quinta-feira, 23 de setembro de 2021

A FURIOSA GUERRA PELAS ÁGUAS DO BRASIL

Os maiores mananciais do mundo são cobiçados por corporações como Coca-Cola e Nestlé. Congresso entrega e a mídia cala-se
Milhares de municípios, abastecidos por empresas públicas, serão forçados a considerar propostas de privatização


José Álvaro de Lima Cardoso*

O país atravessa uma crise hídrica que afeta diretamente o nível dos reservatórios dos subsistemas elétricos. De acordo com o último boletim divulgado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), divulgado em 10/09/21, os reservatórios das Usinas Hidrelétricas do Sudeste e do Centro-Oeste estão operando com apenas 22,7% de sua capacidade de armazenamento. Esses reservatórios, que são responsáveis por cerca de 70% da geração hídrica do país, apresentam os níveis mais baixos dos últimos 91 anos. Os especialistas mencionam redução do nível dos reservatórios que pode chegar à 10%, o que seria muito grave, já que o sistema elétrico brasileiro nunca operou abaixo de 15%.

Devido à sua indiscutível essencialidade a água está sempre no centro da luta entre as classes na sociedade, aqui e no mundo todo. O fato do Brasil deter os maiores mananciais do mundo não nos livra de uma guerra pelo uso da água, ao contrário.

Em junho do ano passado (24/6/20), o Senado Federal aprovou a lei 4.162/2019, que trata da privatização do setor de saneamento no Brasil. Segundo essa lei, a partir de março de 2022, todos os contratos de prestação de serviços de saneamento (o que inclui distribuição de água, coleta e tratamento de esgoto e resíduos) existentes entre os municípios brasileiros e as estatais de saneamento, em sua maioria, poderão ser revisados e reavaliados. Ao invés de continuarem a existir os contratos de programa, será obrigatório a realização de editais de licitação entre empresas públicas e privadas, o que poderá significar, a partir do ano que vem, a privatização da maioria dos serviços de saneamento no país.

Como funciona o sistema de fornecimento de água nas cidades, atualmente? As cidades firmam acordos direto com empresas estaduais de água e esgoto pelo chamado contrato de programa, que contêm regras de prestação e tarifação, mas permitem que as estatais assumam os serviços sem concorrência. O novo marco extingue esse modelo, transformando-o em contratos de concessão com a empresa privada que vier a assumir o serviço, e torna obrigatória a abertura de licitação envolvendo empresas públicas e privadas. Cerca de 71% dos

Municípios brasileiros possuem contratos de programa com os respectivos Estados da Federação em relação a tratamento e abastecimento de água, enquanto apenas 2% fizeram licitações para concessões plenas e 27% fornecem esses serviços de forma autônoma. Ou seja, há um enorme espaço para empresas privadas ganharem dinheiro.

O novo marco legal unifica a direita “civilizada” e a extrema direita que está no governo federal. Ele transforma serviços que devem ser considerados direitos humanos básicos e universais – como o acesso à água potável, a destinação correta de resíduos e o tratamento de esgoto de modo a preservar o meio ambiente – em passivos que devam gerar lucros e dividendos. As empresas privadas apenas terão interesse em atuar em regiões lucrativas, deixando regiões não rentáveis de fora da cobertura. O senador Tasso Jereissati (PSDB/CE), autor do Projeto de Lei 4.162/2019, é direta e financeiramente interessado na privatização dos serviços de água e saneamento no Brasil. É a legítima raposa cuidando do galinheiro. Ele é um dos sócios do Grupo Jereissati, que comanda a Calila Participações, única acionista brasileira da Solar. Esta última empresa é uma das 20 maiores fabricantes de Coca-Cola do mundo e emprega 12 mil trabalhadores, em 13 fábricas e 36 centros de distribuição.

Água é a matéria-prima mais cara para a produção de bebidas em geral. Para cada litro de bebida produzido, por exemplo, a Ambev declara usar 2,94 litros de água. Não existe nenhuma transparência nas informações divulgadas, mas ao que se sabe, as empresas de alimentos e bebidas contam com uma condição privilegiada no fornecimento de água e esgoto. Obtendo, por exemplo, descontos. Mas foram essas mesmas empresas que estiveram à frente da aprovação do novo marco regulatório, possivelmente porque avaliam que, com o setor privatizado, pagarão ainda menos pelos serviços.

O Brasil foi abençoado com as maiores reservas de água do mundo. Os principais aquíferos do país são: Guarani, Alter do Chão – os maiores do mundo –, Cabeças, Urucuia-Areado e Furnas. No começo de 2018, o golpista Michel Temer encontrou-se com o então diretor presidente da Nestlé, Paul Bulcke, para uma conversa “reservada”. Não é preciso ser muito sagaz para concluir que o tema da conversa foi um pouco além de amenidades. Alguns meses depois, o governo Temer enviou ao Congresso uma Medida Provisória 844, que forçava os municípios a concederem os serviços, medida que não foi aprovada. No último dia de mandato Temer editou a MP 868, que tratava basicamente do mesmo assunto. Esta MP perdeu validade, mas o PL 4.162/19, aprovado no senado no ano passado, basicamente retomou o que constava daquelas medidas provisórias.

