sábado, 23 de janeiro de 2021

“LITURGIA É ALGO ECLESIAL. É DA IGREJA, NÃO É DE GRUPOS”, DIZ DOM EDMAR PERON


O bispo de Paranaguá (PR) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Edmar Peron, foi entrevistado dessa semana no programa Bispos do Brasil, da TV Evangelizar. Em sua participação, falou do trabalho da Comissão responsável pelos temas de liturgia na Igreja no Brasil e deu indicações sobre tensões que surgem em relação à celebração dos ritos sagrados.

Dom Edmar reforçou de se tomar o Concílio Vaticano II como referência; criticou o ritualismo raso, reforçando a necessidade de se ter sentido no que se faz na liturgia; falou da relação da celebração com o crescimento espiritual; dos exageros na liturgia; e do processo de tradução da 3ª edição do Missal Romano.

O jornalista Everton Barbosa começou conversando com dom Edmar Peron sobre a realidade da diocese de Paranaguá, no litoral paranaense. Foram recordados os desafios pastorais diante da vulnerabilidade no entorno do Porto de Paranaguá. A conversa também abordou a vocação de dom Edmar e seus estudos em Teologia Dogmática. “Na minha vida, nunca separei a celebração litúrgica da reflexão teológica dos sacramentos”, destacou o bispo.

Essa proximidade com a Teologia dos Sacramentos o fez chegar à presidência da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB, em maio de 2019, quando foi eleito na 57ª Assembleia Geral da Conferência. Dom Edmar falou sobre a estrutura da Comissão para a Liturgia, divina em três setores (Pastoral Litúrgica, o Setor Música e o Setor Espaço Sagrado), cada um com seu assessor, e composta por outros dois bispos. Também recordou o trabalho da Comissão para os Textos Litúrgicos (Cetel), a qual tem “o grave encargo de fazer a revisão da tradução da terceira edição do Missal Romano”.

A Liturgia não é de grupos

Questionado sobre grupos que querem conservar e grupos que querem avançar em relação à reforma Litúrgica do Concílio Vaticano II, dom Edmar afirmou que é necessário, num primeiro ponto, ser firme ao recordar a proposta litúrgica do Concílio Vaticano II. “Porque, se não, nós começamos a discutir com grupos de um lado ou de outros a partir de gostos pessoais”.

Para dom Edmar, um segundo ponto é resgatar, desde o Concílio Vaticano II até o Papa Francisco, qual a normativa litúrgica que surgiu, “porque nós não temos somente a Sacrossantum Concilium desde o Vaticano II até hoje. São muitas as orientações e normas dadas nesse longo período. Nós devemos olhar o que surgiu”.

Na sequência, dom Edmar exorta que é preciso considerar que a Liturgia é algo eclesial. “É da Igreja, não é de grupos. Então, não é de um movimento, não é de uma ala, mas é da Igreja. Por isso, quando se fala de renovação, de mudanças, sempre se fala da autoridade para fazer isso – um concílio, um magistério do Papa, de uma Conferência Episcopal, dos bispos”.


Dimensão do sentido diante do ritualismo raso

As ações litúrgicas, segundo dom Edmar, encontram amparo nas orientações da Igreja e precisam conter a dimensão do sentido. Esta se encontra na tradição e na Palavra de Deus.

“As pessoas vivem um ritualismo muito raso, porque elas vão sendo apenas repetidoras. Veem, acham que aquilo é interessante, repetem, repetem, repetem… Mas quando você pergunta sobre o sentido, não havia sentido no primeiro, não havia sentido no segundo. É apenas uma repetição sem sentido. Quando há um gesto sem sentido teológico, espiritual, então isso é um ritualismo barato, não tem lugar na liturgia”, ensina.

Missa Tridentina

Quando perguntado sobre as iniciativas que promovem o resgate à chamada Missa Tridentina, celebrada entre outras características em latim, dom Edmar recorda que a Igreja ensina, desde Pio X, que a Liturgia é a fonte de nossa vida espiritual. “Ora, para que seja a fonte de nossa vida espiritual, os seus ritos, ou seja, os gestos e as Palavras precisam entrar em mim, na minha vida. Quando eu vejo um rito que eu não entendo o gesto e nem a palavra, eu me pergunto: o que entra na minha vida? O que traz de fruto espiritual aquele gesto e aquela palavra?”, questionou.

