quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

PROPOSTA DA CNBB PARA QUE O JUDICIÁRIO NÃO AUTORIZE DESPEJOS COLETIVOS NA PANDEMIA É APROVADA NO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA


O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), aprovou, nesta terça-feira (23), em sua 325ª Sessão Ordinária, uma resolução que recomenda ao judiciário que não autorize ações de despejo coletivo durante a pandemia da covid-19. A matéria foi proposta pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), através do Observatório dos Direitos Humanos ao Poder Judiciário (ODH).

Segundo o presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, a aprovação da proposta apresentada pela CNBB é um ato de extrema sensibilidade humana. “Isso é uma demonstração de nossa sensibilidade, diante do resultado que nos traz o magnífico observatório. Agradeço à CNBB por essa entrega significativa aos direitos humanos”, afirmou o ministro Fux.
Humanismo cristão

A medida foi festejada pelo assessor político da CNBB, padre Paulo Renato, que participou da sessão representando a entidade. “Muito bom, é uma questão humanitária. É um novo humanismo, esse humanismo cristão. É uma visão diferenciada, em tempos tão difíceis. O ministro Fux acolher isso foi um ótima notícia.”

Representante do Observatório de Direitos Humanos (ODH) do Poder Judiciário, o advogado Leandro Gaspar Scalabrin apresentou aos ministros alguns dados do relatório sobre o Direito à Moradia, produzido pela entidade em junho de 2020.

“Durante a pandemia, já ocorreram 79 despejos. Nesses, 9 mil famílias foram colocadas em situação de desabrigo. Atualmente, 64 mil famílias estão ameaçadas de despejo neste momento no Brasil”, explicou Scalabrin.

CNBB 
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VOLTAR AO PRIMEIRO AMOR

Voltar ao primeiro amor não tem a ver com sentimento ou certeza doutrinal
Voltar ao primeiro amor se torna realidade quando no lugar do juízo levamos a misericórdia, no lugar da condenação levamos a graça e no lugar do medo da morte levamos a alegria da vida (Dewang Gupta / Unsplash)

Fabrício Veliq*

É muito comum ouvir em pregações evangélicas o tema da volta ao primeiro amor. Quem já está dentro de uma igreja há algum tempo, provavelmente já ouviu algum sermão sobre o texto de Apocalipse 2,4-5 que diz: "Tenho, porém, contra ti que abandonaste ao teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas".

Geralmente, o que se ouve nas pregações que tratam desse texto é que Cristo estaria chamando cada pessoa a voltar ao sentimento que se tinha logo após a conversão: aquela alegria, disposição e empolgação de sair evangelizando e anunciando o texto bíblico para tentar fazer com que mais pessoas se convertam ao cristianismo (não necessariamente à proposta do Evangelho). Esse afã, que com o passar do tempo vai sendo perdido, é encarado por muitas pregadoras e pregadores como "esfriar" na fé, ou como o "abandono do primeiro amor" relatado no texto.

Contudo, uma leitura atenta nos mostra que não é bem essa a ideia do autor. O versículo 2 desse mesmo capítulo relata o elogio que Cristo faz à igreja de Éfeso. Esse elogio estava, justamente, na questão de sua resiliência diante da perseguição que sofria, bem como por saber distinguir os falsos apóstolos dos que eram verdadeiros. Nesse sentido, podemos inferir de que tal igreja era bem fundamentada na doutrina apostólica e prezava por uma doutrina correta.

Mesmo diante disso, a exortação do versículo 4 permanece. Tal igreja havia abandonado o primeiro amor. O termo grego traduzido como amor é ágape, ou seja, o amor que não tem a ver com um mero sentimento, mas com a ação efetiva na direção do próximo. Esse amor é o que havia sido esquecido pela igreja de Éfeso e que poderia ser o motivo de Cristo "mover o candeeiro", caso ela não se arrependesse.

Essa expressão, mover o candeeiro, pode significar duas coisas, segundo exegetas e biblistas: que Cristo tiraria a igreja de Éfeso da posição de igreja mãe das outras igrejas (aqui é importante lembrar da relevância que a cidade de Éfeso tinha na Ásia menor nesse período, variando entre 300 a 500 mil habitantes, de maneira que essa igreja se mostrava bastante influente na relação com as demais que estavam no seu entorno); mas pode também significar que Cristo iria encerrar aquela igreja e ela deixaria de existir, visto ele ser aquele que tem todas as igrejas em sua mão direita, como diz Apocalipse 1.

