quarta-feira, 19 de setembro de 2018

IMPACTOS DA MINERAÇÃO NA AMAZÔNIA APRESENTADOS À IGREJA EUROPEIA


Organizações internacionais de inspiração católica que acompanham a Amazônia, reunidas desde segunda-feira (17/09) em Berlim, na Alemanha, refletem com a Rede Eclesial Pan-amazônica, REPAM, sobre a necessidade de trabalhar em conjunto para obter resultados de maior repercussão na Europa.
Cristiane Murray – Cidade do Vaticano
A rede de organizações internacionais de inspiração católica que acompanham a Amazônia, reunidas desde segunda-feira (17/09) em Berlim, na Alemanha, refletem sobre a necessidade de trabalhar em conjunto para obter resultados de maior impacto na "outra selva", a União Europeia.
Ao lado de representantes de organizações da Igreja Católica (Adveniat, Misereor, Cáritas Espanhola, Manos Unidas, Cafod, Ccfd, Secours Catholique, Alboan, Entre Culturas, Cáritas Alemanha e Cáritas Internacionalis), dos Cardeais Cláudio Hummes (Brasil) e Pedro Barreto(Peru), respectivamente Presidente e Vice-presidente da Rede Eclesial Pan-amazônica (REPAM), e de Maurício Lopez, secretário executivo, participam das reuniões também duas lideranças amazônicas.
José Horlando da Silva traz a resistência de sua comunidade rural no município de Buriticupú, no Maranhão, contra os impactos do extrativismo causados pela empresa Vale do Rio Doce.
“ A empresa passou dizendo que ia gerar emprego, gerar desenvolvimento... e até hoje não chegaram. Quando lutamos pelo nosso direito de procurar emprego, a empresa traz a polícia, pede que use spray de pimenta, faça espancamento nas pessoas. Meu pai, que não estava reivindicando (mas eu estava), foi processado para que eu parasse de reivindicar. Aí ele sofreu o processo, mas não foi por isso que paramos ”
Confira no vídeo acima o depoimento concedido a Daniela Andrade por Horlando, que fala sobre os impactos desta atividade em sua comunidade. Lavouras e rios contaminados e a pesca ameaçada. 24 trens transitam o dia inteiro levando minério. Sobram 23 minutos para que as pessoas atravessem o binário. Ele conta episódios de incidentes e mortes neste arriscado atravessamento.
A discussão em torno do Questionário do Documento Preparatório para o Sínodo Amazônico destaca a necessidade de promover uma ecologia integral, olhando para a urgência de uma conversão urgente na Europa, porque os modos de vida praticados "são insustentáveis" e isso exerce pressão sobre o território amazônico.
Neste sentido, a REPAM caminha para a construção de uma Igreja capaz de influenciar a mudança de estruturas que geram esse modelo de desenvolvimento. Sem lidar com essa área, sem influenciar as políticas públicas que favorecem empresas e o poder e que atuam impactando a Amazônia, a ecologia integral não pode ser promovida.
Fonte: Vatican News 


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PROGRAMAÇÃO DO FESTEJO DO NOSSO PADROEIRO SÃO FRANCISCO DE ASSIS DE BURITICUPU


FESTEJO DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS 2018
TEMA: COM SÃO FRANCISCO DE ASSIS QUEREMOS SER CONSTRUTORES DA PAZ NA FAMÍLIA E NA SOCIEDADE.

Ø  Dia 22/09/18 – A vida na família em sentido amplo
17:30 – Caminhada, saindo da comunidade Sagrado Coração de Jesus.
19:00h. Novena – Terço dos Homens
19:30h. Santa Missa
Responsáveis: Pastoral Familiar da Paróquia Santa Rita de Cássia e III Vicinal.
Animadores: Liturgia Paroquial.
Convidados: todos os pais, pastoral familiar, grupo de casais ECVC e Sagrada família. Sagrima, III Vicinal e Segundo Núcleo (representando as três áreas e trazendo as imagens peregrinas).
Benção e renovação das promessas Matrimoniais.

Ø  23/09/18 – Acolher uma nova vida
07:00h. Santa Missa
Responsáveis: ECVC
Liturgia da música: ................
Convidados: Todas as comunidades

Ø  23/09/18 – Acolher uma nova vida
18:00h. Novena – Legião de Maria
18:30h. Santa Missa
Responsáveis: Sagrado Coração de Jesus.
Animadores: Guadalupe (Ritinha e Simone).
Convidados: Com. Jesus Misericordioso e São José de Ribamar.

