quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

DOM WALMOR: ESTAMOS VIVENDO O CRESCIMENTO DE UM “CRISTIANISMO TORTO”


O arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo, declarou em entrevista à Rádio Vaticano-Vatican News que “um cristianismo que se baseia na teologia da prosperidade é um cristianismo torto”. Na última semana, quando esteve em Roma para atividades ligadas à Congregação para a Doutrina da Fé, da qual é membro, e também atinentes ao ofício na Conferência Episcopal, dom Walmor conversou com o jornalista Silvonei José e repercutiu uma matéria de um jornal italiano que trata do crescimento do pentecostalismo na América Latina, em especial no Brasil.

Ao analisar as razões do crescimento do pentecostalismo no país, dom Walmor afirmou que a Igreja no Brasil está atenta ao movimento definido por ele como “pentecostalização” e “protestantização” do povo.

O presidente da CNBB afirmou que essa mudança no cristianismo brasileiro já vem acontecendo ao longo das últimas décadas, mas se acentuou nos anos passados. Para dom Walmor, essa transformação cultural e religiosa está sendo bem explorada e estudada, inclusive pela própria CNBB. “São muitos estudos e muitas pesquisas sérias, mas muitas vezes também afirmações que são precipitadas e que merecem análise mais profunda”, disse o arcebispo.

Dom Walmor confirmou que enxerga um movimento de trânsito de migração de fiéis para as igrejas pentecostais e evangélicas. Apesar disso, completa ele, existem muitas pessoas que fazem o caminho da ida e depois de retorno para o catolicismo, além daquelas que fazem o trânsito inverso, vindo de igrejas pentecostais para a Igreja Católica. “A preocupação não é só simplesmente na perspectiva do número. Nós queremos que o Brasil seja cristão, católico de modo especial”, afirmou o presidente da CNBB.

Cristianismo torto

O arcebispo observou que acontece um crescimento pentecostal, especialmente no Brasil, “a partir de um cristianismo torto” e que “é preciso propor um cristianismo na sua autenticidade”.

“Um cristianismo que se baseia na teologia da prosperidade é um cristianismo torto. Um cristianismo que não se baseia na solidariedade universal e na fraternidade é um cristianismo torto. Um cristianismo que não olha a experiência profunda de se debruçar sobre os pobres e sofredores, é torto. Um cristianismo que não projeta luzes numa reorganização da sociedade é torto. Um cristianismo que também não devolve esperança e alegria de viver numa fé profunda é torto”, definiu ele.

Além disso, para o presidente da Conferência, o principal ideal para o futuro da Igreja Católica no Brasil é “uma mudança de mentalidade, de jeito de ser, de dinâmica missionária. E, sobretudo, do modo de ser na experiência de fé daqueles que são missionários e missionárias” completou.

Fé como experiência

“O grande desafio é exatamente propor uma fé como experiência”, disse dom Walmor sobre o trabalho que precisa ser desenvolvido já neste momento. “Não apenas a organização que precisa ser perfeita. Não apenas a gestão que precisa ser de qualidade. Mas também é necessária uma promoção na rede de comunidades, na vida de todas as nossas igrejas particulares, no modo de ser de cada ministro”, destacou.

“Queremos que muitos vivam a experiência da fé cristã-católica, por sabermos da sua riqueza e da sua importância. Este é o grande trabalho que temos que fazer”, disse o presidente da CNBB. O arcebispo completou que a Igreja no Brasil deve “oferecer uma experiência de ser católico, que seja autêntica, que toque o coração, que responda às demandas das pessoas”. 

CNBB
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terça-feira, 25 de janeiro de 2022

PERSPECTIVAS PASTORAIS 2022: PASTORAL DA CRIANÇA VAI FOCAR EM SUA MISSÃO FUNDACIONAL E INOVAÇÃO


A inspiração bíblica da missão da Pastoral da Criança é também uma frase que a doutora Zilda Arns sempre repetia: “eu vim para que todas as crianças tenham vida e vida em abundância”, Jo 10, 10. Quem teve a feliz oportunidade de conviver com ela ouviu muitas vezes também sobre a importância da linda missão pela promoção e o desenvolvimento das crianças, gestantes e suas famílias.

