sexta-feira, 13 de março de 2020

PAPA FRANCISCO COMPLETA SETE ANOS NO COMANDO DA IGREJA EM MEIO À CRISE GLOBAL DO CORONAVÍRUS

Início do oitavo ano de ministério cai em meio à crise causada pela pandemia coronavírus: 'Somos pó, mas pó precioso, amado por Deus, destinado a viver para sempre'
Francisco foi eleito papa em 13 de março de 2013; na foto do dia, aparece ao lado do cardeal brasileiro Cláudio Hummes (Vicenzo Pinto/AFP)

O início do oitavo ano de pontificado do papa Francisco cai num momento dramático para a humanidade inteira, chamada a enfrentar a pandemia do COVID-19. O chamado, forte e para todos, a manter o olhar fixo naquilo que é essencial impõe que também este aniversário seja celebrado de modo diferente de como foi nos anos precedentes. Nestes dias difíceis, enquanto cada um de nós é dramaticamente colocado diante da precariedade da existência, o papa Francisco escolheu acompanhar-nos com a oração, sob a proteção de Maria, e com a celebração diária da Eucaristia na Missa na Casa Santa Marta, excepcionalmente transmitida ao vivo toda manhã e difundida no mundo inteiro graças ao streaming.

No fundo, propriamente essas Missas, as celebrações diárias do papa “pároco” que prega a pequenos grupos de fiéis, contam-lhes aquilo que a meditação sobre a Palavra de Deus suscitou nele, representam uma das novidades mais significativas do pontificado. Um acompanhamento dia após dia, que se tornou compromisso confortador para tantas pessoas que nestes sete anos buscaram e leram a síntese da homilia de Santa Marta oferecida pela mídia vaticana. Agora esse acompanhamento simples e concreto da parte do Papa que celebra a Missa na capela da sua residência oferecendo o sacrifício eucarístico por quem sofre, pelos enfermos, por seus parentes, pelos médicos, os enfermeiros, os voluntários, os anciãos sozinhos, os encarcerados, as autoridades, tornou-se ainda mais evidente e confortador.

Na Quarta-feira de Cinzas, quando ainda a emergência Coronavírus não era percebida de modo tão evidente, o Sucessor de Pedro dissera: “Começamos a Quaresma com a recepção das cinzas: ‘Lembra-te que és pó da terra e à terra hás de voltar’. O pó sobre a cabeça faz-nos ter os pés assentes na terra: recorda-nos que viemos da terra e, à terra, voltaremos; isto é, somos débeis, frágeis, mortais. No longo decorrer dos séculos e milênios, passamos num ai; comparados com a imensidão das galáxias e do espaço, somos minúsculos; somos um bocado de pó no universo. Mas somos o pó amado por Deus. Amorosamente o Senhor recolheu nas suas mãos o nosso pó e, nele, insuflou o seu sopro de vida. Por isso somos um pó precioso, destinado a viver para sempre. Somos a terra sobre a qual Deus estendeu o seu céu, o pó que contém os seus sonhos. Somos a esperança de Deus, o seu tesouro, a sua glória”.

O papa concluía a sua homilia com as seguintes palavras: “Deixemo-nos reconciliar, para viver como filhos amados, pecadores perdoados, doentes curados, viandantes acompanhados. Para amar, deixemo-nos amar; deixemo-nos erguer, para caminhar rumo à meta – à Páscoa. Teremos a alegria de descobrir que Deus nos ressuscita das nossas cinzas”.

Justamente para testemunhar este olhar de esperança e este abraço voltado a todos, o papa que nos guia nos acompanhando, terça-feira, 10 de março, no início da Missa na Santa Marta, quis rezar em particular pelos sacerdotes, a fim de que neste momento tenham a força para acompanhar, confortar e estar próximos de quem sofre. E, embora tomando todas as precauções possíveis, tenham “a coragem de sair e ir até os enfermos, levando a força da Palavra de Deus e a Eucaristia e acompanhar os agentes de saúde, os voluntários” no serviço extraordinário que estão realizando.

Missa na Santa Marta

Em missa presidida nesta sexta-feira na Capela da Casa Santa Marta no Vaticano, nesta sexta-feira , no dia da sua eleição à Cátedra de Pedro, Francisco convidou mais uma vez a rezar pelos doentes de coronavírus, mas em particular rezou pelos pastores.

"Nestes dias nos unimos aos doentes, às famílias, que sofrem esta pandemia. E gostaria também de rezar hoje pelos pastores que devem acompanhar o povo de Deus nesta crise: que o Senhor lhes dê a força e também a capacidade de escolher os meios melhores para ajudar. Nem sempre as medidas drásticas são boas, por isso rezemos: para que o Espírito Santo dê aos pastores a capacidade e o discernimento pastoral a fim de que providenciem medidas que não deixem sozinho o santo povo fiel de Deus. Que o povo de Deus se sinta acompanhado pelos pastores e pelo conforto da Palavra de Deus, dos sacramentos e da oração".

Obviamente, o papa não se refere às medidas adotadas pelo governo italiano para contrastar os contágios evitando aglomeração de pessoas, mas se dirige aos pastores a fim de que considerem as exigências dos fiéis que precisam ser acompanhados espiritualmente num momento tão dramático.

Os primeiros passos da Francisco

13 março 2013, esta é a data da “viragem franciscana”. Com um passo decidido e uma naturalidade desconcertante, o papa Francisco desde o primeiro momento do seu pontificado deixou claras várias atitudes e sinais que não eram apenas um novo estilo ou formato, mas reveladores do conteúdo fresco do Evangelho.