Para dom Edmar, o celebrar é a fonte de espiritualidade, e as pessoas devem perguntar-se que fruto recebem ao participar desses ritos, desses gestos e dessas palavras, não apenas recordando a norma, haja vista uma autorização do Papa Bento XVI anos atrás.
Dom Edmar destaca o desejo que as pessoas lessem a coletânea sobre Liturgia de Bento XVI – na Edições CNBB, a obra Teologia da Liturgia – O Fundamento Sacramental da Existência Cristã, tem 752 páginas – não que ficassem “com alguns videozinhos de Youtube de algum gesto de Bento XVI sobre a Liturgia”.

“Leia o Tomo sobre Liturgia de Bento XVI, aí a gente pode falar de Liturgia de Bento XVI, pois se evoca a autoridade dele para fazer coisas que ele jamais iria aprovar, assim como muito evocam a autoridade do Concílio Vaticano II para fazer coisas que jamais o Concílio Vaticano II propôs”, destacou.

Missal Romano

Dom Edmar explicou a importância do Missal Romano para a Igreja: “Existe uma comunhão eclesial que se dá ao redor de um livro. Aquilo que nós celebramos é aquilo que nós cremos. A importância de um livro é que ali está a fé da Igreja”. E comentou as polêmicas causadas por notícias falsas a respeito da tradução da terceira edição pela CNBB. “Nunca, nem o Papa São João Paulo II, que promulgou a 3ª edição do missal romano, nem a Conferência Episcopal dos Bispos do Brasil tem interesse em destruir a fé, porque é o conteúdo da fé que está ali. Quando nós celebramos, nós expressamos o que cremos”, reforçou.Dom Edmar Peron | Imagem: reprodução/TV Evangelizar (Youtube)

Terceira edição do Missal

A 3ª Edição do Missal Romano foi promulgada por São João Paulo II, após as duas primeiras por São Paulo VI. À época, o Papa Wojtila pediu que todo o missal, e não apenas as partes novas que seriam inseridas na terceira edição, fossem traduzidas.


“Isso gerou para nós no Brasil um trabalho imenso, porque nós não temos pessoas liberadas para fazerem só isso. Então nós tivemos a constituição de peritos que fizeram uma tradução do latim, muito precisa, muito atenta. E depois essa tradução paga a profissionais foi entregue à Cetel. Esses bispos tinham suas dioceses, se reuniam no máximo quatro vezes por ano. Cada parte que era revisada, era conferida no texto em latim, se analisava a poética, a compreensão… era uma fidelidade ao latim, ao povo, ao português, e tudo isso tinha que ser apresentado ainda à Assembleia dos Bispos”, lembrou dom Edmar ao ponderar sobre o longo período para a tradução dos textos.


“A cada ano se pegava o que tinha sido o trabalho, se votava na Assembleia, se começava uma nova etapa. O trabalho agora terminamos. Estamos aproveitando o tempo da pandemia, praticamente todas as semanas nos reunimos às terças-feiras pela manhã via internet para fazer aquela última olhada do que já foi traduzido. E então apresentaremos aos bispos na próxima assembleia o miolo do missal que serão os prefácios, as orações eucarísticas para que eles olhem ponto por ponto das observações que estamos fazendo e, se houve alguma mudança significativa, ela também será apresentada para que os bispos se posicionem”, explicou sobre o processo de aprovação.

“A terceira edição do Missal Romano pega tudo aquilo que os Papas modificaram ou incluíram desde Paulo IV até o Papa Francisco e coloca nessa nova edição. Que é a terceira edição típica”, resumiu dom Edmar sobre as principais alterações que serão encontradas na nova edição do missal.

 CNBB

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CELAM CONVIDA À APRESENTAÇÃO DA “ASSEMBLEIA ECLESIAL DA AMÉRICA LATINA E CARIBE”

“Somos todos discípulos missionários cessantes” é o lema que, em comunhão com o Papa Francisco, escolheu o CELAM para esta assembleia, que se realizará de 2 a 28 de novembro de 2021 , na Cidade do México.
O compromisso é neste domingo, 24 de janeiro, às 10h45 hora local da Cidade do México, às 17h45 em Madri, por meio das redes sociais do CELAM
Uma oportunidade para “empreender um itinerário participativo para discernir os novos caminhos que devemos percorrer para responder aos desafios pastorais da Igreja na América Latina e no Caribe, no contexto atual, enquanto recordaremos a V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano realizada em Aparecida (Brasil), em 2007 ”
 Luis Miguel Modino, correspondente no Brasil


