domingo, 29 de março de 2020

GRUPO DE CASAIS DA PARÓQUIA SANTA RITA DE CÁSSIA DE BURITICUPU REALIZA AÇÃO SOLIDÁRIA

O grupo de casais ECVC, da Paróquia Santa Rita de Cássia a São Francisco de Assis, realizou ontem(28), a entrega de cestas básicas em alguns bairros de nossa cidade. Esta campanha já tem 12 anos que o grupo ECVC realiza, e tem por nome CAMPANHA SEMANA SANTA. Sempre com o apoio dos fiéis da Paróquia. 

Os anos anteriores essa distribuição era feita no domingo de Ramos, mas este ano devido estarmos vivendo esta pandemia do Coronavírus, tivemos que fazer a entrega um pouco antes. 

O momento atípico também fez com que a demanda na necessidade por cestas básicas fosse maior, e por isso, iremos continuar recebendo as doações de alimentos. 

Os que desejarem doar podem procurar um membro do ECVC ou o nosso pároco padre António Rodrigues.








Grupo ECVC 
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PAPA: DEUS NÃO NOS CRIOU PARA O TÚMULO, MAS PARA A VIDA

"Somos chamados a remover as pedras de tudo aquilo que fala de morte: a hipocrisia com que a fé é vivida, é morte; a crítica destrutiva contra os outros, é morte; a ofensa, a calúnia, é morte; a marginalização do pobre, é morte."

Vatican News

O convite para removermos de nossos corações as pedras que falam de morte, como a hipocrisia como vivemos a fé, a crítica destrutiva, a ofensa, a calúnia, a marginalização do pobre, nos foi dirigido pelo Papa em sua alocução, antes de rezar o Angelus neste V Domingo da Quaresma, na Biblioteca do Palácio Apostólico, no Vaticano.

Ao refletir sobre o Evangelho de João que narra a ressurreição de Lázaro, Francisco recordou que “a resposta de Deus ao problema da morte é Jesus”, e que Deus não nos criou para o túmulo, mas para a vida, “bela, boa, alegre”.

Jesus é o Senhor da vida

Ao iniciar sua reflexão, o Santo Padre lê alguns dos versículos do capítulo 11 de João, explicando que ao responder a Marta que lhe havia dito que seu irmão não teria morrido caso o Mestre estivesse ali, “teu irmão ressuscitará”, Jesus se apresenta “como o Senhor da vida, Aquele que é capaz de restituir a vida também aos mortos”.
Ao ver em prantos Maria e as pessoas que se aproximavam dele, Jesus, muito comovido, chorou, recordou Francisco, e “comovido, vai ao túmulo, agradece ao Pai que sempre o escuta, manda abrir o sepulcro e exclama com voz forte: “Lázaro, vem para fora!” E Lázaro sai com “as mãos e os pés atados com lençóis mortuários e o rosto coberto com um pano”:

Aqui vemos concretamente que Deus é vida e doa vida, mas assume o drama da morte. Jesus poderia ter evitado a morte do amigo Lázaro, mas quis assumir para si a nossa dor pela morte das pessoas queridas, e sobretudo quis mostrar o domínio de Deus sobre a morte.

O encontro entre a fé do homem e a onipotência de Deus

Nesta passagem do Evangelho – observou o Papa - vemos que a fé do homem e a onipotência de Deus, do amor de Deus, buscam-se e por fim se encontram, “é como um duplo caminho: a fé do homem e a onipotência do amor de Deus que se procuram e no final se encontram. Vemos isso – enfatizou - no grito de Marta e Maria e de todos nós com eles: “Se tivesses estado aqui!...”:

E a resposta de Deus não é um discurso, não, a resposta de Deus ao problema da morte é Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida… Tenham fé! Em meio ao choro continuem a ter fé, ainda que pareça que a morte tenha vencido. Removam a pedra de seus corações! Deixem que a Palavra de Deus leve de novo a vida onde há morte”.