O bispo de Pinheiro (MA) e presidente da Pastoral da Criança, dom Elio Rama, ao final da 27ª Assembleia Geral da Pastoral da Criança, realizada nos dias 18 e 19 de janeiro de 2021, reforçou que o foco da missão em 2022 deve ser o “retorno e o reforço ao carisma fundacional da doutora Zilda e a inovação”.

Para nortear o seus eixos de atuação em 2022, a Pastoral da Criança também realizou pesquisa qualitativa em três dioceses de distintas regiões brasileiras com foco de reflexão sobre o momento atual e a atuação da Pastoral da Criança com as famílias acompanhadas e líderes.

Intitulada “Mães, Líderes e a Pastoral da Criança em Tempos de Pandemia: Um Estudo Qualitativo em Três Municípios Brasileiros”, a pesquisa, coordenada pelo professor e doutor Juraci Cesar, pós-doutor em Saúde Pública e pesquisador da Universidade de Rio Grande do Sul, apontou diversas questões importantes:
Muitos líderes definiram a Pastoral da Criança com o mesmo significado, por exemplo: “Família”, “Amor ao próximo”, demonstrando a interação entre os líderes da Pastoral da Criança e as mães;
Foram ouvidas frases tais como: “A líder é como se fosse uma outra mãe pra gente”, “É a família que eu não tenho… que eu nunca tive!”;
Foi percebido que, durante a pandemia, o principal motivo de procura pela líder foi por doença [quase sempre da criança] e, depois, ajuda com alimentação.

Essas necessidades relatadas pelas mães mostraram que o/a líder da Pastoral da Criança é a pessoa de maior resolutividade que a mãe tem acesso e a que vive o mais próximo dela, por isso fica difícil não ajudar – sendo ou não sua função dentro da missão. A mãe pede o que precisa e a líder, de um jeito ou de outro, ajuda como pode. E isso claramente reforça a relação entre elas (líderes e mães). A pesquisa aponta ainda que o significado da Pastoral da Criança varia entre as mães e líderes, mas ele é sempre muito preciso: a Pastoral é “suporte”, “solidariedade”, “mão amiga”.

Dentre todos os relatos feitos pelas mães sobre a Pastoral da Criança, dois deles merecem destaque pela importância da fala, pela força com que disseram e pela gratidão manifestada: “Não fosse ela [a Pastoral], teria dado os meus filhos” ou “A Pastoral me ensinou a gostar de criança… a gostar dos meus próprios filhos”. Para mães e líderes, a Pastoral é muito mais do que a oferta de cuidados, é um rumo na vida delas e na de suas famílias.

Segundo a pesquisa, que ainda não tem dados consolidados e por isso não foi divulgada em sua plenitude, “as líderes não se deram conta que, ao assumir os mais pobres por abandono deste governo, atuam em uma outra seara e atendem as famílias nas necessidades apresentadas. Daquilo que não resolvem, encaminham. E parecem não se dar conta de que estão mudando a Pastoral da Criança”, ressalta o professor Juraci.

Para o doutor em sáude, em 2022, entidades que lidam com desigualdade, ciência, políticas públicas, educação, saúde etc., assim como é a Pastoral da Criança, precisam se reinventar. A Pastoral da Criança, no entanto, deve ter a certeza que as soluções estão aonde a entidade atua. Afinal, quem acabou com a desnutrição e reduziu a mortalidade infantil? O momento é de buscar soluções para passar por este momento e redefinir sua atuação. Afinal, só faz bem feito quem tem o nome e a atuação que a Pastoral da Criança tem há quase 40 anos.

Prioridades 2022

Frente a estes desafios, a Pastoral da Criança assumiu como prioridades para 2022:
Aumentar a cobertura da Pastoral da Criança. São muito poucas as crianças e gestantes acompanhadas (400.000) perto dos milhões de crianças e gestantes que poderiam ser beneficiadas por esta ação da Igreja.
Aumentar a articulação com as diversas redes, serviços públicos ou não, que podem ajudar as famílias mais necessitadas e que, por vezes, não direcionam suas ações a quem realmente mais precisa, no momento mais adequado.
Capacitar ainda mais nossos líderes nas ações preventivas.
Disponibilizar nossos materiais para as mães, pais, avós, padrinhos e outros responsáveis pelas crianças criando autonomia das famílias e empoderando-as para que se tornem agentes de sua própria transformação.
Inovar e aumentar o uso das tecnologias já disponíveis, em especial o Aplicativo da Pastoral da Criança
praticar o controle social das políticas públicas especialmente nos serviços mais básicos, que são os que mais tem capacidade de diminuir a desigualdade social.

