quarta-feira, 25 de novembro de 2020

JESUS: UM PROBLEMA PARA O CRISTIANISMO RELIGIOSO

Viver como Jesus viveu incomoda os detentores do poder
Se tomarmos os parâmetros de alguns religiosos, Jesus seria imoral. Na foto, Bolsonaro durante audiência com presidente da Assembleia de Deus em Santo André (Marcos Corrêa/PR)

Fabrício Veliq*

Curiosamente, uma das maiores dificuldades do cristianismo ao longo de toda a sua história foi seguir os ensinamentos de Jesus. Esse homem, que nunca foi um cristão, mas um judeu como tantos outros na Galileia, trouxe ensinamentos que, pela fé, traziam os reais significados daquilo que estava contido em toda a Escritura de seu tempo, ou seja, aquilo que conhecemos como Antigo Testamento. Tanto isso é verdade que, como mostram as narrativas evangélicas, Jesus não foi uma pessoa tão bem quista pelos religiosos de seu tempo. Não que isso tenha mudado ao longo da história, afinal é muito comum que a classe religiosa de determinado credo seja aquela que menos segue os ensinamentos de seu fundador.

Jesus foi perseguido, questionado, desejaram sua morte, conspiraram contra sua vida até que, finalmente, conseguiram que fosse condenado em um julgamento extremamente duvidoso dentro do rito judaico e entregue para a crucificação como bandido. Tudo isso mostra o quanto a mensagem de Jesus foi incômoda durante o seu tempo.

Se olharmos para a história do cristianismo, principalmente após a conversão de Constantino e, posteriormente, o édito de Teodósio em 380 da era cristã, que tornava o cristianismo a religião oficial do Império e, consequentemente, uma religião de Estado vemos que essa dificuldade com a pessoa de Jesus se torna ainda maior.

Afinal, como sustentar que a Igreja que nasceu a partir dos ensinamentos de um judeu marginal, que pregava o amor ao próximo, o não acúmulo de riquezas, a divisão de bens, a não hierarquia entre as pessoas, que vivia humildemente, não tendo nem lugar para reclinar a sua cabeça, podia ser o mesmo que queria que uma instituição dominasse toda a terra e condenasse à morte todas as pessoas que não seguissem determinada religião?

Como conciliar a imagem de um Jesus que dependia de mulheres para seu sustento em seu ministério com a pompa e a riqueza que os líderes do cristianismo passaram a ter? Afinal, não tinha sido esse mesmo Jesus aquele que afirmou que é mais difícil um rico entrar no Reino de Deus do que passar um camelo pelo buraco de uma agulha? Mesmo que ao longo do tempo sempre se tenha tentado alargar o buraco da agulha e diminuir o camelo, os ensinamentos do judeu marginal permaneciam como grande entrave para todo império cristão que nascia.

Da mesma forma, seu ensinamento de que Deus se mostra como um pai amoroso, que derrama sua chuva sobre justos e injustos e, portanto, toda e qualquer meritocracia que garanta o olhar gracioso de Deus se torna sem sentido; bem como seu ensino que afirma que não é pela força e pela violência que o Reino de Deus é estabelecido, mas que tal reino, que vem da parte do próprio Deus, manifesta-se pelas ações amorosas na direção de todas as pessoas se mostraram como grandes incômodos diante de um império cristão que queria conquistar terras para aumentar seus domínios e que, posteriormente, vendia indulgências para garantir melhores condições diante de um Deus que se mostrava constantemente irado contra os humanos.

Em dias atuais, Jesus ainda continua sendo um problema para os religiosos e religiosas de plantão, que querem apelar para uma moralidade que não combina em nada com a de Jesus que, de acordo com os religiosos do seu tempo, foi um péssimo exemplo de moral, alguém com o qual nenhuma mãe ou pai gostaria que seus filhos e filhas andassem.

Nesse cenário, não é de se admirar que aqueles e aquelas que andam como Jesus continuam sendo chamados de hereges, devassos, comunistas, ou qualquer outro termo pejorativo que se queira dizer de maneira mais atualizada. Isso, na verdade, mostra que viver como Jesus quer e lutar para que haja uma sociedade que tenha os valores do Reino de Deus ainda incomoda os poderes religiosos e políticos do mundo contemporâneo. Não podemos, contudo, furtar-nos de viver como Jesus viveu, caso realmente tenhamos sido tocados e transformados pela sua pessoa e mensagem.