“A resposta de Deus ao problema da morte é Jesus”
Remover as pedras que representam morte

E Jesus nos repete também hoje para removermos a pedra, pois “Deus não nos criou para o túmulo, nos criou para a vida, bela, boa, alegre”, e “foi por inveja do diabo que a morte entrou no mundo”, “e Jesus Cristo veio nos libertar de seus laços”. Neste sentido, “somos chamados a remover as pedras de tudo aquilo que fala de morte”: 

Por exemplo, a hipocrisia com que a fé é vivida, é morte; a crítica destrutiva contra os outros, é morte; a ofensa, a calúnia, é morte; a marginalização do pobre, é morte. O Senhor nos pede para removermos estas pedras do coração, e a vida então voltará a florescer ao nosso redor. Cristo vive, e quem o acolhe e se une a Ele entra em contato com a vida. Sem Cristo, ou fora de Cristo, a vida não só não está presente, mas se recai na morte. 

“Deus não nos criou para o túmulo, nos criou para a vida, bela, boa, alegre”
Regenerados por Cristo, novas criaturas

O Pontífice recordou que “a ressurreição de Lázaro também é sinal da regeneração que se realiza no crente mediante o Batismo, com a plena inserção no Mistério Pascal de Cristo. Pela ação e a força do Espírito Santo, o cristão é uma pessoa que caminha na vida como uma nova criatura: uma criatura para a vida, e que vai em direção à vida".

Que a Virgem Maria – disse o Papa ao concluir - nos ajude a sermos compassivos como o seu Filho Jesus, que fez sua a nossa dor. Que cada um de nós seja próximo daqueles que estão sofrendo, tornando-se para eles um reflexo do amor e da ternura de Deus, que liberta da morte e faz vencer a vida.

Ao concluir o Angelus, o Papa Francisco dirigiu-se ao apartamento Pontifício, de cuja janela abençoou a Urbe e os fiéis presentes espiritualmente na Praça São Pedro. 

Fonte: Vatican News 
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sábado, 28 de março de 2020

PAPA DOA 30 RESPIRADORES AOS HOSPITAIS NAS ÁREAS AFETADAS PELO COVID-19

Francisco confiou os aparelhos aos cuidados da Esmolaria Apostólica para que possam ser doados a alguns hospitais nas áreas mais afetadas pela pandemia
Os respiradores serão destinados para as terapias intensivas na Itália e Espanha (Vatican News/ Ansa)

A Sala de Imprensa da Santa Sé informa numa nota que na tarde de quinta-feira, 26 de março, o papa Francisco confiou 30 respiradores, comprados nos dias passados, aos cuidados da Esmolaria Apostólica, para que possam ser doados a alguns hospitais nas áreas mais afetadas pela pandemia de Covid-19.

Respiradores para a Itália e Espanha

Os respiradores serão destinados para as terapias intensivas. Serão entregues aos hospitais que precisam na Itália e Espanha, países que mais sofrem por causa do Covid-19. Os bispos das dioceses entregarão aos hospitais onde a necessidade é maior.

Doar com amor

“A oração sem caridade não é completa”, afirma o esmoleiro do papa, cardeal Konrad Krajewski, que convida todos a doar, dentro das próprias possibilidades. A compra de respiradores é um sinal para que outros possam se colocar à disposição e doar a quem precisa. “Ontem”, disse o purpurado, “uma senhora que não tem grandes meios me deu 50 máscaras costuradas por ela, para doar aos pobres. É um gesto simples, mas de grande importância. Precisamos exatamente disso: pequenos gestos que vêm do coração”.

Vatican News
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"E A VIDA SEMPRE TEM RAZÃO..."

Ressurreição de Lázaro | Van Gogh | 1890
“Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá” (Jo 11,25) 
O quinto domingo da Quaresma é como uma espécie de Monte da visão, de onde podemos contemplar as primeiras luzes da Páscoa e da Vida. Ela ainda não é realidade, mas já podemos ver seus primeiros sinais. O importante é nos perguntar se, de verdade, estamos nos aproximando deste Monte da visão ou, simplesmente, ficamos no caminho, cansados, fatigados ou indiferentes. 