Ø  24/09/18 – A situação atual da família
19:00h. Novena - Terço dos Homens
19:30h. Santa Missa
Responsáveis: Legionários e Pastoral da Juventude do Segundo núcleo.
Animadores: Jomec
Convidados: Com. V Vicinal, Trilha 405, VI Vicinal.

Ø  25/09 /18– A transformação do amor
19:00h. Novena - Legião de Maria
19:30h. Santa Missa
Responsáveis: Segundinho
 Animadores: pastoral familiar da Terra Bela
Convidados: Com. IV Vicinal, pastoral da pessoa idosa, Carcerária e sobriedade, Com. São Sebastião (Dir. Francisca)
Animação após a missa: IV Vicinal (Miriam).

Ø  26/09/18 – Crescer na caridade conjugal
19:00h. Novena - Terço dos Homens
19:30h. Santa Missa
Responsáveis: Pastoral do Dízimo, RCC e Pastoral da Juventude da Sagrima.
Animadores: Catequese da Matriz.
Convidados: Com. Trilha do aeroporto, Com. São João Batista -Buritizinho (apresentação de músicas e dança- Francinalva e equipe).

Ø  27/09/18 – Atitude de serviço
18:30h. Adoração a Jesus Eucarístico
19:30h. Santa Missa
Responsáveis: Catequese da paróquia Santa Luzia-Terra Bela.
Animadores: Catequese da paróquia Santa Luzia-Terra Bela.
Convidados:Ácolitos-Fernando, catequistas-Ir. Moça, da Paróquia Santa Luzia-Terra Bela.

Ø  28/09 – A vida toda, tudo em comum
19:00h. Novena - Terço dos Homens
19:30h. Santa Missa
Responsáveis: III Vicinal
Animadores: Grupo de oração da Guadalupe.
Convidados: Com. São Raimundo (Dir. Anália), 21 de maio e Vila São João.

Ø  29/09/18 – Os teus filhos como brotos de oliveira
19:00h. Novena - Legião de Maria
19:30h. Santa Missa
Responsáveis: Líderes da Pastoral da Criança.
Animadores: Juencris / Terra Bela
Convidados: Crianças, jovens, Comerciantes, Empresários.

Ø  30/09/18 – O fruto do teu próprio trabalho
07:00h. Santa Missa
Responsáveis:
Animadores:
Convidados: Toda as comunidades

Ø  Torneio de São Francisco –
Local: AABB   Horário: 08h.

Ø  30/09/18 – O fruto do teu próprio trabalho
Ø  17h00 caminhada de encerramento do mês da Bíblia saindo da Guadalupe.
18:00h. Novena - Terço dos Homens
18:30h. Santa Missa
Responsáveis: P2, Trilha 410 e Tercerinha-Leituras.
Animadores: Apostolado da Oração – Terra Bela.
Convidados: P2 e Trilha 410 e Tercerinha, Apostolado da Oração.

Ø  01/10/18 – A ternura do abraço
19:00h. Novena - Legião de Maria
19:30h. Santa Missa
Responsáveis: Com. São Raimundo da Terra Bela (Dir. Wagner).
Animadores: Michele e Gerson
Convidados: Com. Vila do Meio, Sede do Triângulo, Cajueiro, Brejão, São Francisco, Quentinha.


Ø  02/10/18 – Alegrar-se com os outros
19:00h. Novena - Terço dos Homens
19:30h. Santa Missa
Responsáveis: Com. Santa Mônica da Terra Bela.
Animadores: Grupo de oração Sagrada Família.
Convidados: Professores, Paróquia Transfiguração, Paróquia São José Operário.

Ø  03/10/18 – A transmissão da vida e a educação dos filhos
19:00h. Novena - Legião de Maria
19:30h. Santa Missa
Responsáveis: ECVC
Animadores: Sagrado Coração
Convidados: Todos os casais

Ø  04/10/18 – Espiritualidade conjugal e familiar.
07:00h. Missa devocional:
Responsáveis: Ministros Extraordinários da Comunhão Eucarística e Exéquias
Liturgia da música: Liturgia Paroquial
Convidados: Devotos de São Francisco de Assis, comunidades, pastorais, movimentos, ministérios.

