sábado, 24 de agosto de 2019

"LEVANTE A VOZ PELA AMAZÔNIA", PEDE CNBB EM NOTA

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu nota sobre a situação em que classifica de “absurdos incêndios” e outras criminosas depredações em curso na Amazônia. Estas atitudes, segundo o documento, requerem posicionamentos adequados. “É urgente que os governos dos países amazônicos, especialmente o Brasil, adotem medidas sérias para salvar uma região determinante no equilíbrio ecológico do planeta – a Amazônia. Não é hora de desvarios e descalabros em juízos e falas”, diz a nota.

No documento, a CNBB ressalta que Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia, convocado pelo papa Francisco para outubro próximo, no cumprimento de sua tarefa missionária e da evangelização, é sinal de esperança e fonte de indicações importantes no dever de preservar a vida, a partir do respeito ao meio ambiente.

Confira, abaixo, a íntegra o documento:

Nota da CNBB 

O povo brasileiro, seus representantes e servidores têm a maior responsabilidade na defesa e preservação de toda a região amazônica. O Brasil possui significativa extensão desse precioso território, com o rico tesouro de sua fauna, flora e recursos hidrominerais. Os absurdos incêndios e outras criminosas depredações requerem, agora, posicionamentos adequados e providências urgentes. O meio ambiente precisa ser tratado nos parâmetros da ecologia integral, em sintonia com o ensinamento do Papa Francisco, na sua Carta Encíclica Laudato Si’, sobre o cuidado com a casa comum.

“Levante a voz pela Amazônia” é um movimento, agora, indispensável, em contraposição aos entendimentos e escolhas equivocados. A gravidade da tragédia das queimadas, e outras situações irracionais e gananciosas, com impactos de grandes proporções, local e planetária, requerem que, construtivamente, sensibilizando e corrigindo rumos, se levante a voz.

É hora de falar, escolher e agir com equilíbrio e responsabilidade, para que todos assumam a nobre missão de proteger a Amazônia, respeitando o meio ambiente, os povos tradicionais, os indígenas, de quem somos irmãos. Sem assumir esse compromisso, todos sofrerão com perdas irreparáveis.

O Sínodo dos bispos sobre a Amazônia, em outubro próximo, em sintonia amorosa e profética com a convocação do Papa Francisco, no cumprimento da tarefa missionária e da evangelização, é sinal de esperança e fonte de indicações importantes no dever de preservar a vida, a partir do respeito ao meio ambiente.

“Levante a voz” para esclarecer, indicar e agir diferente, superar os descompassos vindos de uma prolongada e equivocada intervenção humana, em que predominam a “cultura do descarte” e a mentalidade extrativista. A Amazônia é uma região de rica biodiversidade, multiétnica, multicultural e multirreligiosa, espelho de toda a humanidade que, em defesa da vida, exige mudanças estruturais e pessoais de todos os seres humanos, Estados e da Igreja.

É urgente que os governos dos países amazônicos, especialmente o Brasil, adotem medidas sérias para salvar uma região determinante no equilíbrio ecológico do planeta – a Amazônia. Não é hora de desvarios e descalabros em juízos e falas. “Levante a voz” na voz profética do Papa Francisco ao pedir, a todos os que ocupam posições de responsabilidade no campo econômico, político e social: “Sejamos guardiões da criação”.

Vamos construir juntos uma nova ordem social e política, à luz dos valores do Evangelho de Jesus, para o bem da humanidade, da Panamazônia, da sociedade brasileira, particularmente dos pobres desta terra. É indispensável para promovermos e preservarmos a vida na Amazônia e em todos os outros lugares do Brasil. Em diálogos e entendimentos lúcidos, que se “levante a voz”!

Brasília-DF, 23 de agosto de 2019

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte – MG
Presidente da CNBB

Dom Jaime Spengler, OFM
Arcebispo de Porto Alegre – RS
1º Vice-Presidente da CNBB

Dom Mário Antônio da Silva
Bispo de Roraima – RR
2º Vice-Presidente da CNBB

Dom Joel Portella Amado
Bispo Auxiliar de S. Sebastião do Rio de Janeiro – RJ
Secretário-Geral da CNBB
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sexta-feira, 23 de agosto de 2019

MENSAGEM PARA O DIA DO CATEQUISTA RECORDA O SIGNIFICADO DE GRATIDÃO E DE ESPERANÇA

A Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou mensagem para os catequistas de todo o Brasil, por ocasião do dia a eles dedicado, 25 de agosto. “Quero parabenizá-lo (a) por este dia, pois sem sua atuação catequética a fé em Jesus Cristo seria quase que apenas uma ideia”, afirma dom José Antônio Peruzzo, presidente da Comissão.

