandes injustiças, os direitos humanos só avançaram quando homens e mulheres reagiram e gritaram: Basta!

Não há desenvolvimento sem paz. E não pode haver paz definitiva e desenvolvimento integral sem respeito aos direitos humanos. Não há outra linguagem, além dos direitos humanos, que permita as exigências fundamentais para a pessoa viver de maneira digna. Sua relevância provém de sua capacidade de colocar as vítimas de violações no centro. Sua linguagem centra-se não no discurso do Estado ou do mercado, mas na defesa das vítimas.

A Declaração tem 70 anos. Mas os direitos humanos têm a idade da humanidade. Remetem ao Gênesis. Deus é o seu autor. “A fonte última dos direitos humanos está no próprio homem e em Deus seu Criador” (João XXIII, Pacem in Terris). Nenhum governo tem autoridade para violar tais direitos. Está blasfemando se o faz em nome de Deus. Defensores de direitos humanos são taxados de comunistas por ritualistas arcaicos e moralistas escrupulosos. Pobre cristianismo sem Cristo. Jesus de Nazaré foi o maior defensor dos direitos humanos. É Ele a essência do cristianismo. Cristão que não tem coragem de defender os direitos humanos, pelo menos seja solidário com aqueles que lutam pelos teus direitos, humano. Não é hora de acovardar-se diante de “ridículos tiranos” (Caetano Veloso).

*Élio Gasda é doutor em Teologia, professor e pesquisador na FAJE. Autor de: Trabalho e capitalismo global: atualidade da Doutrina social da Igreja (Paulinas, 2001); Cristianismo e economia (Paulinas, 2016). 

Fonte: Domtotal
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Comissão Episcopal para Ação Social prevê cenário de recrudescimento das lutas sociais no Brasil



“Nos próximos anos, as Pastorais Sociais terão um papel muito importante na defesa da justiça social no Brasil e de serem, de fato, uma presença de Igreja na defesa dos direitos dos povos empobrecidos”, a avaliação é do bispo de Lajes (SC), dom Guilherme Werlang, presidente da Comissão Episcopal Pastoral da Ação Social Transformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.
                       Dom Guilherme, presidente da Comissão.
                       Foto: Imprensa CNBB/Daniel Flore
Esta avaliação se deu após uma análise e projeção dos cenários pós eleições 2018 realizada pelos bispos, assessor e secretária em reunião da Comissão para Ação Transformadora realizada nesta terça-feira, 11/12, na sede da CNBB, em Brasília (DF).

O presidente da Comissão afirmou que o aumento da pobreza é uma tendência mundial e brasileira. “Não queremos ser pessimistas, mas alguns indicativos nos mostram um possível aumento da pobreza, da miséria absoluta. Os números atuais estão mostrando esta tendência”, disse dom Guilherme.

Outro ponto, bastante preocupante na avaliação do bispo, é uma tendência que está se fortalecendo nos discursos dos candidatos eleitos a cargos executivos e legislativos à criminalização dos movimentos e lutas, das pastorais e dos líderes sociais. “Temos muitas preocupações com a justiça com as próprias mãos que não passa pela justiça institucional”, disse.

Pontos da pauta – Na pauta, além da projeção dos cenários futuros, os participantes discutiram a realização da 6ª Semana Social Brasileira, avaliaram as ações deste ano, a sustentabilidade financeira dos projetos financeiros e os próximos passos do Census. Dom Guilherme ressalta como positivo a grande renovação das lideranças das pastorais sociais nos regionais e nacionalmente. Isto, segundo ele, é fruto de um processo que a Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora vem fazendo com reuniões periódicas, aprofundamentos e estudos da doutrina social da Igreja entre bispos e lideranças que acompanham as pastorais sociais.

A Comissão está se preparando para a 57ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil a ser realizada em maio de 2019, em Aparecida (SP). O grupo está levantando possíveis nomes, entre um grupo de cerca de 40 bispos que acompanham a caminhada das Pastorais Sociais no Brasil, para assumir a presidência dos trabalhos da Comissão. Haverá também uma renovação dos bispos que a integram.

O grupo se reúne ainda em março de 2019 para conclusão da avaliação final da ação, incluindo a ação dos Grupos de Trabalho que coordena e planejar os próximos passos. “Faremos uma avaliação final do mandato como um todo e alguns encaminhamentos para o ano de 2019. Vamos deixar encaminhado de fato a programação até dezembro de 2019. Logicamente que quem for eleito poderá fazer as modificações que achar necessárias”, disse. 

