sexta-feira, 18 de junho de 2021

CONSELHO PERMANENTE ENVIA CARTA AO CONGRESSO MEDIANTE OS GRAVES RETROCESSOS NA PAUTA AGRÁRIA E SOCIOAMBIENTAL

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reunido nos dias 16 e 17 de junho, de forma online, preparou e enviou uma carta ao Congresso Nacional, com a intenção de apresentar sua reflexão e solicitação, mediante as discussões referentes aos projetos legislativos que tratam dos direitos constitucionais dos povos da terra, das águas e das florestas no Congresso Nacional.
Os bispos da Amazônia já haviam externado a mesma preocupação por meio de uma outra carta ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, no início do mês passado, sobre o conteúdo do PL nº 510/2021. O caráter de urgência atribuído aos Projetos de Leis que tocam a pauta ambiental e agrária intensificou a preocupação dos membros do Conselho Permanente. “Em verdade, todos esses PLs são oriundos da mesma fonte: a MP nº 910/2019, a qual já havia sido denunciada como nociva aos povos, pelos bispos da Amazônia, há exatamente um ano, em nota pública”.
Na carta, o Conselho Permanente externaliza sua preocupação com os riscos destes projetos para as populações campesinas e tradicionais no atual contexto de perpetuação da pandemia da Covid-19, bem como o tempo necessário para que um Projeto de Lei de tamanha consequência para o País sem uma ampla discussão com todos os setores da sociedade brasileira. “Trata-se, em suma, de patrimônio público, de territórios de vida que poderão ser concedidos à iniciativa privada por meio dos respectivos Projetos de Leis. Defendemos que seus termos sejam de conhecimento e debate com o conjunto da sociedade brasileira como um todo, já que sua matéria envolve os direitos constitucionais das populações da terra, das águas e das florestas”, diz um trecho.
Conscientes de sua missão de pastores comprometidos com a vida de todos os seres da Criação, os membros do Conselho Permanente, respeitosamente, reivindicam encarecidamente que se proceda a retirada do regime de urgência da tramitação dos Projetos de Leis 2633/2020 e 1730/2021, na Câmara dos deputados, como também dos demais Projetos de Leis em tramitação supracitados (PL 510/2020 e PL 2159/2021 no Senado e PL 490/2020 na Câmara), e se favoreça um debate amplo a respeito da regularização fundiária e do licenciamento ambiental, e da preservação da vida das populações indígenas nos seus territórios, considerando, sobretudo, os pleitos apresentados na Carta dos Bispos da Amazônia, de maio deste ano.
Confira, abaixo, a carta na íntegra:
 
CARTA AO CONGRESO BRASILEIRO MEDIANTE OS GRAVES RETROCESSOS NA PAUTA AGRÁRIA E SOCIOAMBIENTAL
 
“Quando algumas empresas sedentas de lucro fácil se apropriam dos terrenos, chegando a privatizar até a água potável, ou quando as autoridades deixam o caminho livre a madeireiros, a projetos minerários ou petrolíferos e outras atividades que devastam a floresta e contaminam o ambiente, transformam-se indevidamente as relações econômicas e tornam-se um instrumento que mata.”
(Papa Francisco – Querida Amazônia, 14)
Nós, do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, diante das discussões referentes aos projetos legislativos que tratam dos direitos constitucionais dos povos da terra, das águas e das florestas no Congresso Nacional, nos dirigimos aos senhores presidentes do Senado e da Câmara Federal, e aos demais membros dessas Casas, com a intenção de apresentar a nossa reflexão e solicitação.
Como a viúva, da parábola contada por Jesus (cf. Lc 18,1-8), pobre, mas firme na determinação por garantir seus direitos, que convenceu o juiz da cidade por meio de sua insistência, também nós, voltamos a reiterar o clamor pelos direitos das comunidades e da natureza, certos de que este pleito por justiça será escutado.
Os bispos da Amazônia já haviam externado a preocupação por meio da carta ao Excelentíssimo senhor presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, no início do mês passado, sobre o conteúdo do PL nº 510/2021. O caráter de urgência atribuído aos Projetos de Leis que tocam a pauta ambiental e agrária intensifica nossa preocupação. Em verdade, todos esses PLs são oriundos da mesma fonte: a MP nº 910/2019, a qual já havia sido denunciada como nociva aos povos, pelos bispos da Amazônia, há exatamente um ano, em nota pública.
Nossa preocupação é com os riscos destes Projetos para as populações campesinas e tradicionais no atual contexto de perpetuação da Pandemia da Covid-19, bem como o tempo necessário para que um Projeto de Lei de tamanha consequência para o País sem uma ampla discussão com todos os setores da sociedade brasileira. Trata-se, em suma, de patrimônio público, de territórios de vida que poderão ser concedidos à iniciativa privada por meio dos respectivos Projetos de Leis. Defendemos que seus termos sejam de conhecimento e debate com o conjunto da sociedade brasileira como um todo, já que sua matéria envolve os direitos constitucionais das populações da terra, das águas e das floretas.
Se a MP nº 910/2019 havia sido obstada exatamente por se tratar de medida provisória, sem o necessário tempo para discussão com a sociedade brasileira, o PL nº2633/2020, em sendo conferido caráter de urgência na tramitação na Câmara dos Deputados, sujeita-se à mesma crítica que obstou a referida Medida Provisória, da qual é originário. Ainda mais porque a ele foi apensado o PL 1730/2021, que se trata de uma cópia do PL 510/2021 do Senado, considerado um dos mais preocupantes projetos de flexibilização da regularização fundiária no Brasil, conforme externamos em nossa carta aos senadores.
Como dito na mencionada carta dos bispos da Amazônia:
“A regularização fundiária no Brasil é extremamente relevante e requer a atenção da sociedade. Mas, numa situação de emergência como a que enfrentamos com a pandemia, não há urgência ou lacuna legal que justifique o retorno de um PLs sobre tema tão complexos, pois a legislação vigente (Lei 11.952/2009) já atende aos pequenos e médios produtores. Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (CONTAG) são quase 200 mil posseiros que podem receber seu título de propriedade. O que falta, no entanto, é fortalecer a estrutura dos órgãos responsáveis para fazer valer a lei fundiária brasileira e as políticas públicas de incentivo à produção familiar. E para os que ocupam e produzem em terras públicas há décadas, a legislação atual já é suficiente.”
Assim,
Considerando que o caráter de urgência à tramitação do PL 2633/2020 e PL 1730/2021 retira a possibilidade de sua necessária ampla discussão com todos os setores da sociedade brasileira;
Considerando a necessidade de dar voz aos povos da terra e das florestas, sobretudo aos agricultores familiares e comunidades tradicionais que seriam afetados diretamente com os termos do Projeto de Lei 510/2021, no Senado Federal, e os Projetos de Leis 2633/2020 e 1730/2021, na Câmara dos deputados, que objetivam instaurar novas regras para processos de regularização fundiária favorecendo a grilagem de terras no Brasil, como também o Projeto de Lei 490/2007, na Câmara dos Deputados, que visa restringir das demarcações de terras indígenas com base na tese do marco temporal;
Considerando que a pandemia prejudica o debate das populações vulneráveis mais afetadas sujeitos de direitos dos projetos de Leis em tramitação;
Considerando que a grilagem de terras públicas é responsável por 1/3 (um terço) do desmatamento no Brasil, além de ser promotora de violência no campo brasileiro;
Considerando que os Projetos de Leis atinentes à regularização fundiária flexibilizam procedimentos para a titulação de terras por meio da autodeclaração e dispensam a exigência de vistoria para a regularização dessas áreas;
Considerando que o crescimento do desmatamento ilegal na Amazônia precisa ser combatido de forma urgente e que o PL 2159/2021 no Senado Federal e o PL 2633/2020 na Câmara Federal podem ter como consequência o estímulo ao desmatamento;
Considerando que os Projetos de Leis em pauta possibilitam a titulação de terras com pendências ambientais e alvo de conflitos fundiários, o que favorece pessoas com maiores recursos financeiros em detrimento dos mais vulneráveis;
Considerando que o Projeto de Lei 510/2021 e o Projeto de Lei 2159/2021, no Senado Federal, e os Projetos de Leis 2633/2020 e 1730/2021 e o Projeto de Lei 490/2007, na Câmara dos Deputados, tratam de patrimônio público que será entregue à iniciativa privada, com tamanho ataque aos biomas e aos seus respectivos povos, verdadeiros guardiões da natureza, sem audiências públicas;
Nós, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, conscientes de nossa missão de pastores comprometidos com a vida de todos os seres da Criação, respeitosamente, reivindicamos encarecidamente que se proceda a retirada do regime de urgência da tramitação dos Projetos de Leis 2633/2020 e 1730/2021, na Câmara dos deputados, como também dos demais Projetos de Leis em tramitação supracitados (PL 510/2020 e PL 2159/2021 no Senado e PL 490/2020 na Câmara), e se favoreça um debate amplo a respeito da regularização fundiária e do licenciamento ambiental, e da preservação da vida das populações indígenas nos seus territórios, considerando, sobretudo, os pleitos apresentados na Carta dos Bispos da Amazônia, de maio deste ano.
Pedimos ao Deus da vida, que sempre nos acompanha e nos socorre, esteja conosco em mais esse momento de luta e na defesa intransigente da justiça e da vida dos nossos povos.
Brasília-DF, 17 de junho de 2021.
 