A Páscoa é a nossa verdadeira meta? É o nosso verdadeiro horizonte? 

É preciso tomar consciência de onde saímos: lugares estreitos, visões atrofiadas, atitudes conservadoras, ideias enfaixadas, sentimentos carregados de ego, coração petrificado... Ou será que vamos chegar à Pascoa tão escravos como quando partíamos, no início da Quaresma? Quanta liberdade temos hoje que não tínhamos no começo?

A CF deste ano nos apresenta como tema: “Vida: dom e missão”. Sabemos que este caminho em favor da vida é belo, instigante, mas muito arriscado. Aqueles que trabalham em favor da vida, aqueles que tiram homens e mulheres de seus túmulos, são frequentemente perseguidos, porque há interesses em jogo e muitos preferem que as coisas continuem do mesmo modo. Assim diz o Evangelho: “Que morra um (Jesus) para que o “bom” sistema prossiga...” Que morram muitos, milhões, para que o sistema neoliberal continue sobrevivendo. 

É perigoso optar pela vida e testemunhar a ressurreição neste mundo de morte. Há muitos (pessoas e instituições) que preferem manter as coisas assim, traficando com a morte (vendedores de armas, promotores de uma economia que mata, etc). O evangelho revela que os primeiros traficantes da morte (“que Lázaro apodreça!”) são os dirigentes religiosos e políticos que controlam o poder a partir da mesma morte. 

A única verdade é a que abre espaço de vida para todos, em justiça e paz. O único valor é a vida, cada vida, acima da “santa nação” à qual apelava Caifás, compactuando com o Sacro Império de Roma. 

No processo do seguimento de Jesus, ao longo da Quaresma, somos tomados por uma “moção à vida” que nos impulsiona a uma “missão em defesa da vida”. Da moção à missão: este é o dinamismo original deste tempo litúrgico.

Alguém já teve a ousadia de afirmar que a morte é mais universal que a vida; todos morrem, mas nem todos “vivem”, porque incapazes de reinventar a vida no seu dia-a-dia; marcados pelo medo, permanecem atados, debaixo de uma fria lápide, sem nunca poder entrar em contato com a vida que flui dentro de si e ao seu redor. Na maioria dos casos, as pessoas passam sobre a vida como sobre brasas: de uma maneira superficial, fugindo do grande sentido da própria existência. Diante do impulso por viver em plenitude, contentam-se em mal-viver ou sobreviver. Trata-se de pessoas mortas diante do sentido da vida, ou seja, pessoas alienadas, desconectadas de si mesmas, sem experiência pessoal profunda e sem ter dentro de si a fonte da confiança e do entusiasmo. Criam sepulturas e se enterram. 

Quem não sabe por quê vive e para quê vive, não pode eleger o como quer viver. O apelo de Jesus – “Lázaro, vem para fora!” - é um princípio de esperança, mas também de compromisso em favor da justiça neste mundo. 

“Lázaro, vem para fora!” Hoje, com muito mais intensidade, é preciso deixar ressoar este grito. Venhamos todos para fora, de maneira que não vivamos mais de mortes, que não vivamos mais na indiferença e na letargia, envolvidos em sudários e vendas, compactuando com a violência e com a injustiça, dando cobertura aos que matam! Esta expressão – “vem para fora!”- é para todos; temos de sair de um mundo em que, de um modo ou de outro, nos acostumamos com as mortes, defendendo mediações e estruturas que atrofiam a vida. 

Sair do túmulo significa viver para a vida, na justiça e na solidariedade; que todos possamos viver para a acolhida e a concórdia, condenando a violência de um modo radical. O caminho da vida começa ali onde tomamos consciência que não se pode matar ninguém para “manter a própria segurança”; que ninguém se aproveite da injustiça para justificar algum tipo de ação opressora.

“Jesus era muito amigo de Marta, de sua irmã Maria e de Lázaro”, e é nessa corrente de vida e amor onde aprendemos a força sanadora que as relações tem. Os três irmãos representam a nova comunidade dos seguidores de Jesus; e Jesus está totalmente integrado no grupo por seu amor a cada um(a). Cada membro da comunidade se preocupa pela saúde do outro.