Para melhorar ainda mais este trabalho, a Pastoral da Criança também desenvolveu o aplicativo Visita Domiciliar e Nutrição, que, além de auxiliar nosso voluntariado no acompanhamento às famílias, também possui um módulo de comunicação entre os voluntários, as famílias acompanhadas, coordenadores e capacitadores. Com isso, são mais pessoas recebendo a melhor e mais relevante informação possível e com celeridade.

A dedicação dos voluntários da Pastoral da Criança ajuda a produzir no Brasil uma mudança de mentalidade sobre os cuidados com a criança. As comunidades descobriram a sua força transformadora. Milhares de pessoas se sentem valorizadas onde vivem, sabem dialogar, assumem compromissos para melhorar a realidade em que vivem, fazem história e contribuem para a continuidade da história e a construção de uma sociedade de paz e solidariedade.

A Pastoral da Criança
A Pastoral da Criança atua em todo o Brasil, acompanhando mais 360 mil crianças, mais de 18 mil gestantes e suas famílias, zelando pelo cuidado desde o nascimento e durante toda a primeira infância. Para que isso aconteça, mais de 42 mil voluntários estão mobilizados, sendo 33 mil líderes. Juntos, eles levam a missão Pastoral da Criança para mais de 2.600 municípios ,em mais de 16 mil comunidades.*meninas juntas em comunidade no brasil

Além disso, está presente em outros 11 países da América Latina, África e Ásia: Guiné-Bissau, Haiti, Peru, Filipinas, Moçambique, Bolívia, República Dominicana, Guatemala, Benin, Colômbia e Venezuela.

Nossa missão, desde 1983, é continuar sendo a presença do amor solidário de Deus neste mundo. Cada um de nós deve continuar o caminho de solidariedade, da partilha fraterna, da missão que nasce da fé em favor da vida, e que tem se multiplicado de comunidade em comunidade.

A presença dos líderes na casa e na vida das famílias mais pobres é a manifestação viva do amor de Deus para com os mais fragilizados, para com aqueles que mais necessitam da bondade e do carinho de Deus. Por isso, eles são a grande força que move a Pastoral da Criança.

Juntos, os líderes e voluntários realizam muito mais do que as importantes ações básicas e complementares. São, na prática, o exercício diário da solidariedade, da amizade e do amor ao próximo. Na convivência com a comunidade, além da partilha de conhecimento sobre saúde, nutrição, educação e cidadania, há doação de tempo, de escuta e a compreensão dos saberes dos outros, das diferenças e particularidades de cada local. Por vezes, os líderes e voluntários da Pastoral da Criança são os únicos que entram em casas de difícil acesso e constroem com as famílias uma relação de confiança que é levada para a vida toda. Em outros casos, chamam atenção das autoridades e fazem valer, junto com seus vizinhos, os direitos das crianças e gestantes daquela comunidade, ou para resolver uma situação de dificuldade. 

CNBB 
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PADRE LICIO: COMO TRABALHAR O LUTO NA CATEQUESE INFANTIL


Padre Licio: Como trabalhar o luto na Catequese Infantil

Perder alguém é como perder uma parte de nós próprios. Assim, qualquer perda que coloque em causa a rotina e a segurança, bem como outros fatores de luto que é acima de tudo, necessário e normal.

Padre Licio de Araújo Vale- Diocese de São Miguel Paulista (SP)

A dor é proporcional ao amor. A principal questão que se coloca quando falamos de luto, é se o luto é um processo normal. Partindo do princípio de que o ser humano cria ligações(afetivas) com significado profundo com outros (pessoas, animais, objetos, lugares) para sua existência emocional e bem-estar, a perda desses outros significativos provoca inegavelmente uma ruptura desse bem-estar e evoca a vulnerabilidade e fragilidade emocionais. Perder alguém é como perder uma parte de nós próprios. Assim, qualquer perda que coloque em causa a rotina e a segurança, bem como outros fatores de luto que é acima de tudo, necessário e normal.

