sexta-feira, 28 de setembro de 2018

AMOR É PARA SEMPRE, SEXO TAMBÉM

Recordar-se do seu parceiro(a), fazer-se presente, deseja-lo(a) também no meio da
 rotina, pode tornar ainda melhor as relações entre casais. (Reprodução/ Pixabay)

O prazer, o deleite, o fato de provocar e sentir reações de gozo e alegria ao estar com quem amamos deveria ser algo que nos aproxima também do Criador.
Essa referência à Rita Lee é para nos lembrar que precisamos falar do prazer.
Poderia escolher vários pontos para escrever a respeito do sexo no casamento. Aliás, do prazer sexual dentro de uma relação estável. Li textos, assisti vídeos, fui para teólogos, palestrantes, seguidores de diversas linhas dentro da Igreja Católica e embora concorde com alguns e descorde de muitos outros, entendi que precisava partir de uma premissa básica: como percebo o sexo dentro do matrimônio uma vez que sou casada?
Primeiro, não existe (até onde eu sei) a possibilidade de um casamento saudável não ter relação sexual. Isso já é base para entendermos que estamos falando de um casal que se une por amor e quer se relacionar num nível mais íntimo e profundo. Depois, o sexo como possibilidade de encontro, de troca, de prazer é a consumação em si do sacramento do matrimônio. Então, porque ao falarmos de espiritualidade, tendemos a elevar o assunto às questões da alma e esquecemos do corpo? Será que ainda vemos o corpo como algo profano e que nele não há possibilidade de encontro com o divino que nos habita e que provoca nosso encontro com o outro?
Mais do que isso: Por que com o passar do primeiro ano de casado uma grande probabilidade é a quantidade e a intensidade das relações sexuais reduzirem? O que acontece no cotidiano e produz esse distanciamento? Será que o afastamento físico revela outras distâncias provenientes da rotina, da falta de tempo, do excesso de distrações diárias? Talvez, todos pensemos sobre isso no decorrer do dia e nos interroguemos sobre a qualidade da relação matrimonial. 
O prazer, o deleite, o fato de provocar e sentir reações de gozo e alegria ao estar com quem amamos deveria ser algo que nos aproxima também do Criador. Afinal, recebemos Dele todo esse potencial humano. Um fato bem prático é que no decorrer do dia o casal precisa lembrar que está casado. Sim! Parece óbvio, mas não é. Somos engolidos por tantas propostas interessantes, por tantos projetos, por fotos, vídeos, textos, curtidas, likes, que nos encontramos conectados com o mundo e sem conexão com quem amamos. Recordar-se do seu parceiro(a) , fazer-se presente, deseja-lo(a) também no meio da rotina, pode tornar ainda melhor as relações entre casais.
Precisamos nos despir da bagagem e das experiências que carregamos, para permitir-nos amar exatamente do jeito que somos, com nossos corpos nem sempre em forma, com nossos limites, com as descobertas em relação ao outro e fazer com que o prazer seja sentido e explorado de tal forma que não tornemos o outro um mero facilitador de nosso gozo, mas alguém com que eu busque diariamente uma descoberta, uma troca, um proximidade. Se o assunto "sexo" fosse mais falado entre os casais - de maneira que cada um pudesse, efetivamente, revelar o que sente, o que faz falta o que pode ser melhor - essa prática certamente despertaria relações bem mais verdadeiras e comprometidas.
Acompanho alguns casais como Life Coach e posso afirmar que a visão distorcida sobre o sacramento do matrimônio faz com que a vida se torne uma fantasia. O casal finge o tempo todo que se ama, que preza pela família e pelos vínculos, mas não se suportam. Dormem em quartos separados. Não mantém relações sexuais e vivem uma farsa. Claro, que esse tipo de situação gera muitos constrangimentos, um deles a traição. E “tudo bem”, eu manter uma vida dupla, desde que eu não separe o que Deus uniu. Minha pergunta é: Será que Deus uniu mesmo? Será que teve liberdade, consciência e afeto nessa “união”? Falar, dialogar, manifestar os sentimentos em todas as questões que envolvem um casal é extremamente necessário para sermos pessoas inteiras em relacionamentos reais.
O sacramento requer decisão, entrega, confiança, caso isso não esteja tão claro, tudo o resto fica comprometido. Já pensou dormir ao lado de alguém que você está distante? Precisar despir-se e deixar-se tocar mecanicamente? Caso você esteja nessa situação e, ninguém está livre dela, avalie seu relacionamento, reconheça as dificuldades, ressignifique sua união e viva com mais prazer. Na cama e na vida!
Simone Ramos, jornalista e apresentadora de TV e Life Coach.
Fonte: domtotal.com
 

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