A morte de Lázaro se converteu em uma benção para suas irmãs e seus amigos. Depois de atravessarem juntos a experiência dos limites, de reconhecerem-se feridos e de abraçarem a dor, fortaleceram-se os vínculos entre eles, e a amizade pode se expandir.

O amor e a amizade devolveram a vida a Lázaro, recriando esse “tecido de relações” que Jesus estabeleceu com esta família de amigos, em Betânia. Vivemos, também nós, um tempo de decomposição social e de relações superficiais. Talvez, quem sabe, muitos acontecimentos que nos custam viver escondem também uma benção. 

As perdas, a dor, a doença..., nos aproximam dos outros, nos fazem mais solidários. Humaniza-nos também a ternura, a bondade, o tratar mutuamente com cordialidade... O sofrimento e a perda podem nos despertar para a dimensão de profundidade da realidade e de nós mesmos. Mas precisamos passar por um processo de transformação para que o sofrimento e a dor nos abram ao Mistério e não nos afundem no desespero. Jesus vai ajudar Marta e Maria a passar por este processo. 

Em chave da interioridade, no relato evangélico deste domingo, “Lázaro” pode significar também aquilo que rejeitamos em nós mesmos, aquilo que deixamos enterrado sob uma lápide porque não nos agrada; o que ocorre é que tudo o que enterramos e reprimimos começa a exalar mau cheiro. Para começar a viver, é preciso, antes de mais nada, reconhecer o que já está morto em nós (falta de sentido, ego inflado, preconceito, frieza nas relações); reconhecer nosso Lázaro interior naquilo que há de positivo e que ainda não foi ativado, porque preferimos nos fechar em mecanismos egocêntricos; reconhecer nosso Lázaro naquilo que nos pesa e que é reprimido, ameaçando-nos continuamente como uma sombra. 

Mas não é suficiente reconhecê-lo. Exige-se também crer na força da vida e no dinamismo do próprio ser habitado por Deus, que nos cria constantemente. A partir daí, podemos escutar a palavra de Jesus que chama à vida e ressuscita o Lázaro que ainda vive em nós. O que mais precisamos é reagir à apatia e à acomodação, a partir da confiança na vida e na palavra de Jesus.

O “ego” é nosso principal sepulcro: tudo o que significa culto ao “eu”, todo tipo de egoísmo, narcisismo e individualismo. É a incapacidade para a relação aberta e generosa; é o coração solitário; é aquele que se fecha em si mesmo, se asfixia, morre. No fundo, é o sepulcro do não-amor.

Sabemos disso: “todo aquele que não ama está morto”.

Texto bíblico: Jo 11,1-45 

Na oração: deter-se para contemplar o coração de Jesus comovido, sacudido, diante da dor e da morte; assim é o seu coração: feito com as fibras da fortaleza e da coragem, entrelaçadas com as fibras da compaixão e da ternura.

- Para captar a presença de Deus em sua vida, fique atento(a), desperto(a), não perdido(a) em tantas coisas que o(a) levem a viver afastado(a) de si mesmo(a).

- Deus é presença calada e respeitosa. No silêncio e no olhar profundo pode-se captar os vestígios de sua presença. No amor aos outros, cada um(a) se abre à densidade de Seu amor.

- No assombro diante da vida, sentida em seu interior, perceba-se mergulhado(a) no Mistério. 

Pe. Adroaldo Palaoro sj

Itaici-SP
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IMUNIDADE E COMUNHÃO

É preciso cuidar da imunidade para proteger a saúde, mas não se imunizar contra a solidariedade e a sensibilidade que nos faz sofrer com quem sofre e nos alegrar com quem se alegra
É preciso fortalecer nos laços de comunhão de nossa sociedade (Unsplash/ Mario Purisic)

Por Marcelo Barros
Nesse tempo de riscos de contágio e de proliferação do coronavírus, é importante refletir sobre o que é a imunidade e que vem a ser a comunidade. É urgente distinguir de quais vírus devemos ser imunes e como ser imunes, sem perder a comunhão que nos liga a tudo e a todos.