Na mensagem, o arcebispo considera que celebrar o Dia do Catequista tem um significado de gratidão e de esperança. “Gratidão pelo amor e gratuidade dedicados a anunciar a pessoa de Jesus Cristo. Esperança, porque enquanto pudermos contar com catequistas, o anúncio terá também a marca da ternura”, aponta.

Neste domingo (25), em comunhão, os bispos de todo Brasil vão orar por seus catequistas. “Talvez aconteça que não consigam ser suficientemente gratos aos catequistas de suas dioceses. Mas Deus nunca se deixa vencer em generosidade. Um dia Ele mesmo vai abraçá-los por terem oferecido do seu tempo para a catequese. Que a grande Catequista, aquela de Nazaré, caminhe ao seu lado nesta missão tão sublime”, afirma dom Peruzzo na mensagem. (Clique e confira o texto na íntegra).

Homenagem

Em homenagem aos catequistas de todo o país, o portal da CNBB gravou com exclusividade um vídeo, com um uma homenagem especial de dom Peruzzo:


Fonte: CNBB
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EMERGÊNCIA AMBIENTAL NA AMAZÔNIA: REGIÃO IMPLORA POR UMA ÉTICA ECOLÓGICA DE DESENVOLVIMENTO

Imagens de terça-feira (20) da Planet Labs, empresa americana que mantém mais de cem satélites em órbita 

A região tem sido afetada por aquela que, segundo especialistas, é a maior onda de incêndios florestais no Brasil em sete anos: os focos aumentaram em 82% entre janeiro e agosto deste ano, em relação ao mesmo período de 2018. A repercussão, em nível internacional, fez chefes de Estado e bispos brasileiros a se posicionarem: é necessária uma orientação ética ecológica na Amazônia, além de fiscalização séria por órgãos “que não podem, de forma alguma, ser desautorizados ou desacreditados”, afirmou o vice-presidente da CNBB Dom Jaime Spengler.

Andressa Collet – Cidade do Vaticano

A comunidade internacional também tem se manifestado em defesa da Amazônia que, atualmente, é destaque na imprensa mundial pela emergência ambiental. O presidente francês, Emmanuel Macron, pediu uma reunião neste final de semana durante o encontro do G7.

O aumento no número de focos de incêndio em florestas tem sido um dos assuntos mais repercutidos, inclusive nas mídias sociais, com a #PrayForAmazonia (em tradução livre, “Reze pela Amazônia”). A repercussão dos internautas, mas também de chefes de Estado, faz referência às imagens e aos dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que mostram um aumento de 82% no número de focos de incêndio florestal entre janeiro e agosto de 2019, em comparação com o mesmo período de 2018. O Mato Grosso é o estado com mais ocorrências. A relação, segundo especialistas, é com o desmatamento e não com uma seca mais forte.

“ Esse círculo vicioso de poluição ambiental, que o Papa Francisco denunciava na Laudato si’, convocando todos a uma verdadeira cruzada contra a poluição e em defesa da nossa Casa Comum, infelizmente é uma consciência que está longe ainda de chacoalhar, de sacudir a consciência mesmo dos cristãos e católicos. ”

Dom Dimas Lara Barbosa, arcebispo metropolitano da Arquidiocese de Campo Grande/MS, relata a situação vivida localmente, como a atuação constante dos bombeiros para apagar focos de incêndio. A consciência para o alerta desse “círculo vicioso de poluição ambiental”, comenta Dom Dimas, precisa partir dos cristãos para uma “verdadeira cruzada em defesa da Casa Comum”:

“É com tristeza que a sociedade brasileira e internacional constatam esse permanente e crescente índice da utilização de queimadas como alternativa para limpeza, fins agrários, e isso em todos os campos do Brasil. Aqui em Campo Grande não é diferente. No nosso Estado, os bombeiros já tiveram, nos últimos meses, que apagar focos de incêndio em quase 300 lugares – mas certamente são ações localizadas. Quando essa mentalidade se espalha para o Brasil todo, a gente acaba ficando insensível diante, por exemplo, do que acontece na Amazônia. Afinal de contas, a Amazônia não é um patrimônio privado, nem é só do governo, ela é um patrimônio de todos os brasileiros. E esse círculo vicioso de poluição ambiental, que o Papa Francisco denunciava na Laudato si’, convocando todos a uma verdadeira cruzada contra a poluição e em defesa da nossa Casa Comum, infelizmente é uma consciência que está longe ainda de chacoalhar, de sacudir a consciência mesmo dos cristãos e católicos. Precisamos de novo resgatar a Laudato si’ e a história mesmo da Igreja no Brasil, que já promoveu várias Campanhas da Fraternidade em torno do tema ecológico. Eu me lembro que já em 1979 houve uma Campanha com o título ‘Preserve o que é de todos’. Então, a consciência ecológica é por uma ‘ecologia integral’ que precisa ser assimilada pelo nosso bom povo brasileiro e, particularmente, por aqueles que tem o ofício de cuidar do que é de todos.”