A pressão para privatização da água é muito forte, conta com organizações financiadas pelos grandes grupos interessados, especialmente do setor de alimentos e bebidas, e conta com cobertura do Banco Mundial. Sabe-se que a Coca-Cola disputa água no mundo todo e certamente não o faz por razões humanitárias. Tem vários casos envolvendo a Coca-Cola no mundo. Há relatos de que no México, regiões inteiras ficam sob “estresse hídrico” por causa de fábricas da empresa, que inclusive contam com água subsidiada. Existem cidades no México, nos quais os bairros mais pobres dispõem de água corrente apenas em alguns momentos, em determinados dias da semana, obrigando muitas vezes a população a comprar água extra. O resultado é que, em determinados bairros, os moradores tomam Coca-Cola, ao invés de água, por ser aquela mais fácil de conseguir, além do preço ser praticamente o mesmo. Há moradores destes locais que consomem 2 litros de refrigerante por dia, com consequências graves e inevitáveis sobre a saúde pública.

Sobre o projeto de privatização das fontes de água no Brasil quase não se ouve posições contrárias (como acontece com tudo que é importante). Estas são devidamente abafadas pelo monopólio da mídia comercial (uma das mais entreguistas do mundo). Exceto nos sites especializados e independentes. É que na área atuam interesses muito poderosos, com grande influência no Congresso Nacional, nos Governos, nas associações de classes, empresariado, universidades.

Os encontros realizados para discutir o assunto são patrocinados por gigantes, verdadeiros monopólios em seu setor, como Ambev, Coca-Cola, Nestlé, que têm interesses completamente antagônicos aos da maioria da sociedade. Essas empresas investem uma parcela de seus lucros com propaganda, vinculando suas imagens a temas como sustentabilidade ambiental e iniciativas sociais, de acesso à água, e outras imposturas. Apesar de tudo isso ser jogo de cena para salvar suas peles e exuberantes lucros, enganam muitos incautos.

O fato de que, no país que detém 12% de todas as reservas de água doce do mundo (a maior reserva entre todos os países), uma parcela significativa da população não tenha acesso regular à água potável e barata, já revela o tamanho do problema.

*José Álvaro de Lima Cardoso, doutor em Ciências Humanas pela Universidade Federal de Santa Catarina (2002). Exerce, desde 1992 a supervisão técnica do Escritório Regional do DIEESE em Santa Catarina. Atualmente é professor titular em Economia do Curso de Ciências Contábeis da Universidade de Brusque (SC). Artigo publicado por OutrasPalavras 

Domtotal
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quarta-feira, 22 de setembro de 2021

ASSEMBLEIA REGIONAL: OUSADIA PARA INCULTURAR A FÉ E A ESPIRITUALIDADE


A pandemia da Covid-19 marcou a vida da Igreja desde há um ano e meio, também no Regional Norte 1. Depois de perder muita gente, homenageada em uma celebração neste primeiro dia, aos poucos, as atividades estão sendo retomadas, nas comunidades, nas paróquias, nas dioceses e prelazias, também no Regional Norte 1, que nesta segunda-feira, 20 de setembro, começou sua 48ª Assembleia.

O tema da assembleia, que será encerrada na quarta-feira, com a presença dos bispos, também alguns bispos eméritos, e representantes das 9 igrejas particulares, é “Construindo Novos Caminhos”. Após dois anos sem assembleia, o Regional Norte 1 quer construir esses novos caminhos para a Igreja da Amazônia desde o Magistério do Papa Francisco, especialmente a Querida Amazônia, surgida do Sínodo para a Amazônia, um momento de grande importância para o Regional Norte 1, da encíclica Fratelli tutti e das Diretrizes para a Ação Evangelizadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Esses documentos fizeram parte das palavras de acolhida do presidente do Regional Norte 1, Dom Edson Damian. O bispo de São Gabriel da Cachoeira ressaltou a importância dos documentos do Papa Francisco na vida da Igreja do Regional. No relatório das atividades, realizado pelo secretário executivo do Regional Norte 1, o diácono Francisco Lima, foi mostrada a vida da Igreja, marcada pela pandemia, destacando as muitas ações de solidariedade que as igrejas do Regional têm realizado neste tempo.
Tudo isso é consequência da atual conjuntura social e eclesial, analisada por Dom Leonardo Steiner. O arcebispo de Manaus constatou que na sociedade se vive uma ideologia fechada, e na Igreja, a fé hoje em vários ambientes, se tornou ideologia. Ele relatou situações hoje presentes na sociedade, notícias falsas, agressão nas palavras e nos gestos, agressão às instituições, desrespeito à Constituição, linguagem de baixo calão, gestos de descivilizados, modos de exercer o poder que pretendem se sustentar na violência.