Nos dois casos possíveis, o que está posto como questão principal é que aquilo que aos olhos de Cristo caracteriza sua igreja não é o apego à doutrina ou ao culto, mas o amor ao próximo que se manifesta em ações efetivas na direção deste.

Voltar ao primeiro amor, então, não tem a ver com um sentimento ou certeza doutrinal de que se está no caminho certo. Antes, tem a ver com o amor que é demonstrado para com o próximo e, principalmente, para com as pessoas necessitadas, excluídas e perseguidas por causa da justiça. Da mesma forma, não tem a ver com proselitismo, ou com quantas almas se ganhou para Jesus no ano. Isso, aos olhos de Cristo, nunca foi medida de comprometimento com a fé ou medida de quanto amor se tem a ele.

Voltar ao primeiro amor se torna realidade quando no lugar do juízo levamos a misericórdia, no lugar da condenação levamos a graça e no lugar do medo da morte levamos a alegria da vida. Em outras palavras, quando agindo como Jesus agiu, praticamos um amor que não visa nada em troca e luta para a transformação da sociedade para que ela se torne um lugar onde haja justiça social, ausência de fome, ruptura das estruturas de morte e afirmação da vida. Ou seja, anunciamos realmente o Evangelho e sua mensagem transformadora.

No lugar do emprenho em converter o máximo de pessoas possível e do evangelho barato que tal proselitismo traz, a proposta de Cristo é para que demonstremos em atos a essência do primeiro amor, que é ele próprio em sua entrega em favor da humanidade.

Domtotal

*Fabrício Veliq é protestante e teólogo. Doutor em teologia pela Faculdade Jesuíta de Belo Horizonte (FAJE) e Doctor in Theology pela Katholieke Universiteit Leuven (KU Leuven). E-mail: fveliq@gmail.com
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

COMO REAGIR AOS 'FARISEUS' QUE ATACAM A CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2021

Fariseus 'de hoje' se julgam defensores da Igreja, da reta doutrina, da liturgia e da tradição. Se julgam superiores aos demais, até como mais próximos de Deus
Sigamos firmes no serviço à vida contra a violência, a serviço da paz e no compromisso do diálogo fraterno (Divulgação)

Denilson Mariano

Temos presenciado, sobretudo nas redes sociais, uma investida contra a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2021. Pessoas e grupos religiosos, com pretensa atitude de defesa da fé e da Igreja, têm feito uma leitura superficial, tendenciosa e distorcida do Texto Base da Campanha e têm disseminado uma série de posts, vídeos, artigos e mensagens nas redes sociais. Fazem uma contra propaganda à CFE 2021 e à coleta solidária feita anualmente pela CNBB ?" Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Nosso anseio não é colocar mais lenha na fogueira, mas encontrar uma base bíblica que nos ajude a compreender melhor a situação e permita abrir caminhos para um diálogo fecundo e uma eventual superação desse impasse pastoral.

Convido a revisitarmos juntos algumas práticas, atitudes e procedimentos dos fariseus, tal como são apresentados nas Escrituras, para iluminar a desafiante situação que se coloca à nossa frente: a controvérsia sobre esta Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021. E fazemos a devida ressalva, pois, não identificamos os seguidores do judaísmo, por si só, como opositores a Jesus e aos cristãos. Ressaltamos nossa abertura ao diálogo ecumênico e inter-religioso. Restringimos-nos a indicar as oposições enfrentadas por Jesus e, por meio delas, buscar maior compreensão para as oposições à Campanha da Fraternidade em nossos dias.

O que significa 'fariseu'

O termo 'fariseus' indica os 'separados' ou 'separadores'. Um grupo, partido ou seita de defensores da Lei, da Tradição, da religião que se julgavam acima e mais importantes que os demais. Os fariseus eram um grupo de leigos, submissos ao poder romano, que se orgulhavam de defender a Lei (cf. Mt 9,9-17; Mc 2,13-17; Lc 5,27-32; Lc 18,9-14; Jo 7,49). Nos Evangelhos, em geral, os fariseus aparecem sempre em oposição a Jesus e se revelam hostis à sua pessoa, a seu ensinamento e atitudes. Eles temiam que o novo ensinamento trazido por Jesus ameaçasse a sua posição e prestígio de líderes espirituais. João Batista denuncia os fariseus como 'raça de cobra venenosas', pois eles se apresentavam como seguidores da Lei, mas não se abriam à conversão (Mt 3,7-10; Lc 3,7-9).

