sábado, 17 de abril de 2021

RESSURREIÇÃO: A ARTE DE RECOMPOR O QUE FOI QUEBRADO

Repetir o gesto criativo de Deus significa tomar nas mãos os 'fragmentos' daquilo que foi vivido, trazê-los das profundezas onde sempre estiveram confinados (Unsplash/Ruan Richard)

Reflexão sobre o Evangelho do 3º Domingo da Páscoa, Lc 24,35-48

Adroaldo Palaoro*

"Vede minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo!" (Lc 24,35-48)

Há uma arte milenar que consiste em recompor cerâmicas quebradas: quando uma peça se rompe, os mestres desta arte concertam-na com ouro, deixando a cicatriz da reconstrução completamente à vista e sem nenhuma dissimulação, pois para eles uma peça reconstruída é um símbolo perfeito que alia fortaleza, fragilidade e beleza.

Os primeiros cristãos decidiram também conservar e transmitir os relatos das aparições do Ressuscitado sem ocultar as muitas rupturas, feridas e marcas que o acompanharam durante sua vida, sobretudo aquelas que lhe foram infligidas durante sua paixão e morte. Poderiam ter adocicado, suavizado ou omitido diretamente os aspectos mais polêmicos de seus ensinamentos ou os elementos mais humilhantes de seu dramático final.

Pelo contrário, deixaram as cicatrizes de suas feridas completamente à vista e sem nenhuma dissimulação. Mas, fizeram isso não só para serem fiéis à história, mas, sobretudo, para mostrar a fortaleza, a fragilidade e a beleza da reconstrução realizada por Deus na ressurreição. Convinha mostrar o ouro que preenche as fendas entre os membros feridos de Jesus, as marcas de sua entrega nas cicatrizes do seu corpo. O Pai, como experiente artesão, depois de enviar Jesus e de sustentá-lo ao longo de sua missão, o eleva, o reconstrói e o ressuscita.

Essa é a razão pela qual, para os cristãos, o compromisso com a restauração do mundo quebrado é um modo de atualizar a experiência da ressurreição e de viver sua vocação. O(a) seguidor(a) de Jesus escuta o chamado para unir-se ao labor do Deus-criador que, na ressurreição, recria de novo a humanidade ferida.

Somente a ação criativa e contínua de Deus é capaz de costurar novamente os pedaços de nossa história. Ao mesmo tempo ela nos faz descobrir a beleza e a harmonia desses mesmos pedaços. Tal qual o oleiro, o Senhor nos cria e nos recria continuamente. Nada é desperdiçado. Suas mãos de artista não jogam fora nenhum pedaço de nossa existência vivida, e sim, compõe e recompõe continuamente, num desenho novo, o que nos foi dado viver. A experiência de nossa própria fragilidade pode converter-se em experiência de Deus, do Deus rico em misericórdia, e até o passado mais fragmentado está aí para dizer que Ele desenhou nosso ser na palma de suas mãos (cf. Is. 49, 14-26).

Assim, o passado em pedaços adquire um significado totalmente diferente, e cada acontecimento se torna fragmento de um plano amoroso, escrito no coração do Criador. O ato divino de costurar os pedaços de nossa história não significa somente juntar os cacos, como se no passado existissem somente derrotas e fracassos a serem anotados e aceitos. Deus acolhe e dá um sentido novo a todas as vivências e experiências. Só Ele consegue juntar até as contradições e inconsistências da vida, dando coerência e unidade ao todo existencial e, com isso, fortalecendo a identidade e originalidade de cada um. É um contínuo renascer - é um prolongamento da Criação: "faça-se a luz", "façamos o ser humano".

Repetir o gesto criativo de Deus significa tomar nas mãos os "fragmentos" daquilo que foi vivido, trazê-los das profundezas onde sempre estiveram confinados, colocá-los à nossa frente, tocá-los, revirá-los, contemplá-los, aceitá-los, revivê-los, recriá-los... Com o "ouro" de nossa existência, aquecida pelo calor do Espírito de Deus, podemos transformar nossas feridas, fracassos, crises, rupturas em material de uma nova experiência de vida. Não se trata de sufocar a vida, mas de torná-la leve e luminosa, mantendo límpida a sua fonte, livrando-a da camada de sentimentos negativos.

A experiência de encontro com o Ressuscitado nos dá força e tranquilidade para empreender um mergulho dentro de nós mesmos. Ela vai reordenando fatos, completando os vazios, corrigindo distorções, revivendo situações paralisadas, conferindo sentimentos.

Ao nos situar na luz da ressurreição ampliamos o horizonte de leitura de nossa vida. Isso possibilita uma recomposição da nossa própria vida e dá um novo significado aos acontecimentos vividos. As experiências do passado não podem ser mudadas, mas a nova releitura pode mudar a interpretação dada a elas. Tal experiência reconstrutora é para corajosos, persistentes, vitais, amantes da verdade.

A experiência de encontro com o Ressuscitado é muito positiva para o crescimento interior e nos mobiliza para retomar a "escrita" de nossa história, agora com um olhar compassivo e acolhedor.

Deus colocou sua "assinatura" divina ali, nas dobras do coração, mas só quem lê o interior descobre isso. Nas páginas fragmentadas da nossa existência poderemos ler uma história de amor profundo, uma história imortal O que não foi bem escrito no passado poderá ser escrito de outra maneira no futuro. Mas tudo é reconstruído e, com toda certeza, será publicado pela "editora da vida".

No Evangelho deste domingo, Jesus aparece repentinamente aos discípulos; a primeira reação é de "medo pela surpresa" e até "acreditavam ver um fantasma". Como se credencia Jesus para justificar sua identidade? De uma maneira que deveria ser também a nossa. O que melhor define Jesus diante dos discípulos medrosos é, em primeiro lugar, a saudação de paz ("a paz esteja convosco").