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte – MG
Presidente da CNBB
Dom Jaime Spengler, OFM
Arcebispo de Porto Alegre – RS
1º Vice-Presidente
Dom Mário Antônio da Silva
Bispo de Roraima – RR
2º Vice-Presidente
Dom Joel Portella Amado
Bispo Auxiliar de São Sebastião do Rio de Janeiro – RJ
Secretário-Geral da CNBB
 
Baixe (AQUI) a carta.

 Fonte:cnbb.org.br


 

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A FORCA SEDUTORA DAS " MARGENS"

“Vamos para a outra margem!” (Mc 4,35)

O evangelho deste domingo fala de movimento, de deslocamento em direção a outras perspectivas, de saída dos próprios espaços de proteção e segurança, para acolher outras vidas, outras histórias, abrir-se ao novo, ao diferente. Que significa, para cada um, a outra margem? Desde logo, não há resposta padrão; ela é muito pessoal, como é pessoal a adesão à pessoa de Jesus. Convite pessoal e comunitário, de relação amistosa profunda, para encontrar n’Ele nossa segurança e, assim, continuar a vida com mais inspiração.

É uma grande riqueza ir às margens de nossos irmãos, não como turista, mas como peregrinos.

Jesus convida a todos nós a cruzar o mar em direção à outra margem. Estamos tão acostumados em nossa margem rotineira que não é fácil arriscar e fazer a travessia; nem sequer estamos convencidos de que exista outra Margem, mais além das comodidades e das seguranças que buscamos. No entanto, nossa meta está do outro lado do risco e do perigo. A falta de confiança continua sendo a causa de não nos atrevermos a dar o passo; resistimos acreditar que Ele vai em nossa própria barca.

“A nossa fé não é uma fé laboratório, mas uma fé caminho, uma fé histórica. Deus se revelou como história, não como um compendio de verdades abstratas... Não é preciso levar a fronteira à casa, mas viver em fronteira e ser audazes” (Papa Francisco).

Entrar na barca com o Mestre significa “embarcar” na vida d’Ele, correndo riscos de sofrer rejeições, abalos e tempestades.

O contexto social pós-moderno desencadeou uma complexa turbulência em todos os domínios da vida, gerando novos desafios para a adaptação do ser humano a seu ambiente. As pessoas sentem-se cada vez mais ameaçadas, por realidades externas e internas, a sensação de insegurança aumenta e torna-se mais indefinida; por conseguinte, os níveis de ansiedade e angústia são cada vez mais elevados, conduzindo a verdadeiras situações de ruptura e desespero.

Reforçam-se e elevam-se os gradeamentos, mudam-se e sofisticam-se as fechaduras, as pessoas armam-se, as sociedades ficam cada dia menos seguras e estáveis. É um círculo dramático e infernal cujo resultado é o desenvolvimento crescente de uma espiral de medo, de violência, de stress..., tornando as pessoas insensíveis, passivas e conformadas.

É com esta situação que temos de aprender a lidar e a conviver. De fato, a pressão rotineira vivida cotidianamente nos diferentes ambientes demanda uma enorme competência e uma capacidade de adaptação diante de situações altamente adversas, agressivas e até violentas. 

Como seguidores(as) de Jesus que bebemos das fontes do Evangelho, duas são as “margens” que nos seduzem, nos mobilizam e nos fazem chegar onde outros não chegam ou encontram dificuldades para chegar; estas duas “margens” constituem a originalidade de nossa vivência cristã e de nossa missão no mundo de hoje: a “margem” da interioridade e a “margem” da universalidade. São “margens” que nos humanizam, pois nos mobilizam a “descer” em direção àquilo que é mais humano, em nós e na realidade que nos interpela.

Em primeiro lugar, “passar para a outra margem” nos evoca o chamado a assumir um deslocamento social e religioso que tem um componente de risco e mudança. Implica sair do conhecido, abandonar as próprias seguranças; mudar de lugar, geográfico e/ou existencial, ir aonde ainda não temos ido e enfrentar uma travessia incerta; e, por último, atrever-nos a entrar em contato com o diferente e desconhecido e aceitar ser transformados. Esse desafio hoje nos sacode e pode gerar em nós inquietude e desassossego, como a tormenta que ameaça os discípulos depois de entrarem na barca. 