Dom Leonardo denunciou que “o governo federal governa de costas para os pobres, ataca os povos indígenas”, e junto com isso a condução da pandemia no país, que tem provocado “o momento mais dramático dos últimos tempos na história do Brasil”, mostrando seu assombro diante do fato de que pouca gente se revolta diante dessa situação. Brasil é um país onde os evangélicos e as milícias chegaram ao Planalto, onde os meios de comunicação dão cobertura ao modo de desgoverno.

O arcebispo refletiu sobre a política, cada vez mais fragilizada, sobre o meio ambiente, vítima de ataques violentos e do desmonte das instituições responsáveis pelo meio ambiente, sobre a desestruturação da sociedade como um todo, sobre o desmonte do Estado. Dom Leonardo denunciou que estamos diante da crise da ética, sendo imposta a economia como aquilo que determina a sociedade, fazendo com que “neste momento, tudo se torna uma questão de produção e de consumo”.
Ao falar sobre a conjuntura eclesial, Dom Leonardo destacou a maior “consciência de uma Igreja em saída, uma Igreja encontro, uma Igreja esperança”. Ao mesmo tempo, fez ver que “o papa é contestado, o bispo é contestado, a liturgia é contestada, a eclesialidade é contestada”. Junto com isso, o fato de que “estamos ausentes nas periferias, nas comunidades ribeirinhas; a nossa Igreja poderia ser mais inculturada na sua espiritualidade e na sua liturgia”.

Também questionava a participação da igreja na política, de refletir sobre “a importância da política dentro de uma sociedade apolítica”, a participação nos meios de comunicação, a falta de conhecimento da doutrina social da Igreja. Nesse ponto se referia a Fratelli tutti como grande instrumento para entender uma política voltada para o bem comum.

Segundo o arcebispo, a proposta de uma Igreja sinodal, ainda que com dificuldades, caminha, insistindo na necessidade de “receber uma maior participação dos leigos”, de descobrir as expressões profundas de religiosidade nas comunidades indígenas, de avançar numa Igreja mais amazônica, algo que “exigirá ousadia para podermos realmente inculturar a fé, inculturar a espiritualidade”.

Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Fonte: CNBB Norte 1



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terça-feira, 21 de setembro de 2021

SUPERAÇÃO DA POBREZA: UMA QUESTÃO ÉTICA IRRENUNCIÁVEL

Se a realidade da fome, que não é casual mas projeto, não nos choca, não faz que nos condoamos em misericórdia, precisamos perguntar a respeito de nossa humanidade
A pandemia agravou aquilo que vimos nascer como projeto: o desmonte das políticas públicas de superação da pobreza (Miguel Schincariol/AFP)

Felipe Magalhães Francisco*

A miséria voltou a assombrar a vida de milhões de brasileiros e brasileiras. Uma realidade que, tristemente, nunca deixou de ser marcante na vida de outras tantas milhões de pessoas em países abandonados, depois de longos séculos de exploração. No Brasil, a saída do Mapa da Fome foi motivo de celebração e reconhecimento internacional. A pandemia agravou aquilo que vimos nascer como projeto: o desmonte das políticas públicas de superação da pobreza. O preço é sempre pago pelos empobrecidos e empobrecidas.

Aos poucos, as pessoas tornam a ocupar as ruas e os espaços públicos, depois de longo tempo de restrições, por causa das tentativas de contenção da circulação do vírus que já dizimou mais de 600 mil brasileiros e brasileiras - a considerar os casos subnotificados.

Voltar às ruas tem sido um deparar-se constante com situações de empobrecimento: o número cada vez mais crescente de pessoas em situação de rua, o expressivo número de pessoas na mendicância, uma quantidade assustadora de crianças vendendo balas. A fome é absoluta; quem é capaz de relativizá-la já está morto por dentro. É cruel viver num país cujas elites gozam com tal realidade, e que celebram um ministro da economia, visto como verdadeiro salvador, mas que explicitamente odeia pobres e tem por eles nítido desprezo.

Há milhares de pessoas organizadas e se organizando para atuar na emergência de suprir a fome de outras tantas. Instituições, religiosas ou não, mobilizando a arrecadação de alimentos. Movimentos sociais, tal como o dos Trabalhadores Sem Terra, distribuindo toneladas mais toneladas de alimentos orgânicos, para saciar a fome de quem é desassistido por um Estado pautado pela política da morte. Essa é uma atuação fundamental e urgente: quando alguém tem fome, é preciso saciá-la.