Como agiam os fariseus?

Nos relatos evangélicos, os fariseus estão sempre vigiando Jesus para encontrar n'Ele alguma falha (cf. Jo 4,1). Eles tentam armar laços para surpreenderem Jesus em alguma resposta errada (cf. Mt 20,15; Mc 12,13; Lc 20,20s); questionam Jesus a respeito da Lei (cf. Mt 22,34) e ficam escandalizados quando Ele se junta e come com os cobradores de impostos e pecadores (cf. Mt 9,9-13; Mc 2,13-17; Lc 5,27-32). Eles questionam por que Jesus não obedece ao descanso do sábado (Mt 12,2s; LC 6,2s); por que faz curas (Lc 24,1-3) e não exige dos discípulos o preceito de lavar as mãos antes das refeições (Mt 15,1s; Mc 7,1s). Eles duvidam que Jesus possa perdoar os pecados (Lc 5,17) e quando Jesus expulsa demônios, eles o acusam de ter um pacto com Belzebu (Mt 12,24s). Definitivamente, sentem-se muito incomodados com jeito de ser, de agir e com os ensinamentos de Jesus.

Incomodados, conspiravam contra a vida de Jesus (Mt 12,14; Mc 3,6), eram também avarentos e se colocavam na contramão do Reino anunciado por Jesus (Lc 16,14; 7, 30). Jesus denuncia o apego dos fariseus às leis e costumes para fugir de suas obrigações sociais e fraternas (Mt 15,1s; Mc 7,1s).

Em síntese, muitos dos traços presentes no perfil destes fariseus revelado nos Evangelhos parecem estar presentes no perfil dos que hoje se opõem ao Vaticano II, às Conferências do Episcopado Latino Americano, ao papa Francisco, à Campanha da Fraternidade e ao Ecumenismo.

Os opositores à CFE 2021

Em certo sentido, os opositores à Campanha da Fraternidade podem ser identificados como os 'fariseus de hoje'. São pessoas que se julgam defensores da Igreja, da reta doutrina, da liturgia e da tradição. Conscientemente ou não, se julgam superiores aos demais, até como mais próximos de Deus. Rezam o terço, participam de palestras sobre as Cruzadas, sobre a busca de santidade e participam das missas em latim, tendo o padre de costas para o povo (Missa Tridentina)[1]. Entendem que têm a missão de ?recristianizar? o Brasil. Julgam-se como já convertidos e se veem na obrigação de purificar a fé dos demais.

Assim como os fariseus temiam Jesus, esse grupo de hoje tem medo e aversão à Igreja do Vaticano II, no fundo à Igreja de Jesus formada pelo povo simples. Tem horror à Igreja comunidade de fé comprometida com a vida. Ignoram Concílio Vaticano II, o papa Francisco, os Documentos das Conferências Episcopais, da CNBB e a palavra profética de muitos bispos e padres. Alimentados por essa falsa ideia de 'superioridade' fazem uma oposição aberta e até pouco honesta a quem pensa e age de forma diferente. Os fariseus de hoje se veem como os únicos 'donos da verdade', daí a dificuldade de um diálogo sincero, maduro e fecundo.

Sempre em busca de um deslize

A exemplo da atitude dos fariseus com Jesus, os 'fariseus' de hoje estão sempre vigiando o papa Francisco, a Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB) -, na busca de algum deslize ou falha. Na pretensa defesa da Tradição e da Igreja, ignoram quem legitimamente a representa. E, quando a Igreja assume as atitudes de Jesus em proximidade com os excluídos, com pobres e pecadores, encontram uma forma de colocá-la em dificuldade.

