quinta-feira, 31 de outubro de 2019

DIRETOR DO IBAMA NÃO DESCARTA QUE ÓLEO NO NORDESTE SEJA DO PRÉ-SAL

Após fala do representante, Ibama afirmou que Oliveira se enganou e que o óleo, como mostraram as análises da Petrobras e Marinha, tem origem em três poços da Venezuela
População do Nordeste sofre os impactos provocados pela maior tragédia ambiental da região (Salve Maracaípe)

O diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Olivaldi Alves Borges Oliveira, afirmou nesta quarta-feira (30) em audiência na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara, que não descarta a possibilidade de que o vazamento de óleo no Nordeste seja proveniente do pré-sal.

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Ele respondeu ao deputado Daniel Coelho (Cidadania), que perguntou objetivamente se o óleo poderia ser do pré-sal. Coelho afirmou que vem recebendo informações de "que há uma possibilidade de que o vazamento teria ocorrido em decorrência de perfuração de área de pré-sal". Ele perguntou: "Há fundamento técnico para isso? É uma possibilidade a ser considerada ou do ponto de vista técnico a gente deve afastar isso?"

Olivaldi, que representou o Ministério do Meio Ambiente na comissão, após convocação feita pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, respondeu: "Uma das maiores autoridades nesse assunto, que é a Petrobras, diz que há muito que se analisar ainda em relação a petróleo de pré-sal. Então, a gente não pode descartar isso. Não há como descartar isso."

Na sequência, a deputada Joênia Wapichana (Rede) reforçou o comentário sobre o pré-sal, ao que Olivaldi comentou. "Veja bem, os laudos dizem que tem característica de óleo venezuelano. Quando eu digo que possa ser do pré-sal é que tecnicamente eu não posso descartar isso. Tecnicamente. Mas dificilmente um óleo seja (sic) de pré-sal se tem característica venezuelana. Como técnico não posso descartar, é o que quero dizer."

É a primeira vez que um representante oficial do governo abre essa possibilidade. Até então, as declarações oficiais são de que o óleo é proveniente de três poços localizados na Venezuela. A principal suspeita é que poderiam ter vazado após uma transferência de um navio fantasma para outro. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, chegou a afirmar que o governo vai pedir que OEA exija esclarecimentos da Venezuela sobre origem de petróleo.

O presidente Jair Bolsonaro, por outro lado, insinuou que o derrame de óleo poderia ser ação criminosa para prejudicar leilão de petróleo.

Após a declaração, o Ibama afirmou que Oliveira se enganou e que o óleo, como mostraram as análises da Petrobras e Marinha, tem origem em três poços da Venezuela.

Nesta terça-feira, pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) anunciaram que detectaram uma gigantesca mancha de óleo no mar junto ao litoral sul da Bahia. A observação foi feita na última segunda-feira (28) por um satélite da Agência Espacial Europeia. Pela primeira vez desde o acidente, cientistas conseguem observar o óleo no mar. De acordo com os especialistas, de acordo com o padrão da mancha, o óleo poderia estar vindo do fundo do mar.

Abrolhos

A equipe do Ibama que participa do monitoramento da área do arquipélago de Abrolhos, no litoral sul da Bahia, afirmou que, em sobrevoo feito nesta quarta-feira (30) sobre a região, não foi detectada nenhuma mancha de derramamento de óleo na área.

As manchas de óleo que apareceram nesta semana mostraram que o derramamento segue para a região do sul da, aproximando-se de Abrolhos, uma das regiões mais belas e ricas em biodiversidade da América da Sul.

"Estamos em monitoramento constante na região. Tudo está absolutamente limpo", disse o superintendente do Ibama na Bahia, Rodrigo Santos Alves, que sobrevoou a região.

O Grupo de Avaliação e Acompanhamento (GAA), formado pela Marinha, Agência Nacional de Petróleo (ANP) e Ibama, informou que, por causa da tendência de deslocamento de óleo em direção ao sul da Bahia, foi intensificado o monitoramento na área do entorno do arquipélago. A intenção é ampliar a cobertura para a visualização de manchas na água e o seu recolhimento, caso detectadas.

Os navios deslocados para o arquipélago fiscalizam uma área de cerca de 22 mil quilômetros quadrados no entorno de Abrolhos, uma área equivalente ao Estado de Sergipe. Ao todo, segundo a Marinha, nove embarcações fazem o monitoramento.

Agência Estado/Dom Total

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