Em segundo lugar, mostra-lhes suas mãos e seus pés - mãos e pés com o sinal dos cravos na Cruz. Recorda a eles que é o mesmo Crucificado, agora Ressuscitado. Mostra-lhes as mãos feridas como marcas do amor que se doa, cura, abençoa, eleva. Mostra-lhes os pés feridos pelos caminhos que andou, pelos deslocamentos em direção aos últimos, e que terminaram cravados na cruz.

A "carteira de identidade" de Jesus não é um cartão nem papéis, mas suas mãos e pés chagados. É curioso que os grandes sinais que tornam possível acreditar que Jesus está vivo sejam suas mãos e seus pés. É curioso que os grandes sinais que nos fazem acreditar na Páscoa sejam as mãos e os pés feridos e chagados.

Se nossas entranhas se compadecem, se nossas mãos se abrem, se em nosso desalento levantamos os pés, se voltamos a confiar no outro, se o nosso olhar se amplia, então ressuscitamos como Jesus, como a Vida que se expande, como a semente que se rompe.

Queres conhecer alguém? Olhe suas mãos e seus pés. Queres conhecer o(a) verdadeiro seguidor(a)? Olhe as chagas das mãos e dos pés. Mãos e pés que revelam o amor crucificado; mãos e pés que revelam o amor fiel até o fim; mãos e pés que revelam uma vida doada para que outros possam viver. "Mais vale uma chaga em nossas mãos e em nossos pés que mil explicações sobre o amor".

Texto bíblico: Lc 24,35-48

Na oração: O Cristo Ressuscitado nos mostra suas mãos e pés glorificados, com as "marcas" de sua própria história de paixão e de uma vida entregue em favor do Reino do Pai. Ele pede nossas mãos para que sejam prolongamento das suas: mãos que abençoam, partilham, elevam, curam. Ele pede nossos pés para que sejam o prolongamento dos seus: pés peregrinos que quebram distâncias sociais, pés que rompem as fronteiras da indiferença e da intolerância, pés que ativam presença solidária; Ele pede nosso coração "atravessado" pela lança do amor oblativo para contagiar a grande esperança e combater o vírus da morte.
Como ser presença "ressuscitada" no contexto atual onde imperam o "genocídio" e a "cultura da morte"?
Seu modo de ser e proceder é portador da paz pascal neste ambiente social e religioso carregado de tanto ódio?

*Adroaldo Palaoro é padre jesuíta e atua no ministério dos Exercícios Espirituais 

Domtotal
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sexta-feira, 16 de abril de 2021

FREI MANOEL LIMA MORRE AOS 62 ANOS POR COMPLICAÇÕES DA COVID-19, EM ITAITUBA

(Foto: Reprodução

O religioso estava internado desde o dia 15 de março após ser infectado com a doença. Ele atuava na Paróquia de Sant’Ana.

Por Moisés Sodré
16/04/2021 às 14h 51min | Atualizada em 16/04/2021 15h 08min

Morreu no início da tarde desta sexta-feira (16) por complicações da Covid-19 em Itaituba (PA), o frei Manoel da Silva Lima. O religioso tinha 62 anos e estava internado há 1 mês. A informação foi confirmada pelo Pastoral da Comunicação de Sant’Ana (Pascom).

Frei Manoel era natural de Ananindeua e chegou em Itaituba em Janeiro de 2017. No mesmo mês, tomou posse na Paróquia Sant’Ana como administrador paroquial.

Primeiramente, ele foi internado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Itaituba, no dia 15 de março e devido ao agravamento do quadro clínico, precisou ser transferido para o Hospital Regional do Tapajós (HRT) depois de 6 dias, no dia 21 de março, onde não resistiu e morreu.

Através das redes sociais da Pascom, boletins médicos diários sobre o estado de saúde do frei era divulgado. Neles, o quadro clinico oscilava entre evoluções e pioras. Entre os dias 13 e 15 de abril, o quadro se agravou e foi considerado grave pelos médicos.

O boletim médico da última quarta-feira (14), relatou que o Frei não conseguia manter os níveis estáveis da pressão e seu sistema neurológico apresentava um grande déficit, chegando a perder algumas funções vitais. O frei chegou a ser considerado o paciente com o estado de saúde mais grave do hospital.

A assessoria da paróquia informou que, em breve, divulgará mais informações sobre o sepultamento do religioso.

*Matéria em atualização

Fonte: Portal Giro

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CNBB DIVULGA MENSAGEM AO POVO BRASILEIRO APROVADA PELOS BISPOS REUNIDOS EM ASSEMBLEIA




A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulga nesta sexta-feira, 16 de abril, a mensagem do episcopado brasileiro que reunido, de modo online, na 58ª Assembleia Geral da CNBB, se dirigiu ao povo neste grave momento.

No texto, os bispos afirmam que diante da atual situação pela qual passa o Brasil, sobretudo em tempos de pandemia, não podem se calar quando a vida é “ameaçada, os direitos desrespeitados, a justiça corrompida e a violência instaurada”. Os bispos asseguram que são pastores e que têm a missão de cuidar. “Nosso coração sofre com a restrita participação do Povo de Deus nos templos. Contudo, a sacralidade da vida humana exige de nós sensatez e responsabilidade”, dizem.

Na mensagem, os bispos reiteram que no atual momento precisam continuar a observar as medidas sanitárias que dizem respeito às celebrações presenciais. Reconhecem agradecidos que as famílias têm sido espaço privilegiado da vivência da fé e da solidariedade. “Elas têm encontrado nas iniciativas de nossas comunidades, através de subsídios e celebrações online, a possibilidade de vivenciarem intensamente a Igreja doméstica. Unidos na oração e no cuidado pela vida, superaremos esse momento”.