Fonte: CNBB



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APOIO DA SANTA SÉ AO PACTO GLOBAL PELA MIGRAÇÃO

Cardeal Parolin na Conferência Global Compact for Migration  (AFP or licensors)

Discurso do Cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, na Conferência de Migração da ONU, no Marrocos.

Roberta Gisotti - Cidade do Vaticano
"Acolher, proteger, promover e integrar". Essa é a estratégia que resume a abordagem pastoral da Igreja ao fenômeno da migração segundo o cardeal Pietro Parolin, que discursou na Conferência Intergovernamental, realizada em Marrakesh, no Marrocos. O resultado desse evento é a adoção do Pacto Global pela "migração segura, ordeira e regular", um acordo que foi aprovado por 164 países no dia 10 de dezembro, 70º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. O pacto deve ser levado à análise da Assembléia da ONU, no dia 19 de dezembro.

Todos são chamados a servir para o bem comum

Na ocasião, o cardeal destacou que "o apelo para a busca dos direitos de cada ser humano, como recomendado pelo Papa Francisco, deve levar em conta que cada um faz parte de um corpo maior". É por isso que "nossas sociedades, como todo corpo humano, gozam de boa saúde se cada membro realiza seu trabalho, sabendo que está a serviço do bem comum".

Ajudar as pessoas a permanecer em seu próprio país

Portanto, a decisão de migrar, como está escrito no Pacto Global, "nunca deve ser um ato de desespero", "devemos fazer o melhor que pudermos – insistiu o cardeal Parolin – para garantir que as pessoas possam permanecer em seus países de origem. Devemos construir sociedades mais inclusivas, sustentáveis ​​e justas, reduzindo os fatores estruturais que negam às pessoas seus direitos humanos fundamentais e as forçam a partir”.

A partilha equitativa dos bens da Terra

A Santa Sé partilha, assegurou o secretário de Estado, os princípios orientadores do Pacto Global que focalizam a "prioridade na pessoa, sua dignidade inalienável e o desenvolvimento integral, que é a verdadeira aspiração de todo ser humano". E se é verdade, como assinala Francisco, que "as migrações revelam, muitas vezes, falhas e fracassos por parte dos Estados e da comunidade internacional, indicam também a aspiração da humanidade de viver a unidade, respeitando as diferenças, com acolhida e hospitalidade que permitem a partilha equitativa dos bens da terra ".

Envolver os migrantes nas políticas que dizem respeito a eles

Daí a proposta do cardeal, "para que esta orientação estratégica seja eficaz", "adotar uma abordagem inclusiva para atender às necessidades dos migrantes", que devem estar envolvidos nas "políticas, programas e iniciativas" que lhes dizem respeito "individual e coletivamente"; “uma participação que deve ser "institucionalizada" sempre que possível.

Fonte: Vaticano News
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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

PARA FRANCISCO COMPLETA 49 ANOS DE SACERDÓCIO

Imagem internet
Poucos antes de completar 33 anos, o então arcebispo de Cordoba, Dom Ramon José Castellano, presidiu à missa de ordenação sacerdotal de Jorge Mario Bergoglio. Era o dia 13 de dezembro de 1969. Quarenta e nove anos atrás.

Cidade do Vaticano
O 13 de dezembro é uma data especial para o Papa Francisco, pois é o dia em que celebra a sua ordenação sacerdotal.

Poucos antes de completar 33 anos, o então arcebispo de Cordoba, Dom Ramon José Castellano, presidiu a celebração. Era o dia 13 de dezembro de 1969. Quarenta e nove anos atrás.

Afinal, quem é o sacerdote para o Papa Francisco? A resposta está nos inúmeros discursos e homilias pronunciados nesses cinco anos de magistério.
Misericórdia

Um dos mais significativos é o de 6 de março de 2014, no encontro com os párocos e os sacerdotes da Diocese de Roma. Na ocasião, o Pontífice evoca a palavra-chave do seu pontificado: “misericórdia”.

“À imagem do Bom Pastor, o presbítero é um homem de misericórdia e de compaixão, está perto do seu povo e é servidor de todos. Quem quer que se encontre ferido na própria vida pode encontrar nele atenção e escuta... O sacerdote é chamado a aprender isto, a ter um coração que se comove.

Os padres «ascetas», aqueles «de laboratório», completamente limpos e bonitos, não ajudam a Igreja. Hoje podemos pensar a Igreja como um «hospital de campo».

É necessário curar as feridas, e elas são numerosas. Há tantas chagas! Existem muitas pessoas feridas por problemas materiais, por escândalos, até na Igreja... Pessoas feridas pelas ilusões do mundo... Nós, sacerdotes, devemos estar ali, próximos destas pessoas. Misericórdia significa, antes de tudo, curar as feridas.” 

Fonte: Vatican News
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