Encerramento do festejo:
17:00h. Concentração para a grande procissão pelas ruas da cidade, saindo da comunidade São José.
19:00h. Santa Missa
Responsáveis: Comunidade São José de Ribamar
Liturgia da música: Liturgia Paroquial
Convidados: todas as comunidades, pastorais, grupos, movimentos.
Novenário de todas as noites: Terço dos homens e Legião de Maria
Haverá as princesas, reis e rainhas da festa
As barracas funcionaram todos os dias alternando os responsáveis sem dispensar ninguém
RCC, ECVC. LEGIÃO DE MARIA, CATEQUESE, MINISTROS, ACÓLITOS, TERÇO DOS HOMENS E PASTORAL DO DIZIMO CRIANÇA, PESSOAS IDOSA E JUVENTUDE

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UM HUMANISMO INTEGRAL E SOLIDÁRIO


A fé cristã professa que “Jesus veio trazer a salvação integral, que abrange todo e todos os homens, abrindo-lhes os horizontes admiráveis da filiação divina” (São João Paulo II, Redemptoris Missio, 11). Por isso, a religião não deve ficar restrita ao âmbito privado e unicamente ocupar-se com o estritamente espiritual. A adesão a Jesus Cristo e seu projeto do Reino abre um horizonte de compreensão do ser humano, da família, da criação e da sociedade humana, compendiado na chamada Doutrina Social da Igreja. Esta visão de mundo não assume este ou aquele sistema social, econômico ou político, mas são princípios que decorrem de nossa fé.  “Quer propor a todos os homens um humanismo à altura do desígnio de amor de Deus sobre a história, um humanismo integral e solidário, capaz de animar uma nova ordem social humana, a se realizar na paz, na justiça e na solidariedade” (Compêndio da Doutrina Social da Igreja, n.18).
Os pronunciamentos dos papas, desde Leão XIII, em 1891, com a Encíclica Rerum Novarum, até o Papa Francisco, com a Encíclica Laudato Sì, em 2015, oferecem aos cristãos princípios de reflexão, critérios de julgamento e diretrizes de ação para a construção da civilização do amor. Na base de todo o ensinamento social está uma visão de ser humano, uma antropologia: é o princípio da dignidade da pessoa humana. Criatura de Deus, portadora de sua imagem e semelhança (cf. Gn 1,27), deve a Ele a sua existência e só se compreende na relação com Ele. Ao mesmo tempo, tem sua identidade na relação com os outros e com o meio ambiente onde vive. Amada pessoalmente por Deus, a pessoa é única, sua vida é um dom sagrado e inviolável. Mesmo marcada pela fragilidade e pelo pecado, sua dignidade deve ser sempre respeitada. Nunca pode ser instrumentalizada em vista de projetos econômicos ou pelas leis do mercado. Esta sacralidade marca toda a vida, desde a concepção, passa pelas relações familiares e sociais, continuando até o seu fim natural. Por isso, “a ordem social e o seu progresso devem ordenar-se incessantemente ao bem das pessoas” (Gaudium et Spes, n. 26).
Uma sociedade só poderá ser justa se respeitar e promover a dignidade da pessoa humana, de todas as pessoas, sua liberdade de expressão e liberdade religiosa, a defesa incondicional da vida e o combate aos preconceitos. A partir deste princípio temos luz para nos empenharmos numa ordem social pela superação da pobreza, da fome e da violência, que atentam contra a dignidade da pessoa humana.
Deste princípio fundamental da dignidade da pessoa humana, decorrem todos os outros temas que perpassam os principais pronunciamentos sociais do magistério. Elenco alguns destes temas: a) A destinação universal dos bens, pois “Deus deu a terra a todo o gênero humano, para que ele sustente todos os seus membros, sem excluir nem privilegiar ninguém” (São João Paulo II, Centesimus Annus, n. 31); b) O direito de propriedade e sua função social; c) O princípio da solidariedade, que Papa Francisco chama de “globalização da solidariedade”; d) A opção preferencial pelos pobres e sua inclusão social, que “deriva de nossa fé em Cristo, que se fez pobre e sempre se aproximou dos pobres e marginalizados” (Francisco, Evangelii Gaudium, n. 186); e) O primado do trabalho sobre o capital, com salário justo (cf. Centesimus Annus, n. 8); f) A promoção do matrimônio e da família; f)  O diálogo social como contribuição para a paz, através da cultura do encontro (cf. Evangelii Gaudium, n. 238s); g) Promoção de uma ecologia integral (cf. Francisco, Laudato Sì, n. 137s).
D Adelar Baruffi
Bispo de Cruz Alta -RS
Fonte: cnbb.net.br
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PAPA FRANCISCO NOMEIA BISPO PARA DIOCESE DE CAROLINA- MA