Há quem possa achar estranho estarmos discutindo sobre como falar da morte com as crianças e ainda mais na catequese, se considerarmos que a morte faz parte da vida e o quanto a maioria de nós, tem dificuldades para lidar com ela, o tema já se torna pertinente. Ainda mais quando o assunto envolve crianças.

E o que faz da morte um assunto tão complicado? Nossa incompreensão. Ou talvez a nossa falta de fé. Por mais que digamos acreditar na vida eterna e num encontro final, a incerteza do que acontece depois, ainda nos assusta. Esse desconhecimento causa-nos temor. Por ser algo irreversível, preferimos fazer de conta que não existe. Ninguém precisa passar a vida falando e pensando na morte. Mas de vez em quando, ela aparece e alguém que amamos se vai ficando uma dor que demora a passar. A complexidade aumenta quando pensamos que vamos morrer, pois não conseguimos imaginar nossa própria finitude. O ser humano é criado com demasiado apego a coisas materiais e terrenas.

Perder pessoas não é um fato reservado só para os adultos. As crianças também as perdem. Sabendo da dor desses eventos, queremos poupá-las do sofrimento. Para isso, evitamos falar com elas sobre o assunto, mesmo que alguém que amem (até mesmo um animalzinho) tenha morrido. Levá-las ao velório está fora de cogitação. Confunde-se não saber com não sofrer.

Ora, não saber, não participar e não falar do fato é mais prejudicial para os pequenos. Quando não sabemos o que realmente aconteceu, imaginamos. E a imaginação é poderosa, tem asas que alcança voos altos e segue o rumo de nossas apreensões e emoções. Nada mais saudável que saber a verdade, por mais dura que possa ser, pois nos permite lidar com a realidade como ela é, sem armadilhas.

Padre Lício
Na catequese não vale enganar

Diante da morte de alguém do convívio da criança, muitos usam de desculpas do tipo: Vovô foi viajar. A criança não é tola, percebe que tem algo acontecendo. Sem contar que deve estar se sentindo abandonada e chateada com o avô que foi viajar e nem se despediu. Muitos pensam que a criança não é capaz de entender o que acontece ou de suportar emocionalmente a ideia da morte. É sim. E vivenciando tais situações poderá compreender melhor o que ocorre. A criança também tem luto e, para que ele aconteça de maneira saudável, é necessário que ela não seja excluída do processo. Não podemos tirar dela o direito de sofrer por quem partiu. E o grupo precisa acolhê-la, deixando que ela fale da perda, dos seus sentimentos.

Quando uma criança se encontra na situação de morte de alguém, deve-se dizer a verdade – que aquela pessoa morreu e não voltará mais (o primeiro passo para que o luto ocorra é aceitar o fato que o morto estará ausente definitivamente). As explicações devem seguir o curso de sua curiosidade. Algumas crianças farão muitas perguntas como, por exemplo, o que acontece depois da morte. O melhor é sermos francos e honestos. Se não soubermos o que responder, devemos dizer isso. Mesmo se temos em nós a crença religiosa da vida eterna, do céu, de algum lugar de esperança é preciso ter cuidado com o que se vai dizer às crianças. Sem supervalorizar o pós-morte. Alguns, para amenizar a tristeza, falam das maravilhas que vêm depois, tornando o morrer muito atraente. Corre-se o risco de a criança desejar estar onde a pessoa que morreu está.

Missão da Catequese

A catequese tem uma missão fundamental para orientar os catequizandos e a comunidade sobre o verdadeiro sentido da vida, da ressurreição e da eternidade. Quem perde o horizonte da ressurreição debate-se na vida cotidiana em busca de razões e angustia-se ao pensar que um dia deverá enfrentar a própria morte...e deixar tudo.

Penso que uma das missões importantes da catequese infantil é com métodos e pedagogia própria para idade, a ajudar a criança a Viver com esperança. A certeza de vida eterna faz com que os sonhos sejam grandes, os trabalhos com finalidade, o sofrimento com sentido e a luta diária com perspectiva de eternidade.