Ensaiam uma espécie de 'guerra santa', o que se comprova com o tom acusatório e fechado ao diálogo verifica-se nas postagens, nos vídeos e nas redes sociais que se assemelham a um confronto de verdades, uma 'guerra santa'. Não economizam ameaças, xingamentos, expressões pesadas e grotescas que diminuem e desprezam quem não pensa ou interpreta as Escrituras e os Documentos da Igreja do mesmo jeito. Não há diálogo, buscam semear confusão na mente e no coração dos mais simples.

Como agir e reagir?

Não cabe aos verdadeiros cristãos rebaixar-se revidando afrontas, provocações, baixarias. A atitude mais correta é ter clareza dos fatos, não seguir os 'boatos'. Estudar de fato as questões. Conhecer melhor as Escrituras. Buscar conhecer os documentos do Magistério, do Vaticano II, do Papa Francisco, das Conferências Episcopais, da CNBB...

No caso concreto desta CFE 2021, só para citar uma das polêmicas levantadas, ela é acusada de fazer apologia à ideologia de gênero, enquanto na verdade em três números do documento o que é denunciado é a violência e morte de 'minorias' mulheres, negros, e pessoas LGBTQI+ (cf. Texto Base CFE 2021 nª 31,58 e 68). Com um mínimo de leitura do Texto Base, percebe-se a falsidade do argumento apresentado. Da mesma forma, o texto base não faz apologia ao aborto, como erroneamente se denuncia. Cobram que o texto não contenha elementos catequéticos católicos ou referências à Maria, pois, sendo ecumênico foca-se ao conteúdo da Campanha e procura criar pontes de diálogo e ações conjuntas entre as igrejas.

Assim como Jesus se manteve aberto ao pensar diferente, aberto à dor dos sofredores, aberto à inclusão, como no diálogo com a mulher Cananéia (Mt 15,21-28), sigamos os seus passos, a nossa fé é em Cristo, que foi violentado, mas que não usou de violência. Por outro lado, nunca se distanciou da defesa da vida em abundância para todos (Jo 10,10). Sigamos firmes no serviço à vida contra a violência, a serviço da paz e no compromisso do diálogo fraterno e ecumênico. Abrace com carinho esta Campanha do diálogo, da fraternidade, pois ?Cristo é a nossa paz, do que era dividido fez uma unidade? (Ef 2,14c).

[1] Cf. OLIVEIRA, Thais Reis. Os católicos ultraconservadores que querem ?recristianizar? o Brasil. Disponível em: <https://vermelho.org.br/2020/01/20/os-catolicos-ultraconservadores-que-querem-recristianizar-o-brasil>. Acesso em 20 fev. 2021. 

Acesse ao vídeo abaixo:


https://youtu.be/nuUmy2FVcBE

* Denilson Mariano é redator de O Lutador-BH e doutor em Teologia pela FAJE-BH. Trabalha na formação de lideranças por meio do MOBON ?" Movimento da Boa Nova. Membro da Equipe dos Círculos Bíblicos da Arquidiocese de BH;- E-mail: marianosdn@yahoo.com.br
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

PAPA NOMEIA BRASILEIRAS COMO CONSULTORAS DA CONGREGAÇÃO PARA OS INSTITUTOS DE VIDA CONSAGRADA E AS SOCIEDADES DE VIDA APOSTÓLICA


O papa Francisco nomeou consultoras da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e das Sociedades de Vida Apostólica, por cinco anos, a irmã Maria Inês Vieira Ribeiro, atual presidente da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) e a irmã Márian Ambrósio, presidente da CRB entre os anos de 2007 e 2013.

A notificação foi feita no dia 19 de janeiro de 2021 pelo cardeal Pedro Parolin, Secretário de Estado.
Ir. Maria Inês
Ir. Márian
Irmã Márian

Irmã Márian Ambrósio cursou pedagogia em Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FAFI), no Paraná. Estudou Religião na CRB. Estudou Teologia espiritual na Pontifícia Universidade Gregoriana, na Itália. Foi diretora do Colégio Santa Rosa de Lima, em Lages, Santa Catarina, e do Colégio São José, em Rio Negro, no Paraná. Foi presidente da CRB, entre os anos de 2007 e 2013. Também já foi assessora da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Irmã Maria Inês Ribeiro