Uma 
Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe , essa é a nova proposta do Conselho Episcopal Latino-Americano - CELAM . Serão conhecidos os detalhes deste evento, que pode ser considerado uma grande novidade e mais um passo no caminho da sinodalidade , uma das grandes apostas do CELAM, que tem como lema " Uma Igreja cessante, missionária e sinodal ". neste domingo, 24 de janeiro .
A apresentação da Assembleia Eclesiástica da América Latina e Caribe será realizada virtualmente, transmitida pelas redes sociais do CELAM, no Facebook  e no YouTube , da Basílica de Guadalupe , na Cidade do México, a partir das 10h45. local) , no âmbito do Domingo da Palavra e do 55º Dia Mundial das Comunicações Sociais .
“Somos todos discípulos missionários cessantes” é o lema que, em comunhão com o Papa Francisco, escolheu o CELAM para esta assembleia, que se realizará de 21 a 28 de novembro de 2021 , na Cidade do México, e que deseja ser uma oportunidade para “empreender um itinerário participativo para discernir os novos caminhos que devemos percorrer para responder aos desafios pastorais da Igreja na América Latina e no Caribe, no contexto atual, enquanto recordaremos a V Conferência Geral do Episcopado América Latina realizada em Aparecida (Brasil), em 2007 ”.
Com base no seu carácter sinodal , a realização desta primeira Assembleia Eclesial, bem como o seu processo de escuta do Povo de Deus, o seu itinerário espiritual e a sua subsequente concretização, marcarão, afirma o Conselho Episcopal Latino-americano, “ um marco no caminho da discípulos missionários do nosso continente ”. Estamos perante um evento eclesial em que participarão “ leigos, religiosas, diáconos, seminaristas, sacerdotes, bispos, cardeais e pessoas de boa vontade ”, que decorrerá “sob a protecção de Santa Maria de Guadalupe, Padroeira da América América Latina e Caribe, quando nos aproximamos da celebração dos 500 anos do Evento Guadalupano e dos 2.000 anos de nossa Redenção (2031 + 2033) ”. 

A Assembleia Eclesial encontrará pessoalmente uma 
pequena delegação aos pés de Nossa Senhora de Guadalupe, ligada a tantas outras pessoas reunidas em espaços presenciais e virtuais em todo o Continente e, porque não, em todo o mundo. Nesta nova posição, do CELAM afirma-se que “queremos que as telas se tornem pontes e as mídias, as redes sociais e as plataformas digitais sejam ruas e avenidas cheias de discípulos missionários construindo juntos, em Jesus Cristo, uma vida plena. para todos".
Esta Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe, “será uma experiência de escuta, diálogo e encontro , à luz da Palavra de Deus, com o Documento de Aparecida  e o Magistério do Papa Francisco , para contemplar a realidade de nossos povos, aprofundar nos desafios do continente no contexto da pandemia de Covid-19, reavivar nosso compromisso pastoral e buscar novos caminhos para que todos tenhamos vida em abundância ”. Para mais detalhes, o encontro é neste domingo, dia 24 de janeiro, às 10h45, horário local da Cidade do México, às 17h45 em Madri, por meio das redes sociais do CELAM.
Cronograma:
10:45: Costa Rica - El Salvador - Guatemala - Honduras - México - Nicarágua.
11h45: Colômbia - Cuba - Equador - Panamá - Peru
12h45: Antilhas - Bolívia - Guiana - Haiti - Porto Rico - República Dominicana - Venezuela.
13:45: Argentina - Brasil - Chile - Guiana Francesa - Paraguai - Suriname - Uruguai.
16:45: Portugal
17:45: Alemanha - Bélgica - Espanha - França - Itália - Suíça
Paramaisem formaçãovisita, a partir de 24 de janeiro,apágina da Assembleia Eclesiástica da América Latina e Caribe: www.asntacióneclesia.lat e siga as redes sociais do CELAM: Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.