A CNBB pede fiscalização séria 

As queimadas fora de controle na Amazônia também “chamam a atenção e preocupam” a CNBB. O vice-presidente, Dom Jaime Spengler, afirma que é necessária uma fiscalização séria por órgãos “que não podem, de forma alguma, ser desautorizados ou desacreditados”.

“Segundo especialistas, o fator que melhor explica o aumento no número de focos de calor naquela região é o desmatamento. Provavelmente há também outras situações que caracterizam crimes ambientais e que merecem atenção. Esses elementos apontam para a sempre necessária fiscalização séria. Papel de destaque, nesse âmbito, possui os órgãos de controle que não podem, de forma alguma, ser desautorizados ou desacreditados. Há vozes, é verdade, que defendem o desenvolvimento da região através da exploração do subsolo, das florestas, do avanço da agricultura,... Certamente tudo isso pode sim cooperar para o desenvolvimento da região, mas a que preço? Pode cooperar para o desenvolvimento da região desde que as iniciativas sejam orientadas por uma ética, digamos, ecológica; pela responsabilidade socioeconômica e ambiental. Além disso, não se pode esquecer a dignidade e a nobreza dos ecossistemas da região. Me recordo que o Papa Francisco, na Encíclica Laudato si’, fala do perverso sistema de propriedade e consumo atual. É impressionante essa expressão. Por isso da necessidade de encontrar novos caminhos para a promoção da ‘ecologia integral’, no respeito ao ambiente, aos povos nativos e à própria terra." 

“Pesquisadores renomados têm alertado com insistência sobre a urgência de cuidado sério para os diversos ecossistemas. Não se pode aceitar que expressões de impacto ou opiniões vagas sustentadas ou influenciadas por interesses nebulosos ou escusos, interfiram na vida desse patrimônio extraordinário que é a região pan-amazônica." 

Fonte: Vatican News 
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CELAM ELEVA SUA VOZ PELA AMAZÔNIA

A esperança pela proximidade do Sínodo Amazônico, convocado pelo papa Francisco, está agora manchada pela dor desta tragédia natural. (Bruno Kelly/Reuters)

Fazendo eco às palavras do Papa Francisco, os representantes da Igreja na América Latina e no Caribe exortam homens e mulheres a serem guardiões da criação. A nota publicada pela presidência tem o título “Levantamos a voz pela Amazônia”.

Conscientes dos terríveis incêndios que consomem grande parte da flora e da fauna no Alasca, na Gronelândia, Sibéria, Ilhas Canárias e, em particular, na Amazônia, os Bispos da América Latina e Caribe desejam manifestar a preocupação perante a gravidade desta tragédia, que não é apenas de impacto local ou mesmo regional, mas de proporções planetárias.

A esperança pela proximidade do Sínodo Amazônico, convocado pelo papa Francisco, está agora manchada pela dor desta tragédia natural. Aos irmãos povos indígenas que habitam este amado território, expressamos toda a nossa proximidade e unimos a nossa voz à sua para clamar ao mundo por solidariedade e chamar a atenção para acabar com esta devastação.

Já o Instrumento de Trabalho do Sínodo adverte profeticamente presidência do CELAM: "Na selva amazônica, de vital importância para o planeta, se desencadeou uma profunda crise por causa de uma prolongada intervenção humana, onde predomina uma "cultura do descarte" (LS 16) e uma mentalidade extrativista. A Amazônia é uma região com uma rica biodiversidade, é multiétnica, pluricultural e plurirreligiosa, espelho de toda a humanidade que, em defesa da vida, exige mudanças estruturais e pessoais de todos os seres humanos, dos Estados e da Igreja. Esta realidade vai além do âmbito estritamente eclesial amazônico, porque se focaliza na Igreja presente em todo o mundo e também no futuro de todo o planeta" (Instrumentum laboris para o Sínodo da Amazônia).