Os bispos afirmam que os três poderes da República têm, cada um na sua especificidade, a missão de conduzir o Brasil nos ditames da Constituição Federal, que preconiza a saúde como “direito de todos e dever do Estado” e que o momento exige competência e lucidez. “São inaceitáveis discursos e atitudes que negam a realidade da pandemia, desprezam as medidas sanitárias e ameaçam o Estado Democrático de Direito”, afirmam.

Fazem, ainda, um forte apelo à unidade das Igrejas, entidades, movimentos sociais e todas as pessoas de boa vontade, em torno do Pacto pela Vida e pelo Brasil: “Assumamos, com renovado compromisso, iniciativas concretas para a promoção da solidariedade e da partilha. A travessia rumo a um novo tempo é desafiadora, contudo, temos a oportunidade privilegiada de reconstrução da sociedade brasileira sobre os alicerces da justiça e da paz, trilhando o caminho da fraternidade e do diálogo. Como nos animou o Papa Francisco: “o anúncio Pascal é um anúncio que renova a esperança nos nossos corações: não podemos dar-nos por vencidos!”.

Confira o texto na íntegra:

MENSAGEM DA 58ª ASSEMBLEIA GERAL DA CNBB AO POVO BRASILEIRO

Esperamos novos céus e uma nova terra, onde habitará a justiça. (2Pd 3,13)


Movidos pela esperança que brota do Evangelho, nós, Bispos do Brasil, reunidos, de modo online, na 58ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, de 12 a 16 de abril de 2021, neste grave momento, dirigimos nossa mensagem ao povo brasileiro.

Expressamos a nossa oração e a nossa solidariedade aos enfermos, às famílias que perderam seus entes queridos e a todos os que mais sofrem as consequências da Covid-19. Na certeza da Ressurreição, trazemos em nossas preces, particularmente, os falecidos. Ao mesmo tempo, manifestamos a nossa profunda gratidão aos profissionais de saúde e a todas as pessoas que têm doado a sua vida em favor dos doentes, prestado serviços essenciais e contribuído para enfrentar a pandemia.

O Brasil experimenta o aprofundamento de uma grave crise sanitária, econômica, ética, social e política, intensificada pela pandemia, que nos desafia, expondo a desigualdade estrutural enraizada na sociedade brasileira. Embora todos sofram com a pandemia, suas consequências são mais devastadoras na vida dos pobres e fragilizados.

Essa realidade de sofrimento deve encontrar eco no coração dos discípulos de Cristo[1]. Tudo o que promove ou ameaça a vida diz respeito à nossa missão de cristãos. Sempre que assumimos posicionamentos em questões sociais, econômicas e políticas, nós o fazemos por exigência do Evangelho. Não podemos nos calar quando a vida é ameaçada, os direitos desrespeitados, a justiça corrompida e a violência instaurada[2].

Louvamos o testemunho de nossas comunidades na incansável e anônima busca por amenizar as consequências da pandemia. Muitos irmãos e irmãs, bispos, padres, diáconos, religiosos, religiosas, cristãos leigos e leigas, movidos pelo autêntico espírito cristão, expõem suas vidas no socorro aos mais vulneráveis. Com o Papa Francisco, afirmamos que “são inseparáveis a oração a Deus e a solidariedade com os pobres e os enfermos”[3]. As iniciativas comunitárias de partilha e solidariedade devem ser sempre mais incentivadas. É Tempo de Cuidar!

Somos pastores e nossa missão é cuidar. Nosso coração sofre com a restrita participação do Povo de Deus nos templos. Contudo, a sacralidade da vida humana exige de nós sensatez e responsabilidade. Por isso, nesse momento, precisamos continuar a observar as medidas sanitárias que dizem respeito às celebrações presenciais. Reconhecemos agradecidos que nossas famílias têm sido espaço privilegiado da vivência da fé e da solidariedade. Elas têm encontrado nas iniciativas de nossas comunidades, através de subsídios e celebrações online, a possibilidade de vivenciarem intensamente a Igreja doméstica. Unidos na oração e no cuidado pela vida, superaremos esse momento.

Na sociedade civil, os três poderes da República têm, cada um na sua especificidade, a missão de conduzir o Brasil nos ditames da Constituição Federal, que preconiza a saúde como “direito de todos e dever do Estado”[4]. Isso exige competência e lucidez. São inaceitáveis discursos e atitudes que negam a realidade da pandemia, desprezam as medidas sanitárias e ameaçam o Estado Democrático de Direito. É necessária atenção à ciência, incentivar o uso de máscara, o distanciamento social e garantir a vacinação para todos, o mais breve possível. O auxílio emergencial, digno e pelo tempo que for necessário, é imprescindível para salvar vidas e dinamizar a economia[5], com especial atenção aos pobres e desempregados.

É preciso assegurar maiores investimentos em saúde pública e a devida assistência aos enfermos, preservando e fortalecendo o Sistema Único de Saúde – SUS. São inadmissíveis as tentativas sistemáticas de desmonte da estrutura de proteção social no país. Rejeitamos energicamente qualquer iniciativa que intente desobrigar os governantes da aplicação do mínimo constitucional do orçamento na saúde e na educação.

A educação, fragilizada há anos pela ausência de um eficiente projeto educativo nacional, sofre ainda mais no contexto da pandemia, com sérias consequências para o futuro do país. Além de eficazes políticas públicas de Estado, é fundamental o engajamento no Pacto Educativo Global, proposto pelo Papa Francisco[6].