Domtotal 

*Fabrício Veliq é protestante e teólogo. Doutor em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Belo Horizonte (FAJE), Doctor of Theology pela Katholieke Universiteit Leuven (KU Leuven), Bacharel em Filosofia e Licenciado em Matemática (UFMG) E-mail: fveliq@gmail.com. Site: www.fabricioveliq.com.br.
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terça-feira, 24 de novembro de 2020

CLERO DA DIOCESE DE VIANA SE REUNE EM SANTA INÊS

Ontem dia 23 houve a reunião do Conselho presbiteral e hoje dia 24 foi a vez de todo o clero se reunir com o bispo diocesano. 

Foi um momento de planejamento dos encontros , reuniões e de boa parte da agenda da diocese para o ano 2021.

Dentre o planejamento ficou decidido:  a criação de uma comissão para o jubileu dos 60 anos da diocese em 2022, a escolha pelo bispo do seu  novo conselho dos consultores, a continuidade das assembleias dos setores deste ano, a celebração da admissão as ordens dois seminaristas e a instituição de leitores de outros  2 seminaristas no dia 02 de dezembro que lembra a 368 anos da chegada da imagem de São Bonifácio.
O clero da  diocese ainda terá uma última reunião este ano, para alguns assuntos que ainda ficaram pendentes





Fonte: Pascom da Paróquia Santa Rita de Cássia 
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AS ESTRELAS DA NBA ENCONTRAM O PAPA: CONTRA O RACISMO




Delegação NBA (Vatican Media)

Francisco recebeu em audiência uma delegação do organismo que representa os profissionais do basquetebol estadunidense comprometidos na luta contra o racismo. O artigo do L'Osservatore Romano

Vatican News

Um dream team de basquetebol que atravessou o oceano de propósito para dizer - com o Papa Francisco - "não ao racismo". O encontro teve lugar na manhã desta segunda-feira, na biblioteca privada do Palácio Apostólico. E se saem em campo as estrelas da NBA do calibre de Sterling Brown de Rockets de Houston, Kyle Korver de Milwaukee Bucks, Anthony Tolliver do Memphis Grizzlies, Jonathan Isaac e Marco Belinelli (também líder da equipe nacional italiana) do San Antonio Spurs, o espectáculo está assegurado. Especialmente se, para além dos esquemas do basquetebol, estes campeões também colocam em campo estratégias para que todas as formas de racismo sejam finalmente derrotadas.

E este é um compromisso que a Associação Nacional de jogadores de basquetebol (Nbpa) - a Associação que representa todos os jogadores profissionais de basquetebol da Associação Nacional de Basquetebol (NBA) nos Estados Unidos da América - leva muito a peito. Tal como evidenciado pela vontade de encontrar Francisco para apresentar pessoalmente os seus esforços, e os dos seus colegas, sobre questões dos direitos sociais. E recebem do Papa palavras de encorajamento.

Precisamente para contar ao Pontífice o seu compromisso concreto pela justiça e a igualdade, realizado de forma mais orgânica, especialmente nos últimos meses - após alguns episódios graves de violência - deram-lhe, além de uma bola e camisetas, símbolos da sua profissão - um livro particularmente significativo, uma verdadeira coleção de imagens, artigos e textos que documentam um verdadeiro trabalho de equipe. Diferentes na origem, história e cultura, os jogadores profissionais de basquetebol nos Estados Unidos estão utilizando, em conjunto, a grande "plataforma" de comunicação oferecida pela fase da NBA para relançar os valores desportivos mais autênticos que, naturalmente, excluem qualquer forma de racismo. Acompanhando os cinco campeões estavam também os gestores da NBA Michele Roberts, Sherrie Deans e Matteo Zuretti, e alguns familiares. A missão da Nbpa, explicaram, é proteger e apoiar os direitos e talentos dos jogadores, dando-lhes voz tanto em questões sociais como desportivas. E recordaram que não é de hoje, seja individual que coletivamente, que muitos jogadores de basquetebol iniciaram projetos de solidariedade e apoiam abertamente movimentos de justiça social e contra o racismo. Até ao ponto de suspender as partidas. 

