segunda-feira, 1 de abril de 2019

O QUERÍGMA COMO AÇÃO EVANGELIZADORA DA CATEQUESE

Jesus nos comunica o mistério do amor do Pai
 que se revela por meio dele. (Pixabay)

O querígma é um convite para fazer adesão à pessoa de Jesus Cristo e permanecer nele.
Muito se tem falado de uma catequese evangelizadora, querigmática, voltada para a importância do “Primeiro Anúncio”, na certeza de que ele oferece a porta aberta para a vivência em busca das experiências originárias das primeiras comunidades que beberam na fonte da pregação apostólica.
Muito também se tem perguntado: Quem é Jesus? Como apreender seus ensinamentos? Como recuperar sua força missionária? Como se adaptar às culturas diversas (sociais, econômicas, políticas e religiosas)? E sempre a resposta dada é: Jesus é o Filho de Deus que veio ao mundo, comunicou a Boa Nova do Reino de Deus e deixou expresso o desejo de que todas as pessoas vivam baseadas na compreensão e no amor e que o aceitem, de livre vontade, em suas vidas.
Ainda dizemos: o anúncio do querigma exige comprometimento, pois ele conduz a uma conversão e fé inicial em Jesus Cristo. Embora esse anúncio se constitui como uma opção prioritária na catequese, ele é o fio condutor que se faz presente e perpassa toda a caminhada de aprendizagem e vivência na catequese. O querígma é um convite para fazer adesão à pessoa de Jesus Cristo e permanecer nele.
Mas o que é “permanecer em Cristo”?
Permanecer em Cristo demonstra um relacionamento pessoal, próximo a Jesus e aos irmãos na vivência de um amor fraterno que dê visibilidade da nova vida manifestada e comunicada por Jesus. Assim, permanecer em Cristo, conforme o evangelista João 2,5-6 nos ensina a conhecer Cristo, não com um conhecimento superficial, mas extrair dEle a vida em sua essência. Podemos bem compreender esse sentido de vida trazendo para o nosso imaginário o que o evangelho de João 15 nos fala sobre os ramos unidos a uma videira: “permanecei em mim, e eu permanecerei em vós”. João nos oferece a fonte do dinamismo do amor que é o Pai. “Como o Pai me ama, também eu vos amei”. Nesse sentido, o Pai ama o Filho e este fluxo do amor do Pai para o Filho continua, através dele, até nós, nos envolve e nos entrelaça no seu amor. Um amor que não é apenas sentimento, mas uma relação criada pelo dom de sua vida, relação fecunda, que se alastra no amor fraterno.
Jesus nos comunica o mistério do amor do Pai que se revela por meio dele. Deus é a fonte do amor, do qual Jesus, o Filho amado, se sabe portador. Esse amor do Pai impele o Filho a manifestá-lo, dando até sua vida pelos que são chamados a se tornarem filhos de Deus (Jo 1,12-13). O amor do Pai em Jesus é também modelo que deve inspirar o relacionamento dos discípulos de Jesus. Assim podemos compreender que o amor do Pai, que Jesus acolhe e traduz em amor por nós, é a fonte e o modelo de nosso amor pelos irmãos. Esse dinamismo do amor está no ordenamento de Jesus sobre o amor fraterno, o mandamento de amar os irmãos.
O amor se torna um presente que devemos partilhar com todos. Somos chamados a nos tornarmos “aliados” de Deus e de Jesus, na expansão do seu amor. Anunciar, expandir esse amor é a tarefa do querígma: anunciar o Deus-amor que se manifesta no dom que Jesus faz de sua vida pelos irmãos. Em Cristo fomos feitos seus herdeiros. A herança é serem filhos no Filho. Viver sempre como primícias o amor de Deus. O amor que nos é dado não porque somos bons, porque merecemos, mas porque Deus é bom e é próprio do amor expandir-se por meio das pessoas amadas.
Como se deixar envolver por esse amor?
Como discípulos, somos chamados a assumir a cruz de Cristo. Essa missão se encontra no seguimento contínuo de Jesus Cristo. Esse seguimento exige comprometimento e muitas vezes, renúncia de interesses nossos que não entram em harmonia com o projeto do Reino. O seguimento nos coloca no caminho do serviço e da doação. Doar a vida colocando-a a serviço do Reino, ela jamais poderá se perder.
Situamos em nossa realidade presente. Estamos vivendo o tempo quaresmal, aproximação do tempo pascal que nos convoca a reavivar nossas experiências de vida com o Cristo ressuscitado. Comprometidos com esse tempo, colocamo-nos na possibilidade de fazermos a experiência de uma verdadeira conversão que nos faz próximos de Jesus e nos coloca no seu caminho. Assim podemos nos envolvermos em seu mistério e nos deixar maravilhar-se pelas maravilhas do encontro pessoal com Ele.
O primeiro passo para essa caminhada é a fé. Fé em Jesus Cristo.
Possuir uma identidade de fé cristã esclarecida, fundamentada no amor do Pai e do Filho, vivenciada e celebrada na vida é tarefa de uma catequese querigmática, acolhedora e evangelizadora. Uma catequese que se entrelaça com a acolhida, o diálogo, com a oração pessoal e comunitária, com a Palavra de Deus e Testemunho de vida, seus sinais e símbolos. Uma catequese capaz de nos transportar para a mistagogia. A vida misteriosa do Cristo ressuscitado.
Quando nos deixamos penetrar pelo mistério da vida do Cristo, uma nova vida surge no horizonte, uma vida possível de se viver, fundamentada no amor.
*Neuza Silveira de Souza é secretariado Arquidiocesano Bíblico-Catequético de Belo Horizonte.
Fonte: domtotal.com

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