Fala-se tanto em não dar o peixe, mas a ensinar a pescar, quando, na realidade, rouba-se o direito de que os empobrecidos e empobrecidas tenham sequer a vara ou a tarrafa, quiçá o peixe. Mais das vezes, os poderosos matam inclusive os rios - em nosso país, infelizmente, essa é uma verdade literal.

O Estado é mínimo para quem nunca teve nada. É preciso que não nos calemos diante disso. É preciso denunciar a política de morte que se apodera do nosso país. A urgência do tempo nos impele ao movimento de socorrer quem é agredido e violado pela fome. Mas é preciso mais: urge que atuemos para a transformação das consciências, para a politização de nossas relações, para a denúncia profética dos agentes de morte. Esse é um imperativo ético fundamental para pessoas religiosas, ou não; às religiosas, no entanto, tal imperativo é definidor da estatura e da verdade da fé.

Se a realidade da fome, que não é casual mas projeto, não nos choca, não faz que nos condoamos em misericórdia, precisamos perguntar a respeito de nossa humanidade. Aos cristãos e cristãs, sobretudo, que se orgulham de serem maioria confessional em nosso país, a interpelação precisa ser ainda mais bruta, porque diz respeito à própria vida de Jesus Cristo, que julgamos ainda ter alguma relação com o cristianismo, ainda.

Nosso Dom Especial da semana é uma interpelação ética, voltada sobretudo aos cristãos e cristãs: não é possível a relativização ou a espiritualização da fome. Movamo-nos, tal como o coração de Deus se move em nosso favor!

No primeiro artigo, Opção pelos pobres como caráter ético da fé, César Thiago Alves traz ao olhar o núcleo central do evangelho de Jesus que, ou é assumido pela sua Igreja, ou ela não tem razão de ser. Fabrício Veliq, no artigo Neopentecostalismo e pobreza, ressalta a incongruência entre uma religiosidade dita cristã, marcadamente forjada na lógica do mercado, e a ética nascida do Evangelho de Jesus Cristo. Por fim, Rodrigo Ferreira da Costa reflete, no artigo Os desafios de uma Igreja pobre e para os pobres, as urgências da conversão pastoral do cristianismo a fim de efetivar a missão evangélica em nossa história contemporânea, em fidelidade ao seguimento de Jesus e de seu Reino.

Boa interpelação!

*Felipe Magalhães Francisco é teólogo e professor. Coordena os especiais de religião deste portal. É co-autor do livro Teologia no século 21: novos contextos e fronteiras (Saber Criativo, 2020). E-mail: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com.

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NESTA TERÇA-FEIRA, DIA 21 DE SETEMBRO, ÀS 20, PASCOM BRASIL REALIZA LIVE COM O TEMA: “CELEBRAR A PALAVRA DE DEUS”


A Pascom Brasil promove mais uma temporada da Conexão Pascom, com quatro formações on-line no segundo semestre de 2021. Em cada mês, será abordado um eixo da Pastoral da Comunicação, com o objetivo de aprofundar o conhecimento e melhorar a prática pastoral nas comunidades, paróquias e dioceses.

Nesta terça-feira, 21 de setembro, às 20h, acontece a live do Eixo da Formação com o tema: “Celebrar a Palavra de Deus”. A condução será feita pelo bispo de Juína (MT) e membro da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Neri José Tondello.

Metodologia e ambientação

A live trabalhará a a partir da metodologia orante da Palavra de Deus.. Cada participante é convidado a preparar, em sua casa e em seu ambiente, um altar com a bíblia participar por meio do roteiro que será disponibilizado previamente. As inscrições são gratuítas e a live acontece pela plataforma Zoom. As inscrições podem ser feitas neste link: inscrições. A Pascom Brasíl tem o apoio da Paulus Editora e Cia Ticket. Confira, abaixo, as próximas datas:
Próximas datas:

19/10, 20h – EIXO DA ARTICULAÇÃO

Tema: Trabalhar em equipe e com as demais equipes pastorais (Painel de experiências)

16/11, 20h – EIXO DA PRODUÇÃO

Tema: Produzir além das mídias: onde queremos chegar com a nossa produção? A quem queremos atingir?

CNBB
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domingo, 19 de setembro de 2021

CENTENÁRIO DE PAULO FREIRE: POR QUE CELEBRAR O LEGADO DO EDUCADOR?

As ideias de Paulo Freire continuam válidas não só porque precisamos ainda de mais democracia, mas porque os sistemas educacionais encontram-se frente a novos e grandes desafios

Paulo Freire deu uma grande contribuição à educação para a justiça social e à concepção dialética da educação. (Arte: Instituto Paulo Freire)

Moacir Gadotti*

Desde o ano passado, celebrações em torno dos cem anos de Paulo Freire estão sendo realizadas em diferentes partes do mundo. Alguns poderiam perguntar: por que celebrar o centenário de Paulo Freire? A pergunta procede, pois ele não gostava de homenagens. Costumava dizer, quando recebia homenagens, e foram muitas, que as recebia porque tinha certeza de que elas só aconteciam em função das causas que defendia.