Vatican News 
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segunda-feira, 23 de novembro de 2020

O ESPÍRITO DA PROFECIA É O TESTEMUNHO DE JESUS

Desconfiguração do cristianismo tem sua origem na perda do núcleo original da mensagem cristã (Unsplash/Aaron Burden)

Um cristianismo que redescubra Jesus superará desconfiança que paira sobre cristãos

Qualquer zapeada na TV ou mudança aleatória de estação de rádio nos faz perceber que a pregação com pretensão cristã segue viva. Cristãos e cristãs estão em toda parte, falando a respeito de sua fé. No início da pandemia no Brasil, vimos o estardalhaço de lideranças religiosas por causa do fechamento das igrejas; a reclamação também se deu por parte dos fiéis. Muitas igrejas continuaram a funcionar, clandestinamente, nesse período. Talvez a primeira impressão que tenhamos, com isso, seja de uma efervescência da fé cristã, em nossa atualidade. Mas, será que o que acontece que a mensagem cristã seja vista, por um número cada vez mais crescente de pessoa, com desconfiança ou desdém?

Essa não é uma questão que se responda de maneira rápida. Há um longo processo que nos trouxe até esse contexto em que nos inserimos. De nossa parte, vamos nos deter num aspecto que contribui para a elaboração da resposta: a perda do núcleo original da mensagem cristã, como base sólida para a formação de cristãos e cristãs comprometidos com o Evangelho. Nas muitas pregações que se pode ouvir, bem como na linguagem cotidiana dos fiéis, Jesus está presente. A questão que se coloca, no entanto, é qual a imagem de Jesus que sustenta esses discursos.

Uma pauta irrenunciável para o cristianismo contemporâneo é o de resgatar aquele Jesus dos Evangelhos. Esse é um ponto de insistência ao qual não devemos nos furtar, se queremos bem viver nossa missão cristã. Os muitos avanços teológicos, na área da cristologia, precisam alcançar com efetividade o terreno da pastoral e da pregação. Redescobrir o Jesus dos evangelhos, bem como a pedagogia com a qual ele viveu sua missão, para situá-los em nossa contemporaneidade é um exercício evangelizador que precisa tocar, por primeiro, aqueles cristãos e cristãs que não foram bem inseridos no processo de educação da e para a fé.

Não conseguiremos resgatar o espírito da profecia, que nos coloca na denúncia dos poderes da morte e no anúncio vivencial do Reinado de Deus, se não nos engajarmos na formação de qualidade de verdadeiros discípulos e discípulas de Jesus. Para isso, só um retorno à inspiração evangélica de quem é Jesus trará efetividade a essa empresa. Esse processo precisa ser feito olho-no-olho, de modo personalizado, de modo que abandonemos as pretensões de uma religião de massa, que nos descaracteriza em nossa singularidade, porque tudo se torna fragmentário em demasia.

O espírito da profecia é o testemunho de Jesus, é o que nos diz o Apocalipse (cf. 19,10). Uma vida testemunhal só será possível se nascer de um encontro transformador com o Jesus dos evangelhos. Esse Jesus, sim, é digno de fé. Esse Jesus propõe sentido à vida e um novo olhar sobre o mundo e a realidade. Um cristianismo que redescubra esse Jesus, Morto-Ressuscitado, conseguirá superar a desconfiança que paira sobre os cristãos e cristãs, quando vistos pelas pessoas que estão fora desse círculo. Testemunho: palavra forte que transforma. Assumamos o nosso, como verdadeira profecia do Reinado de Deus!