Irmã Maria Inês Vieira Ribeiro é presidente da CRB desde 2016. Faz parte da Congregação Mensageiras do Amor Divino e tem longa história de experiência de engajamento. Além de trajetória dentro da CRB, na regional São Paulo e como gestora, foi presidente da União das Superioras Gerais das Congregações Brasileiras de 1994 a 1997 e de 2009 a 2012.
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FRATERNIDADE: A DIFÍCIL CONSTRUÇÃO ECUMÊNICA

Para fazer um mundo habitado pelos filhos de Deus é preciso ampliar o horizonte além mesmo das fronteiras institucionais e religiosas e ir ao ser humano
Superar as divisões e buscar a unidade com coragem e alegria, eis a conversão pedida a todo discípulo e discípula de Jesus Cristo nesta Quaresma (L'Osservatore Romano)

Maria Clara Bingemer

A palavra ecumenismo encontra suas raízes na cultura grega e significa: mundo habitado. O conceito não pretendia avançar em questões demográficas ou estatísticas, mas carregava o belo sentido de povo civilizado, de cultura aberta em termos não apenas geográficos como também civilizacionais. O Cristianismo nascente adotou a ideia e o conceito, fazendo dos mesmos um ideal e uma missão: fazer habitável a obra de Deus, que é toda a criação, promovendo a unidade e a concórdia.

Desde muito cedo, a Igreja percebeu não apenas a necessidade dessa unidade como também o enorme desafio que significava construí-la a partir e por meio da diversidade. Os Concílios da Antiguidade procuraram superar propostas e doutrinas que dividiam a Igreja, e chegar a consensos que pudessem uni-la em termos de conteúdos da fé, para que fossem aceitos e praticados por todos os cristãos.

A história avançou e houve esforços de unidade, mas também ataques. Houve guerras de religião em que se matava em nome de Deus e empreendimentos ideológicos e políticos unilaterais, nos quais tristemente cristãos chegaram a considerar prestar um serviço a Deus eliminando os que professavam religiões diferentes. E houve um momento em que os próprios cristãos se dividiram, permanecendo em campos opostos e considerando hereges e apóstatas os que entendiam e viviam a fé cristã em outros termos.

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A partir dessa divisão entre cristãos surgiu o movimento ecumênico moderno que fomentou o diálogo e a cooperação entre os cristãos para fazer frente à evangelização em um mundo sempre mais secularizado e mais plural. O ecumenismo tornou-se uma iniciativa entre diversas denominações cristãs, na busca do diálogo e da unidade, de superar divergências e divisões históricas, culturais e mesmo doutrinais. Para isso, houve muito trabalho para aceitação da diversidade entre as igrejas já que todas buscam encontrar em Cristo seu ponto de unidade. Professam um só Credo, recebem um só Batismo, e veem cada vez com maior clareza que estar divididos é um escândalo e um contratestemunho.

Por parte da Igreja Católica, o Concílio Vaticano II é um marco por assumir para dentro do magistério oficial da Igreja Católica Romana o desejo e o compromisso de aproximar-se sempre mais dos irmãos que adoram o mesmo Deus e reconhecem como Senhor o mesmo Cristo. Porém, mais longe ainda foi o Concílio, acompanhando um movimento que já se fazia sentir no campo religioso como um todo e na sociedade. Compreendeu que a caminhada ecumênica implica passar mesmo as fronteiras do cristianismo como tal e abraçar as outras religiões, que nomeiam Deus de forma diferente e organizam sua fé de outro modo.

O ecumenismo, portanto, nessas quase seis décadas que nos separam do Concílio Vaticano II, se alarga sempre mais, convertendo-se progressivamente em um macro ecumenismo. Com isso nada mais faz do que seguir fielmente o que o texto do documento mais importante do evento conciliar, a Constituição Gaudium et Spes diz: a Igreja quer ser perita em humanidade e não deseja que nada de humano lhe seja estranho. Portanto, para fazer um mundo habitado pelos filhos de Deus é preciso ampliar o horizonte além mesmo das fronteiras institucionais e religiosas e ir ao ser humano.

A Campanha da Fraternidade, lançada todos os anos pela CNBB durante o período da Quaresma, traz este ano uma bela novidade. Não apenas seu tema é o ecumenismo pensado amplamente, em termos de uma inclusão universal que conduza toda a humanidade à paz verdadeira cuja fonte é Cristo. Mas ela é ecumênica desde as origens. Seu texto base foi pensado e preparado por uma equipe ecumênica, sob a responsabilidade do Conic (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs).