Precisamos também fazer a travessia em direção à outra margem de nós mesmos, aquela que não costumamos visitar. Descobrir nosso tesouro escondido: a quantidade de qualidades e recursos que ativamos com mediocridade, ou simplesmente não usamos. Porque, se nos níveis mental e emocional tendemos a nos instalar, no mais profundo, no entanto, nos habita o desejo do “mais”, que nos impulsiona, a partir de dentro, numa expansão aberta a horizontes cada vez maiores.

A “outra margem” é a novidade do presente, a descoberta incessante, a amplitude sem limites. Mas só poderemos começar a cruzá-la se estivermos dispostos a deixar nossos caminhos trilhados e nos entregarmos com docilidade à Vida – outro nome de nosso “mestre interior”.

O primeiro desejo de chegar à outra margem nasce de dentro, do coração, que entende sua missão como busca e peregrinação interior, como um colocar-se em movimento... Sair da margem conhecida, “velha”, rotineira... para encontrar a nova margem: lugar de relação, de questionamento, de criatividade, de encontro com o novo e diferente… 

A outra margem, lugar provocador, incitador, que desperta curiosidade... Aqui brotam as grandes experiências religiosas, as intuições, projetos, ideais vitais.

Caminhar para a outra margem é sair do centro, da segurança, da acomodação... e ir em busca das surpresas, das novas descobertas; implica arriscar, ter ousadia, não ter medo de caminhar para os “confins da terra”, para regiões desconhecidas em seu próprio interior...

Precisamos, para isso, ativar nossa “inteligência espiritual”, como a capacidade que nos permite acessar e conectar com essa dimensão profunda, à qual nos referimos com o termo “espiritualidade”. 

Aderir à pessoa de Jesus, portanto, é arriscar-nos à travessia do mar da vida; não estamos sozinhos; talvez nos encontramos perdidos em alto mar esperando resgate e não somos capazes de perceber que no interior de nossa barca há uma presença que nos pacifica. Ao chegarmos à outra margem descobriremos uma experiência pessoal e comunitária de fé na pessoa de Jesus, que nos ressuscita por dentro, que nos injeta vida nova e alegria profunda.

No entanto, é na vivência da adversidade que se dá o encontro das oportunidades para o crescimento.

Muitas vezes, são justamente as circunstâncias adversas, extremamente difíceis, que despertam na pessoa as condições mais criativas, que enriquecem suas possibilidades práticas de atuar sobre a realidade em que vive e transformá-la ou transformar-se.

Isto quer dizer que, diante da adversidade, a pessoa mobiliza um conjunto de recursos dos quais não tinha consciência anterior, mas cujo efeito é potencializador de crescimento e enriquecimento pessoal. 

Texto bíblico:   Mc. 4,35-41 

Na oração:  Nas nossas vidas acontece algo de verdadeiro e belo quando nos dispomos a buscar dentro de nós mesmos a razão da nossa existência.

- A nossa vida é um êxodo, um sair constante de uma realidade para entrar em uma outra realidade nova.

peregrinar é o elemento determinante e com maior valor simbólico para toda a vida.

- Existem ainda céus por explorar, aventuras por empreender, pensamentos por experimentar e experiências por aceitar; falta-nos ainda muito por saber, por ver, por sentir, por desfrutar...

- No “mapa espiritual” de nosso interior ainda existe uma “terra desconhecida”, que desperta interesse à vida, suscita curiosidade, nos põe a caminho...  Grandes surpresas interiores estão à nossa espera, e a capacidade de continuar buscando é que dá sentido ao esforço e vigor à vida.

Pe. Adroaldo Palaoro sj

 Fonte:centroloyola.org.br


 

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O CARDEAL HUMMES RECEBE O HONORIS CAUSA POR "UMA VIDA DADA AOS ESQUECIDOS DO MUNDO"




Cardeal Hummes

O Papa Francisco disse estar “feliz com esta decisão porque se trata de dar graças a Deus e à vida por nos dar esses companheiros de estrada, esses líderes que têm a coragem de abrir caminhos, caminhos e provocar sonhos; a coragem de ficar sempre olhando para o horizonte, além dos problemas e dificuldades do caminho ”

A razão de tal distinção está em suas " contribuições de mérito à sociedade e à defesa dos direitos humanos "

“Seu compromisso com os pobres é o horizonte de sua ação pastoral”

“Se aceitarmos que ninguém se salva sozinho, que estamos todos no mesmo barco, então nada além de confiança, conhecimento, fé e diálogo serão a condição indispensável para um novo recomeço”



A Universidade Nacional de Rosari ou (Argentina), concedeu nesta quinta-feira, 17 de junho, o Doutorado Honoris Causa ao cardeal brasileiro Claudio Hummes , presidente da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA).

O motivo dessa distinção está em suas “ contribuições de mérito à sociedade e à defesa dos direitos humanos ”, segundo Darío Maiorana , patrocinador do doutorando. Nas suas palavras, o ex-reitor da universidade destacou alguns elementos presentes na vida do purpurado, como a defesa da casa comum , “palavra de ordem para todos os homens e mulheres de boa vontade”, segundo Maiorana. Junto com isso, ele reconheceu seu papel de destaque na defesa dos trabalhadores na ditadura brasileira . Além de seu envolvimento com as questões climáticas, o que o tornou um dos grandes defensores da Amazônia e de seu povo .

O reconhecimento como Doutor Honoris Causa do Cardeal Hummes, foi uma proposta do Instituto para o Diálogo Global e a cultura do Encontro . Na Laudatio da investidura, seu diretor, partindo do fato de que as razões são múltiplas, destacou no cardeal o fato de ser "um líder esperançoso que compartilha a alegria do espírito em um sentido fraterno", e junto com é, ser “Um professor que ensina o caminho, encorajando-nos a uma compreensão profunda dos desafios que nos esperam”. Também, “ o irmão que consola e estende a mão ”, e “o pastor que guia com alegria a comunidade no sentido da fraternidade, do diálogo e da transcendência , fora de qualquer zona de conforto, entendendo o futuro como um desafio”.

Fazendo um breve relato da vida do homenageado, Luis Liberman destacou que “ seu compromisso com os pobres é o horizonte de sua ação pastoral ”. Também insistiu que “a sua vocação pedagógica traça a sua identidade de construtor de caminhos de esperança”, relatandodiversos factos que atestam esta afirmação, um deles o seu envolvimento na Cátedra de Diálogo e Cultura do Encontro, onde manifestou a sua vocação para “semear e semear, para saber, para partilhar”. O mesmo na necessidade de “criar uma Universidade Católica Amazônica intercultural, localizada no território, que atenda tanto à renovação na formação da Igreja, quanto às necessidades de desenvolvimento e crescimento da comunidade”.