A Bíblia nos diz: “ Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (Jo 11,26).

A catequese precisa ser anunciadora de esperança. A vida tem sentido porque cremos na ressurreição e na vida eterna. A fé é a seta que aponta para o infinito. Não nascemos para o finito, o transitório e o perecível. Nascemos para a eternidade, para o “novo céu e a nova terra, onde não há mais choro nem lágrimas”.(À 21,4).

Sem esperança a vida não tem rumo, nem sentido e nem respostas. A fé na ressurreição e a certeza da vida eterna é fundamento da nossa esperança e a razão para desde a pré-catequese ajudarmos os nossos catequizandos a construirmos o Reino de Deus. 

Vatican News 
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PAPA CONVOCA UM DIA DE ORAÇÃO PELA PAZ NA UCRÂNIA


Tensão na fronteira entre Rússia e Ucrânia
Tensão na fronteira entre Rússia e Ucrânia
Tensão na fronteira entre Rússia e Ucrânia
Tensão na fronteira entre Rússia e Ucrânia

Francisco propôs que a próxima quarta-feira, 26 de janeiro, seja um dia de oração pela paz. “Faço um forte apelo a todas as pessoas de boa vontade, para que elevem orações a Deus onipotente, para que cada ação e iniciativa política esteja a serviço da fraternidade humana”, disse o Pontífice ao final da oração do Angelus deste domingo.

Bianca Fraccalvieri – Vatican News

O Papa voltou a manifestar a sua preocupação com as tensões na Ucrânia, “que ameaçam infligir um novo golpe à paz” no país, colocando em discussão a segurança da Europa.

“Faço um forte apelo a todas as pessoas de boa vontade, para que elevem orações a Deus onipotente, para que cada ação e iniciativa política esteja a serviço da fraternidade humana”, disse Francisco, recordando que quem persegue os próprios fins em detrimento dos demais despreza a própria vocação do homem, "porque todos fomos criados irmãos".

Diante deste cenário preocupante, o Pontífice então propôs que a próxima quarta-feira, 26 de janeiro, seja um dia de oração pela paz.

Diplomacia ativada

As crescentes tensões na fronteira entre Rússia e Ucrânia preocupam não só o Papa, mas toda a comunidade internacional. A diplomacia está multiplicando as reuniões e videoconferências para evitar uma agressão militar russa, que no momento nega qualquer possibilidade de uma medida militar real.

No entanto, há mais de 120.000 soldados russos já posicionados na fronteira ucraniana e no território do Donbass, onde, como em Kiev, os exercícios estão na ordem do dia. Também prossegue o fluxo de munições e instrutores militares dos países da OTAN. Um primeiro carregamento de armas, cerca de 90 toneladas, já chegou sob as ordens do presidente estadunidense Joe Biden.

A partir de segunda-feira, os ministros das Relações Exteriores dos 27 países da UE se reunirão por videoconferência com o Secretário de Estado norte-americano Blinken, que está retornando das negociações com Moscou em Genebra. Possíveis sanções em caso de invasão estão sendo consideradas. Também estão previstas conversações bilaterais entre o Reino Unido e a Rússia. 

Vatican News 
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segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

OUVIR O IRMÃO PARA OUVIR A DEUS: MENSAGEM DO PAPA PARA O DIA DAS COMUNICAÇÕES


Dia das Comunicações Sociais será celebrado em 29 de maio (Vatican Media)

“Escutar com o ouvido do coração” é o título da mensagem do Papa Francisco para o 56º Dia Mundial das Comunicações Sociais. No texto, o Pontífice analisa a dimensão na escuta em tempos de redes sociais e a sua importância no processo sinodal da Igreja.

Bianca Fraccalvieri – Vatican News

Foi divulgada esta segunda-feira, festa de São Francisco de Sales (padroeiro dos comunicadores), a mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, que este ano será celebrado em 29 de maio.

Depois de dedicar a mensagem precedente aos verbos “ir e ver”, o Papa escolheu outro verbo decisivo na gramática da comunicação: “escutar”. De que modo? Com o ouvido do coração.