Domtotal

*Felipe Magalhães Francisco é teólogo. Articula a Editoria de Religião deste portal. É autor do livro de poemas 'Imprevisto' (Penalux, 2015). E-mail: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com
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domingo, 22 de novembro de 2020

O PAPA AOS JOVENS: TORNAMO-NOS AQUILO QUE ESCOLHEMOS, TANTO NO BEM QUANTO NO MAL

Na homilia da missa na Solenidade de Cristo Rei, celebrada na Basílica de São Pedro, na manhã deste domingo, Francisco disse que não fomos feitos para sonhar os feriados ou o fim de semana, mas para realizar os sonhos de Deus neste mundo, fazendo grandes escolhas. "A beleza das escolhas depende do amor", disse o Pontífice.
Mariangela Jaguraba - Vatican News
O Papa Francisco celebrou a missa na Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, na Basílica de São Pedro, na manhã deste domingo (22/11), ocasião em que os jovens do Panamá entregaram aos jovens de Portugal os símbolos da Jornada Mundial da Juventude.
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“A página que acabamos de ouvir é a última do Evangelho de Mateus antes da Paixão: antes de nos doar o seu amor na cruz, Jesus transmite-nos suas últimas vontades. Ele nos diz que o bem que fizermos a um dos seus irmãos mais pequeninos, famintos, sedentos, estrangeiros, necessitados, doentes e encarcerados, será feito a Ele”, disse o Pontífice no início de sua homilia.
Segundo o Papa, “deste modo o Senhor nos entrega a lista dos dons que deseja para as núpcias eternas conosco no Céu. São as obras de misericórdia que tornam eterna a nossa vida. Cada um de nós pode interrogar-se: coloco-as em prática? Ajudo alguém que não me pode restituir? Sou amigo de uma pessoa pobre?”. “Eu estou ali”, diz Jesus, nos pobres. Eu estou ali, diz Jesus também aos jovens que “procuram realizar os sonhos da vida”.
Realizar os sonhos de Deus neste mundo
Eu estou ali: disse Jesus, séculos atrás, a um jovem soldado. Era um jovem de dezoito anos, ainda não batizado, que cortou o seu manto e deu metade ao pobre, suportando a zombaria de alguns ao redor. Esse jovem era São Martinho que teve um sonho e viu Jesus com a parte do manto que ele tinha coberto o pobre. “São Martinho era um jovem que teve aquele sonho porque o viveu, mesmo sem saber, como os justos do Evangelho de hoje”, sublinhou o Papa. A seguir, Francisco disse:
Queridos jovens, queridos irmãos e irmãs, não renunciemos aos grandes sonhos. Não nos contentemos com o que é devido. O Senhor não quer que restrinjamos os horizontes, não nos quer estacionados nas margens da vida, mas correndo para metas elevadas, com júbilo e ousadia. Não fomos feitos para sonhar os feriados ou o fim de semana, mas para realizar os sonhos de Deus neste mundo. Ele tornou-nos capazes de sonhar, para abraçar a beleza da vida. E as obras de misericórdia são as obras mais belas da vida. As obras de misericórdia vão ao centro de nossos grandes sonhos. Se você tem sonhos de verdadeira glória, não da glória passageira do mundo, mas da glória de Deus, esta é a estrada; pois as obras de misericórdia dão mais glória a Deus do que qualquer outra coisa. Ouçam bem isto: as obras de misericórdia dão glória a Deus mais do que qualquer outra coisa. Seremos julgados no final, sobre as obras de misericórdia.
Escolhas banais levam a uma vida banal
“Mas, de onde se começa para realizar grandes sonhos?”, perguntou o Papa. “Das grandes escolhas. Hoje, o Evangelho também nos fala disto. No momento do juízo final, o Senhor se baseia nas nossas escolhas. Quase parece que não julga: separa as ovelhas dos cabritos, mas ser bom ou mau depende de nós. Ele apenas tira as consequências de nossas escolhas, as traz à luz e as respeita. Assim a vida é o tempo das escolhas vigorosas, decisivas e eternas.”
Escolhas banais levam a uma vida banal; escolhas grandes tornam a vida grande. De fato, tornamo-nos aquilo que escolhemos, tanto no bem quanto no mal. Se escolhemos roubar, tornamo-nos ladrões; se escolhemos pensar em nós mesmos, tornamo-nos egoístas; se escolhemos odiar, tornamo-nos furiosos; se escolhemos passar horas no celular, tornamo-nos dependentes. Mas, se escolhermos Deus, nos tornamos mais amados a cada dia e, se optarmos por amar, nos tornamos felizes. É assim, porque a beleza das escolhas depende do amor. Não se esqueçam disso! Jesus sabe que, se vivermos fechados e na indiferença, ficamos paralisados; mas, se nos dedicarmos aos outros, nos tornamos livres. O Senhor da vida nos quer cheios de vida e nos dá o segredo da vida: só a possuímos doando-a.
“Mas existem obstáculos que tornam as escolhas difíceis: com frequência, são o medo, a insegurança, os porquês sem resposta”, disse ainda o Pontífice, ressaltando que “o amor pede para ir além, não ficar agarrados aos porquês da vida, esperando que chegue do Céu uma resposta. Isso não. O amor impele a passar dos porquês ao para quem: do porque vivo, ao para quem vivo; do porquê me acontece isto, ao para quem posso fazer o bem. Para quem? Não só para mim; a vida já está cheia de escolhas que fazemos para nós mesmos: ter um diploma, amigos, uma casa; satisfazer os próprios interesses e passatempos. De fato, corremos o risco de passar anos a pensar em nós mesmos, sem começar a amar”.
Escolher o que lhe faz bem
Segundo Francisco, “não existem apenas as dúvidas e os porquês a insidiar as grandes escolhas generosas; existem muitos outros obstáculos”.
Existe a febre do consumo, que narcotiza o coração com coisas supérfluas. Existe a obsessão pela diversão, que parece o único caminho para fugir dos problemas, quando, ao invés, é apenas um adiamento do problema. Existe a fixação nos próprios direitos de reivindicar, esquecendo o dever de ajudar. E, depois, há a grande ilusão do amor, que parece algo a ser vivido ao som de emoções, quando amar é principalmente dom, escolha e sacrifício. Sobretudo hoje, escolher é não se fazer domesticar pela homogeneização, é não se deixar anestesiar pelos mecanismos de consumo, que desativam a originalidade, é saber renunciar às aparências e à exibição. Escolher a vida é lutar contra a mentalidade do usa-e-joga-fora e do tudo-e-imediatamente, para orientar a existência rumo à meta do Céu, rumo aos sonhos de Deus. Escolher a vida é viver, e nós nascemos para viver, não para sobreviver. Isto foi dito por um jovem como vocês [o Beato Pier Giorgio Frassati]: “Eu quero viver, não sobreviver”.
“Todos os dias se apresentam muitas opções no coração”, disse ainda o Papa, dando um último conselho para se treinar a escolher bem.
Se olharmos dentro de nós, veremos que muitas vezes surgem duas perguntas diferentes. A primeira: o que me apetece fazer? É uma pergunta que engana frequentemente, porque insinua que o importante é pensar em si mesmo e satisfazer todos os desejos e impulsos que me vêm. Mas a pergunta que o Espírito Santo sugere ao coração é outra: não aquilo que lhe apetece, mas aquilo que lhe faz bem. A escolha diária situa-se aqui: escolher entre o que me apetece fazer e o que me faz bem. Desta busca interior, podem nascer escolhas banais ou escolhas vitais, depende de nós.