En el nuevo Doctor Honoris Causa, Liberman destaca que “su compromiso social y pastoral estuvo siempre con los más débiles en testimonio, prédica y acción”, colaborando en lo que denomina “la comprensión de los procesos de cambio de la Iglesia Latinoamericana de los últimos 50 anos". É alguém que se compromete com a sinodalidade , que Luis Liberman define como “ a ferramenta necessária para compreender que o nosso caminho está nas periferias geográficas e existenciais. Questione a cultura do descarte e a globalização da indiferença. Criar uma pedagogia do cuidado baseada na ecologia integral que junto com a boa política nos permita projetar uma cultura do encontro ”.

É uma história de vida que, nos últimos anos, esteve ligada a novas experiências eclesiais, como a Rede Eclesiástica Pan-amazônica (REPAM), cuja criação dirigiu e presidiu durante seis anos, o Sínodo para a Amazônia, do qual foi relator geral, e da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), “um órgão episcopal que pretende promover a sinodalidade entre as igrejas da região e que continua a tarefa de encontrar novos caminhos para a missão evangelizadora , incorporando especialmente a proposta de ecologia integral ", segundo Liberman, que insistiu que o homenageado" se tornou uma figura de grande importância global por seu trabalho em defesa dos direitos humanos e do meio ambiente ”.

Alguém que disse muito ao Cardeal Hummes, o Papa Francisco , juntou-se ao evento pelo " exemplo que me deu durante a sua vida ". Com uma mensagem de sua própria letra, da qual o homenageado diz que não merece, o Papa Francisco disse que está “feliz com esta decisão porque se trata de agradecer a Deus e à vida por nos dar esses companheiros de estrada , esses líderes que eles tenham a coragem de abrir caminhos, caminhos e de provocar sonhos ; a coragem de ficar sempre olhando para o horizonte, os problemas e as dificuldades do caminho ”.

Para o Santo Padre, o cardeal Hummes é " um homem de esperança e semeador de esperança ". Alguém que na altura foi eleito Papa disse-lhe duas frases que ficaram marcadas no seu pensamento e na história da Igreja, e que recordavam na sua mensagem: " é assim que funciona o Espírito Santo ", e com aquilo " não se esqueça dos pobres ”.
O Cardeal Pedro Barreto também participou do ato acadêmico, realizado virtualmente , demonstrando sua profunda alegria pelo reconhecimento do Cardeal Hummes, companheiro de estrada e de sonho desde setembro de 2014, quando foi criada a REPAM, da qual foi presidente e vice-presidente. Em suas palavras, o purpurado peruano insistiu no papel do cardeal Hummes como "um líder da esperança que, agora aposentado, se dedica ao serviço da Amazônia ". Daí a importância dos passos dados neste momento, com a celebração do Sínodo e a criação da Conferência Eclesial da Amazônia, que nas palavras de Pedro Barreto, “o Cardeal Hummes preside encorajadora esperança para a Amazônia e para a Igreja” .

O reitor da Universidade anfitriã definiu o evento como “o mais importante na vida académica de uma universidade”, destacando a “alegria de ter uma personalidade tão simples e enorme no corpo docente ”. Franco Bartolazzi disse ter sido um título atribuído de forma unânime e contundente, reconhecendo no Cardeal Hummes, um espelho no qual optam por se olhar, centrando-se nos princípios e valores que orientam o seu compromisso. Por isso, afirmou que “neste ato destacamos a universidade que queremos ser ”.

O Reitor da Universidade Nacional de Rosário, falando do testemunho de vida da herdade, definiu-a como “um chamado de Deus que se torna uma vida dada aos mais fracos , aos trabalhadores, aos povos indígenas, aos quais o mundo deixa de lado , marginaliza ”, insistindo na necessidade de“ reconhecer a sua vida entregue aos esquecidos do mundo ”. Bortolazzi agradeceu ao Cardeal Hummes por seu testemunho de vida, por seu compromisso com o cuidado de nossa casa comum, por aquela mensagem de alegria e esperança e por sua pregação de amor, insistindo na necessidade de “construir uma visão e um caminho mundo mais amoroso , porque o amor, enfim, é o que nos salva ”.

Depois de saudar os presentes, o homenageado, a quem se disse não ser digno "da mais alta distinção que uma Casa de Estudos Superiores pode oferecer", iniciou seu discurso recordando sua passagem pela Universidade de Rosário, onde se reuniu com sindicalistas. . O título é assumido em representação da Amazônia e seus povos, região que o cardeal Hummes vê como "decisiva para o nosso planeta" e onde "de forma chocante vemos os efeitos das mudanças climáticas ... que degradam a vida dos mais vulneráveis, gerando solidão e exílio ”.
Segundo o cardeal brasileiro, “nos últimos anos, a humanidade e a Igreja acordaram” para a realidade amazônica, especialmente com Laudato si ' , que “insiste que a crise ecológica também envolve uma dimensão social, porque tudo está interligado”. Nesse caminho, destacou a importância do Sínodo para a Amazônia , como algo que alimenta esperanças e resgata as transformações da Igreja a partir do Concílio Vaticano II.

Em seu discurso, faz um relato de sua vida, desde seu nascimento em 1934 no Rio Grande do Sul. Descendente de imigrantes alemães, “nunca faltou comida boa e o básico para viver bem e feliz”. Foi aí que nasceu sua vocação sacerdotal e franciscana , algo que sempre quis ser. Em seu relato, lembrou seu doutorado em Roma, em um momento marcado pelo “ início do Concílio Vaticano II , um processo cuja energia ainda ilumina o debate da Igreja e as boas transformações promovidas pelo Papa Francisco”, de quem diz que “ revitalizou o espírito conciliar, especialmente sua essência conceitual: uma Igreja Sinodal ”.

O cardeal Hummes fez uma leitura da trajetória eclesial pós-conciliar na América Latina, “um território que sofreu tremendamente com as injustiças”, questionando suas causas. Viveu grande parte dessa caminhada como bispo, sendo Santo André, em 1975, a sua primeira diocese, época que define como “ anos emocionantes ”. Naquela época, ele disse que “eu percebi quem eram os pobres e os opressores ”. Em uma região com 250 mil metalúrgicos, em plena ditadura militar, a figura de Luiz Inácio Lula da Silva despontou como um grande dirigente sindical.

Com alguém que tem sido uma figura determinada na história recente do Brasil, o purpurado diz que “trabalhamos juntos, porque a diocese de Santo André optou imediatamente por apoiar este novo sindicalismo que não foi violento e cujas reivindicações consideramos justas”. Na verdade, o então bispo diz que “ costumava acompanhar Lula em manifestações de rua ”, colocando as igrejas como ponto de encontro dos grevistas. Posteriormente, conforme conta, foi nomeado arcebispo de Fortaleza, de São Paulo e, em 2006, assumiu a chefia da Congregação para o Clero no Vaticano.
No retorno ao Brasil em 2011, assumirá a Comissão Episcopal da Amazônia , visitando suas dioceses e prelaturas, o que lhe permitiu conhecer a região, seus municípios e sua igreja. Lembrou também o conclave de 2013 , no qual foi eleito o Papa Francisco, a quem acompanhou em sua primeira aparição pública. Este facto é considerado pelo cardeal como um facto histórico, « a Igreja abriu definitivamente nos horizontes globais », assumindo elementos como a inculturação da fé e o «sensus fidei». No pontificado de Francisco ele lembrou de alguns momentos, como o encontro com os bispos no Rio de Janeiro em 2013, onde “ele iria nos contar coisas que ainda hoje nos abalam, principalmente sobre a Amazônia”. A partir daí, ele refletiu sobre a necessidade de a Igreja de Manaus integrar sua cultura e seu povo.