A fé vem da escuta

O avanço da tecnologia comunicativa colocou à disposição podcasts e áudios em aplicativos, que demonstram que a escuta continua sendo essencial para a comunicação humana, condição para um autêntico diálogo. Entre os cinco sentidos, Deus parece privilegiar a audição. São Paulo dizia que “a fé vem da escuta”.

“A escuta corresponde ao estilo humilde de Deus”, escreve o Papa. É essa ação que permite que Deus se revele como Aquele que, ao falar, cria o homem à sua imagem, e ao ouvi-lo, o reconhece como seu interlocutor. “No fundo, ouvir é uma dimensão do amor”, mesmo se às vezes o homem tende a “tapar os ouvidos”.

“Existe de fato uma surdez interior, pior do que a física. Ouvir, com efeito, não diz respeito apenas ao sentido da audição, mas à pessoa toda.”

O verdadeiro órgão da audição, portanto, é o coração, ali sentimos o desejo de estar em relação com os outros e com o Outro. “Não somos feitos para viver como átomos, mas juntos.”

A escuta como condição da boa comunicação

Todavia, Francisco alerta para o oposto da ação de escutar, que é “espreitar”, “bisbilhotar”, sobretudo em tempos de redes sociais. Ao invés de nos escutarmos uns aos outros, “falamos uns sobre os outros”. Ao invés de procurarmos a verdade e o bem, procuramos o consenso, buscamos audiência. Estamos simplesmente à espera que a outra pessoa acabe de falar, a fim de impor o nosso ponto de vista.

“A boa comunicação, ao contrário, não procura impressionar o público com uma piada de impacto, com a finalidade de ridicularizar o interlocutor, mas presta atenção às razões do outro e procura compreender a complexidade da realidade. É triste quando, até na Igreja, se formam alinhamentos ideológicos, a escuta desaparece e dá lugar a uma oposição estéril.”

Na verdadeira comunicação, acrescenta o Papa, o “eu” e o “tu” estão ambos “em saída”, inclinados um para o outro. Portanto, a escuta é o primeiro ingrediente indispensável do diálogo e da boa comunicação. “Não há bom jornalismo sem a capacidade de ouvir.” Aliás, este é um dos aprendizados basilares do jornalista: ouvir várias fontes.
Os perigos da "infodemia"

Na Igreja, esse preceito se transforma em “ouvir várias vozes”, que permite exercer a arte do discernimento e se orientar numa sinfonia de vozes.

Francisco cita o cardeal Agostino Casaroli, que falava de “martírio da paciência” em seu trabalho como diplomata, necessário para ouvir e ser ouvido.

Para o Papa, a capacidade de ouvir é mais valiosa do que nunca. De fato, este tempo “ferido pela longa pandemia” levou à “infodemia”, isto é, ao grande fluxo de informações sobre um tema específico – neste caso sobre a Covid – nem sempre fundadas e críveis, gerando desconfiança na sociedade.

Outro exemplo citado pelo Pontífice sobre a “arte de ouvir” vem do desafio representado pela migração forçada. Ouvir as experiências dos migrantes significa dar um nome e uma história a cada um deles. “Ouçamos estas histórias!”, exclama Francisco, encorajando os jornalistas a contá-las.
O "apostolado do ouvido"

O Papa conclui a mensagem analisando a dimensão da escuta dentro da Igreja. “Quem não sabe escutar o irmão, em breve já não será capaz de ouvir nem sequer Deus.”

Na ação pastoral, a obra mais importante é o “apostolado do ouvido”, aponta Francisco. “Dar gratuitamente um pouco do seu tempo para ouvir as pessoas é o primeiro gesto de caridade.”

A dimensão da escuta é ainda mais essencial no processo sinodal há pouco iniciado. “Rezemos para que seja uma grande oportunidade de escuta recíproca.”

“Na consciência de que participamos numa comunhão que nos precede e nos inclui, possamos redescobrir uma Igreja sinfónica, na qual cada pessoa é capaz de cantar com a própria voz, acolhendo como um dom as dos outros, para manifestar a harmonia do conjunto que o Espírito Santo compõe.” 

