quinta-feira, 2 de maio de 2019

O QUE É ESTEATOSE HEPÁTICA. ENTENDA SOBRE A DOENÇA E SAIBA SE PREVENIR

A gordura no fígado pode se desenvolver em homens e mulheres de diferentes faixas etárias, inclusive crianças.
É possível dividir a esteatose em duas categorias: alcoólica e não alcoólica. (Divulgação)

Por Patrícia Almada
Repórter DomTotal

Doença geralmente associada ao consumo excessivo de álcool, a esteatose hepática, popularmente conhecida como inflamação gordurosa do fígado, passou a chamar a atenção de pesquisadores desde a descoberta que a má-alimentação e o estilo de vida sedentário contribuem para a sua evolução. A doença pode se desenvolver em homens e mulheres de diferentes faixas etárias, inclusive crianças. O fígado é um órgão que metaboliza gordura no corpo. As células do fígado apresentam 5% de componente gorduroso. Porém, quando se passa desse valor, pode ser preocupante.

Existem vários graus de esteatose hepática. A simples, que é o início da doença, quando não há presença de inflamação; a crônica, chamada de esteato-hepatite, quando se tem inflamação e fibrose tecidual (cicatrização do fígado a agressões repetidas); cirrose, que é a formação de nódulos que bloqueiam a circulação sanguínea e, consequentemente, hepatocarcinoma – que é o câncer hepático propriamente dito.
Até a esteato-hepatite, a doença pode regredir e o fígado se regenerar. Porém, ter esteatose hepática é um sinal de que algo não vai bem. A nutricionista e mestre em nutrição e saúde, Viviane Lacerda, alerta que o uso excessivo de álcool e maus hábitos alimentares contribuem para a evolução da doença. “A pessoa passa a ter um acúmulo de gordura no fígado que não é fisiológico. Sabemos que o fígado tem capacidade de armazenar um pouco de gordura, mas é algo agudo. Seria apenas durante a alimentação. Após esse período alimentar é esperado que o fígado libere essas gorduras, em forma de colesterol (LDL e HDL) na corrente sanguínea. Porém, se isso não ocorrer, o fígado não consegue eliminar toda essa gordura para a corrente sanguínea, há um acúmulo, denominado assim de esteatose”, explica.

Alcoólica e não alcoólica

É possível dividir a esteatose em duas categorias: alcoólica e não alcoólica.

A alcoólica, como o próprio nome diz, é oriunda do metabolismo do álcool que, além de ser muito calórico, é feito de maneira veloz. O consumo excessivo faz com que haja acúmulo de gordura devido à saturação desse metabolismo.
Já a não alcoólica é proveniente do consumo de alimentos com altos índices de gorduras saturadas e carboidratos simples. Geralmente, têm relação com o consumo de alimentos industrializados, como massas instantâneas, molhos, doces e biscoitos recheados.
                          O inimigo: frutose
O açúcar é um grande inimigo quando o assunto é esteatose. Pode ser encontrado em diversas formas, como sacarose, lactose, maltose e frutose.

A frutose é o açúcar natural das frutas com poder de adoçar muito superior a outros tipos. Além disso, apresenta capacidade de absorver e reter água. As características desse açúcar despertaram a atenção de cientistas, que o isolaram em laboratório no século 19. Sua popularidade aumentou significativamente e, a indústria, desde então, passou a utilizá-la em grandes quantidades. O xarope de milho é um exemplo.
A população, por não saber diferenciar a frutose da indústria, passou a deixar de consumir as frutas, acreditando-se, assim, que poderia evitar a esteatose. Porém, Viviane adverte que a frutose da indústria é o vilão. “A frutose tem um metabolismo rápido. Isso faz com o que o acúmulo de energia vire gordura. Só que temos que tomar cuidado. A frutose presente nas frutas se encontra em quantidades extremamente pequenas, não sendo capazes de causar a esteatose hepática. Entretanto, a frutose presente na indústria, como o xarope de guaraná, xarope de milho, possuem alta concentração. Sendo assim, é capaz de gerar a esteatose. As frutas fornecem várias substâncias importantes para o nosso corpo. Tanto fibras, como vitaminas e minerais e alguns compostos funcionais. Por má informação, as pessoas deixam de ingerir as frutas acreditando que a frutose é maléfica. Mas a quantidade é irrisória e não é capaz de causar mal”, ressalta.

Cultura alimentar

Com o fácil acesso a produtos industrializados, o comodismo na hora de escolher os alimentos se mostra presente. A utilização de alimentos ultraprocessados, como lasanhas congeladas, molhos prontos, nuggets de frango, entre outros, faz com o que o acúmulo de gordura no fígado seja ainda maior.
“Esses alimentos (ultraprocessados) têm um combo: carboidratos simples, tanto advindo de amido modificado, como de xaropes, e gorduras modificadas (saturadas, hidrogenadas e trans). Além disso, as pessoas não estão praticando atividade física. Sendo assim, ficam mais sedentárias, aumentando o peso. A esteatose também está ligada ao aumento de peso. E esse combo aumenta a prevalência da doença entre a população com este tipo de cultura alimentar”, diz Viviane.

Doença do obeso?

A esteatose hepática não alcoólica era associada à obesidade. Acreditava-se que indivíduos obesos tinham maior propensão ao desenvolvimento desta doença. Porém, como a gordura no fígado está associada a maus hábitos alimentares e a estilo de vida não saudável, esta teoria não faz sentido, explica Viviane.
“Isso ocorre porque essas pessoas, mesmo não apresentando a obesidade clássica, com o aumento de peso, têm excesso de gordura corporal. E se elas têm esse excesso, é porque houve, anteriormente, uma má alimentação, o que compromete o fígado”, conta.

Cuidados

A esteatose é uma doença silenciosa. Não apresenta alterações nos exames bioquímicos. Para fazer o diagnóstico, é necessário realizar ultrassom que identifique em qual grau da doença o paciente se encontra. É recomendado conversar e pedir orientação ao médico hepatologista sobre o assunto. Caso o paciente apresente alto grau de esteato-hepatite, é necessário realizar uma intervenção disciplinada.

Viviane orienta também que, para tentar minimizar a inflamação causada pelo fígado, utiliza-se alimentos anti-inflamatórios. Além disso, ela indica a procura de um nutricionista para atuar em conjunto.
Para evitar e minimizar a doença, Viviane também dá algumas dicas. “Praticar atividade física e reduzir, ao máximo possível, a utilização de alimentos ultraprocessados e processados. Fazer a substituição por alimentos in natura e minimamente processados. Reduzir o consumo de açúcares e carboidratos simples, como massas, pães, lasanhas, bebidas alcoólicas e utilizar alimentos ricos em fibras (aveia, linhaça, chia) como também as fibras das folhas, legumes e frutas."

Viviane alerta também que é necessário ficar atento ao consumo de alimentos denominados "lights". “Geralmente, nesses alimentos, se retira determinado ingrediente, mas compensa-se com outro. Por exemplo, se tiro a gordura, é necessário colocar outro componente para dar emoliência, como o amido modificado, carboidrato simples, que às vezes é muito pior do que a gordura natural. Nada é proibido. Só temos que ter equilíbrio de quantidades e frequência”, conclui. 

Fonte: Domtotal 

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