De fato, imunidade e comunidade são dois termos que parecem se opor. Quem é imune deixou de ser comune, termo que poderia designar o elo que cria comunhão. Em latim antigo, o termo communio designa a comum união, mas também parece que vinha do fato de se assumir juntos os múnus. Com múnus era a capacidade de carregar juntos o peso uns dos outros. Na tradição cristã, a comunhão é a interdependência que existe entre todas as pessoas de fé (comunhão dos santos), mas também a falta de imunidade espiritual entre todos (a comunhão nas coisas santas). Assim, o bem que um faz contagia a todos, como o pecado de um faz mal a todos. A comunhão possibilita, como escreveu o apóstolo, sermos um só, como um corpo que tem muitos membros. Cada membro tem sua função própria, mas o corpo é um só. Por isso, é preciso saber bem em que comungamos e em que devemos nos precaver de uma falsa comunhão que seria autodestrutiva. 

A imunidade é o que possibilita a autoproteção e o isolamento de qualquer mal que possa nos invadir. Fisicamente, nosso organismo tem células de defesa que impedem que um vírus ou bactéria se instalem. Quando essas células são destruídas, a imunidade se enfraquece e qualquer enfermidade se instala. Então, a imunidade fisiológica é fundamental e necessária. No entanto, Eduardo Galeano advertia de que vivemos em uma “sociedade do desvínculo”. Parece contraditório porque o próprio fato de viver em sociedade já seria um vínculo, mas a sociedade se tornou um acordo comercial que gera uma multidão de excluídos. Ninguém sabe se o coronavírus foi produzido biologicamente como arma de guerra. Grupos de direita dizem que deve ter sido gerado na China e gente de esquerda garante que foram soldados dos Estados Unidos que o levaram para China na ocasião dos jogos militares de 2019. Seja como for, o próprio fato de que um vírus assim possa ser produzido como arma em laboratório revela o modelo de sociedade em que vivemos. Evidentemente, temos de tomar todo o cuidado com o corona, mas sabemos que os vírus do ódio, da intolerância, da xenofobia, do racismo, do machismo e da discriminação social matam mais do que essa pandemia atual. Em nossas cidades, diariamente se assassinam jovens negros nas periferias. As estatísticas denunciam que os feminicídios têm aumentado. E a fome, provocada pela iniquidade da desigualdade social, provoca mais enfermidades e morte do que qualquer um desses vírus estranhos que, de vez em quando, assolam o mundo. Para o coronavírus estão se buscando vacinas. Em Cuba, o uso do interferon tem ajudado como preventivo. Para os vírus mais profundos que destroem em nós o que nos torna humanos só existe uma vacina: o amor solidário. A opção de que a vida é para ser convivência e comunhão tem de ser sorvida e experimentada até a última gota. Sem nenhum medo. Amor não mata.

Daqui a alguns dias, vamos celebrar a Páscoa. Nas comunidades judaicas se chama “a festa da nossa libertação”. No cristianismo, o centro de tudo é a proclamação de que Jesus ressuscitou. Em um mundo como o nosso, afirmar que Jesus ressuscitou é testemunhar que o amor é maior do que a morte e o bem-viver mata todos os vírus da indiferença em relação aos outros e do desamor. Vamos, então, com cristãos e com toda a humanidade, reafirmar que, como escreveu o profeta João, “nós somos as pessoas que cremos no Amor”.

Marcelo Barros
Marcelo Barros é monge beneditino e teólogo especializado em Bíblia. Atualmente, é coordenador latino-americano da Associação Ecumênica de Teólogos/as do Terceiro Mundo (ASETT). Assessora as comunidades eclesiais de base e movimentos sociais como o Movimento de Trabalhadores sem Terra (MST). Tem 45 livros publicados dos quais está no prelo: "O Evangelho e a Instituição", Ed. Paulus, 2014. Colabora com várias revistas teológicas do Brasil, como REB, Diálogo, Convergência e outras. Colabora com revistas internacionais de teologia, como Concilium e Voices e com revistas italianas como En diálogo e Missione Oggi. Escreve mensalmente para um jornal de Madrid (Alandar) e semanalmente para jornais brasileiros (O Popular de Goiânia e Jornal do Commercio de Recife, além de um jornal de Caracas (Correo del Orinoco) e de San Juan de Puerto Rico (Claridad). 