Fonte:religiondigital
  


 

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O TEMPO DE JESUS: UM TEMPO NOVO

“O tempo já se completou” (Mc. 1,15) 
Não há filósofo que se preze que não lhe tenha dedicado parte de sua reflexão; não há poeta que não o cite em suas obras; não há namorado(a) que não pense que ele “voa”; não há político que não o utilize em suas promessas; não há pregador que não o faça aparecer em seus sermões; não há ser humano que não sinta sua passagem.  Estamos falando do “tempo”.
Tem-se dito tantas coisas sobre o tempo...: que “ele tudo cura”, que “temos todo o tempo do mundo”, que “é preciso fazer as coisas a tempo”, que “há um tempo para cada coisa”, que “não podemos apressar o tempo”, que “o tempo passado foi melhor”...
Quando falamos de tempo, não estamos nos referindo, necessariamente, ao tempo físico, ao tempo cronometrado (“chronos”). Esse tempo não é o mais importante. O verdadeiramente importante é o tempo psicológico, o tempo interior, o tempo espiritual, o tempo tal e como nós lhe damos valor.
A Bíblia não concebe o tempo como uma entidade abstrata, vazia, quantitativa, irreversível e retilínea, medida por anos, dias, horas, minutos e segundos, dentro do qual tudo é contido e tudo acontece.
A ideia bíblica de tempo é algo concreto, vivo, experimental e qualitativo, que incorpora os seres e as coisas, marcado por eventos significativos...
A mentalidade judaica considerava que a natureza do tempo presente era determinada tanto pelos atos de salvação de Deus no passado (Êxodo), quanto pelos atos de salvação de Deus no futuro.
Os profetas tinham a tarefa de contar às pessoas o significado do tempo específico no qual estavam viven-
do, em vista do novo ato divino que estava prestes a acontecer.
Este acontecimento futuro iminente qualifica o tempo presente, dá sentido à totalidade da nossa vida no presente e determina aquilo que deveríamos estar fazendo. Se o tempo presente é inteiramente inspirado e qualificado por este ato novo e sem precedentes de Deus, então o próprio tempo presente é tempo totalmente novo, nova era.
Cada coisa, ao ter seu próprio tempo, está numa relação de parceria com outros tempos e outras coisas.
Há uma constante vinculação do tempo ao “ser e acontecer de cada coisa”. Isso porque o tempo é “carregado” da presença de Deus, que continuamente trabalha, realizando a salvação.
É o “Kairós”, tempo de salvação. 
Com Jesus chega um “novo tempo”, um tempo decisivo para a história da humanidade.
É Deus quem irrompe de maneira definitiva na temporalidade. A partir desse momento, a história fica dividida em dois tempos: o anterior e o posterior ao nascimento de Jesus.
Desta maneira, o Senhor do tempo faz de Jesus o centro e o ponto de referência do tempo dos homens. Todos os acontecimentos do mundo, tanto passados como futuros, encontrarão sua localização e sentido a partir do “tempo central”, que é o tempo de Jesus.
Jesus vive cada momento numa relação completamente livre com o tempo.
Com os olhos fixos na “Hora do Pai”, Jesus mostra com sua mobilidade que, participando no tempo humano, não se deixa prender pelas ataduras da preocupação, da ansiedade, da pressa...
tempo de Jesus é kairós, presente, dom, tempo de salvação. É a plenificação de todos os tempos.
É o “tempo esgotado”, capaz de abarcar todas as dimensões da vida e da história.
Jesus acomoda seu tempo ao “tempo de Deus, avança sem pressa nem inquietude e busca viver com alegria e prazer cada momento como um dom inesperado.
É no movimento do “Kairós” de Jesus que acontecem o chamado e o seguimento; por isso, Marcos situa o encontro com os primeiros discípulos nesse momento denso, decisivo, inspirador. É no interior do kairós que o Reino vai se expandindo, e movendo a história em direção à sua plenitude. 