Fonte: Vatican News


 

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MINISTÉRIO DA SAÚDE PODE TER DE JOGAR FORA 6,8 MILHÕES DE TESTES DE COVID-19

Falta liderança nacional para coordenar distribuição dos testes (Najara Araujo/Câmara dos Deputados)
O RT-PCR é um dos exames mais eficazes para identificar o novo coronavírus
Um total de 6,86 milhões de testes para o diagnóstico do novo coronavírus comprados pelo Ministério da Saúde perde a validade entre dezembro deste ano e janeiro de 2021. Esses exames RT-PCR estão estocados num armazém do governo federal em Guarulhos e, até hoje, não foram distribuídos para a rede pública. Para se ter ideia, o SUS aplicou cinco milhões de testes deste tipo. Ou seja, o país pode acabar descartando mais exames do que já realizou até agora. Ao todo, a Saúde investiu R$ 764,5 milhões em testes e as unidades para vencer custaram R$ 290 milhões - o lote encalhado tem validade de oito meses.
A responsabilidade pelo prejuízo que se aproxima virou um jogo de empurra entre o ministério, de um lado, e estados e municípios, de outro. Isso porque a compra é feita pelo governo federal, mas a distribuição só ocorre mediante demanda dos governadores e prefeitos. Enquanto um diz que sua parte se resume a comprar, os outros alegam que o governo entregou material incompleto, falta de capacidade para processar as amostras e de liderança do ministério nesse processo.
O RT-PCR é um dos exames mais eficazes para diagnosticar a Covid-19. A coleta é feita por meio de um cotonete aplicado na região nasal e faríngea (a região da garganta logo atrás do nariz e da boca) do paciente. Na rede privada, o exame custa de R$ 290 a R$ 400. As evidências de falhas de planejamento e logística no setor ocorrem num período de aumento dos casos no País.
Os dados sobre o prazo de validade dos testes em estoque estão registrados em documentos internos do ministério, com compilação de dados até o último dia 19. Relatórios acessados pela reportagem indicam que 96% dos 7,15 milhões dos exames encalhados vencem em dezembro e janeiro. O restante, até março. O ministério já pediu ao fabricante análise para prorrogar a validade dos produtos. A falta de outros componentes para realizar testes, um dos problemas que travam o fluxo de distribuição, porém, deve continuar.
A pasta diz que só entrega os testes quando há pedidos dos estados. Ainda ressalta que nem sequer as 8 milhões de unidades já repassadas foram totalmente consumidas. Secretários estaduais e municipais de Saúde dizem que não usaram todos os testes, pois receberam kits incompletos para o diagnóstico, com número reduzido de reagentes usados na extração do RNA, tubos de laboratório e cotonetes de coletar amostras. Também veem dificuldade para processar amostras. Isso prejudica o repasse dos produtos, pois as prefeituras, em especial, não têm como armazenar grandes quantidades.
O ministério lançou duas vezes o programa Diagnosticar para Cuidar, que previa 24,2 milhões de exames no SUS até dezembro. Só 20% foram feitos. A pasta prometeu também insumos para entregar kits completos, mas os negócios foram travados por suspeita de irregularidades, hoje sob análise do Tribunal de Contas da União (TCU).
Com meta de alcançar 115 mil testes diários no SUS, o ministério registrou em outubro média de 27,3 mil na rede pública, número inferior ao dos dois meses anteriores. Militares com cargos de influência na pasta ouvidos pela reportagem consideram o ritmo razoável. A auxiliares, o ministro Eduardo Pazuello já afirmou que há testes suficientes nas mãos de Estados e municípios. A cúpula da pasta avalia que as amostras excedentes podem ser enviadas a centros equipados pelo ministério, como o da Fiocruz em Fortaleza. Gestores da Saúde ainda dizem que o diagnóstico pode ser feito pelo próprio médico, o que tornaria o RT-PCR menos importante.