A Nunciatura Apostólica no Brasil comunicou na manhã desta quarta-feira, 19, a decisão do Papa Francisco em nomear o padre Francisco Lima Soares como bispo da vacante diocese de Carolina, no Estado do Maranhão. A notícia foi publicada no jornal L’Osservatore Romano, às 12 horas de Roma.
Biografia
Natural de Araguatins (TO), Francisco cursou Filosofia na Universidade Estadual do Ceará (UECE). Foi ordenado presbítero em Imperatriz (MA), em 15 de julho de 1990. Em 1998 fez especialização em Filosofia e Modernidade na Pontifícia Universidade Católica de Minas (PUC-Minas). No ano de 1999 foi estudar na França, onde graduou-se em Ciências Sociais e Econômicas pela Universidade Católica de Paris.
Ainda pela França, nos anos de 2001 a 2003 fez mestrado em Sociologia, na mesma Universidade. Em 2004, padre Francisco fez especialização em Mídia e Opinião pela Faculdade de Jornalismo Casper Líbero em São Paulo (SP). Já de 2011 a 2013 cursou doutorado em Ciências da Educação em Assunção, capital do Paraguai. De 2016 a 2018 fez mestrado em Desenvolvimento Regional, em Goiânia (GO).
Trajetória – Em seu ministério sacerdotal, padre Francisco desenvolveu atividades em diversas pastorais e movimentos da diocese de Imperatriz e no regional Nordeste V da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Atuou como pároco, vigário paroquial da paróquia Menino Jesus de Praga; diretor da TV Anajás, afiliada da Rede Vida em Imperatriz; promotor vocacional da diocese; assessor diocesano da Pastoral da Juventude; vice-presidente da Comissão Regional do Clero e presidente da Associação dos Presbíteros do Maranhão.
Atualmente, padre Francisco exercia os postos de administrador da diocese de Imperatriz e pároco da Catedral Nossa Senhora de Fátima. Neste ano de 2018 tinha sido nomeado ainda como membro do Conselho Econômico e Vigário Geral da diocese de Imperatriz.
Fonte; CNBB 

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SER CRISTÃO EM TEMPO DE ELEIÇÃO


O mundo e as sociedades não podem ser realidades indiferentes para os seguidores e seguidoras de Jesus. 
Por Tânia da Silva Mayer*
Ser cristão ao modo de Jesus não é tarefa muito fácil em nossos dias. Aliás, para corresponder às exigências do seguimento e do discipulado são necessárias perseverança e coragem. Na contramão das convenções mundanas, a capacidade de não desistir nunca e de cultivar esperança e ânimo para avançar na luta por outra realidade mais humana é fundamental para confirmar o ser cristão em tempos de desânimo e ódio. Por isso, a necessária contribuição que os cristãos e as cristãs podem oferecer ao mundo imerso numa crise de humanidade é a crença de que a vida vale a pena e de que é preciso ter esperança de que as coisas podem e vão melhorar. Logicamente, essa esperança não é iludida, mas consciente de que são imprescindíveis uma leitura do mundo, o envolvimento com suas realidades difíceis e uma conversão de postura que fomentem a transformação de tudo que nos distancie de uma vida de paz.
Uma tentação que sempre nos rodeia é a da apatia que nos tornam insensíveis e indiferentes às questões que dizem respeito a todos nós, porque direta ou indiretamente nos afetam. Por sua vez, a apatia promove certo comodismo que nos autoriza a não nos envolvermos no processo direto de transformação da realidade. Nesses tempos duros de eleições no Brasil, muitas pessoas, entre elas as cristãs, afirmam que não irão às urnas em outubro no exercício de uma das diversas faces da cidadania. Essas pessoas deixaram de acreditar que outro mundo é possível e entraram num estado tal de indiferença que não querem mais contribuir com aquilo que acreditam ser melhor para o nosso país. Não se trata de medo de errar nas escolhas, mas de considerarem que todos os problemas que temos não os dizem respeito. E isso é um engano. É muito mais cômodo deixar nas mãos de outros a possibilidade da mudança que assumir parte da responsabilidade que é de todos nós.
Ir às urnas para votar é exercício pleno da cidadania brasileira e disso não podemos abrir mão. Mas exercer o voto num processo eleitoral torna-se também uma tarefa para os cristãos e cristãs. O mundo e as sociedades não podem ser realidades indiferentes para os seguidores e seguidoras de Jesus. O Evangelho narra a história de um Deus que se envolve conosco em nossa história não se eximindo das nossas questões e problemas. E a Encarnação comprova isso. Por isso, os fiéis cristãos devem cultivar a mesma postura condescendente para com a sociedade brasileira. É preciso se encarnar na luta dos milhões de brasileiros que não edificam muros quando o assunto é a construção de um Brasil igualitário e feliz para todos. É preciso superar a indiferença e, sobretudo, eliminar a tristeza e a desesperança que tomou conta dos corações. É preciso também superar o ódio e exercer o direito e o dever do voto como uma atitude de amor, porque preocupada e comprometida com o bem de todos os brasileiros e brasileiras. Concorre a essa postura outra que não elege candidatos por pertencerem a determinada religião ou movimento religioso, mas pelo compromisso de fazer desse país um lugar melhor para todas as pessoas viverem.
*Tânia da Silva Mayer é mestra e bacharela em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE); graduanda em Letras pela UFMG. Escreve às terças-feiras. E-mail: taniamayer.palavra@gmail.com.
 Fonte:domtotal.com