Todos carregamos uma certa visão pessimista que desvaloriza o tempo: vemo-lo como efêmero, passageiro, finito, caduco e, inclusive, como ilusório.
Também existe entre nós uma certa concepção que pretende reduzir toda realidade a tempo, a mero tempo; na maioria dos casos, tempo desabitado, sem presença, sem sentido e sem abertura ao futuro.
Outros colocam um preço no tempo: “time is money”. Muitas pessoas, pressionadas pela agenda desumana do ativismo, não conseguem dar um sentido existencial àquilo que fazem. Nada detém o tempo. Sua dinâmica não se submete a nenhum controle humano. O tempo corre como as águas de um rio. Arrasta tudo.
“tempo novo”, tal como o vive Jesus, é original em cada um de seus momentos, e em nenhum caso torna-se banal. O Pai se mostra propício na temporalidade, e por isso a atitude de Jesus é a de descobrir em cada um dos momentos e dos acontecimentos o dom de seu Pai. 
Cada tempo particular é sinal de um Deus benevolente e deve ser acolhido com gratidão.
A pressa descontrolada, o ritmo frenético, o estresse, a antecipação dos acontecimentos, a impaciência diante do desejado, a falta de respeito pelo tempo interior das pessoas,.., são atitudes que caracterizam o ser humano pós-moderno, mas que estão ausentes na pessoa de Jesus. 
A liturgia cristã nos diz que estamos no “tempo” para tomar consciência de nosso verdadeiro ser e descobrir que estamos já na eternidade, que nosso verdadeiro ser não está no “chronos”, mas no “kairós”. Seremos cada ano mais jovem se formos cada dia mais livres. Nosso verdadeiro ser é constituído do divino que há em nós, e isso é eterno. Não precisamos esperar nada, pois já somos a plenitude e estamos na eternidade. Sem a eternidade da “alma” que pulsa em nós, que nos unifica e nos integra por inteiro, a vida se empobrece. Na “alma”, no nosso interior, o eterno tem seu templo.
Quando alguém fala de “coisas” eternas, bem que poderíamos olhar para dentro de nós mesmos. Aí, no nosso interior, há tanto de eterno. eternidade dialoga com a gente, fala por dentro. Talvez ainda somos a onda que ainda não se despertou de que é oceano. Estamos mergulhados no “hoje eterno” de Deus e isso ilumina e dá sentido a cada gesto, cada ação, cada encontro.
Kairós: eis que irrompe a eternidade – eterna idade. Nesse sentido, a própria eternidade é sentida como o fluir de um presente sem fim, dom para ser vivido a cada instante. 
A espiritualidade cristã, marcada pelo “tempo” de Deus, pode nos ajudar a fazer a “passagem” do “tempo insensato” (sem sentido) ao “tempo sensato” (com sentido). Tal espiritualidade é uma boa notícia com respeito ao modo de “estar no tempo” e nos introduz na dinâmica da vida que se abre às surpresas do “Senhor dos tempos”. Jesus irrompe em nossa história e nos coloca diante de uma decisão inadiável e única que marca de maneira definitiva nossa existência: “convertei-vos e crede no Evangelho!”
Encontramo-nos mergulhados no tempo da história, levados e sustentados por Deus, “Senhor do tempo”, que nos fala no tempo, comunica-se a nós no tempo, nos conduz no tempo, nos perdoa no tempo, nos convida a trabalhar com Ele no tempo...; no tempo, Ele nos sacode e nos interpela, no tempo, Ele nos capacita para anunciá-Lo e transformar o mundo segundo seu desígnio original.
Por isso, o transcurso do tempo, longe de se constituir um peso, é um grande aliado de nosso desejo, de nossa vida e de nossa fé. 
Texto bíblico:  Mc 1,14-20 
Na oração: Tempo é vida e a vida é feita de tempo: ordenar seu uso  nada mais é do que ordenar a própria vida, dando-lhe sentido e direção. A maneira como cada um assume o tempo determina a forma como direciona sua vida.
- Você vive o tempo como dom ou como “inimigo” a ser derrotado? Seu estilo de vida é agitado, sempre de olho no relógio, em permanente estado de ansiedade, ou é marcado pela gratidão que descansa?
Pe. Adroaldo Palaoro sj

