quinta-feira, 2 de julho de 2020

DIA DO HOSPITAL


Cuidar é humano, é divino. Usar máscara é cuidar. (Unsplash/ Jonathan Borba)

Embora o Código de Hamurabi regulamente a medicina, o cristianismo instaura a ideia de ajuda aos necessitados e doentes
Como são importantes os hospitais!
Como é importante usar a máscara para não sobrecarregar os hospitais.
"Aquilo de que a Igreja mais precisa hoje é a capacidade de curar as feridas e de aquecer o coração dos fiéis, a proximidade. Vejo a Igreja como um hospital de campanha depois de uma batalha...Curar as feridas... As pessoas têm de ser acompanhadas, as feridas têm de ser curadas”. Essa declaração do papa Francisco, onde Igreja é comparada a um hospital de campanha levanta a reflexão sobre a importância deles para a saúde.
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Como estamos tratando os hospitais?
Nestes tempos de pandemia, a saúde tem sido tema recorrente nos mais diversos setores da sociedade. A mídia aponta ora as mazelas dos serviços, a lotação dos hospitais, o preço dos planos de saúde; ora as inovações tecnológicas, os milagres da Medicina. O fato é que o número de vítimas seria infinitamente maior se não fossem os hospitais. É o lugar mais valioso que temos hoje.

Nos tempos antigos não era comum um espaço próprio para receber enfermos. Derivada do latim hospitalis, a palavra hospital deriva de hospes, com sentido de hospitalidade. Na antiguidade esses locais eram estabelecimentos que acolhiam pessoas miseráveis, órfãos, doentes mentais e até viajantes, que recebiam algum tipo de cuidado. Foi a história que reservou a denominação de hospital às casas de acolhida de doentes.
Mais de 2 mil anos antes de Cristo, o Código de Hamurabi, o mais antigo código do direito, regulamentava, de certa forma, a medicina. Mas é o Cristianismo que instaura a ideia de ajuda aos necessitados e doentes. "Os sãos não necessitam de médico, mas sim os doentes" (Mt 9,12). Desde então, os cristãos desenvolveram a ética do cuidado, com apoio do governo. Com o decreto de Milão, de 313 e o Concílio de Nicéia, de 325 o imperador Constantino dá ao Cristianismo liberdade no atendimento aos pobres e enfermos. Muitas ordens religiosas medievais se dedicaram a este trabalho. Calcula-se que só os beneditinos construíram mais de 2 mil hospitais.
Foi o aprimoramento da medicina o estímulo para a construção de espaços específicos para acolher doentes. Em 1283, na cidade do Cairo, uma edificação possuía enfermarias, médicos e enfermeiros no atendimento. O local era administrado por um médico. Em consequência da Revolução Industrial, práticas mais eficazes em higiene e saúde pública levam ao surgimento dos hospitais modernos. Doentes distanciados de seus familiares e da sociedade, atendidos em asilamento.
No Brasil, o primeiro foi o Hospital da Santa Casa de Misericórdia de Olinda, inaugurado em 1540 junto com a Igreja de Nossa Senhora da Luz. Funcionou até 1630, quando o conjunto foi saqueado por holandeses e incendiado. A Santa Casa de Misericórdia de Santos foi erguida 1543, hospital mais antigo do país em funcionamento.

O Brasil possuiu cerca de 6 mil hospitais. A grande maioria, 1.786 concentra-se na região sudeste, especialmente em São Paulo e Minas Gerais (543). A maior parte dos hospitais (72,5%) estão nos municípios com mais de 500 mil habitantes. 69% são hospitais gerais e 57,4% possuem vínculo com o Sistema Único de Saúde (SUS). O SUS deve ser defendida a todo custo.
Das 34 cidades da região metropolitana de Belo Horizonte, oito concentram em seus hospitais 70% dos atendimentos de casos de Covid-19 da região. Faltam médicos intensivistas para colocar em funcionamento o hospital de campanha de Minas Gerais. Mas, a pior falta é a de respeito à coisa pública: a corrupção. Assistimos atônitos, em plena pandemia, com quase 60 mil mortes, o desvio de recursos destinados a compra de medicamentos e equipamentos que salvam vidas.
Os hospitais já foram abrigos, local de excluídos e indesejados. Hoje são espaços de práticas clínicas e médicas organizadas e local de aprendizado. Lugar sagrado de nascer e também morrer. Entretanto, o sistema os transformou em lugar de produtos, serviços e lucro. Serviços médicos, mão de obra e tecnologia, possuem valor de mercado.
Hospitais públicos que não acolhem os mais pobres jogam por terra a tese de Montesquieu, que considerava o Estado obrigado a assistir justamente os mais pobres: "No país do comércio, onde muitas pessoas não têm um oficio, o Estado é obrigado a prover as necessidades dos anciãos, dos doentes e dos órfãos".
Cuidar da saúde é dever do Estado. E um cuidado humanizado é a razão de ser de um hospital. O cuidado não corresponde a um procedimento clínico. "Cuidar é mais que um ato; é uma atitude que abrange mais que um momento de atenção. Representa uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro" (Leonardo Boff). Não se trata do "que deve ser feito", mas do "como fazer".
Há um desejo humano universal de cuidar e ser cuidado, um sentimento natural de "se importar com". Diz respeito à sobrevivência da espécie. O hospital nos mostra que não há limites para este imperativo ético. Ali, o sentimento de cuidado é por todas as pessoas. No hospital, vale a máxima: "Faça o bem sem olhar a quem". Somos "cuidadores uns dos outros" (Gen 4, 9). Cuidar é humano, é divino. Usar máscara é cuidar.
02 de julho é o Dia do Hospital. Cuidemos dos nossos hospitais, sempre. 

Fonte: Domtotal

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