E, assim, inesperadamente o papa Francisco como que desceu naquela noite da varanda da Basílica de S. Pedro até junto do seu povo ao qual se inclinou para receber a oração que pede a bênção de Deus. Um momento único, original e inovador, um primeiro grande sinal para um novo rumo:

“E agora eu gostaria de dar a bênção, mas antes… antes peço-vos um favor: antes de o bispo abençoar o povo, peço-vos que rezeis ao Senhor para que Ele me abençoe: a oração do povo que pede a bênção para o seu bispo. Façamos em silêncio esta oração de vós por mim”. (13 de Março 2013)

Verbos do pontificado: caminhar, edificar, confessar

No dia seguinte à eleição, na Capela Sistina, o Santo Padre na primeira missa celebrada como papa juntamente com aqueles a quem chama de “irmãos cardeais”, Francisco centra a homilia em três verbos: caminhar, edificar, confessar. No centro da vida dos discípulos de Cristo está sempre a Cruz:

“Quando caminhamos sem a Cruz, quando edificamos sem a Cruz e quando confessamos um Cristo sem Cruz, não somos discípulos do Senhor: somos mundanos, somos bispos, padres, cardeais, papa, mas não discípulos do Senhor”. (Missa Pro Ecclesia, 14 de Março)

Igreja pobre para os pobres

Sábado, 14 de março, Sala Paulo VI: a notícia do dia são… os jornalistas … que são recebidos pelo papa. Numa audiência muito especial concedida pelo Santo Padre aos jornalistas que estavam em serviço para o conclave, o Papa revelou porque escolheu o nome de Francisco explicando que o comentário do Cardeal brasileiro Hummes para que não se esquecesse dos pobres, foi determinante:

“Não te esqueças dos pobres!'. E aquela palavra entrou aqui: os pobres, os pobres. Depois, imediatamente em relação aos pobres, pensei em Francisco de Assis. É o homem que nos dá este espírito de paz, o homem pobre... Ah, como gostaria de uma Igreja pobre e para os pobres.” (Audiência aos Jornalistas, 16 de Março)

Misericórdia: Deus perdoa sempre

Domingo, 17 de março: primeiro Angelus do papa Francisco numa Praça de S. Pedro superlotada de gente faminta das palavras do Santo Padre, que nesse dia afirmou que o Senhor nos perdoa sempre e tem um coração de misericórdia para todos:

“Ele, nunca se cansa de perdoar, mas nós, por vezes, cansamo-nos de pedir perdão. Nunca nos cansemos, nunca nos cansemos! Ele é o Pai amoroso que perdoa sempre, que tem um coração de misericórdia para todos nós. E também nós aprendamos a ser misericordiosos para com todos.” (Angelus, 17 de março)

O poder é servir

19 de março, Festa de S. José: a Praça de S. Pedro enche-se novamente, desta vez também com a presença de Chefes de Estado e de governo e líderes religiosos, entre os quais o Patriarca Ecuménico Bartolomeu I. O papa Francisco celebra missa para o início do seu ministério petrino. Da homilia, centrada no tema do “guardar” o próximo e a criação, permanecerá na memória a passagem do poder como serviço:

“Nunca nos esqueçamos que o verdadeiro poder é o serviço e que também o papa para exercer o poder deve entrar cada vez mais naquele serviço que tem o seu vértice luminoso na Cruz”. (Missa do Início Solene do pontificado, 19 de Março)

Viver na esperança

Aproximava-se a Semana Santa desse ano de 2013 e no dia 24 de março, Domingo de Ramos, estão mais de 200 mil fiéis reunidos na Praça de S. Pedro para a Missa. Muitos os jovens presentes. Concretamente, para eles, o Santo Padre dirige palavras de encorajamento dizendo-lhes para viverem na esperança:

“E por favor, não deixeis que vos roubem a esperança! Não deixeis que roubem a esperança! Aquela que nos dá Jesus”. (Domingo de Ramos, 24 de Março)

Pastores com o odor das ovelhas

Na Quinta-feira Santa, 28 de março, na Missa Crismal, com os sacerdotes da sua diocese, o papa Francisco, na sua homilia, convida os sacerdotes a saírem de si próprios e a irem para as periferias, físicas e existenciais, onde o povo mais sofre. Pastores com o odor das suas ovelhas:

“Isto eu vos peço: sede pastores com o odor das ovelhas, pastores no meio do próprio rebanho, e pescadores de homens”. (Missa Crismal, 28 de Março)

Jesus Ressuscitou e transforma a nossa vida

No Domingo de Páscoa, dia 31 de março o papa Francisco proclamou que a esperança do cristão nasce “do amor de Jesus que venceu a morte”. “Cristo ressuscitou” – anuncia o Santo Padre que na sua mensagem pascal, incentiva todas as pessoas a deixarem-se transformar por Jesus:

“Deixemo-nos renovar pela misericórdia de Deus, deixemo-nos amar por Jesus, deixemos que o poder do seu amor transforme também a nossa vida; e tornemo-nos instrumentos desta misericórdia, canais através dos quais Deus pode irrigar a terra, guardar a criação e fazer florescer a justiça e a paz”. (Bênção Urbi et orbi, 31 de março)

Todos estes sinais verbais e gestuais de profunda proximidade com o povo de Deus, revelados nas primeiras semanas do papa Francisco, em março de 2013, têm vindo a marcar o programa deste pontificado e o futuro da Igreja.

Vatican News e DomTotal

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