Ao falar sobre as marcas que o Papa Francisco imprime hoje na família humana e na Igreja, ele destacou a necessidade de caminharmos juntos, de ser “uma Igreja que não está ali para condenar o mundo”. Em sua história, ele se referiu à REPAM e seu papel no processo Sínodo para a Amazônia, afirmando que “Repam cresceu desde as raízes e estende seus braços para encontrar o invisível na terra”. Hoje a REPAM tem uma irmã, CEAMA, a quem preside, destacando que “juntas alimentam e alimentam o processo desencadeado pelo Sínodo e propõem a toda a Igreja que saia ao encontro”.

O cardeal brasileiro, que participou da Cúpula do Clima de Paris, refletiu sobre as questões climáticas, criticando como inaceitável que “a tecnocracia está no cerne da ideologia capitalista e significa usar a tecnologia que um possui independentemente da morte do outro e da destruição da natureza , colocando em risco o futuro do planeta ”. Por isso, especialmente neste tempo de pandemia, propõe " uma sociedade de vizinhos, uma sociedade de nós ", denunciando que face à Covid-19 as vacinas são distribuídas primeiro nos países ricos e depois finalmente nos países pobres.

Nessa situação, defende modelos de pensamento que convergem na conversão ecológica e na boa política , pela pedagogia do cuidado da casa comum , “que crie consciência das minhas possibilidades no contexto da minha comunidade, do meu povo, da minha terra.”, Insistindo que “ minha existência pessoal só é possível com a existência do outro ”. Por isso, “se aceitarmos que ninguém se salva sozinho, que estamos todos no mesmo barco, então só a confiança, o conhecimento, a fé e o diálogo serão a condição indispensável para um novo recomeço ”. Diante disso, concluiu perguntando: “ Não vamos deixar que tirem nossa esperança! "

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TODA VIDA IMPORTA: CNBB PREPARA MOBILIZAÇÃO PARA REZAR PELOS 500 MIL MORTOS PELO NOVO CORONAVÍRUS




O Brasil se aproxima da lamentável marca de 500 mil pessoas vítimas do novo coronavírus. Nesse contexto de luto, perdas e necessidade de esperança e consolo, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) prepara orações, homenagens e mobilizações sociais para fazer memória de tantos brasileiros e brasileiras que partiram e para ressaltar a mensagem de que “toda vida importa”.

A triste marca deve ser alcançada no próximo sábado, 19 de junho. Dessa forma, a CNBB escolheu a data para a promoção de atividades de sensibilização.
Programação

O arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo, preside a Santa Missa na intenção das 500 mil vítimas da Covid-19 no Brasil, no sábado, às 15h. A celebração será no Santuário Nossa Senhora da Piedade, em Caeté (MG), com transmissão pelas redes sociais da CNBB e por emissoras de TV de inspiração católica.

No horário de início da missa, todas as dioceses serão convidadas a tocar os sinos.

Imagens

Para divulgar a iniciativa, a Assessoria de Comunicação da CNBB preparou uma identidade visual e cards para compartilhamento nas redes sociais. Baixe e compartilhe:

Imagem para stories
Card quadrado para feed
Capa para vídeo

Solidariedade

Para o bispo auxiliar da arquidiocese do Rio de Janeiro e secretário-geral da CNBB, dom Joel Portella Amado, a iniciativa da CNBB, com apoio de outras entidades, “é um ato de solidariedade, de esperança de compromisso para tentar fazer o Brasil um pouco melhor”. Ele acredita que todas as pessoas que, de algum modo, têm o mínimo de sensibilidade no coração devem parar nesse momento para refletir.

“É um número simbólico, meio milhão de pessoas é muita gente”, destacou dom Joel.

O momento de oração e as manifestações que devem ocorrer durante esta semana representam, segundo dom Joel, “um gesto de presença junto ao povo brasileiro e de solidariedade também com toda as pessoas tiveram covid-19 e, mais ainda, tiveram entes queridos mortos pela covid-19 em alguma situação de desassistência, com demora de vacina, desestímulo a medidas sanitárias todas – distanciamento, máscaras e afins”.

O momento de oração possibilitará que “cada um, independentemente do que creia ou não, possa parar, pensar e refletir”.

CNBB
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quinta-feira, 17 de junho de 2021

CONSELHO PERMANENTE APROVA A REALIZAÇÃO DE CENSO DAS RÁDIOS CATÓLICAS DO BRASIL E DÁ OUTROS ENCAMINHAMENTOS




A reunião do Conselho Permanente da CNBB seguiu na parte da tarde desta quarta-feira, 16 de junho. Na ocasião, dom João Francisco Salm, presidente da Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB, apresentou a proposta do Ano Vocacional 2023, a ser realizado de 20 de novembro de 2022 a 26 de novembro de 2023, finalizando na solenidade de Cristo Rei.

Dom Salm explicou que a Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada elaborou um regimento para orientação e favorecimento das atividades. O regimento prevê a composição de uma coordenação geral; uma comissão central, para cuidar do planejamento e da organização do Ano; e comissões de trabalho.

Na sequência, os membros do Conselho puderam falar sobre suas expectativas com relação ao Ano Vocacional. Dom José Carlos Campos, bispo de Divinópolis (MG), sugeriu que o Ano focasse no trabalho das equipes vocacionais paroquiais e desse pistas para um trabalho vocacional de fato. “Precisamos criar pistas para ajudar criar links fecundos com adolescentes e jovens”.

Dom João Cardoso, bispo de Bom Jesus da Lapa (BA), disse que a equipe organizadora poderia aproveitar as contribuições do IV Congresso Vocacional do Brasil, a exemplo de criar uma cultura vocacional eficiente. ”Não podemos perder o foco da vocação sacerdotal e específica”.
Dom Geremias Steinmetz, arcebispo de Londrina (PR), salientou que em tempos de missionariedade era importante que o Ano respondesse generosamente à questão missionária e fosse ao encontro de outras realidades. “Seria muito interessante uma campanha de fato nesse sentido, pois cresce o chamado para sermos missionários”.

