quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

NATAL: A LUZ QUE RESPLANDECE EM PLENA ESCURIDÃO!

Queridos irmãos e irmãs, em cada Natal é renovada a razão mais profunda de nossa alegria e confiança: o menino que contemplamos na gruta de Belém é “a luz que brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la”. (Jo 1, 5).

Na noite santa do Natal revivemos a experiência daquele “povo, que andava na escuridão, e viu uma grande luz; os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu”. (Is 9, 1).

Vamos então viver a alegria e a paz que a presença de Jesus nos dá em nossa história. Deus se torna homem e em toda pessoa ele quer ser luz e esperança. Esta é a nossa certeza e a nossa experiência.

É verdade que vivemos tempos complicados em nosso país, em que parece que as trevas mais uma vez tentam dominar e apagar o brilho da vida do nosso povo. Um olhar sensível para este momento da história não pode deixar de apontar situações muito complexas e preocupantes em nosso Brasil, em nossa Amazônia e em nosso Maranhão:

– A Amazônia, nossa casa comum, vem sendo cada vez mais lugar de exploração predatória de seus recursos: no solo, na água, na fauna e na flora.

– Ainda em nossa Amazônia agrava-se o desmatamento, as queimadas, o envenenamento das fontes hídricas, a extinção de espécies (da fauna e da flora), a desordenada e violenta exploração mineral.

– Diante da profunda aspiração por uma ordem justa: quanta violência e perseguição às lideranças sociais e assassinato de líderes indígenas, guardiões da casa comum!

A graça de Deus que se manifestou, no menino de Belém, trazendo salvação para todos, como afirma São Paulo: “nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões mundanas e a viver neste mundo, com equilíbrio, justiça e piedade…” (Tt 2, 12). Portanto somos chamados a sempre escolher o caminho do amor e da fraternidade, rejeitando todos os tipos de ódio e de morte.

O sínodo da Amazônia apontou para todos nós o caminho da conversão ecológica diante da crise socioambiental em que atravessamos. Esta conversão significa concretamente trabalhar pela defesa da Amazônia e da vida dos povos originários; trabalhar pela demarcação das terras, pelo cuidado com a floresta e com as populações que vivem neste solo: os povos originários (indígenas), além de camponeses, quilombolas e ribeirinhos.

No Natal, Deus nasce em fragilidade e fica do lado do povo, daqueles que não contam. Na busca de novos caminhos para a Igreja e para a ecologia integral devemos ser seus aliados, caminhando juntos.

Celebrar esses dias sagrados é muito mais do que lembrar seu nascimento em Belém. O Papa Francisco em sua mais recente Carta Apostólica sobre o presépio, Admirabili Signum nos escreveu: “o Presépio é (…) um apelo a encontrá-Lo e servi-Lo, com misericórdia, nos irmãos e irmãs mais necessitados (cf. Mt 25, 31-46). A sua proximidade traz luz onde há escuridão, e ilumina a quantos atravessam as trevas do sofrimento (cf. Lc 1, 79)”.

No Natal: renovamos a esperança de que o Senhor está conosco e que Nele a vida nova e plena é uma realidade estabelecida em nossas mãos. Com o nascimento de Jesus, nasceu uma promessa nova, um mundo novo, um mundo que pode ser sempre renovado, por isso somos convidados a contemplar todos os sinais de esperança.

Desejo a todos, em nome próprio e da Diocese de Viana, um Santo e Feliz Natal do e no Senhor. Que as nossas belas celebrações de Natal, sejam a porta que nos abre o caminho da contemplação do verdadeiro e libertador Mistério do Natal. Que o Natal não seja “apenas um dia”, mas a mais profunda experiência do encontro e do nascimento, da luz e da verdade, da sinceridade e da fraternidade.

Dom Evaldo Carvalho dos Santos, C.M
Bispo Diocesano de Viana

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