Ele deixou marcas profundas em muitas pessoas e profissionais de diferentes áreas. Não apenas pelas suas ideias, mas, sobretudo, pelo seu compromisso ético-político. Entretanto, não deixou discípulos como seguidores de ideias. Deixou mais do que isso. Deixou um espírito. “Para me seguir não devem me seguir”, dizia ele. Pedagogia do Oprimido teve grande repercussão porque expressava o que muita gente já tinha em mente em seus sonhos e utopias, um mundo de iguais e diferentes, e ressoou nos mais diversos ambientes. Sua filosofia educacional cruzou as fronteiras das disciplinas, das ciências e das artes para além da América Latina, criando raízes nos mais variados solos.

Confira:

Para nós, do Instituto Paulo Freire, ele continua sendo a grande referência de uma educação como prática da liberdade e de uma educação popular. Muitas das mensagens recebidas no Instituto Paulo Freire, em São Paulo, logo depois do dia 2 de maio de 1997, data de seu falecimento, dizem textualmente: “Minha vida não seria a mesma se eu não tivesse lido a obra de Paulo Freire”; “O que ele escreveu ficará no meu coração e na minha mente”. Essas mensagens revelaram o impacto na vida de tantas pessoas de muitas partes do mundo.

Não há dúvida de que Paulo Freire deu uma grande contribuição à educação para a justiça social e à concepção dialética da educação. A pedagogia autoritária e seus teóricos combatem suas ideias justamente pelo seu caráter emancipatório e dialético. Seja como for, aceitemos ou não as suas contribuições pedagógicas, ele constitui um marco decisivo na história do pensamento pedagógico mundial.

As ideias de Paulo Freire continuam válidas não só porque precisamos ainda de mais democracia, mais cidadania e de mais justiça social, mas porque a escola e os sistemas educacionais encontram-se, hoje, frente a novos e grandes desafios. E ele tem muito a contribuir para a reinvenção da educação atual. Essa reinvenção da educação passa pela recuperação dos educadores como agentes e sujeitos do processo de ensino-aprendizagem e da prática educativa. A reinvenção da educação só pode ser obra de um esforço coletivo, colaborativo, plural, não sectário, pensando numa transição gradual para outras formas de conceber os sistemas educacionais, seu planejamento, sua gestão e monitoramento, seus parâmetros curriculares, se quisermos dar uma contribuição significativa para a construção de novas políticas públicas de educação.

Paulo Freire defendia o saber científico sem desprezar a validade do saber popular, do saber primeiro. Dizia que não podemos mudar a história sem conhecimentos, mas que tínhamos que educar o conhecimento para colocá-lo a serviço da transformação social. Educar o conhecimento pelo entendimento da politicidade do conhecimento; entender o sentido histórico e político do conhecimento.

A utopia é uma categoria central do pensamento de Paulo Freire. Por isso, ele se opôs diametralmente à educação neoliberal, pois o neoliberalismo “recusa o sonho e a utopia”, como afirma na sua Pedagogia da Autonomia. O neoliberalismo não só recusa o sonho e a utopia. Ele também recusa o saber dos docentes, reduzindo-os a meros repassadores de informações como máquinas de reprodução social, excluindo-os de qualquer participação no debate sobre os fins da educação. A educação neoliberal não se pergunta sobre as finalidades da educação, investindo toda a energia nos meios e, particularmente, na eficácia e na rentabilidade, quantificadas milimetricamente por um certo tipo de avaliação. Sabemos avaliar com perfeição, sem nos perguntar sobre o que estamos avaliando.

Para essa concepção de educação, os docentes não têm conhecimento científico; seu saber é inútil. Por isso, não precisam ser consultados. Eles só precisam conhecer receitas sem se perguntar por que ensinam isto e não aquilo. Eles só servem para aplicar novas tecnologias: a sala de aula perde sua centralidade e a relação professor-aluno entra em declínio em favor da relação aluno-computador.

Portanto, há razões para celebrar o centenário de Paulo Freire.

E, como nossa celebração não é uma pura homenagem, nossa proposta de celebração do centenário de Paulo Freire é, também, um convite para um compromisso com uma causa. Nossas celebrações têm um sentido estruturante, um sentido propositivo e prospectivo. Para nós, celebrar não é esperar que o amanhã chegue a nós. É fazer, desde já, o amanhã que desejamos ver realizado. Não é pura espera. É esperançar. Entendemos o centenário de Paulo Freire como um espaço-tempo de articulações, como um processo formativo e de mobilização com vistas à transformação da realidade.