Dom Salm agradeceu as contribuições e deixou claro que a proposta era atender a cada vocação específica. Já o padre João Cândido Neto, assessor da Comissão para os Ministérios ordenados e a Vida Consagrada, disse que desde a aprovação do Ano, a Comissão tem se reunido e pensado num tema que pudesse levar em conta o momento vivido pela Igreja, sobretudo para dar uma resposta de ânimo e importância no tempo da pandemia. “Nós estamos pensando a escolha de um tema, levando em conta esse aspecto da comunhão e missionariedade de toda a Igreja”, disse. O objetivo, segundo o padre, era que o tema contemplasse a todos, num espírito de comunhão.
Cartilha para as eleições 2022

Como de costume, a cada eleição, o regional Sul 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) oferece uma cartilha com orientações políticas para os cristãos católicos. A produção do material tem a participação e colaboração da Assessoria Política da CNBB Nacional, a pedido da presidência da entidade. O subsídio é destinado a eleitores e candidatos, grupos de reflexão, paróquias e comunidades.

Na reunião do Conselho, além da Cartilha do Sul 2, os membros discutiram a legitimidade, por parte da Conferência, do material elaborado pelo Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB), o Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Camara (Cefep) e a Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP). “Nas eleições passadas nós elaboramos uma espécie de texto-base e o mesmo ainda não foi assumido de forma oficial pela presidência da CNBB. Gostaríamos de abrir uma discussão quanto a isso e a proposta é que além da do Sul 2, nós abraçássemos esse produzido pelos três organismos”, disse dom Giovane Melo, presidente da Comissão para o Laicato da CNBB.

Sônia Oliveira, presidente do CNLB, acrescentou que o material produzido pelos três organismos teve mais de 1000 visualizações diárias no site do CNLB. “Mais de 80 mil downloads no site. Houve uma aceitação muito boa e, por isso, gostaríamos de fazer essa intervenção aqui”, disse.

Na ocasião, os membros do Conselho partilharam suas impressões. Dom Mario Spaki, bispo de Paranavaí (PR) concordou que uma opção não inviabilizaria a outra. Dom José Antônio Peruzzo, arcebispo de Curitiba (PR), também não viu problema com a existência dos dois textos. “É uma oferta de reflexão e é bom que o façam. Não necessariamente um vá entrar em conflito com o outro. São duas reflexões diferenciadas e que certamente ajudarão o nosso povo”.

Dado o exposto, o Conselho acatou a iniciativa e dom Walmor de Oliveira Azevedo, presidente da CNBB, deixou a recomendação de que o Sul 2 e os organismos se articulassem da melhor forma para que pudessem oferecer os próximos materiais, mesmo que cada um a sua forma.
Comissão para a Comunicação da CNBB

Dom Joquim Giovani Mol, presidente da Comissão para a Comunicação da CNBB, apresentou alguns informes e ações da Comissão aos membros do Conselho.

Mutirão de Comunicação – Na ocasião, falou que o Mutirão de Comunicação 2021, que acontecerá nos dias 23 e 24 de julho, já conta com 2.312 inscritos, e que esse era “seguramente o maior evento de comunicação da Igreja no Brasil”. Disse ainda que o evento busca reunir todas as frentes de comunicação: assessoria, membros da pastoral da comunicação, jornalistas. “Esperamos que possamos ter no final de julho um momento muito importante e bonito de compromisso com a ação evangelizadora”.

Prêmios de Comunicação – A 53ª edição dos prêmios de Comunicação da Conferência também foi abordada por dom Mol. “Os prêmios são uma forma privilegiada de diálogo da CNBB para fora”, disse. O bispo explicou que esta edição será realizada em modalidade virtual, o que é exclusivo. “Identificado os ganhadores dos prêmios, nós vamos solicitar ao bispo de onde mora o ganhador do prêmio para entregar a ele o prêmio em nome da CNBB. Essa entrega será filmada pela TV Pai Eterno, que irá depois fazer uma transmissão em sua grade”, explicou.

1º censo das rádios de inspiração católica no Brasil – Dom Joaquim Giovani Mol convidou a Angela Morais, presidente da Rede Católica de Rádios (RCR), para apresentar ao Conselho a ideia de se realizar um censo, a fim de mapear as rádios católicas do Brasil. “Estamos elaborando um esquema, um roteiro para fazermos um censo das rádios católicas no Brasil, para que elas sejam melhor aproveitadas pelas igrejas do Brasil”, disse dom Mol.

Angela apresentou aos bispos um histórico da RCR, sua motivação. Disse que, atualmente, cerca de 300 emissoras estão vinculadas à RCR e que 50 emissoras transmitem o Jornal Brasil Hoje, da RCR. “Não temos um número concreto de emissoras e enxergamos que um censo é o caminho para mapeá-las”, disse.

A ideia é que para a realização do censo, a RCR trabalhe em parceria com a CNBB, a fim de contar com a força institucional da Conferência para envolver as emissoras e alcançar as devolutivas.

O Conselho, de uma forma geral, aprovou a ideia.
É tempo de Cuidar

Dom Mário Antônio da Silva, vice-presidente da CNBB, apresentou alguns números da Ação Solidária Emergencial “É tempo de Cuidar”, que chegou em sua segunda fase. Também convidou dois membros da Cáritas Brasileira, entidade que também ajuda a promover a iniciativa, para falar sobre a perspectiva da Campanha.

Irmã Cleusa, da Cáritas, falou sobre a Semana de Mobilização, realizada de 8 a 12 de junho e seus frutos. Já o Magalhães, da Cáritas Brasileira, apresentou os dados gerais da Campanha. Até o momento já foram mais de 1 milhão e 800 mil itens alimentícios arrecadados.
Repam

Também durante a reunião, o Conselho Permanente aprovou a recondução dos membros que farão parte da diretoria da Rede Eclesial Pan-Amazônica, a Repam. São eles: dom Erwin Kräutler, como presidente; dom Roque Paloschi, como secretário e dom Mário Antônio da Silva, como ecônomo. 

CNBB 
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CNBB E IPHAN CELEBRAM ACORDO PARA AÇÕES CONJUNTAS DE PRESERVAÇÃO E VALORIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL DA IGREJA CATÓLICA NO BRASIL




A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) assinaram, nesta quarta-feira, 16 de junho, o inédito e histórico Acordo de Cooperação Técnica (ACT) que estabelece uma parceria para realizar ações conjuntas de preservação e valorização do Patrimônio Cultural sob gestão da Igreja Católica no Brasil.

Igrejas, conventos, residências e acervos de arte sacra estão entre os bens culturais incluídos no acordo que abrange cerca de um terço do total dos bens tombados pelo IPHAN. Durante a cerimônia, na sede da CNBB, em Brasília, foi lançado ainda um selo criado especialmente para celebrar a parceria.

O acordo estabelece um conjunto de ações, que vão desde o diagnóstico dos bens tombados a ações educativas, passando ainda pela identificação desse Patrimônio Cultural, estabelecimento de diretrizes para intervenções, fomento à conservação e capacitação de colaboradores para a gestão de imóveis e acervos.
Reprodução

De acordo com a presidente do IPHAN, Larissa Peixoto, esse acordo representa a celebração de uma parceria que existe há muitos anos entre as instituições. “Esse acordo ele vai proporcionar a capacitação de pessoal que cuida do patrimônio no dia a dia, daquele bem. O Brasil possui mais de 400 bens que pertencem à Igreja Católica que serão beneficiados com esse acordo. Essa parceria vai promover a nossa identidade cultural e melhorar cada vez mais a gestão desses bens que são tão importantes para o brasil. Então, é uma conquista de todos os brasileiros.”

