sexta-feira, 7 de junho de 2019

PAPA ACEITA CONVITE INUSITADO


Em Nápoles no sul da Itália, muitos verão um pontífice da Igreja Católica com nunca viram antes
É oficial: o sumo pontífice será palestrante em um congresso de teologia. Parece inacreditável, mas Francisco integrará o grupo de congressistas de um evento que acontecerá em Nápoles, de 20 a 21 de junho. Segundo uma fonte, o papa não exitou e aceitou o pedido prontamente, deixando os organizadores do evento bastante surpresos. E não é para menos, afinal, é primeira vez na história que um papa aceita uma solicitação do tipo.

Geralmente, os papas abrem eventos oficiais ou são chamados a falar ao corpo docente de alguma universidade específica, não a integrar uma mesa redonda. O congresso cujo tema é “A teologia da Veritatis Gaudium no contexto do mediterrâneo” contará com a participação de alguns estudantes e professores da Faculdade Teológica da Itália Meridional. Portanto, um público bastante restrito terá o privilégio de presenciar mais um momento histórico desse pontificado.

Durante a sua colocação, o pontífice falará sobre a Veritatis Gaudium, a constituição apostólica que prevê a renovação dos cursos acadêmicos eclesiásticos, ampliando, por conseguinte, os horizontes também no campo da teologia. Sendo assim, a participação de Francisco colocará às claras que tipo de revolução teológica ele pretende realizar e será uma oportunidade para que todos possam entender como isso acontecerá na prática. No entanto, o que caracteriza a teologia de Francisco?

Era muito comum que, em 2013 - quando o primeiro papa latino-americano da história foi eleito -, ouvíssemos falar que, desta vez, “não teríamos um papa teólogo”. O uso impróprio do termo é a constatação de que muitos não entenderam qual a verdadeira missão da teologia, limitando o seu campo de reflexão à academia ou aos púlpitos das igrejas.

Em muitas ocasiões, Francisco repropôs uma expressão do teólogo suíço Hans Urs von Balthasar “A teologia se faz de joelhos” ao referir-se à prática dessa disciplina humana que busca respostas em relação ao divino. Entretanto, o papa não quis demonstrar que a devoção sobrepõe o rigor científico, mas que a interioridade do teólogo e seu contato com o Divindade deve remetê-lo à sua humanidade e à humanização do ambiente que está a seu redor.

É por isso que podemos considerar Francisco muito mais teólogo da história - título que, merecidamente, deve ser atribuído a Bento XVI -, mas um teólogo que promove uma osmose constante entre experiência e pensamento. Na sua teologia não há espaço para centralizações e autorreferencialismos, mas para o diálogo e a partilha. Trata-se de uma teologia que se aplica na acolhida do estrangeiro que bate à nossa porta ao cuidado com a casa comum: uma teologia que se encarna e que humaniza; que não é “fabricada”, mas experimentada. É a teologia do povo, não do indivíduo.

“O povo de Deus é peregrino ao longo das estradas da história, fazendo companhia aos homens e mulheres de todos os povos e culturas, de modo que possam iluminar, com a luz do Evangelho, o caminho da humanidade em direção à nova civilização do amor”, afirmou Papa Francisco na Veritatis Gaudium.

*Mirticeli Dias de Medeiros é jornalista e mestre em História da Igreja pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Desde 2009, cobre primordialmente o Vaticano para meios de comunicação no Brasil e na Itália, sendo uma das poucas jornalistas brasileiras credenciadas como vaticanista junto à sala de imprensa da Santa Sé.

Fonte: Domtotal 

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