Preocupa-nos também o grave problema das múltiplas formas de violência disseminada na sociedade, favorecida pelo fácil acesso às armas. A desinformação e o discurso de ódio, principalmente nas redes sociais, geram uma agressividade sem limites. Constatamos, com pesar, o uso da religião como instrumento de disputa política, justificando a violência e gerando confusão entres os fiéis e na sociedade.

Merece atenção constante o cuidado com a casa comum, submetida à lógica voraz da “exploração e degradação”[7]. É urgente compreender que um bioma preservado cumpre sua função produtiva de manutenção e geração da vida no planeta, respeitando-se o justo equilíbrio entre produção e preservação. A desertificação da terra nasce da desertificação do coração humano. Acreditamos que “a liberdade humana é capaz de limitar a técnica, orientá-la e colocá-la ao serviço de outro tipo de progresso, mais saudável, mais humano, mais social, mais integral”[8].

É cada vez mais necessário superar a desigualdade social no país. Para tanto, devemos promover a melhor política[9], que não se submete aos interesses econômicos, e seja pautada pela fraternidade e pela amizade social, que implica não só a aproximação entre grupos sociais distantes, mas também a busca de um renovado encontro com os setores mais pobres e vulneráveis[10].

Fazemos um forte apelo à unidade da sociedade civil, Igrejas, entidades, movimentos sociais e todas as pessoas de boa vontade, em torno do Pacto pela Vida e pelo Brasil. Assumamos, com renovado compromisso, iniciativas concretas para a promoção da solidariedade e da partilha. A travessia rumo a um novo tempo é desafiadora, contudo, temos a oportunidade privilegiada de reconstrução da sociedade brasileira sobre os alicerces da justiça e da paz, trilhando o caminho da fraternidade e do diálogo. Como nos animou o Papa Francisco: “o anúncio Pascal é um anúncio que renova a esperança nos nossos corações: não podemos dar-nos por vencidos!”[11]

Com a fé em Cristo Ressuscitado, fonte de nossa esperança, invocamos a benção de Deus sobre o povo brasileiro, pela intercessão de São José e de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.

Brasília, 16 de abril de 2021.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte – MG
Presidente da CNBB

Dom Jaime Spengler, OFM
Arcebispo de Porto Alegre – RS
1º Vice-Presidente

Dom Mário Antônio da Silva
Bispo de Roraima – RR
2º Vice-Presidente

Dom Joel Portella Amado
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro – RJ
Secretário-Geral da CNBB



[1] cf. Gaudium et Spes, 1.
[2] cf. CNBB, Mensagem ao Povo de Deus, 2018.
[3] Papa Francisco, Mensagem para o IV Dia Mundial dos Pobres, 2020.
[4] Constituição Federal, art. 196.
[5] cf. CNBB, OAB, C.Arn´s, ABI, ABC e SBPC, O povo não pode pagar com a própria vida,10 de março de 2021.
[6] cf. Papa Francisco, Mensagem para o lançamento do Pacto Educativo Global, 12 de setembro 2019.
[7] Papa Francisco, Laudato Si´, 145.
[8] Papa Francisco, Laudato Si´, 112.
[9] Papa Francisco, Fratelli Tutti, Cap. V.
[10] cf. Papa Francisco, Fratelli Tutti, 233.
[11] Papa Francisco, Mensagem 58ª. AG CNBB.

CNBB
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HOJE NOSSA EMAÚS É O MUNDO





"A própria realidade da vida desmantela sonhos e esperanças. Parece que todos caminhamos para a nossa Emaús."

"O retorno deles é o oposto da chegada. Eles retornam ao grupo para retomar sua missão e seu testemunho da ressurreição."

«Hoje, na América Latina, as comunidades populares cristãs procuram devolver à nossa Eucaristia este caráter de alimento fraterno e um sinal de que queremos viver uma economia de partilha e de amor».


04.04.2021 | Marcelo Barros.

Neste domingo de Páscoa, que começa os 50 dias da festa da Páscoa, nas celebrações da manhã João 20,1-9 é lido como evangelho. No entanto, o Diretório da CNBB prescreve que nas celebrações noturnas Lucas 24,13-35 sejam tomadas como evangelho. Como já propus a meditação sobre o Evangelho da Vigília Pascal (Mc 16,1-8), agora proponho a leitura do texto de Emaús. Esta passagem do Evangelho nos acompanhou em muitos momentos importantes do caminho das Igrejas na América Latina.

A história dos dois discípulos que, no mesmo Domingo da Ressurreição, viajam de Jerusalém à aldeia de Emaús, resume as diferentes etapas do caminho de fé:

1 ° - Faça uma viagem.
2º - Andem juntos.
3º - Aquecer o coração na escuta da palavra de Deus.
4º - Inserir-se com os pobres, companheiros de caminho e daí reconhecer Jesus Ressuscitado, presente no companheiro e na partilha.
Alguns se perguntam, com razão, se os dois discípulos de Emaús eram um casal. Afinal, pelo que conta a história, parecia que moravam na mesma casa, pois levaram Jesus para jantar em sua casa. No quarto Evangelho, aos pés da cruz de Jesus, estava sua mãe, uma das irmãs de sua mãe, Maria, esposa de Cleofas e de Maria Madalena (cf. Jo 19,25). Segundo uma tradição muito antiga, Maria, a esposa de Cléophas, teria feito parte do grupo mais íntimo de discípulos que se arriscava a acompanhar de perto todo o processo e a crucificação. Seria difícil haver outro Cleofas no grupo de discípulos em Jerusalém e arredores (Emaús, 12 km). E se este Cleofas voltasse de Jerusalém para Emaús, onde morava, só poderia viajar com Maria, sua companheira

Na primeira parte do texto, Emaús parece significar o retorno à vida de antes. Estes dois discípulos de Emaús são a imagem de pessoas que já não se atrevem a sonhar, a ter esperança, a viver a sua fé. Muitas vezes nos encontramos nessa situação. Quantas pessoas nós conhecemos que estiveram no caminho do CEBS, dos movimentos sociais ou mesmo do ativismo político, e de repente abandonam tudo, cansados ​​e decepcionados. Muitos pensam que já deram o que poderiam dar.