A práxis de Paulo Freire opôs-se ao neoliberalismo e hoje, ao celebrar o centenário, estamos também nos contrapondo à ofensiva ideológica neoconservadora e fortalecendo o pensamento crítico freireano, promovendo ações e projetos alternativos à mercantilização da educação.

Para nós, celebrar Paulo Freire é lutar para democratizar a escola e educar para e pela cidadania. Trata-se, portanto, de lutar por uma escola que forme o povo soberano, o povo que pode mudar o rumo da história, uma escola transformadora, uma escola que emancipa. Paulo Freire nos dizia que essa escola, a escola cidadã, era uma escola de companheiro, de comunidade, que vive a experiência tensa da democracia.

Por isso, saudamos com muito entusiasmo essas celebrações em torno do centenário de Freire. O que se destaca nelas é a defesa da educação pública e popular e a luta contra o neoliberalismo e a mercantilização da educação.

Em tempos como o que estamos vivendo hoje, de retrocessos sociais e políticos e de um neoconservadorismo crescente, precisamos de referenciais como os de Paulo Freire, para nos ajudar a encontrar o melhor caminho de resistência e luta nessa travessia.

Nossa resposta a esses tempos obscuros é celebrar Freire.

* Moacir Gadotti éprofessor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo e presidente de honra do Instituto Paulo Freire. Artigo publicado pelo Jornal da USP, 17-09-2021. 

Domtotal
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sábado, 18 de setembro de 2021

