sexta-feira, 11 de setembro de 2020

ALIMENTAR-SE DAS ESCRITURAS: A PEDAGOGIA DO MÊS DA BÍBLIA

Nem só de pão vive o ser humano, mas de toda Palavra que sai da boca de Deus (cf. Mt 4,4) (Unsplash/Shelby Miller)

A Igreja do Brasil dedica o mês de setembro à valorização das Sagradas Escritura.

Há um relato bastante interessante, no Livro de Ezequiel, quando Deus dá uma ordem ao profeta: "'Filho do homem, come o que tens diante de ti! Come este rolo e vai falar à casa de Israel'. Eu abri a boca e ele me fez comer o rolo, dizendo: 'Filho do homem, alimenta teu ventre e sacia tuas entranhas com este rolo que te dou?. Eu o comi, e era doce como mel em minha boca" (Ez 3,1-3). O episódio narrado faz parte do contexto da vocação profética de Ezequiel. É uma narrativa que dá o que pensar! No Antigo Testamento, em muitas passagens, há a exortação expressa para que se medite, dia e noite, a Lei do Senhor. Essa Lei é a Palavra, como verdadeira instrução para o bem viver.

Virou um costume, na Igreja do Brasil, que todo mês de setembro seja dedicado à Bíblia, uma vez que no dia 30, em que se celebra São Jerônimo ?" o que fez a tradução da Bíblia para o latim, a Vulgata ?" comemora-se, também, o dia da Bíblia. O mês temático tem um papel pedagógico: incentivar os fiéis católicos à leitura e meditação dos textos das Escrituras, como alimento espiritual. Bem se sabe que, na história do catolicismo, a Bíblia nem sempre pôde estar nas mãos dos fiéis e isso não foi sem consequência: a leitura e meditação bíblicas não é um hábito muito comum entre católicos. Graças a boas iniciativas, tais como a dos Círculos Bíblicos, bem como da Leitura Orante da Bíblia, essa realidade tem mudado. E é nesse contexto que o mês da Bíblia tem sua importância, o de promover essa consciência de que a Palavra de Deus é lâmpada para nossos passos (cf. Sl 119,105).

Numa ocasião, relata-nos o Evangelho, Jesus citou o Deuteronônio (cf. 8,3), para dizer que nem só de pão vive o ser humano, mas de toda Palavra que sai da boca de Deus (cf. Mt 4,4). É bastante simbólica a postura de Ezequiel, nesse sentido, de comer o rolo da Lei: torna bastante explícita a importância de se alimentar da Palavra, para dela viver; para nela pautarmos nossos passos. Os textos das Sagradas Escrituras revelam-nos um infinito de experiências ricas: a multiplicidade de gêneros, linguagens, de perspectivas e de teologias fazem desse livro uma verdadeira biblioteca. Manducar desses textos é enriquecermo-nos não só espiritualmente, mas também culturalmente: é mergulhar num universo tão vasto e rico que é impossível não nos afetarmos por ele.

O Dom Especial desta semana, na lógica da pedagogia própria do mês da Bíblia, propõe três artigos que buscam suscitar o desejo por um debruçar-se sobre as Escrituras. No primeiro artigo, Palavra da salvação é Palavra celebrada, Lorena Alves Silveira articula a fundamental relação entre Liturgia e Palavra, interpelando a que vivamos uma experiência bíblica, como verdadeira celebração. Daniel Couto propõe o artigo Recordar a Palavra: a pedagogia do mês da Bíblia, no qual busca responder o porquê de se dedicar uma mês à temática, pautando sua reflexão no binônimo palavra-carne, tão fundamental para o cristianismo. Por fim, Solange Maria do Carmo, no artigo Abrir as mãos para viver, faz uma hermenêutica do tema proposto especificamente para o mês da Bíblia deste ano, inspirado no Livro do Deuteronômio.

Boa leitura!

*Felipe Magalhães Francisco é teólogo. Articula a Editoria de Religião deste portal. É autor do livro de poemas Imprevisto (Penalux, 2015). E-mail: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com

 Fonte:dom total.com


 

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