Para o bispo auxiliar da arquidiocese do Rio de Janeiro e secretário-geral da CNBB, dom Joel Portella Amado, a assinatura desse acordo mostra o quão grande é o alcance histórico geográfico dessa parceria.
Reprodução

“O cuidado específico com os bens é o ponto visível, sensível de um cuidado muito maior que é o cuidado com a história. No caso, a história do nosso país e, mais ainda, o cuidado com as pessoas que construíram essa história. Na maioria das vezes enfrentando dificuldades”, destacou dom Joel.

Ainda segundo dom Joel este acordo é uma contribuição de cidadania. “Cuidar desse acervo é cuidar da memória e dos valores mais profundos de um povo, respeitando a sua história, preservando seu passado para consolidar valores importantes hoje e, com certeza, ajudar as novas gerações a preparar o futuro.”

O acordo tem vigência de três anos e não abarca repasse de recursos financeiros entre as duas instituições. O custeio será feito por meio do orçamento de cada uma delas. O acordo de cooperação assinado será publicado na edição da próxima segunda-feira, 21, do Diário Oficial da União (DOU).

Bens Culturais da Igreja no Brasil

O Brasil desde o seu descobrimento construiu um dos maiores acervos de bens culturais, históricos e artísticos da Igreja Católica. A Santa Cruz, que, inclusive, deu os dois primeiros nomes a essa terra foi o primeiro bem cultural doado a Igreja.

De acordo com o doutorando em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável e Conservador Restaurador de Bens Culturais Móveis, Dener Chaves, os bens culturais da Igreja estão divididos em: bens culturais materiais imóveis, integrados e móveis, além dos bens culturais imateriais.
Bens materiais imóveis: capelas, igrejas, mosteiros e catedrais;
Bens integrados: altares, pias batismais e forros esculpidos que se encontram em Igrejas coloniais ou dos séculos XIX e XX;
Bens culturais móveis: imagens em madeira policromadas, cálices em ouro e prata, crucifixos, alfaias e uma diversidade de objetos litúrgico, além de pinturas, livros e documentos raros.
Bens culturais imateriais: está relacionada ao modo de fazer, de festejar, de preparar, de cantar que são particulares a um determinado grupo ou região como a folia de reis, os tapetes de uma procissão, os festejos para um determinado santo, dentre outros.

Veja a íntegra da cerimônia
 de lançamento:

https://youtu.be/8sIv-W-8wyc 

CNBB 
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quarta-feira, 16 de junho de 2021

ANALFABETO POLÍTICO É CÚMPLICE DO GENOCÍDIO

Segundo Brecht, 'o analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política' (Jörg Kolbe /Wikimedia)


Políticas genocidas estão em curso no Brasil


Gilvander Moreira

"Felizes os que constroem a paz, pois serão chamados filhos de Deus" (Mateus 5,9), bradou Jesus Cristo no Discurso da Montanha, na Palestina, colônia com povo escravizado e explorado pelo Imperialismo Romano. Vivemos em uma Casa Comum, onde tudo está interconectado com tudo. Sendo assim, não há espaço para neutralidade e omissão, pois toda "postura neutra e de omissão" se torna, na prática, cumplicidade. Todo analfabeto político, que elege os piores políticos, não é apenas omisso diante das injustiças que os podres políticos causam ao não governar para o bem comum, mas para privilegiar aliados da classe dominante. Vejamos alguns exemplos!

Na Zona da Mata Mineira, na cidade de Tombos, MG, que tem oito mil habitantes, em tempos de pandemia da Covid-19, já com 21 pessoas mortas, o prefeito Tiago Pedrosa Lazarone Dalpério (PP – Partido Progressista), assinou o Decreto Municipal N° 125/2021, de 20 de maio de 2021, desapropriando um terreno de propriedade da Associação dos Pequenos Agricultores e Trabalhadores Rurais de Tombos (APAT), terreno vendido para oito famílias que adquiriram lotes, onde algumas estão construindo, outras já estão residindo, além de ter ali uma plantação com diversas hortaliças, mandioca e abóbora que ajudam nas finanças de uma família que faz uso da terra desenvolvendo atividade de Agricultura Familiar. Agora todos foram pegos de surpresa pelo Decreto de desapropriação dos terrenos das oito famílias. O motivo aparente apresentado pelo prefeito, ao desapropriar, é que precisa do terreno de 4.600 metros quadrados (quase ½ hectare, ½ campo de futebol) para fazer um canil, "um centro de zoonose para cães". Entretanto, é de conhecimento de todos(as) que a Prefeitura de Tombos dispõe de vários terrenos, alguns em situação de abandono, onde pode ser construído um canil sem nenhum custo com indenização, para cuidar dos animais que não têm culpa por essa atitude injusta e perseguidora contra os trabalhadores e trabalhadoras rurais. O terreno e as construções das oito famílias valem mais de um milhão de reais. No entanto, no decreto do prefeito foi avaliado em apenas 80 mil reais, ou seja, menos de 7% do valor real. Além do valor econômico das oito pequenas propriedades, há valor de memórias de anos de luta, dignidade e respeito ao povo Tombense, tudo isso sendo violado e pisado nesta decisão absurda do prefeito.