Vatican News 
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MORREU O MESTRE BUDISTA DA PAZ E DA CONSCIÊNCIA ATENTA


Thich Nhat Hanh, mestre budista, celebrava 95 anos de vida. Foto © Duc

Era considerado um dos nomes do budismo mais influentes internacionalmente: Thich Nhat Hanh “morreu pacificamente” este sábado, 22 de janeiro, aos 95 anos, segundo anúncio feito pela comunidade a que pertencia.

Considerado um dos maiores mestres do budismo, este monge tinha regressado ao seu país natal há cerca de três anos, depois de quase 40 de exílio em França e encontrava-se no templo Tu Hieu, considerado o centro do budismo vietnamita, na cidade de Hue, onde faleceu.

O seu exílio foi a consequência da luta pacífica que travou para exigir o fim da guerra do Vietname. Em 1966, foi recebido em audiência pelo Papa Paulo VI, para o sensibilizar para a paz no seu país. E Martin Luther King, que Nhat Hanh apoiou, chegou a propor, no ano seguinte, o seu nome para Nobel da Paz.

Contudo, a sua forma de viver a religião de forma ativa começou ainda nos anos 50 do século passado. Durante esses anos, escreve este domingo, 23, The Washington Post, “ele desenvolveu o conceito de ‘budismo comprometido’, no qual os ensinamentos da sua fé poderiam ser usados ​​para promover práticas humanísticas na educação, saúde e política”. “As suas ideias não eram populares entre os monges budistas tradicionais, que normalmente se mantinham fora da vida pública e praticavam a sua fé em mosteiros”, observa aquele diário.

Na guerra, ele e os monges que o seguiram, assim como uma organização juvenil de caráter social e cívico que criou, ajudaram as populações, sem terem aderido a qualquer dos lados em luta. Um dia, tiveram de remar por um rio acima com atiradores de ambos os lados.

“Quando as bombas começam a cair sobre as pessoas, tu não podes ficar no espaço da meditação o tempo todo”, disse ele ao Los Angeles Times em 2010. “Meditação é sobre a consciência do que está a acontecer, não apenas com o teu corpo e sentimentos, mas também ao teu redor.”

A União Budista Portuguesa (UBP) evocou, em comunicado enviado ao 7 MARGENS, a morte de Thich Nhat Hanh, manifestando “reconhecimento pela vida deste Mestre”. A UBP partilhou também uma mensagem da comunidade de Plum Village, que o monge fundou e onde viveu, na qual se sublinha: “Quer o tenhamos encontrado em retiros, em conversas públicas, ou através dos seus livros e ensinamentos online – ou simplesmente através da história da sua incrível vida – podemos ver que Thay (Thich Nhat Hanh) tem sido um verdadeiro bodhisatva, uma imensa força de paz e cura no mundo.”

Dominando vários idiomas, Nhat Hanh orientou retiros e workshops em vários países ocidentais, trabalhando de forma aprofundada o conceito de mindfulness (característica e qualidade de quem está completamente atento aos, e focado nos, seus pensamentos, atos e ambientes, em cada momento). Muitas desses atividades resultaram dos (e deram origem aos) mais de cem livros que publicou. Entre estes, há vários publicados em Portugal por editoras como a Sextante, Presença, Pergaminho, Sinais de Fogo e, no Brasil, pelo menos uma dezenas de títulos na Vozes.

O caminho para atingir a mindfulness seria, segundo o monge, a respiração consciente (noutras alturas, acrescentava também a caminhada consciente).

Desde que teve um derrame, em 2014, Thich Nhat Hanh não conseguia falar e deslocava-se em cadeira de rodas.

No YouTube encontram-se vários vídeos de palestras e formações deste mestre budista. 

Fonte: setemargens.com
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CEFEP REALIZA A SEGUNDA ETAPA PRESENCIAL DA 8ª EDIÇÃO DO CURSO NACIONAL DE FORMAÇÃO POLÍTICA PARA CRISTÃOS LEIGOS


O Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara (CEFEP) realiza, de 16 a 29 de janeiro, a segunda etapa presencial da 8ª edição do Curso Nacional de Formação Política para Cristãos Leigos e Leigas. O curso é oferecido em parceria com a Coordenação Central de Ensino a Distância (CCEAD), da PUC Rio, e com a Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato da CNBB.