 Fonte: Centroloyola.org.br


 

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PORTUGAL/COVID-19: BISPOS SUSPENDEM CELEBRAÇÕES «PÚBLICAS» DA MISSA

Face ao agravamento da pandemia, a medida entra em vigor a partir de 23 de janeiro, anuncia em comunicado a Conferência Episcopal Portuguesa.

Domingos Pinto-Lisboa 
“Tendo consciência da extrema gravidade da situação pandémica que estamos a viver no nosso País, consideramos que é um imperativo moral para todos os cidadãos, e particularmente para os cristãos, ter o máximo de precauções sanitárias para evitar contágios, contribuindo para ultrapassar esta situação”. 

É desta forma que a Conferência Episcopal Portuguesa explica a suspensão da celebração “pública” da Eucaristia a partir de 23 de janeiro de 2021, bem como a suspensão de catequeses e outras atividades pastorais que impliquem contacto, até novas orientações. 
Uma tomada de posição que a CEP lamenta, como refere numa nota divulgada a 21 de janeiro, na qual os bispos dizem que no caso das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, as respetivas dioceses darão orientações próprias. 
Estas medidas devem ser complementadas com as possíveis ofertas celebrativas, transmitidas em direto por via digital, refere a nota, que em relação às exéquias cristãs sublinha que devem ser celebradas de acordo com as orientações de 8 de maio de 2020 e das autoridades competentes. 
“Exprimimos especial consideração, estima e gratidão a quantos, na linha da frente dos hospitais e em todo o sistema de saúde, continuam a lutar com extrema dedicação para salvar as vidas em risco”, lê no texto. 
Os bispos pedem a Deus que “abençoe este inestimável testemunho de humanidade e generosidade e que eles possam contar com a solidariedade coerente e responsável de todos os cidadãos, a fim de que, com a colaboração de todos, possamos superar esta gravíssima crise e construir um mundo mais solidário, fraterno e responsável”. 
“Pedimos que, a nível individual, nas famílias e nas comunidades, se mantenha uma atitude de constante oração a Deus pelas vítimas mortais da pandemia, pedindo ao Senhor da Vida que os acolha nos seus braços misericordiosos, e manifestamos o nosso apoio fraterno aos seus familiares em luto”, conclui a nota da CEP. 

Fonte:Vatican News


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sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

MARANHÃO: A VACINA É UMA VITÓRIA CONTRA O MAL, AFIRMA BISPO DE BALSAS

Dom Valentim Fagundes de Meneses, bispo da diocese de Balsas, foi o primeiro do Regional NE5 da CNBB a receber a vacina. O prelado português faz parte do grupo prioritário, uma vez que acompanha os idosos do Lar São Vicente de Paulo, um dos projetos sociais da diocese missionária ao sul do Maranhão. O prelado destaca a importância da ciência em defesa da vida, já que a “vacina é uma vitória contra o mal, contra a doença que veio destruir a vida”.
Andressa Collet – Vatican News
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O Maranhão também começou nesta semana a campanha de vacinação contra a Covid-19. Por conta da quantidade reduzida de doses, o calendário – determinado pelo Ministério da Saúde – deve seguir etapas e priorizar determinados grupos. Como é o caso de quem trabalha diretamente com idosos que estão em asilos ou abrigos com mais de 60 anos.
Primeiro bispo do Maranhão a ser vacinado
Dessa forma, dom Valentim Fagundes de Meneses, bispo da diocese de Balsas, foi o primeiro do Regional NE5 da CNBB a receber a vacina. A primeira dose da imunização contra o coronavírus foi administrado na terça-feira (19). O prelado português de 68 anos faz parte do grupo prioritário, uma vez que acompanha os idosos do Lar São Vicente de Paulo, um dos projetos sociais da diocese missionária ao sul do Maranhão, que acolhe pessoas abandonadas pelos familiares ou que não têm onde morar. O espaço conta o serviço realizado por 21 colaboradores entre enfermeiras, técnicos de enfermagem e cuidadores, que se dividem em 3 turnos para acompanhar 33 idosos com idade entre 48 a 108 anos.
Dom Valentim, ao receber a primeira dose da vacina, sente muita gratidão a Deus “por dar inteligência ao ser humano para conseguir vencer o mal”. O bispo também destaca sobre a importância da ciência em defesa da vida, já que a “vacina é uma vitória contra o mal, contra a doença que veio destruir a vida”.
Colaboração - Eanes Silva
Fonte:Vatican News


FP



 

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CRÔNICA DE UM GENOCÍDIO ANUNCIADO