A decepção foi com o projeto de Jesus e foi com a comunidade que praticamente acabou (a prisão de Jesus dispersou todos os que fugiam de medo, mas também decepcionados porque a cruz de Jesus frustrou todas as suas expectativas). No Brasil, há muitas pessoas que pensam assim sobre a esquerda e as propostas de um possível novo mundo.

Na narrativa do antigo êxodo dos hebreus para a terra prometida, no deserto, ou seja, na quarentena de distância social que vivia, a maior tentação era a saudade das cebolas do Egito. Entre nós, esse anseio assume outras formas. Pessoas que na juventude eram de esquerda traíram sua história de vida por um cargo ou segurança financeira. Os jovens revolucionários, à medida que envelhecem, tornam-se reacionários. Os casais descobrem que não estavam prontos para um compromisso sério e perdem noites solteiras.

A própria realidade da vida desmantela sonhos e esperanças. Parece que estamos todos caminhando para nossa Emaús. Como os peregrinos naquele primeiro Domingo de Páscoa, a nossa Emaús representa também, a princípio, renúncia e fragmentação. Só na Emaús a experiência foi vivida a dois. No nosso caso, muitas vezes a amargura da decepção nos isola e não queremos compartilhá-la com ninguém.

A boa notícia do evangelho de hoje é que, em todo caso, graças a Deus, não estamos sós nem abandonados. Nesta viagem aparece o próprio Cristo ressuscitado, embora não seja reconhecido. Nossos olhos não conseguem ver, não entendemos o que significa e nossos corações estão muito amarrados para acreditar. E ele parte da realidade e nos pergunta: - O que está acontecendo?

É importante que possamos sempre contar o que estamos vivenciando, o que está acontecendo. É essencial expressar nossa desesperança, insegurança e medos. E só começamos a entendê-lo quando ele faz conosco o que fez com os primeiros discípulos. Ele fala conosco e explica as Escrituras aplicando-as à sua Páscoa. Só então começamos a entender, como aconteceu com Cleofas e seu companheiro.

No caso dos dois de Emaús, aquece-os internamente com esperança e amor. Eles dizem um ao outro:

- Nosso coração ardeu dentro de nós quando ele falou conosco ao longo do caminho e nos explicou as escrituras.

Só por isso, eles insistiram:

- "Fica com a gente, porque escurece."

Por sentirem em seu companheiro de viagem uma Palavra queimando dentro deles, não queriam largá-la, embora não a reconhecessem. Hoje convivo com dois tipos de pessoas: para alguns, a Palavra toca e queima. Outros gostam e acham interessante, mas não permitem que a Palavra penetre nas profundezas de seu ser. Em todo o caso, para nós a expressão tornou-se um refrão pascal que repetimos continuamente: agora, nesta longa noite da pandemia: Senhor, fica connosco porque está a escurecer.
Na segunda parte da história, eles se encontram para jantar, no qual partem o pão. Embora não fale do vinho (apenas do pão), o texto evangélico de Emaús alude ao fato de Jesus ter pronunciado a bênção do pão. A comunidade manteve estes dois sinais (o da Palavra e o do partir do pão) como sacramentos e instrumentos da presença de Jesus entre nós e como marca fundamental das nossas comunidades.

A partir de então, há uma mudança nos discípulos e no curso de suas vidas. Mesmo à noite, eles voltam correndo para Jerusalém. As nossas celebrações da ceia de Jesus hoje podem tocar alguém desta forma?

Seu retorno é o oposto da chegada. Eles voltam ao grupo para retomar sua missão e seu testemunho da ressurreição. Geograficamente, eles voltam à Jerusalém de antes, mas voltam diferentes do que eram antes da Páscoa e do que eram no caminho para Emaús. Agora é um retorno no sentido mais profundo da conversão pascal. Quando lá chegam, já encontram o testemunho dos onze: “O Senhor verdadeiramente ressuscitou”. E eles podem contar como o reconheceram quando ele partiu o pão.
Hoje, na América Latina, as comunidades populares cristãs procuram devolver à nossa Eucaristia este caráter de alimento fraterno e sinal de que queremos viver uma economia de partilha e de amor.

Se ressuscitamos com Cristo, recebamos dele o espírito de ressurreição como uma transgressão do atual status quo do mundo e de nossa Igreja. Voltemos a Emaús para que, junto com as comunidades e os povos que persistem na luta pela transformação do mundo, possamos testemunhar a ressurreição. Como disse a guatemalteca Julia Esquivel em um poema há quase 40 anos: "Estamos todos ameaçados pela ressurreição".  

https://www.religiondigital.org/marcelo_barros/Hoy-Emaus-mundo_7_2329037089.html
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BENTO XVI É O PRIMEIRO PAPA A ATINGIR A IDADE DE 94 ANOS

Emérito faz aniversário esta sexta-feira (16), tornando-se o pontífice mais longevo da história
Título de papa mais velho pode ser controverso, uma vez que o próprio Bento assinalou que "Não há dois papas, o papa é só um" (Reprodução/Abaca/Pixsell)

O papa emérito Bento XVI assinala nesta sexta-feira (16) o seu 94º aniversário, tornando-se assim o primeiro pontífice católico a completar essa idade.

A celebração decorre num momento de isolamento social por causa da pandemia de Covid-19, pelo segundo ano consecutivo.