Domtotal
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sexta-feira, 27 de março de 2020

DEZ DICAS PARA ENFRENTAR A RECLUSÃO

Não fique de pijama o dia todo, como se estivesse doente. Imponha-se uma agenda de atividades (Unsplash/ freestocks) 

Algumas ações podem ajudar a suportar melhor o período de confinamento forçado pela pandemia
Estive recluso sob a ditadura militar. Nos quatro anos de prisão trancaram-me em celas solitárias nos Dops de Porto Alegre e da capital paulista, e também, no estado de São Paulo, no quartel-general da PM, no Batalhão da Rota, na Penitenciária do Estado, no Carandiru e na Penitenciária de Presidente Venceslau.

Partilho, portanto, 10 dicas para suportar melhor esse período de reclusão forcada pela pandemia:

1. Mantenha corpo e cabeça juntos. Estar com o corpo confinado em casa e a mente focada lá fora pode causar depressão.
2. Crie rotina. Não fique de pijama o dia todo, como se estivesse doente. Imponha-se uma agenda de atividades: exercícios físicos, em especial aeróbicos (para estimular o aparelho respiratório), leitura, arrumação de armários, limpeza de cômodos, cozinhar, pesquisar na internet etc.
3. Não fique o dia todo diante da TV ou do computador. Diversifique suas ocupações. Não banque o passageiro que permanece o dia todo na estação sem a menor ideia do horário do trem.
4. Use o telefone para falar com parentes e amigos, em especial com os mais velhos, os vulneráveis e os que vivem só. Entretê-los fará bem a eles e a você.
5. Dedique-se a um trabalho manual: consertar equipamentos, montar quebra-cabeças, costurar, cozinhar etc.
6. Ocupe-se com jogos. Se está em companhia de outras pessoas, estabeleçam um período do dia para jogar xadrez, damas, baralho etc.
7. Escreva um diário da quarentena. Ainda que sem nenhuma intenção de que outros leiam, faça-o para si mesmo. Colocar no papel ou no computador ideias e sentimentos é profundamente terapêutico.
8. Se há crianças ou outros adultos em casa, divida com eles as tarefas domésticas. Estabeleça um programa de atividades, e momentos de convívio e momentos de cada um ficar na sua.
9. Medite. Ainda que você não seja religioso, aprenda a meditar, pois isso esvazia a mente, retém a imaginação, evita ansiedade e alivia tensões. Dedique ao menos 30 minutos do dia à meditação.
10. Não se convença de que a pandemia cessará logo ou durará tantos meses. Aja como se o período de reclusão fosse durar muito tempo. Na prisão, nada pior do que advogado que garante ao cliente que ele recuperará a liberdade dentro de dois ou três meses. Isso desencadeia uma expectativa desgastante. Assim, prepare-se para uma longa viagem dentro da própria casa.


Frei Betto
Fonte: domtotal.com 

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VOZ DO POBRE, CORO DE LUCIDEZ

Que a humanidade comece a pensar a sua nova etapa civili
zatória, sensível à voz do pobre (Unsplash/ Ben Richardson)