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terça-feira, 18 de setembro de 2018

ELEIÇÃO DEMOCRÁTICA DO TERROR

A nação estava em frangalhos, mergulhada em crise ética, política e econômica, e o horizonte da esperança espelhado em trevas.

Sua noção de justiça se resumia a uma bala de revólver ou a um tiro de fuzil. (Reprodução/ Pixabay)
Por Frei Betto

Ele nada entendia da situação real do país. Nem demonstrava interesse por ela, embora atuasse ativamente na política. Por isso não gostava de ser questionado, irritava-se diante das perguntas como se fossem armas apontadas em sua direção. Não queria que a sua ignorância se tornasse explícita.

Ser estranho, ele tinha olhos alucinados afundados nas órbitas, lábios espremidos, gestos cortantes. Todo o seu corpo era rígido, como se moldado em armadura. Ao ficar na defensiva, parecia uma fera acuada. Ao passar à ofensiva, a fera exibia garras afiadas e de suas mandíbulas pingava sangue.

Sua fala exalava ódio, rancor, preconceito. Aliás, não falava, gritava. Não sabia sorrir, tratar alguém com delicadeza, ter um gesto de cortesia ou humildade. Evitava ao máximo os repórteres. Julgava suas perguntas invasivas. E temia que a sua verdadeira face antidemocrática transparecesse em suas respostas.

Educado em fileiras militares, aprendera apenas a dar e cumprir ordens, enquadrar quem o cercava e ultrajar quem se opunha às suas opiniões. Jamais aceitava o contraditório ou praticava um mínimo de tolerância. Considerava-se o senhor da razão.

A nação estava em frangalhos, mergulhada em crise ética, política e econômica, e o horizonte da esperança espelhado em trevas. Pelo país afora havia milhares de desempregados, criminalidade generalizada, corrupção em todas as instâncias de poder. O câmbio disparara, a moeda nacional perdia valor, o descontentamento era geral. O governo carecia de credibilidade e se via cada vez mais fragilizado. O povo clamava por um salvador da pátria.

Jovens desesperançados viam nele um avatar capaz de inaugurar a idade de ouro. Era ele o cara, surfando na descrença generalizada na política e nos políticos. O Executivo se debilitara por corrupção e incompetência, o Legislativo mais parecia um ninho de ratos, o Judiciário se partidarizara submisso a interesses escusos.

Ele se dizia cristão, e se considerava ungido por Deus para livrar o país de todos os males. Advogava soluções militares para problemas políticos. Movido pela ambição desmedida, se apresentou como candidato à eleição democrática para ocupar o mais alto posto da República, embora ostentasse a patente de simples oficial de baixo escalão do Exército.

De sua oratória raivosa ressoava o discurso agressivo, bélico, insano. Haveria de modificar todas as leis para implantar uma ordem marcial que poria fim a todas as mazelas do país. Eleito, seria ele o comandante-em-chefe, e todos os cidadãos passariam a ser tratados como meros recrutas obrigados a cumprir estritamente as suas ordens.