Embora persistam incertezas quanto aos dados dos pontificados dos primeiros séculos, Bento XVI ultrapassou, em longevidade, os papas que mais anos viveram, até hoje, Celestino III (1105-1198) e Leão XIII (1810-1903); os dois pontífices faleceram aos 93 anos.

Bento XVI renunciou ao pontificado há oito anos, um gesto histórico, mantendo uma vida reservada no antigo Mosteiro Mater Eclesiae, do Vaticano, de onde saiu para despedir-se, em 2020, do seu irmão mais velho, que viria a falecer.

A 1º de março, o papa emérito concedeu uma entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera na qual rejeitava o que denominou de "teorias da conspiração" sobre a sua renúncia ao pontificado, em fevereiro de 2013.

"Foi uma decisão difícil, mas tomei-a em plena consciência, e creio que fiz bem. Alguns dos meus amigos algo 'fanáticos' ainda estão zangados, não quiseram aceitar a minha escolha", admite.

"Não há dois papas, o papa é só um", acrescenta Bento XVI, oito anos após o final do seu pontificado, sublinhando que a sua decisão foi ponderada.

O papa emérito lamenta que, após a sua renúncia, tenham surgido "teorias da conspiração".

"Houve quem tivesse dito que foi por culpa do escândalo do Vatileaks, por causa de um complô do 'lobby gay', por causa do caso com o teólogo conservador lefebriano Richard Williamson. Não querem acreditar numa opção tomada conscientemente. Mas a minha consciência está no seu lugar", realçou.

No último dia 14 de janeiro, o Bento XVI foi vacinado contra a Covid-19, partilhando a "preocupação com a pandemia", disse o seu secretário particular, em declarações ao portal de notícias do Vaticano.

Dom Georg Gaenswein, prefeito da Casa Pontifícia, sublinhou o impacto do primeiro Natal que o papa emérito viveu sem o seu irmão, monsenhor Georg Ratzinger.

O arcebispo alemão disse que Bento XVI está fisicamente frágil, mas lúcido.

A 18 de junho de 2020, o Vaticano anunciou que o papa emérito se tinha deslocado à Alemanha, para acompanhar o seu irmão, de 96 anos, naquela que foi a primeira vez que deixou a Itália desde a sua renúncia ao pontificado.

Monsenhor Georg Ratzinger viria a falecer no dia 1 de julho do ano passado.

Antes, no início de maio, chegou ao público uma biografia do papa emérito Bento XVI, que aborda a vida de Joseph Ratzinger ao longo de mais mil páginas, incluindo uma entrevista inédita que fala em "ditadura mundial" de um credo anticristão.

Em passagens da conversa com o jornalista Peter Seewald, autor de várias entrevistas a Joseph Ratzinger, o papa emérito alerta para o impacto de "ideologias aparentemente humanistas", lamentando que alguns o queiram "calar", fruto de uma "distorção maligna da realidade".

O livro Bento XVI – uma vida destaca a amizade do papa emérito com o seu sucessor, Francisco, sublinhando que apesar de polémicas que os queriam colocar em campos opostos, a relação "não apenas persistiu, como cresceu".

Ecclesia / Domtotal
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58ª ASSEMBELIA GERAL: IGREJA, "PRESENÇA DE JESUS NO MOMENTO DA SOLIDARIEDADE E DA CARIDADE"




Assembleia Geral virtual dos bispos do Brasil


Na coletiva de imprensa desta quinta-feira à tarde o tema da pandemia e da Ação Solidária Emergencial “É Tempo de Cuidar”.

Silvonei José, Padre Modino -Vatican News

Conclui-se nesta sexta-feira, dia 16 de abril, os trabalhos da 58ª Assembleia Geral da CNBB que tiveram início na segunda-feira, dia 12, de modo virtual. O tema central do encontro foi a Palavra de Deus, seguindo a proposta das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Além disso, os bispos aprofundaram mais de 30 outros assuntos previstos nos estatutos sobre a vida da Igreja e a evangelização no Brasil. Seguindo os estatutos da CNBB, essa foi uma Assembleia sem votações que impliquem alterações ou consequências de natureza legislativa para a Conferência. Só ocorreram votações de natureza pastoral.

E a pandemia no país foi um dos temas da coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira, realizada como nos dias passados de modo virtual.

A pandemia da Covid-19 está tendo consequências muitos graves para o Brasil. Os números oficiais dizem que já são mais de 13,6 milhões de casos e mais de 362 mil falecidos. Trata-se de um momento complicado, que segundo o Papa Francisco, em sua mensagem ao povo brasileiro, através dos seus bispos, reunidos na 58ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, “este amado país enfrenta uma das provações mais difíceis da sua história".

A pandemia no Brasil tem atingido a todos, “não ter sido contaminado, não significa estar ileso, porque de uma ou outra forma todos nós já fomos afetados profundamente”, disse dom Joaquim Mol na coletiva de imprensa desta quinta-feira. O presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação da CNBB vê o momento atual como “um grande drama”. Isso tem despertado inúmeras mostras de solidariedade da parte da Igreja católica no Brasil, que vê como o desemprego vai aumentando, as pessoas vão se empobrecendo cada vez mais.

Nesse contexto, a Igreja, renovando seu compromisso com a pessoa humana e a defesa da vida, tem ficado do lado daqueles que sofrem as consequências sociais da pandemia. Tem sido muitas as iniciativas de socorro às pessoas. Há um ano atrás, a Igreja brasileira lançou a Ação Solidária Emergencial “É Tempo de Cuidar”, que no último domingo entrou na sua segunda fase.