O sopro ecumênico, que busca a unidade, o diálogo e o amor, se fazem sentir ao longo de todo o texto e de suas propostas que soam como convite amoroso aos fiéis cristãos que desejam deixar para trás a divisão e construir a unidade. Uma unidade plena, universal, que só pode dar-se através da integração das diferenças, enriquecendo-se do que todos e cada um podem trazer.

A isso aspira a Campanha da Fraternidade. Só pode haver fraternidade se for universal. E não à toa a palavra católico significa universal. A CNBB testemunha luminosamente seu desejo de ser plenamente universal - ou seja, católica – abrindo sua campanha, que acontece no momento de mais densa convergência de fé e testemunho, a todos os irmãos que comungam da fé em Jesus Cristo.

A CF 2021 em tempos de tanta divisão dá uma decisiva contribuição ao diálogo e uma real chance à paz. O lema da Campanha, tomado da epístola aos Efésios, diz: "Cristo é a nossa paz: do que era dividido fez uma unidade". Superar as divisões e buscar a unidade com coragem e alegria, eis a conversão pedida a todo discípulo e discípula de Jesus Cristo nesta Quaresma.

Maria Clara Bingemer
é teóloga, professora e decana do Centro de Teologia e Ciências Humanas da PUC-Rio. É autora de diversos livros, entre eles, ¿Un rostro para Dios?, de 2008, e A globalização e os jesuítas, de 2007. Escreveu também vários artigos no campo da Teologia.
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

PAVIMENTAÇÃO DO PÁTIO DA IGREJA MATRIZ SANTA RITA DE CÁSSIA

Agradecemos a Deus por termos alcançado os 1000m² do bloqueteamento do pátio da igreja matriz. Uma área extensa e prédios novos e bonitos que ficarão interligados e mostrarão com certeza a sua beleza a partir da pavimentação completa do pátio.

Já conseguimos muito com sua contribuição e agora vamos alcançar a última etapa do sonho da comunidade contando com sua colaboração. Falta pouco e conseguiremos realizar através da sua fidelidade a missão.

Visite a obra e veja onde está sendo investida a sua doação. Abaixo seguem fotos do local e conta bancária da paróquia para você contribuir.

A Paróquia Santa Rita agradece aos dizimistas e colaborados da evangelização. Muito Obrigada!







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A RIQUEZA DA PARTILHA: DÍZIMO COMPROMISSO DE AMOR



Neste primeiro domingo da quaresma, fomos convidados pela pastoral do dízimo a viver a dimensão religiosa do Dízimo através da conversão pastoral. O coordenador paroquial do Dízimo Antônio Lira convidou a comunidade para olhar tantas obras e serviços que a devoção ao Dízimo é capaz de sustentar, basta o compromisso de coração para fazer voltar a Deus toda forma de agradecimento por tantas graças recebidas.

O momento de motivação foi na celebração da missa das 18hs deste domingo, voltado para a vivência da fé através da conversão de coração. Conversão esta que gera compromisso e responsabilidade com a manutenção da Igreja.

Ao devolver o dízimo quem mais ganha é o dizimista, que recebe através do seu gesto de amor e carinho muitas bênçãos e conquistas. Seja um dizimista fiel e compartilhe essa alegria. 
Aos aniversariantes do mês de Fevereiro, as bênçãos do nosso Bom Deus.

1. Renilda Silva e Silva
2. Pedro José da Silva Filho
3. Inácio Henrique Ferreira Neto
4. Rui Milhomem dos Santos Pereira 
5. Renato Santos de Oliveira
6. José Marcos Cunha de Sousa
7. Luiza Figueiredo dos Anjos 
8. Lindinalva  Aparecida B. Lima
9. Maria Francisca Pereira de Souza 
10. Maria dos Santos Pinto Oliveira 
11. Maria Antônia Ferreira da Solidade
12. Josivaldo Saraiva Martins
13. Maria do Carmo dos Santos
14. Cleidiane Faz Ferreira 
15. Didiene Nirvana de Sousa Bravim
16. Francian Canuto da Silva










Fonte: Pastoral do Dízimo 
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