sexta-feira, 3 de julho de 2020

PARA FAZER JUSTIÇA À TOMÉ: REFLEXÕES SOBRE A FÉ DO DISCÍPULO

Igreja celebra São Tomé, o discípulo que ganhou fama de incrédulo, mas é exemplo de seguimento
Tomé descobre, pedagogicamente, que não é preciso ver e tocar o Ressuscitado para ser alcançado por ele (Pixabay)
Hoje, 03 de julho, o calendário litúrgico dedica à celebração de São Tomé. Esse é um apóstolo que caiu nas graças dos dizeres populares, por causa de um episódio narrado pelo Evangelho de João, no contexto de uma das aparições do Ressuscitado. Na primeira das aparições, Tomé não estava reunido com os discípulos. É interessante: os discípulos estavam reunidos, trancados, por medo dos judeus. E Tomé não estava lá. Noutra ocasião, oito dias depois, Tomé estava com os outros, quando novamente se manifesta o Ressuscitado. Nessa ocasião, Tomé pôde superar a suposta "incredulidade", quando o Ressuscitado se dirige diretamente e ele.
Reze conosco em Meu dia com Deus
Mas, será que Tomé é, de fato, incrédulo? Olhar com atenção e sensibilidade para os traços que nos trazem os evangelhos é importante para perceber que a personalidade do discípulo não deve ser identificada apenas a partir de uma das narrativas. E mais: mesmo a partir dessa narrativa específica, na qual ele deseja ver e tocar o Cristo, para crer que ele tivesse mesmo Ressuscitado, é possível descobrir elementos teológicos fortes e significativos a respeito desse personagem. Tomé, na narrativa, coloca como critério poder ver e tocar o Ressuscitado, para crer. Ora, a Ressurreição de Jesus é uma realidade inaudita na vida dos discípulos do Nazareno: de fato, como realmente crer que aquele que havia sido morto como um maldito, na cruz, pudesse ter ressurgido para uma vida que não tem fim?
O que Tomé descobre, pedagogicamente, é que não é preciso ver e tocar o Ressuscitado, para ser alcançado por ele. Isso, os outros discípulos que estavam presentes na primeira aparição de Jesus não haviam sido capazes de ensinar a Tomé. O discípulo, pois, não estava imerso em incredulidade: o que havia faltado era uma oportunidade, bastante catequética, a fim de que ele pudesse ter acolhido, com fé, o testemunho dos outros discípulos. Uma vez que o Ressuscitado se manifesta, mistagogicamente, a Tomé, ele é capaz de fazer uma experiência intensa e proclamar uma das mais profundas profissões de fé dos evangelhos: "meu Senhor e meu Deus!" (Jo 20,28).
Experiência pessoal e educação da e para a fé, junto à comunidade, são dois elementos importantes aos quais devemos nos atentar, se queremos compreender, com justiça, o apóstolo Tomé, bem como aprender dele alguma coisa a respeito de nosso próprio discipulado, hoje. É o que nos propomos no Dom Especial desta semana.
No primeiro artigo, "Vamos nós para morrermos com ele" (Jo 11,16), Eduardo César retoma um importante versículo do Evangelho de João, que muitas vezes nos passa despercebido quando o assunto é o apóstolo Tomé, para nos ajudar a perceber a coragem do discípulo que tem muito a nos ensinar. O segundo artigo, Santa insistência, de Gustavo Ribeiro, propõe uma hermenêutica a respeito da narrativa joanina sobre Tomé, bastante atenta às interpelações para o discipulado em nosso tempo. Por fim, Daniel Couto nos propõe o artigo Comunidade: escola da fé, no qual amarra nossa reflexão, a partir da perspectiva comunitária da educação da fé, tão fundamental para os discípulos e discípulas do Ressuscitado.
Boa leitura!

Fonte: Domtotal

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