É preciso reconhecer: a vida é dom no qual se inscreve o compromisso de estar a serviço do semelhante
O Brasil e o mundo estão sob o embargo de um exigente silêncio obsequioso.  A exigência de não sair de casa, um dos incontestáveis remédios capazes de interromper a disseminação do Covid-19, enquanto se trata e recupera os contaminados, faz prevalecer no ambiente doméstico e nos lugares públicos um grande silêncio, incontrolável, a exemplo do vírus que contamina, fortemente, a sociedade contemporânea. Essa sociedade que é tão habituada a um ritmo frenético, fonte de adoecimento para a humanidade e a natureza, de distorções em sistemas sociais, políticos, econômicos e culturais, que levam à perda de rumos e à desconsideração do sentido da vida – dom e compromisso. O incômodo deste silêncio, fecundado por medos e inseguranças, por vezes emoldurado por indiferenças e considerações inconsequentes, irresponsáveis, pode guardar força terapêutica de grande valia. Este obsequioso silêncio confronta-se com a avalanche de palavrórios, propalados na ânsia de querer falar muito sobre aquilo que pouco entende, na ousadia de considerar saber mais do que, de fato, conhece.
Esse silêncio pode oferecer à humanidade a oportunidade de escutar mais, reconhecer aquelas direções que foram negligenciadas, os entendimentos desprezados, as vozes que não são ouvidas e, consequentemente, os sentidos que passam despercebidos. Este tempo, com o seu silêncio, indica a necessidade de superar a idolatria do dinheiro, o absurdo das ganâncias dos que se apegam à falsa segurança do acumulo de posses, que enfraquecem os seres humanos a ponto de a humanidade se desestabilizar. É preciso reconhecer: a vida é dom. Neste dom, inscreve-se o compromisso de estar a serviço do semelhante, que é irmão.
Por isso, causa perplexidade ver que ainda há gente indiferente, convivendo pacificamente com outras pandemias – a da exclusão social, dos desmandos políticos responsáveis por migrações forçadas, dos extermínios de mulheres, indígenas e de pobres moradores nas ruas, dentre tantas outras. Agora chega uma pandemia que bate à porta de todos, igualmente, desmontando sociedades e suas economias, comprovando que o meio ambiente precisa ser balizado pelos princípios e lições sábias no horizonte da ecologia integral. O mundo tem gritado pelas vozes dos mais pobres, dos que nada têm. Já os que muito possuem e têm de sobra, precisam, a partir do atual silêncio, escutar essas vozes, reconhecendo-as como um coro de lucidez. A partir dessa sensibilidade, debelar as pandemias das irresponsabilidades e de palavras inconsequentes, exigir providências urgentes para superar incompetências humanísticas, governamentais e de indivíduos deletérios. 
O ciclo novo almejado, a ser construído pela sociedade brasileira, não permite ufanismos. Requer intuições que fortaleçam as instituições governamentais, livres de fisiologismos ideológicos e dos atendimentos de interesses oligárquicos, para que cumpram adequadamente suas responsabilidades no contexto democrático. Para fazer surgir nova realidade, é preciso se renovar, exigência comum a empreendimentos e empreendedores, a instituições políticas e governamentais, não poupando o mundo religioso e cultural. Qualquer indiferença ou relativização ante a exigência de renovação, perpetuará hábitos que merecem ser revistos e fará com que outras pandemias enfraqueçam ainda mais a humanidade.
Urge, na batalha contra o Covid-19, com investimento em práticas solidárias, reconhecer a tarefa prioritária de se escutar a voz dos pobres, deixar-se interpelar pelo coro de lucidez para, humildemente, contribuir na constituição de novo ciclo humanitário. Pela via da solidariedade, que exige renúncias, partilhas e o reconhecimento da igualdade humana no direito à vida digna, todos se sintam envergonhados pelas exclusões, para fazer surgir lógica diferente, capaz de orientar programas dedicados ao amparo dos mais pobres, dos vulneráveis, no horizonte incontestável da ecologia integral. Cada pessoa reconheça que tudo está interligado, o tempo e o espaço não são independentes entre si, como assevera o papa Francisco, na sua carta encíclica sobre a casa comum. O papa sublinha ainda que os vários componentes do planeta – físicos, químicos e biológicos – se relacionam, assim como as espécies vivas formam uma trama que nunca acabaremos de individuar e entender. Que a humanidade comece a pensar a sua nova etapa civilizatória, sensível à voz do pobre, coro de lucidez.
Por Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Fonte: domtotal.com



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