Neste Bloco IV, que corresponde à segunda etapa presencial, os alunos estão aprofundando as seguintes disciplinas e conteúdos: Cidadania e direitos humanos, nos últimos 50 anos, e a contribuição da Igreja neste processo, Alternativas e protagonistas – experiências educativas: Orçamento participativo e controle social, Conselhos Municipais de Direitos ou paritários, O trabalho e a economia solidária, Agroecologia e a economia sustentável, Agricultura familiar, Cultura de paz contra a Violência, Leitura da relação Fé e Política: no Vaticano II, nos documentos da Igreja na América Latina e no Brasil e Relatos e análise de experiências de Escolas locais de Fé e Política.

O curso tem duração de dois anos, sendo que duas partes presenciais acontecem sempre na segunda quinzena de janeiro. A primeira etapa presencial da 8ª edição aconteceu de 19 de janeiro a 1º de fevereiro de 2020, em Brasília, no Centro Cultural Missionário (CCM). Para essa turma foram registradas quarenta e oito inscrições, com presença de alunos de todas as regiões do país, com destaque para um maior número de presentes das regiões Norte e Nordeste.

Segundo o diretor do CEFEP, padre Paulo Adolfo, não foi possível realizar a segunda etapa presencial em 2021 por conta da pandemia. Neste período os alunos realizaram a disciplinas à distância. O curso, válido como uma especialização e extensão universitária, tem duração de 1 ano e meio, com uma apresentação do trabalho de conclusão ao final. A defesa do trabalho dos 29 alunos que continuam firmes no curso está prevista para março deste ano.
Participantes da 2ª etapa presencial da 8ª edição do Curso Nacional de Formação Política para Cristãos Leigos (as). Foto: CEFEP
Missão dos cristãos na Política e o bem comum

O curso tem o objetivo de “formar cristãos leigos(as) para a missão política, favorecendo-lhes a aquisição de competência e habilitação para agir como cristãos no complexo campo da Política, participando da construção de uma sociedade justa e solidária, à luz do Ensino Social da Igreja e das Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil”.

Segundo o diretor do CEFEP, padre Paulo Adolfo, são ainda objetivos a serem perseguidos pelo curso “contribuir com a formação de lideranças para as funções públicas, eletivas ou não, no campo da Política e das organizações comunitárias; aprimorar a prática política dos cristãos no exercício da cidadania e do bem comum; investir na formação do sujeito evangelizador para torná-lo apto a influenciar na construção de uma nova cultura política”.

Integram o programa do curso a elaboração de uma monografia, visitas programadas ao Congresso Nacional, ao Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), ao Departamento Intersindical Parlamentar (DIAP), entre outros.
Cursos do CEFEP previstos para 2022:

1) Curso de Planejamento de Campanha Eleitoral

É realizado em parceria com a Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato, a Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), o Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB) e com a Escola Casa Comum do Núcleo de Estudos Sociopolíticos da PUC Minas. A formação é voltada para liderança cristãs que participarão do processo das eleições de 2022 ou pretendem se preparar para as eleições de 2024.

O curso vai oferecer noções de planejamento de campanha com ferramentas elaboradas por especialistas na área. O objetivo é potencializar o alcance político de lideranças comprometidas com o humanismo, a promoção da vida, a fraternidade, a solidariedade universal, a justiça e a paz. O curso será realizado entre 2 fevereiro a 4 de maio de 2022, com 80 horas de duração. Formulário e link da inscrição: aqui.

2) Curso Dimensão Social da Fé e Doutrina Social da Igreja

Tem início no primeiro semestre e duração de dois anos. O curso, a ser realizado de forma totalmente remota, é fruto de uma parceria com a Comissão Episcopal Pastoral para Ação Sociotransformadora da CNBB e a Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP), que certificará os participantes com o título de especialização e extensão.

3) Capacitação para Lideranças em Políticas Públicas e Conselheiros de Direitos

O curso é realizado, em parceria, pela Comissão Episcopal Pastoral para Ação Sociotransformadora da CNBB, a Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBPJ) e o Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB), organismo da Igreja no Brasil. 

CNBB 

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