sexta-feira, 6 de março de 2020

ORAR BEM FAZ BEM!

Orar é correr o risco de beber do puro silêncio e, a partir disso, fazer mergulho profundo na comunhão com Deus
É por meio da oração que reafirmamos continuamente nosso 'eis-me aqui' ao Senhor (Ben White/ Unsplash)

Felipe Magalhães Francisco*

Nesta semana, dois dias foram considerados como dia da oração e dia mundial da oração, respectivamente. As formas e maneiras de oração são tão múltiplas e variadas que, por mais que não percebamos, orar faz parte do nosso cotidiano, mesmo que não intencionalmente. Recordo-me de Rubem Alves que afirmava que mesmo o oferecimento de um poema ou de uma boa música a Deus, era uma forma de oração. Para além desse direcionar-se a Deus, quando elevamos pensamentos de bem-querer a alguém, não a estamos revestindo com um abraço oracional?

Há pesquisas que têm apontado que a oração desempenha um papel importante na vida das pessoas que a realizam, sobretudo porque influenciam no olhar dessas pessoas para a vida, que a percebem e a encaram com mais esperança. Para além dos aspectos transcendental e religioso, envolvidos na oração, a intencionalidade e a força do pensamento positivo aplicadas na oração, por parte de um enfermo, por exemplo, contribui sobremaneira para o seu possível processo de recuperação, bem mais que quem mantém uma postura pessimista diante do seu próprio adoecimento.

Rezar, portanto, faz bem. E rezar bem, faz mais ainda! Da perspectiva teológica, a oração é sempre um encontro, nosso com Deus. Rezar bem, então, não está na fórmula empregada, propriamente dita, e sim quando a oração provoca esse encontro. É quando percebemos que Deus dialoga conosco, de fato, num encontro cheio de amor. Um encontro cujo diálogo é permeado de um silêncio que não aterroriza, porque cheio de comunicação. Orar é correr o risco de beber do puro silêncio e, a partir disso, fazer mergulho profundo na comunhão com Deus.

Para os cristãos e cristãs, podemos dizer ainda mais: a oração é importante porque está iminentemente ligada à sua própria identidade de fé e de pertença. Orar juntos e também sozinhos, na intimidade do próprio quarto, são ocasiões fundamentais para que descubramos nosso papel, que nasce de uma experiência de um encontro transformador com a pessoa de Jesus Cristo. É por meio da oração que reafirmamos continuamente nosso “eis-me aqui!”, pois esta resposta de prontidão ao serviço do Reino precisa passar pelo discernimento daquilo que Deus espera de nós.

Com Jesus aprendemos, não só porque nos exortou mas porque ele próprio mantinha uma constante “rotina” de oração, que devemos fazer de nossa vida, uma vida de oração. É preciso encontrar o Deus que passeia entre as panelas, no nosso cotidiano, como nos inspira Santa Tereza. É essa a reflexão que nos propõe Rodrigo Ferreira Costa, no artigo A vida como forma de oração. Tânia Mayer nos ajuda a refletir, a partir da oração ensinada pelo próprio Jesus aos discípulos, sobre nossa identidade cristã, tão bem marcada pelo Pai-Nosso, no artigo A oração da identidade cristã. Partindo também da oração do Pai-Nosso, Fabrício Veliq reflete sobre a oração em perspectiva ecumênica e inter-religiosa, mostrando como essa oração nos traz a consciência de irmãos e irmãs, de um mesmo Pai, no artigo Oração em perspectiva ecumênica e inter-religiosa.

Boa leitura!

Fonte: Domtotal

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