O atual ministro, general Pazuello, não é médico, e pouco depois de ser empossado admitiu que, até então, desconhecia o SUS (Tony Winston/MS)Todo esse quadro necrófilo resulta da inoperância de um presidente e de um governo genocida
Frei Betto
Tudo indica que o Brasil será o último país a ter a sua população imunizada contra a Covid-19 e, em breve, haverá de superar os EUA em número de mortos, devido ao descaso do governo Bolsonaro. Nesta terceira semana de janeiro, já temos mais de 212 mil vítimas fatais. A cada dia, mais de mil pessoas morrem contaminadas pelo coronavírus.
Bolsonaro sofre de tanatomania, tendência patológica de satisfação com a morte alheia. Agora a situação se agrava com a falta de oxigênio e leitos nos hospitais. Terrível paradoxo: falta oxigênio aos pacientes dos estados do Amazonas e do Pará, ambos na Amazônia, tida como pulmão do planeta. Muitos morrem por asfixia. E ironia do destino: Maduro, execrado pelo governo, reabastece o Amazonas de oxigênio.
Todo esse quadro necrófilo resulta da inoperância de um presidente e de um governo genocida. O Brasil tem Ministério da Saúde, mas não tem ministro. Desde a posse de Bolsonaro, em janeiro de 2019, os dois médicos que ocuparam o cargo não permaneceram por não concordarem com a indiferença do presidente diante da pandemia e por ele recomendar recursos preventivos sem comprovação científica, como a cloroquina. O atual ministro, general Pazuello, não é médico, e pouco depois de ser empossado admitiu que, até então, desconhecia o SUS, Sistema Único de Saúde, que atende gratuitamente a população e é considerado exemplar. Agora, porém, o SUS está de mãos atadas por falta de vacinas e profissionais de saúde.
No início da pandemia, enquanto o mundo se alarmava, Bolsonaro declarava que se tratava de uma “gripezinha”. Recusou-se a coordenar a mobilização dos brasileiros para evitar a disseminação da doença. E incentivou, com seu exemplo, as aglomerações, criticou o uso de máscara (chegou a proibir a entrada no palácio de quem estivesse de máscara) e desaconselhou medidas preventivas, como o isolamento, a lavagem cuidadosa das mãos e sua higienização frequente com álcool em gel . Foi preciso a Suprema Corte facultar a governadores e prefeitos o direito de desempenhar essa coordenação.
Como Bolsonaro saboreia o macabro cheiro da morte, jamais se preocupou com a vacinação do povo brasileiro.  Deu a entender que a Covid-19 mata preferencialmente os pobres (o que economizaria recursos das políticas sociais), os portadores de comorbidades e os idosos (o que reduziria o déficit do SUS e os gastos com a Previdência Social). Contudo, devido à pressão popular, o governo se viu obrigado a correr atrás das vacinas.
As vacinas até agora disponíveis são produzidas em dois países, Índia e China, há meses destratados pela família Bolsonaro. O chanceler Ernesto Araújo, adepto do terraplanismo, declarou que a China havia produzido intencionalmente o “comunavírus”. Aliado aos países ricos, o Brasil se recusou a apoiar a proposta da Índia na OMC para quebrar a patente das vacinas. Em outubro de 2020, Bolsonaro assegurou: “Alerto que não compraremos vacina da China”. Seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, em novembro, acusou o governo chinês de utilizar a tecnologia 5G para espionar.  
As poucas vacinas que chegaram ao nosso país, menos de 10 milhões de doses para a população de 212 milhões, vieram da China e foram compradas pelo Instituto Butantan, renomada instituição científica de São Paulo. A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), do Rio, tenta comprar da China o IFA (insumo farmacêutico ativo) sem que haja, até agora, confirmação de possibilidade de entrega.
É preciso que todos saibam do genocídio promovido pelo governo Bolsonaro. Mais de 50 pedidos de impeachment do presidente estão parados nas gavetas do Congresso Nacional. Vivemos, hoje, num país que não tem governo, não tem política de saúde, não tem suficientes vacinas, cilindros de oxigênio e leitos nos hospitais, não tem leis favoráveis ao lockdown e contrárias às aglomerações. Precisamos todos nos mobilizar para salvar o Brasil e os brasileiros.

 Fonte:domtotal.com


 

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ORIENTAÇÕES PARA A CELEBRAÇÃO DO "DOMINGO DA PALAVRA DE DEUS"




Bíblia - Sagrada Escritura

A Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos publica uma Nota com indicações para a celebração do Domingo da Palavra de Deus: "Através das leituras bíblicas proclamadas na liturgia, Deus fala a seu povo e o próprio Cristo proclama seu Evangelho"

Vatican News

A Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos publicou uma nota sobre o “Domingo da Palavra de Deus”, que o Papa Francisco instituiu em 30 de setembro do ano passado com a Carta apostólica, em forma de Motu proprio "Aperuit illis", para recordar alguns "princípios teológicos, celebrativos e pastorais acerca da Palavra de Deus proclamada na Missa”.