Uma das cidades mais atingidas pela pandemia da Covid-19 no mundo tem sido Manaus, onde já faleceram, segundo números oficiais, quase 4.000 pessoas por milhão de habitantes. O último ano foi um tempo extremamente difícil, segundo dom Leonardo Steiner, que relatou os fatos acontecidos numa arquidiocese onde ele chegou poucas semanas antes do início da pandemia, um lugar onde ele disse gostar muito de estar, mas que a pandemia não o deixou conhecer.

Na primeira onda existiu muita falta de informação por parte do poder público, o que motivou que o povo não levasse a sério a gravidade da situação. Neste tempo muitas pessoas morreram em casa, diante da falta de leitos hospitalares. Mas o momento mais grave foi vivido na segunda onda, onde a falta de oxigênio se tornou notícia mundial. Dom Leonardo lembrou do vídeo gravado no dia 15 de janeiro, que viralizou nas redes sociais, ultrapassando as fronteiras do Brasil, onde o arcebispo implorava, “pelo amor de Deus, nos enviem oxigênio”.

A Campanha da Arquidiocese e do Regional Norte 1 da CNBB tornou possível uma corrente de solidariedade que fez chegar ao Estado do Amazonas, grande quantidade de cilindros de oxigênio, BIPAPS, concentradores, mini ursinas, cestas básicas, tendo a possibilidade de ajudar mais de 80 mil pessoas. Foram ajudas que chegaram do Brasil e do exterior, muitas vezes do óbolo da viúva. Isso tornou possível que a Igreja de Manaus chegasse a muitas comunidades indígenas, acompanhasse o povo da rua, a quem ainda hoje distribui 300 quentinhas por dia, os migrantes, os catadores, dando assim um grande testemunho de caridade, de solidariedade, escuta, sem importar a religião, afirmou dom Leonardo.

No outro extremo do país, em Florianópolis, a primeira onda, segundo seu arcebispo, não teve efeitos muito graves, especialmente no interior do Estado de Santa Catarina. As consequências mais graves chegaram com a segunda onda, que triplicou o número de contágios e óbitos. Isso mostrou, segundo dom Wilson Tadeu Jönck, a precariedade do sistema de saúde. O arcebispo também destacou o envolvimento da Igreja diante da pandemia, indo ao encontro dos necessitados, querendo se irmanar com todas as situações de dor. Ele destacou a grande solidariedade do povo e o trabalho da ação social e da Caritas.

A Ação Solidária Emergencial “É Tempo de Cuidar”, iniciada no Domingo de Páscoa, 12 de abril de 2020 é “uma página Pascal”, segundo dom Mário Antônio da Silva. O presidente da Caritas Brasileira destacou que essa Ação quer “ouvir o clamor das famílias necessitadas, o clamor das famílias que não tem alimento, que não tem trabalho, que não tem moradia boa, o clamor das famílias que estão em luto, que estão em pranto, que estão em sofrimento, que estão com seus pacientes nos hospitais”. Deseja-se socorrer as pessoas vulneráveis, moradores de rua, desempregados, migrantes.

São pessoas que, como afirmam os números, tem sido atendidas através das comunidades, dioceses, paróquias, Caritas... Uma ação conjunta de toda a Igreja do Brasil, que também deve contar com o apoio dos jornalistas, como pediu o segundo vice-presidente da CNBB àqueles que acompanhavam a coletiva de imprensa. Ele lembrou que em 2021 a Ação Solidária Emergencial quer ajudar no enfrentamento da fome, num país onde 15% das famílias do Norte e Nordeste passam fome, 6% no Sul e Sudeste. Dom Mário enfatizou que “a fome mata, a fome doe”.

No agir da Igreja do Brasil neste tempo de pandemia, afirmou dom Leonardo Steiner, tem estado presente o incentivo da Leitura da Palavra de Deus, o incentivo da oração do Terço, a presença nos cemitérios, a plantação de árvores no Dia dos Finados, a Escuta das pessoas através do telefone, as cestas básicas. Trata-se de mostrar “a presença de Jesus, que não aparece somente no momento celebrativo, mas também no momento da solidariedade e da caridade”, segundo o arcebispo de Manaus.

O respeito e reconhecimento aos dados da ciência tem pautado a Ação Solidária da Igreja no Brasil, segundo dom Mário Antônio. Junto com isso, a Ação tem procurado despertar nas pessoas a necessidade de cuidados, importantíssimos e indispensáveis para evitar a expansão do vírus. O presidente da Caritas pediu que os políticos eleitos “se empenhem de braços abertos, à luz da ciência, no reconhecimento daquilo que é eficaz e funciona para o bem da população”.

Junto com isso, o Brasil enfrenta o problema do negacionismo, que faz parte da polaridade cada vez mais presente na sociedade e que não ajuda ninguém, segundo dom Wilson Tadeu Jönck. Diante disso, o arcebispo de Florianópolis fez um chamado à Igreja para que “procure esclarecer quanto é possível e sobretudo levar a sério que essa doença não é de brincadeira, devemos levar a sério e procurar nos proteger”. Ele refletiu que “estamos todos nesse barco e aquilo que está acontecendo e é preciso fazer, é tarefa de todos nós”.

Os políticos eleitos não tem se envolvido suficientemente no combate da pandemia, segundo Dom Leonardo. Ele ressaltou que em Manaus, “o diálogo com o Governo Federal e o Governo Estadual, foi muito difícil”, insistindo em que “eu não sei se a gente poderia chamar de diálogo”, algo que melhorou na segunda onda da pandemia. Mesmo assim, “esse diálogo não flui, porque nós sempre precisamos estar ao lado das pessoas mais necessitadas”, e isso é algo que nem sempre é assumido pelo poder público.

