sexta-feira, 10 de abril de 2020

POR QUE ESTE DIA É TÃO DIFERENTE? MEDITAÇÕES SOBRE CRUZ E RESSURREIÇÃO!

Talvez nos anos mais recentes, não estejamos percebendo
 tanto quanto antes, o clima diferente vivenciado às
 sextas-feiras santas (Unsplash/ Koen Verburg)

É tempo de refletir sobre o significado da morte de Cristo e mergulhar nesse mistério 
Há uma antiga tradição da ceia pascal judaica, em que o filho mais novo da família pergunta ao pai o porquê de aquela noite ser tão especial. Trata-se da celebração memorial do evento que funda a fé judaica: a libertação da escravidão no Egito. A Sexta-feira da Paixão, para os cristãos, está iminentemente ligada ao evento que funda a fé cristã, na esteira da releitura e da ressignificação da páscoa judaica: a morte e ressurreição de Jesus. Para o cristianismo, o silêncio consternado da Sexta-feira Santa está unido ao grito jubilar da manhã pascal, no domingo. O Tríduo Pascal, que vai da noite da Quinta-feira Santa ao Domingo de Páscoa, forma “o dia” especial para os cristãos e cristãs: ele é o coração litúrgico, na vivência do tempo, que fornece força vital para todos os outros dias celebrativos do ano.
Reze conosco em Meu dia com Deus
Talvez nos anos mais recentes, não estejamos percebendo tanto quanto antes, o clima diferente vivenciado às sextas-feiras santas. Mas não é preciso muitos anos de vida, para recordar de um tempo em que esse dia era vivido de uma maneira singular. Em muitos lugares se percebia – e ainda se percebe – um dia melancólico, meio que fúnebre mesmo. Diz-se que há lugares em que os pássaros sequer cantam; há pessoas que não fazem as tarefas domésticas, para além do estritamente necessário; uma série de preceitos de piedade popular enchem de significado a vivência desse dia. É um dia no qual cristãos e cristãs mergulham no mistério profundo do morrer de Jesus Cristo, refletindo sobre o significado dessa morte, cruel e injusta, para a humanidade.
É, de fato, um dia diferente. Não é vivido, pela maioria das pessoas, como um simples feriado religioso. Este ano há uma diferença ainda maior: é um dia em que a igreja-edifício não pode ser um refúgio, já que estamos em isolamento social; a vida, nas últimas semanas, está, para a maioria das pessoas, como que em suspenso: a temporalidade está sendo vivida de modo diferente, enquanto uns correm tanto quando podem, para se preparar e para servir às pessoas em risco e nas necessidades básicas e outros buscam se prevenir e aos mais vulneráveis, assumindo o isolamento como medida de segurança; o morrer é uma ameaça real e nos coloca diante da maior de nossas fragilidades humanas...
Como celebrar os mistérios próprios da Semana Santa, nesse contexto? É a pergunta que move a reflexão de Geraldo De Mori, no artigo Celebrar a ressurreição tendo diante de si a paixão e a morte, no qual propõe dois caminhos sobre como bem viver esses dias. No segundo artigo, temos uma reflexão de Flávia Luiza, no artigo A ternura de Deus é imperecível, em que retoma o livro das Lamentações e, a partir dele, reflete o mistério da morte de Jesus Cristo, sob o ponto de vista da esperança. Conclui nosso Dom Especial, o artigo A cruz de Jesus como chave de leitura libertadora para as cruzes do mundo, de Edward Guimarães, no qual faz uma leitura da vida e missão de Jesus, e a consequente condenação à morte, culminada na ressurreição, como possibilidade de que compreendamos nossas próprias lutas, iluminados pela experiência do Senhor.
 Boa leitura! Feliz Páscoa, com muitas ressurreições!
*Felipe Magalhães Francisco é teólogo. Articula a Editoria de Religião deste portal. É autor do livro de poemas Imprevisto (Penalux, 2015). E-mail: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com
Fonte:domtotal.com 

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