Em Sete Lagoas, MG, com 242 mil habitantes, já com mais de 540 mortos pelo genocídio coordenado pelo desgoverno federal, há um déficit habitacional acima de 15 mil moradias, uma tremenda desigualdade social na cidade. Em 17 maio de 2020, há mais de um ano, cerca de 200 famílias ocuparam um terreno da prefeitura de Sete Lagoas, terreno que estava abandonado há décadas, sem cumprir sua função social. O atual prefeito de Sete Lagoas, Duílio de Castro (do Partido Patriota), durante a campanha eleitoral, visitou a Ocupação Cidade de Deus e prometeu para as famílias que não iria requerer reintegração de posse, que iria regularizar fundiariamente a permanência das famílias na área ocupada. Fez isso para ganhar votos. Entretanto, na prática, o prefeito requereu judicialmente a reintegração de posse, alegando que "é área verde", o que não é verdade. A juíza da Vara da Fazenda Pública e Autarquias da Comarca de Sete Lagoas, Wstânia Barbosa Gonçalves, determinou liminar de reintegração de posse, mandando a prefeitura arrumar abrigo provisório para as famílias. As famílias têm direito à moradia permanente e adequada e não apenas a "abrigo provisório". A prefeitura de Sete Lagoas está fazendo vistas grossas com a invasão de áreas ambientais por famílias ricas. Para beneficiar famílias ricas, a prefeitura desafetou um terreno que era Área Ambiental para colocar como preferencialmente para habitação, ao lado do shopping, próximo da Serra Santa Helena. Esta gravíssima injustiça social acontece em Sete Lagoas, enquanto o prefeito já colocou à venda mais de 100 terrenos da prefeitura e já anunciou que pretende vender para uma construtora o terreno onde estão as 100 famílias da Ocupação Cidade de Deus. Poderíamos citar muitos outros exemplos de injustiças que estão sendo praticadas por prefeitos, governadores, antipresidente etc.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 no Senado Federal já concluiu que a política genocida do antipresidente e do desgoverno federal, com a cumplicidade de 70% dos deputados(as) e senadores(as), parte do Supremo Tribunal Federal e parte da mídia, é responsável por mais de 400 mil mortes que poderiam ter sido evitadas, caso o (des)governo Federal tivesse comprado vacina para os 213 milhões de brasileiros(as), no final de 2020, e não tivesse implementado politica negacionista com falsos remédios e sempre desdenhando da ciência e das orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Trata-se de uma política para matar os mais enfraquecidos, uma eugenia não declarada. Pesquisas comprovam que o número de mortos pela Covid-19 foi muito maior nos estados e municípios (des)governados por bolsonaristas (políticos do centrão, da direita e extrema direita). A todos esses dedicamos a profecia do profeta Isaías, que, com ira santa, exorta: "Ai daqueles que fazem decretos iníquos e daqueles que escrevem apressadamente sentenças de opressão, para negar a justiça ao fraco e fraudar o direito dos pobres do meu povo, para fazer das viúvas a sua presa e despojar os órfãos" (Isaías 10, 1-2).

Todos os(as) eleitores(as) têm responsabilidade sobre as ações políticas dos seus políticos eleitos. Óbvio que as lideranças, sejam elas religiosas ou não, a mídia e todos que influenciam o povo durante a campanha eleitoral são os primeiros e maiores (ir)responsáveis. Errar é humano, mas permanecer no erro é mais do que burrice, é se tornar cúmplice dos políticos opressores. E não basta arrepender por ter votado errado e chegar na próxima eleição votar em nomes diferentes, mas opressores como os anteriores. A história das eleições demonstra que os políticos do centrão, da direita e da extrema direita (PSL, Novo, Democratas, Progressistas, PTB, PSD, PMDB, PL, PSDB, PSC, Podemos, PRTB, PMB etc) governam contra o povo, contra o meio ambiente e a favor dos grandes empresários e capitalistas. Os partidos e políticos de esquerda ou de centro-esquerda (UP, PCO, PSTU, PCB, PSOL, PT, PCdoB, PSB, Rede, PDT etc) não são perfeitos, mas implementam políticas sociais que são vitais para assegurar algum nível de respeito à dignidade humana e aos direitos sociais garantidos pela Constituição Federal. O fato é que voto não tem preço, tem consequências! "Somos seres políticos", já dizia o filósofo Aristóteles. Ingenuidade dizer: "Sou apolítico. Não gosto de política. Sou neutro". Errado dizer "todo político é corrupto". Há, sim, uma minoria de políticos que são éticos e tentam governar para o bem comum. Todos nós fazemos Política o tempo todo. Política é como respiração. Sem respiração, morremos. Política refere-se ao exercício de alguma forma de poder, como nos ensina Bertold Brecht em "O Analfabeto Político". A política, como vocação, é a mais nobre das atividades; como profissão, a mais vil.

A história da humanidade mostra muitos povos que foram seduzidos por "espinheiros" que, com mil artimanhas, acabaram sendo eleitos e exerceram o poder oprimindo, violentando e explorando o povo. Por exemplo, o imperador Nero se deleitava em jogos no Coliseu enquanto incendiava Roma, a capital do império; Benito Mussolini, eleito pelo povo, se tornou o criador do fascismo e um ditador; Adolf Hitler, também aclamado pelo povo diante do seu populismo, se tornou nazista contumaz e mandou matar em campos de concentração milhões de judeus, comunistas, ciganos, homossexuais etc. A história mostra também que todos os ‘espinheiros’ eleitos usam e abusam do nome de Deus e dizem defender os "valores da família", mas na prática colocam "a morte acima de tudo" e arrasam com as famílias e todo o povo de mil formas.

Atribuído a Bertolt Brecht, o texto "O Analfabeto Político" mostra as consequências que o analfabeto político causa: "O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio dos exploradores do povo". Nascem também os políticos fascistas e genocidas. Por isso, os analfabetos políticos são cúmplices das políticas genocidas em curso no Brasil. Convertam-se antes que seja tarde demais!

1 - Live-denúncia: Prefeito de Tombos, MG, desapropria 8 famílias para fazer canil. Despejar famílias para abrigar cães? - 12/6/2021

https://youtu.be/VlJJy93MWAc


2 - Visão panorâmica da área de 8 famílias da APAT desapropriadas pelo prefeito de Tombos, MG: injustiça que clama aos céus – 10/6/2021.

https://youtu.be/XhFeIViqR9c


3 - Injustiça! Prefeito de Tombos, MG, Tiago Dalpério (PP), desapropriou 8 famílias p/ fazer um canil

https://youtu.be/mkhyuc2UV28


4 - Povo da Ocupação Cidade de Deus, de Sete Lagoas, MG, marcha na luta contra despejo: Diocese e Câmara Federal pedem suspensão do despejo – 25/5/2021

https://youtu.be/9F4GDjLGSig


5 - Três mulheres de luta dizem: "O justo é NÃO DESPEJAR a Ocupação Cidade de Deus, de Sete Lagoas, MG" – 24/5/2021.

https://youtu.be/K2-w-7Yu9G4


6 - Padre, mãe com 6 filhos e avó com câncer clamam para não serem despejados em Sete Lagoas/MG -23/5/21

https://youtu.be/H5KwmpH0hCc


7 - Plantão das Lutas direto de Sete Lagoas, MG, na Ocupação Cidade de Deus: "DESPEJO, NÃO!" – 20/5/2021

https://youtu.be/FerddQlXBw8


8 - Atos "Fora, Bolsonaro!, Vacina Já! E Auxílio Emergencial de 600,00, já!" - SÍNTESE de dezenas de cidades - 29/5/2021

https://youtu.be/stxODwoj468


Gilvander Moreira
é frei e padre da Ordem dos carmelitas; licenciado e bacharel em Filosofia pela UFPR; bacharel em Teologia pelo ITESP/SP; mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma, Itália; doutor em Educação pela FAE/UFMG; assessor da CPT, CEBI, CEBs, SAB e Ocupações Urbanas; professor de “Direitos Humanos e Movimentos Populares” em curso de pós-graduação do IDH, em Belo Horizonte, MG, autor de livros e artigos.

O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente do Dom Total. O autor assume integral e exclusivamente responsabilidade pela sua opinião.

Domtotal
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