Na pandemia “as pessoas se aproveitaram para ter mais garimpo nas terras indígenas, mais madeira retirada”, segundo o arcebispo de Manaus. A Igreja do Regional Norte 1 tem procurado estar ao lado dos povos indígenas, mesmo sabendo que é um tempo muito difícil para acolher as reivindicações. Dom Leonardo pediu para “fazer um movimento no Brasil inteiro, a começar na Amazônia”, em defesa da floresta e das águas, do saneamento básico nas grandes cidades. Ele destacou a união muito grande que existe entre os bispos do Regional Norte 1, algo que apareceu na segunda onda da pandemia, onde o trabalho solidário foi feito em comunhão com todos, o que mostra o trabalho em conjunto como Igreja.

O tempo de pandemia também tem sido um tempo de sofrimento para muitos padres, seis bispos e muitos sacerdotes faleceram, o que demanda um cuidado dos bispos e do clero em cada diocese, segundo dom Mário Antônio. Nesse sentido, dom Leonardo lembrou que, durante a pandemia, três bispos brasileiros receberam telefonemas do Papa Francisco, algo que ele define como “consolador”, e que provocou “depois disso, que um bom número de bispos começou a ligar para seus padres e diáconos”, o que ele vê como um apoio de fraternidade, e que desde sua experiência vê como algo que tem provocado um sentimento de gratidão nos padres.

Varican News
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COM 96 ANOS, O BISPO EMÉRITO DE LIMOEIRO DO NORTE (CE), DOM MANUEL EDMILSON, DÁ EXEMPLO DE UNIDADE NA PARTICIPAÇÃO NA 58ª AG CNBB



O Portal da CNBB descobriu que o bispo emérito da diocese de Limoeiro do Norte (CE), dom Manuel Edmilson da Cruz, é o bispo mais velho a participar, aos 96 anos, da 58º Assembleia Geral da CNBB, em formato on-line. Dados da Secretaria Técnica da CNBB indicam a existência de 166 bispos eméritos no Brasil. Somado ao número de bispos titulares no Brasil, 309, chegamos a um total de 475 prelados na Igreja no Brasil.
Dom Edmilson conta que participou de todas as Assembleias Gerais em seus 54 anos de episcopado. Para ele, as dificuldades tecnológicas não são empecilho. “Participar das Assembleias da CNBB é uma oportunidade preciosa de crescer, de me formar, de ouvir e conhecer sobre outras realidades”, afirmou.
Ouvir sobre as mais diversas realidades e as dificuldades encontradas pelos bispos em suas dioceses, segundo ele, foi o tema que mais o sensibilizou: “o que mais me impressionou até agora têm sido os relatos da vida, das situações novas nos tempos difíceis que estamos vivendo. Esse é o tema que mais se destaca para mim. Ao ouvir esses relatos percebemos que a sabedoria da vida é maior: é saber que não sabemos coisa nenhuma”.
Dom Edmilson diz que espera com muita ansiedade a Assembleia Geral, momento em que pode conviver com os irmãos bispos, mesmo que seja à distância com a ajuda da tecnologia. Para ele, as assembleias poderiam ser  mensais em vez de anuais. “Alegria da vida são as assembleias da CNBB. Tenho o maior interesse em participar e enquanto depender de mim, enquanto eu tiver condições, pretendo continuar participando, para me informar melhor e poder seguir melhor os planos de Deus para a Santa Igreja e tudo mais que for possível”.
Quanto à participar da Assembleia Geral na forma remota, dom Edmilson se diz privilegiado por poder fazer parte da experiência. “É surpreendente. Me sinto privilegiado, com a graça de Deus, não só por mim, mas por todos que podem participar de um momento assim nos tempos que estamos vivendo. É uma graça muito grande. Agradeço com amizade, alegria e gratidão”.
Do alto da sabedoria que seus 96 anos lhe conferem ele manda um recado para os irmãos bispos mais novos no episcopado brasileiro: “diria que já devem estar sentindo como é bom participar desses momentos com o povo de Deus. Como é boa a acolhida que os Bispos do Brasil nos fazem. Esse sentimento de acolhida para todos, destaque para todos, espaço para todos, acompanhar o que acontece na Igreja do Brasil como um todo, desperta uma estima tão forte que eleva nossa solidariedade e renova a boa vontade de servir. A Assembleia Geral é um espaço de oração para aumentar e ampliar os conhecimentos. Sobretudo, lembro que essas coisas tem um valor que só Deus pode dizer e que eu não sabia dizer até começar a participar”.
Dom Manuel Edmilson da Cruz
As novas tecnologias não intimidam a participação do bispo emérito de Limoeiro do Norte (CE) | Fotos: arquivo pessoal.


Nascido em 03/10/1924 , em Acaraú (CE), foi ordenado sacerdote em 05/12/1948, em Sobral (CE) e recebeu a Ordenação Episcopal em 06/11/1966, também em Sobral. Tornou-se bispo emérito em 06/05/1998. Foi Bispo Auxiliar de São Luís do Maranhão (MA), de 1966 a 1974; vigário episcopal da forania de Brejo (MA) de 1966 a 1974; Bispo auxiliar de Fortaleza (CE) de 1974 a 1994; Administrador apostólico “Sede Plena” de 1992 a 1994 e bispo de Limoeiro do Norte (CE) de 1994 a 1998.
Também exerceu as funções de diretor espiritual do Seminário de Filosofia; Orientador educacional de um colégio de religiosas; foi conselheiro espiritual do Encontro de Casais com Cristo (ECC) do regional Ceará; Diretor espiritual da equipe de Nossa Senhora; realizou atendimento pastoral a 2 paróquias da arquidiocese de Fortaleza (CE). Tem diversos livros e escritos publicados.
 Com informações da arquidiocese de Fortaleza


 

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