A nota dos bispos latino-americanos exorta os governos dos países amazônicos, especialmente do Brasil e da Bolívia, às Nações Unidas e à comunidade internacional a tomarem medidas sérias para salvar o pulmão do mundo. O que acontece com a Amazônia – afirmam os bispos –, não é apenas uma questão local, mas global. Se a Amazônia sofre, o mundo sofre.

Recordando as palavras do papa Francisco, gostaríamos de "pedir, por favor, a todos aqueles que ocupam cargos de responsabilidade nos âmbitos econômico, político e social, a todos os homens e mulheres de boa vontade: [que] sejamos guardiães da criação, do projeto de Deus inscrito na natureza, guardiães do outro, do ambiente; não deixemos que os sinais de destruição e de morte acompanhem o caminho deste nosso mundo" (Homilia no início do ministério Petrino, 19 de março de 2013).

A declaração é assinada pelo presidente do CELAM, Dom Miguel Cabrejos Vidarte, arcebispo de Trujillo, Peru; pelo primeiro vice-presidente, arcebispo de São Paulo, Brasil, cardeal Odilo Pedro Scherer; pelo segundo vice-presidente, arcebispo de Manágua, Nicarágua, cardeal Leopoldo José Brenes Solórzano; pelo presidente do Conselho de Assuntos Econômicos, arcebispo de Monterrey, México, Dom Rogelio Cabrera López; e pelo secretário-geral, bispo-auxiliar de Cali, Colômbia, Dom Juan Carlos Cárdenas Toro.

Vatican News
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quarta-feira, 21 de agosto de 2019

'HÁ UM PLANO PARA FORÇAR PAPA FRANCISCO A RENUNCIAR', DENUNCIA SUPERIOR GERAL DOS JESUÍTAS

Papa Francisco durante visita aos jesuítas com o superior geral Arturo
 Sosa, SJ (E) e o padre Orlando Torres, SJ (D) (GC36 Communications)

Para Arturo Sosa, é essencial que esse pontificado continue, 'de acordo com a vontade da Igreja expressada claramente no Concílio Vaticano II, do qual Francisco é filho legítimo e direto'.
“Dentro e fora da Igreja, querem que o próximo pontífice não continue o caminho de Francisco.” Na França, foi publicado o livro Como os Estados Unidos querem mudar o papa, em tradução livre. É o que revela reportagem A reportagem publicada pelo HuffPost.it, nessa terça-feira. 
“Há pessoas dentro e fora da Igreja que gostariam que o papa Francisco renunciasse, mas o pontífice não o fará.” A denúncia vem do superior geral da Companhia de Jesus, Arturo Sosa, SJ.

O prepósito geral da Companhia de Jesus, no Meeting de Rimini, explica ao site AdnKronos quais seriam as razões desse complô contra o papa Bergoglio: “Acredito que a estratégia final desses setores não é tanto ‘forçar’ o papa Francisco a renunciar, mas sim incidir na eleição do próximo pontífice, criando as condições para que o próximo papa não continue aprofundando o caminho que Francisco indicou e empreendeu”.
Para o superior dos jesuítas, pelo contrário, “é essencial que esse caminho continue, de acordo com a vontade da Igreja expressada claramente no Concílio Vaticano II, do qual o papa Francisco é filho legítimo e direto”. 
“Como os Estados Unidos querem mudar o papa”, em tradução livre, do jornalista francês Nicolas Senéze (Foto: Divulgação)
Sosa não é o único a falar desse suposto complô contra o papa. Como explica o jornal Il Messaggero, está à venda na França há alguns dias um livro escrito pelo jornalista do La Croix Nicolas Senéze, cujo título é Como os Estados Unidos querem mudar o papa. O volume resume os ataques dos últimos três anos contra Bergoglio.

Tradução é de Moisés Sbardelotto

Publicada originalmente no 
Instituto Humanista Unisinos (IHU)


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PROGRAMAÇÃO DO 5º ENCONTRÃO DIOCESANO DE CATEQUISTAS 2019 EM BURITICUPU-MA

LOCAL: QUADRA DA ESCOLA SIMAR PEREIRA PINTO

08h00= Acolhida e animação: Músicos das Paróquias  Santa Rita e Santa Luzia 

08h00= Café da manhã

09h00=   Abertura e Boas-vindas: Pe. Antônio Rodrigues

Comunicados práticos e horários: Ir. Yackelyn 

09h15= Oração: Coordenação diocesana 

09h45= Catequese: Dom Evaldo Carvalho, bispo de Viana.

11h30= Animação 

11h40= Apresentação Sínodo( REPAM)

12h00= Adoração ao Santíssimo sacramento. Pe. Rosivaldo Freitas.