UMA CRIANÇA NA CÁTEDRA DA VIDA

“Chamou uma criança, colocou-a no meio deles, e abraçando-a...” (Mc 9,36)
O relato evangélico deste domingo nos situa no começo do caminho que levará Jesus a Jerusalém. Neste momento de sua vida, ele tem consciência que as forças que se opõem à sua proposta de vida são muito fortes e não vão desistir em seu objetivo de esvaziar tal iniciativa. Jesus sente que sua vida começa a estar em perigo, mas não vai ceder em seu empenho por revelar e oferecer o amor e a justiça bondosa de Deus aos pequenos desta terra.
Jesus se tornou um sinal de contradição porque permaneceu absolutamente fiel a uma mensagem, a um modo de agir e a uma missão que havia recebido do Pai e que devia realizar com critérios e opções coerentes com o conteúdo do seu Evangelho.
Ele se deu conta de que avançar em seu projeto lhe custaria a vida. Em sua instrução ao grupo de seguidores, antecipa que o poder condená-lo-á à morte. Revela, portanto, o fato de “perder a vida” como conseqüência inevitável por viver a coerência evangélica até o extremo. As circunstâncias mostravam, com evidência, que a hostilidade do poder para com Jesus se intensificava. Por isso, começa a prevenir seus seguidores de que sua prática em favor da justiça implicava um enorme risco. 
Os evangelistas sinóticos expressam esta consciência de Jesus através dos anúncios da paixão. Eles revelam que Jesus é realista ao explicitar as consequências de suas opões. Esta consciência o leva a dedicar-se com mais intensidade na formação de sua comunidade de seguidores para fortalecer suas certezas e opções e, no caso de que Ele morra, possa seguir adiante, comprometidos com a causa do Reino.
Marcos expressa com claridade que os discípulos não captam a força das palavras de Jesus e tem medo de que todas as suas expectativas venham abaixo e se obscureça o horizonte que os tinha seduzido pelos caminhos da Galiléia. Eles estão longe de compreender os critérios do Reino e continuam apegados a seus ideais de êxito e poder.
Ao chegar em casa, em Cafarnaum, Jesus reúne os doze para questionar suas pretensões de poder e honra. Mais uma vez, o profeta da Galiléia quebra as expectativas de seus discípulos e lhes propõe como critério de grandeza o serviço, e como critério de honra o cuidado dos pequenos e frágeis. Sua nova comunidade não pode se pautar pela busca do prestígio, do poder, da imposição, do mando...
Deste modo, Jesus coloca o serviço e a gratuidade em um lugar central nas relações dentro da nova comunidade. Com sua típica linguagem provocadora, Ele nos ensina a imaginar um mundo diferente. A partir de sua original experiência de Deus, situa tudo em outro horizonte, descobre novas possibilidades e introduz uma lógica alternativa, a da gratuidade, do esvaziamento do próprio interesse e de um deslocamento em direção aos últimos e mais frágeis. 
Há algo na identidade de Jesus que chama a atenção de todos nós: sua liberdade diante de toda expressão de poder, seja no campo religioso, social e nas relações entre as pessoas. Ele tem consciência que a busca de “poder” é o pecado de morte, pois onde impera o poder ali se visibilizam toda manifestação de violência, competição, ruptura das relações, desmandos...  Para o Mestre de Nazaré, nenhum poder, muito menos o religioso, pode ser mediação de salvação e de libertação do ser humano.
Jesus compreendeu perfeitamente que a opressão mais forte, sofrida por seu povo, não era só a opressão política e econômica de Roma, mas a opressão religiosa dos dirigentes e líderes de Israel. Estes estavam dispostos a tudo para continuar exercendo um poder ao qual não desejavam renunciar.
De fato, havia uma estrutura social, política, econômica, ideológica, religiosa... resistente e fechada a qualquer plano que colocasse em perigo sua continuidade. Tal sistema respondia com hostilidade porque detectava o perigo que Jesus e sua proposta de vida representavam para ele. 
Constata-se, então, o "escândalo" que a palavra e o modo de agir de Jesus provocavam em torno dele; tal escândalo procedia da sua extraordinária "autoridade". Esta expressão, presente nos evangelhos, não é fácil de ser traduzida em português. A palavra grega é "exousia" que, literalmente, refere-se ao que "provém do ser" que se é. Não se trata de algo exterior ou forçado, mas de uma atitude que emana de dentro e que se impõe por si só. “Ousia” designa o que se é ou se tem. “Ex” indica procedência, “de”. A exousia é a autoridade que sai de dentro. Por isso a autoridade de Jesus não tem nada a ver com o poder que se impõe ou a liderança que arrasta. Jesus esvazia-se de todo poder; Ele tem autoridade: “ensinava-lhes com autoridade e não como os escribas”.
autoridade de Jesus é uma autoridade sem poder coercitivo. Trata-se de uma autoridade moral. É a autoridade da verdade, da autenticidade, da exemplaridade. Em suas palavras e ações, Jesus deixa transparecer uma profunda experiência de Deus e isto lhe confere uma grande liberdade e explica sua autoridade. Por isso, não se pode explicar Jesus, sua vida e sua forma de agir, sem recorrer à sua experiência de intimidade com o Pai.
Sabemos que o poder foi a grande tentação dos discípulos de Jesus e dos seus seguidores ao longo da história da Igreja. Jesus, com seu “ensinamento” e seus gestos, quebra a estrutura da centralidade do poder narcisistasua atitude é humanizadora e propõe o caminho da “descida compassiva” como a marca distintiva dos seus seguidores; Ele parte da realidade humana mais frágil e excluída, e ensina o segredo para se construir uma comunidade diferenciada: a acolhida e o serviço mútuo em lugar de e em vez de “hierarquias” rígidas e distantes que envenenam as relações interpessoais. Para Jesus, não é o poder que deve ocupar o centro, mas a criança, despojada de todo poder.
Por isso, para quebrar a pretensão de poder e prestígio do seu grupo de seguidores, Jesus realiza um gesto de forte impacto: coloca uma criança no centro do grupo e a abraça. Os discípulos discutiam sobre esse “centro”, mas agora descobrem que ele está ocupado por uma criança a quem Jesus coloca de pé: esta é a nova “cátedra” a partir da qual ela ensina os(as) seguidores(as) d’Ele.
Na nova comunidade, fundada por Jesus, há uma “inversão pedagógica”: são as crianças que nos ensinam e nos conduzem, e, com um olhar assombrado, nos fazem arregalar os olhos e “ver” coisas que nunca vimos. São elas que nos fazem ver a “eterna novidade do mundo” (Fernando Pessoa).
O profeta Isaías, numa curta e maravilhosa frase, resumiu essa situação: “... e uma criança pequena os guiará” (Is. 11,6). Os grandes aprendendo dos pequenos; os adultos sendo ensinados pelas crianças.
Agora Jesus nos revela que é a criança que vai mostrando o caminho. Aquilo que os adultos esqueceram e que a sabedoria busca, as crianças sabem.
Os sábios sabem que existe uma progressiva cegueira das coisas à medida que o seu conhecimento cresce.
Recuperar a “sapientia” é preparar o caminho para a volta da criança, abafada em nosso interior.
Os adultos, para se salvar, deveriam rezar diariamente a reza mais sábia de todas:
“Meu Deus, me dá cinco anos, me dá a mão, me cura de ser grande...” (Adélia Prado).
Texto bíblico:  Mc 9,30-37
Na oração: O exercício do poder se expressa nas atitudes de dominar, manipular, subjugar e definir tudo segundo os próprios critérios. A perversidade do coração humano encontra no exercício do poder o campo mais propício para a revela­ção de suas mazelas, violências e vaidades. E isso no campo político, religioso, nas relações entre as pessoas...
- Faça uma leitura orante de seu cotidiano e verifique se, sorrateiramente, o “veneno do poder” encontra modos de expressar “disfarçados”, petrificando seu coração, impedindo a vida de desabrochar e a criatividade de se expandir.  
Pe. Adroaldo Palaoro sj
 Fonte: centro loyola.org.br

 