Especialistas, porém, dizem que o teste não serve só para diagnóstico. É essencial na interrupção de cadeias de infecção. “A vantagem da Europa, agora, é que aumentou tanto a capacidade de testagem que é possível detectar casos leves”, diz o vice-diretor da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), Jarbas Barbosa. Para ele, um bom indicador para verificar se o país testa pouco é o número de positivos. Se for acima de 5%, é sinal de que os testes são insuficientes. No Brasil, cerca de 30% dos exames RT-PCR no SUS deram positivo.
Estados e cidades
Sem a liderança do ministério, Estados e municípios adotaram estratégias próprias de testagem, em muitos casos, também ineficientes. Contrariando recomendações da OMS, alguns locais apostaram em exames sorológicos, como os testes rápidos, que encontram anticorpos para a doença. Ele é útil para mostrar que a infecção ocorreu no passado e foram criadas defesas no organismo contra o vírus, além de mapear por onde a doença já passou, por inquéritos sorológicos. Mas não serve para alertar sobre a alta de casos ativos.
Os conselhos de secretários municipais (Conasems) e estaduais de Saúde (Conass) afirmam que o ministério não entregou todos os kits de testes e máquinas para automatizar a análise das amostras que havia prometido. “O contrato que permitia o fornecimento de insumos e equipamentos necessários para automatizar e agilizar a primeira fase do processamento das amostras foi cancelado pelo Ministério da Saúde”, destacou o Conass. “Há o compromisso da pasta de manter o abastecimento durante o período de 3 meses, contados a partir do cancelamento. É fundamental, porém, que uma nova contratação seja feita e a distribuição dos insumos seja retomada em tempo hábil”, completou.
Já o assessor técnico do Conasems, Alessandro Chagas, diz que a dificuldade para processar amostras, que pode exigir envio do material a outro Estado, desestimula a fazer testes. “O que causa estranheza é esse estoque parado enquanto temos dificuldade de levar a coleta para a atenção básica”, diz.
Falha no armazenamento
A preservação do teste de diagnóstico da Covid-19 exige cuidados especiais. Pequenas alterações de temperatura no armazenamento podem mudar o resultado do exame. “Quando o kit passa do vencimento, as enzimas podem perder sua eficiência. Para um contexto de diagnóstico, pode acabar levando a variações no resultado final”, afirma Mellanie Fontes-Dutra, pós-doutoranda em Bioquímica na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). “Vejo com muita preocupação a possibilidade de estender os kits para além do prazo de validade”, afirma.
A pesquisadora pondera que seria positivo confirmar que os exames podem ser usados por mais tempo, desde que mantenham a qualidade. “Testamos muito pouco. Se der certo e não modificar a eficiência dos kits, pode ser bom”, disse.
Procurada, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não deu detalhes sobre como a validade do produto pode ser renovada, mas informou que a entrega de testes vencidos é uma infração sanitária.
O Ministério da Saúde disse que a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) está realizando estudo “para verificar a estabilidade de utilização dos testes”. Os testes foram comprados pelo governo federal por meio da organização. O resultado da análise deve sair na próxima semana, diz o Ministério da Saúde. Questionado sobre o que fará para entregar os testes antes de vencer a validade, o ministério apenas declarou que distribui os exames a partir de demandas dos estados.
Sob a gestão do general Eduardo Pazuello, o Ministério da Saúde tem sido alvo de críticas em meio à pandemia ao, por exemplo, não dar orientações claras sobre o benefício do distanciamento social, uso de equipamentos de proteção e outros cuidados básicos.
Na última quarta-feira (18), 0 Ministério da Saúde chegou a excluir do Twitter uma publicação que reconhecia não existir vacina ou medicamento contra a Covid-19, além de orientar o uso de máscara e isolamento social. As orientações seguiam cartilhas de autoridades sanitárias e entidades médicas, mas chamaram a atenção nas redes sociais por se contrapor ao discurso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que já estimulou o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra o novo coronavírus, como a hidroxicloroquina.