O Santo Padre proclamou o III Domingo do Tempo Comum como dia dedicado à celebração, reflexão e propagação da Palavra. O documento, elaborado pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, assinado na quinta-feira (17/12) pelo prefeito do Dicastério, cardeal Robert Sarah, quer contribuir para despertar a consciência sobre a importância da Sagrada Escritura para a vida dos fiéis, sobretudo na Liturgia, “que leva ao diálogo vivo e permanente com Deus”.

Na nota destaca-se ainda que o “Domingo da Palavra de Deus” é “uma boa oportunidade para reler alguns documentos eclesiais”, de modo especial, a Praenotanda do Ordo Lectionum Missae, dividido em dez pontos, com muitas orientações para a celebração.
Não substituir as Leituras

Ao ressaltar que, “por meio das leituras bíblicas, proclamadas na Liturgia, Deus fala a seu povo e o próprio Cristo anuncia o seu Evangelho”, o Dicastério indica que “uma das modalidades rituais próprias para este domingo (...) é a procissão de entrada com o Evangelho ou, na impossibilidade, a sua colocação sobre o altar”.

Desta forma, a nota da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos esclarece também que as leituras bíblicas, dispostas pela Igreja no Lecionário, não devem ser substituídas ou suprimidas e, sim, utilizadas as versões da Bíblia, aprovadas para uso litúrgico.

Por isso - lê-se no documento -, “a proclamação dos textos do Lecionário constitui um vínculo de unidade entre todos os fiéis que os escutam” e se recomenda também o canto do Salmo responsorial.

A respeito da homilia, os Bispos, presbíteros e diáconos são convidados a "explicar e permitir que todos compreendam a Sagrada Escritura, tornando-a acessível à própria comunidade", desempenhando seu ministério "com especial dedicação, aproveitando dos meios propostos pela Igreja". A seguir, destaca-se a importância do silêncio na celebração litúrgica, porque, “ao favorecer a meditação, permite que a Palavra de Deus seja acolhida interiormente por quem a escuta”.
Cuidado para com o ambão

Em relação aos que proclamam a Palavra de Deus na assembleia - sacerdotes, diáconos e leitores -, a nota explica que se requer “preparação interior e exterior específica, familiaridade com o texto a ser proclamado e prática necessária no modo de proclamá-lo”.

O Dicastério insiste ainda a ter cuidado com o ambão, do qual se proclama a Palavra de Deus, se pronuncia "a homilia e as intenções da oração universal, mas não deve ser usado para fazer comentários, avisos, dirigir cantos"; insiste para que seja dado o devido valor ao material necessário e ao bom uso dos “livros que contêm as passagens da Sagrada Escritura”, definindo “inadequado o uso de folhetos, fotocópias, subsídios para substituir os livros litúrgicos”.

Desta forma, para que a Sagrada Escritura e seu valor nas celebrações litúrgicas sejam mais conhecidos, a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos convida a promover encontros formativos, antes ou depois do Domingo da Palavra de Deus, para, por exemplo, ilustrar mais detalhadamente “os critérios de distribuição litúrgica dos vários livros bíblicos, no decorrer do ano e em seus respectivos tempos, a estrutura dos ciclos dominicais e semanais das leituras da Missa”.

Enfim, a nota do Dicastério identifica o Domingo da Palavra de Deus, onde se favorece a celebração comunitária das Laudes e das Vésperas, como uma “ocasião propícia para aprofundar o nexo entre a Sagrada Escritura e a Liturgia das Horas, a oração dos Salmos e Cânticos do Ofício com as leituras bíblicas”.
São Jerônimo, exemplo a ser seguido

A nota da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos conclui sugerindo que “São Jerônimo seja proposto como exemplo pelo seu grande amor que nutria pela Palavra de Deus”. De fato, na Carta Apostólica “Scripturae sacrae afetus”, escrita no último dia 30 de setembro, por ocasião do XVI centenário da morte de São Jerônimo, o Papa Francisco recordou que “ele foi um incansável estudioso, tradutor, exegeta, profundo conhecedor e apaixonado divulgador da Sagrada Escritura". Ao meditá-la, encontrou a si mesmo, o rosto de Deus e dos seus irmãos, aprimorando sua predileção pela vida comunitária.

Vatican News – TC/MT/RL
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