Prometia fortalecer o aparato policial e as Forças Armadas. Sua noção de justiça se resumia a uma bala de revólver ou a um tiro de fuzil. Eleito, excluiria da vida social um enorme contingente de pessoas consideradas por ele sub-humanos e indesejáveis, mulheres, homossexuais, trabalhadores em luta por seus direitos e comunistas. Todos que se opunham às suas opiniões eram por ele apontados como bodes expiatórios da desgraça nacional.

Seu mandato presidencial haveria de trazer a era de fartura e prosperidade. Reergueria a economia e asseguraria oportunidades de trabalho a todos. Exaltaria os privilégios do capital sobre os direitos dos trabalhadores. Aqueles que o seguissem seriam felizes, e livres para sobrepor a lógica das armas ao espírito das leis. Os demais, excluídos sumariamente do convívio social.

Enfim, após uma série de manobras políticas e forte repressão às forças adversárias, ele foi eleito chefe de Estado. A nação entrou um júbilo. O salvador havia descido dos céus! Ou melhor, brotado das urnas.

Tudo isso aconteceu há 85 anos, em 1933. Na Alemanha alquebrada pela derrota na Primeira Grande Guerra. O nome dele era Adolfo Hitler. 

Fonte: Dom total
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NOVO DOCUMENTO DO PAPA: SÍNODO DOS BISPOS A SERVIÇO DO POVO DE DEUS


Consultar o Povo de Deus e ter uma Igreja sinodal: essas são as características da Constituição apostólica Episcopalis communio publicada esta terça-feira.
Giada Aquilino – Cidade do Vaticano
Faltando poucos dias para o início do Sínodo dos Bispos dedicado aos jovens, foi publicada esta terça-feira (18/09) a Constituição Apostólica do Papa Francisco Episcopalis communio sobre a estrutura do organismo instituído por Paulo VI em 1965.
Pelo bem de toda a Igreja
Francisco define a instituição do Sínodo como uma das “heranças mais preciosas do Concílio Vaticano II”, e destaca a “eficaz colaboração” do organismo com o Romano Pontífice nas questões de maior importância, isto é, que “requerem uma especial ciência e prudência pelo bem de toda a Igreja”. Neste momento histórico em que a Igreja abarca uma nova “etapa evangelizadora”, através de um estado permanente de missão, o Sínodo dos bispos é chamado a se tornar sempre mais um canal adequado para a evangelização do mundo de hoje.
A Secretaria Geral
Paulo VI havia previsto que, com o passar do tempo, esta instituição poderia ser aperfeiçoada; a última edição do Ordo Synodi é de 2006, promulgada por Bento XVI. Diante da eficácia da ação sinodal, nesses anos cresceu o desejo de que o Sínodo se torne sempre mais “uma peculiar manifestação e uma eficaz atuação da solicitude do episcopado para com todas as Igrejas”.
A escuta
O bispo, reitera o Papa, é contemporaneamente “mestre e discípulo”, num compromisso que é ao mesmo tempo missão e escuta da voz de Cristo que fala através do Povo de Deus. Também o Sínodo então “tem que se tornar sempre mais um instrumento privilegiado de escuta do Povo de Deus”, através da consulta dos fiéis nas Igrejas particulares, porque mesmo que seja um organismo essencialmente episcopal, não vive “separado do restante dos fiéis”.
Portanto, é “um instrumento apto a dar voz a todo o Povo de Deus justamente por meio dos bispos”, “custódios, intérpretes e testemunhas da fé”, mostrando-se, de Assembleia em Assembleia, uma expressão eloquente da “sinodalidade” da própria Igreja, em que se espelha uma comunhão de culturas diferentes. Também graças ao Sínodo dos bispos, ficará mais evidente que nela vige uma “profunda comunhão”, seja entre os pastores e fiéis, seja entre os bispos e o Pontífice.
A unidade do todos os cristãos
A esperança do Papa Francisco é que a atividade do Sínodo possa “a seu modo contribuir ao restabelecimento da unidade entre todos os cristãos, “segundo a vontade do Senhor”. Deste modo, o organismo ajudará a Igreja Católica, segundo o auspício de São João Paulo II expresso na encíclica Ut unum sint, a “encontrar uma forma de exercício de primado que, não renunciando de modo algum à essência de sua missão, se abra a uma nova situação”.
Fonte: Vatican News 

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