 Fonte: Agência Estado

 


 

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sábado, 21 de novembro de 2020

LIDERANÇAS DAS PARÓQUIAS DO SETOR I DA AREA DO PINDARÉ INICIAM A ASSEMBLEIA DIOCESANA DE PASTORAL EM BURITICUPU



Às 08h30 da manhã deste sábado, dia 21 de outubro, cerca de 45 lideranças das comunidades das quatro paróquias que formam o setor I da área do Pindaré reuniram-se no centro de eventos da Paróquia Santa Rita de Cássia em Buriticupu.

A assembleia diocesana de pastoral este ano será realizada nos sete setores da diocese, sendo quatro da área do Pindaré e três da área dos Lagos.

O objetivo deste ano são: 
1) aprofundar o conhecimento das diretrizes da ação evangelizadora da igreja no Brasil elaboradas pela CNBB dando destaque aos quatros pilares, a saber: Pilar da Palavra, Pilar do Pão,  Pilar da Caridade e Pilar da Ação Missionária 
2) Avaliar e planejar as atividades comuns nos setores e paróquias da diocese.

Nossa Assembleia irá até amanhã dia 22 às 12h00. Parabéns  a toda coordenação do  setor  que com muito empenho  está coordenando esta  assembleia.  Abaixo algumas fotografias da parte da manha da assembleia.
















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