12h30= Almoço 

13h30= Animação 

14h00= Partilha do 3º Nordestão Aracaju ( Coordenação) 

14h15= Apresentação das paróquias e sorteio da rifa.

15h30= Celebração Eucarística

Entrega da vela para a paróquia que receberá o próximo encontrão 

17h00= Peregrinação nas ruas da cidade. 

18h00= Benção 

18h00 Lanche

Fonte: Catequese Paroquial 

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AUDIÊNCIA: NÃO FAZER TURISMO ESPIRITUAL NA IGREJA, MAS VIVER COMO IRMÃOS

Em sua catequese, o Papa Francisco comentou a “comunhão integral na comunidade dos fiéis” e afirmou: uma vida marcada somente em tirar proveito e vantagem das situações em detrimento dos outros provoca inevitavelmente a morte interior.

Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

Na Sala Paulo VI, o Papa Francisco acolheu fiéis e peregrinos para a Audiência Geral desta quarta-feira (21/08).

O Pontífice deu prosseguimento ao seu ciclo de catequeses sobre os Atos dos Apóstolos e nesta ocasião falou sobre a “comunhão integral na comunidade dos fiéis”.
A conversão começa no bolso

A comunidade cristã nasce da efusão do Espírito Santo e cresce graças ao fermento da partilha entre os irmãos em Cristo. "Trata-se de um dinamismo de solidariedade que edifica a Igreja como família de Deus, onde a experiência da koinonia é um elemento central", explicou o Papa. Esta palavra grega, que significa colocar em comum, partilhar, comungar, refere-se, antes de tudo, à participação no Corpo e Sangue de Cristo, que se traduz na união fraterna e também na comunhão dos bens materiais.

“ O sinal de que o seu coração se converteu é quando a conversão chegou ao bolso. Ou seja, ali se vê se uma pessoa é generosa com os outros, se ajuda os mais pobres: quando toca o próprio interesse. Quando a conversão chega ali, está certo de que é verdadeira. ”

Os fiéis têm um só coração e uma só alma e não consideram propriedade própria aquilo que possuem, mas colocam tudo em comum. Por este motivo, nenhum deles passava por dificuldade. Francisco então enalteceu os muitos cristãos que fazem voluntariado, que compartilham o seu tempo com os outros.

Esta koinonia ou comunhão se configura como a nova modalidade de relação entre os discípulos do Senhor. O vínculo com Cristo instaura um vínculo entre irmãos. Ser membro do Corpo de Cristo torna os fiéis corresponsáveis uns pelos outros. Ser indiferente, não preocupar-se com os outros, não é cristão, recordou o Papa.

Por isso, os fortes amparam os fracos e ninguém experimenta a indigência que humilha e desfigura a dignidade humana. 
Imbróglio de consequências trágicas

Como exemplo concreto de compartilha e comunhão dos bens, Francisco citou o testemunho de Barnabé: ele possui um campo e o vende para oferecer o dinheiro aos Apóstolos. Mas ao lado do seu exemplo positivo há outro tristemente negativo: Ananias e a sua mulher Safira, ao venderem o terreno, decidem entregar somente uma parte aos Apóstolos e ficar com a outra para eles. Este imbróglio interrompe a cadeia da compartilha gratuita, serena e desinteressada e as consequências são trágicas e fatais.

Turismo espiritual

"A hipocrisia é o pior inimigo desta comunidade cristã, deste amor cristão: fazer de conta de querer bem, mas buscar somente o próprio interesse." Faltar com a sinceridade da compartilha, acrescentou o Papa, significa cultivar a hipocrisia, afastar-se da verdade, se tornar egoístas, apagar o fogo da comunhão e destinar-se ao gelo da morte interior.

“ Quem se comporta assim transita na Igreja como um turista, há tantos turitas na Igreja que estão sempre de passagem, jamais entram na Igreja: é o turismo espiritual que faz com que pensem ser cristãos, mas são somente turistas de catacumbas. Não devemos ser turistas na Igreja, mas irmãos uns dos outros. ”

Uma vida marcada somente em tirar proveito e vantagem das situações em detrimento dos outros provoca inevitavelmente a morte interior. O Pontífice então concluiu:

"Que o Senhor derrame sobre nós o seu Espírito de ternura, que vence toda hipocrisia e coloca em circulação aquela verdade que nutre a solidariedade cristã, a qual, longe de ser atividade de assistência social, é uma expressão irrenunciável da natureza da Igreja que, como mãe cheia ternura, cuida de todos os filhos, especialmente dos mais pobres." 

Fonte: Vatican News 
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