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NOSSA MISSÃO COMUM É PROTEGER OS FILHOS DE DEUS: MENSAGEM DO PAPA À CONFERÊNCIA DE VARSÓVIA

Reconhecer nossos erros e nossos fracassos pode nos fazer sentir vulneráveis e frágeis, com certeza. Mas também pode  ser um tempo de graça esplêndida, um tempo  de esvaziamento, que abre novos horizontes de amor  e serviço recíproco

O Papa Francisco enviou neste sábado uma mensagem em vídeo à Conferência internacional sobre a proteção de menores e adultos vulneráveis ​​para as Igrejas da Europa Central e Oriental que se realiza na Polônia de 19 a 22 de setembro. Organizado pela Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores e pela Conferência Episcopal da Polônia, o encontro contará com a participação de representantes de episcopados, ordens religiosas e profissionais leigos de 20 países.
Gabriela Ceraso – Cidade do Vaticano
A crise dos abusos sexuais perpetrados por membros da Igreja é um “transtorno muito grave" para a qual se buscam respostas adequadas a partir da escuta humilde das vítimas, da procura da verdade e do pedido de perdão.
O Papa retoma deste compromisso e do caminho que dele derivou por anos, a mensagem que dirige neste sábado àqueles que se preparam para participar, de 19 a 22 de setembro, em Varsóvia, da Conferência Internacional sobre a Proteção dos Menores e de Adultos Vulneráveis ​​para as Igrejas da Europa Central e Oriental. A mensagem em vídeo será apresentada na abertura dos trabalhos.
Organizada pela Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores e pela Conferência Episcopal polonesa, o encontro reunirá bispos, sacerdotes, superiores de congregações religiosas masculinas e femininas, psicoterapeutas e especialistas leigos para discutir o tema "Nossa missão comum de proteger os filhos de Deus."
Somente a verdade e o perdão restabelecem a confiança
 
Vocês não são os primeiros a dar "esses passos necessários" e é "improvável" que sejam os últimos "nestes tempos difíceis", mas certamente "vocês não estarão sozinhos”. Ao assegurar sua proximidade aos trabalhos que terão início neste domingo, 19, o Papa reitera a prioridade no caminho de reação à chaga dos abusos, que já havia emergido em Roma na Cúpula dos líderes das Conferências Episcopais do mundo em fevereiro de 2019.
Francisco cita o discurso de dois anos atrás e o encorajamento então expressado de que "o bem das vítimas" não seja colocado de lado em favor da mal-entendida preocupação pela reputação da Igreja como instituição. Pelo contrário - diz hoje o Papa - só enfrentando a verdade destes comportamentos cruéis e buscando humildemente o perdão das vítimas e sobreviventes, a Igreja poderá encontrar o seu caminho para ser novamente considerada com confiança um lugar de acolhimento e segurança para os necessitados”.
Uma reforma concreta que ouça o apelo das vítimas
 
O abuso de menores nos círculos eclesiásticos em todo o mundo lançou uma sombra sobre a coerência e a sinceridade da Igreja, e para recuperar isso são necessárias expressões de contrição que se transformem em um “caminho de reforma” em termos de prevenção e de certeza de uma mudança real e confiável”. Neste sentido, o reiterado apelo à Conferência de Varsóvia.
Encorajo-vos a ouvir o apelo das vítimas e a comprometer-vos, uns com os outros e com a sociedade em sentido mais amplo, nestas importantes discussões, visto que afetam realmente o futuro da Igreja na Europa Central e Oriental, não somente o futuro da Igreja, também o coração do cristão, toque nossa responsabilidade.
Erros e fracassos podem abrir novos horizontes
 
O que aconteceu certamente representa um erro e um fracasso, mas não só. Na mensagem em vídeo, o Papa destaca que “reconhecer nossos erros e nossos fracassos pode nos fazer sentir vulneráveis ​​e frágeis, é certo. Mas também pode representar um tempo de graça esplêndida, um tempo de esvaziamento, que abre novos horizontes de amor e serviço mútuo."
Ser humildes instrumentos do Senhor
 
Se reconhecermos nossos erros, não teremos nada a temer, porque será o próprio Senhor quem nos terá conduzido até aquele ponto.
Por fim, citando a frase de Abraham Lincoln, décimo sexto presidente dos Estados Unidos da América - 'Sem malícia para com ninguém e com caridade para com todos -, o Papa indica a atitude com a qual trabalhar juntos, bispos, religiosos, leigos e vítimas para enfrentar os "desafios comuns":
Exorto-vos a serem humildes instrumentos do Senhor, a serviço das vítimas de abusos, vendo-as como companheiras e protagonistas de um futuro comum, aprendendo uns com os outros a se tornar mais fiéis e resilientes para que, juntos, possamos enfrentar os desafios futuros. 
Fonte: Vatican News

 


 

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