quarta-feira, 16 de setembro de 2020

CURSO PARA DIACONISAS COMEÇA NA ALEMANHA

Formação se antecipa a processos de renovação e mudança que, segundo diretora, levam muito tempo na Igreja

Diáconos, homens e mulheres, caminham em procissão durante o encontro da Associação de Diáconos Anglicanos no Canadá em 2014 (anglican.ca)

Lucía López Alonso*

Na Casa Mãe das Irmãs Franciscanas em Waldbreitbach (Renânia-Palatinado), é oferecida uma qualificação chamada "Serviço de liderança diaconal para mulheres". Um curso para diaconisas que visa preparar mulheres para este ministério, mesmo que a Igreja Católica ainda não o tenha aprovado.

"Como historiadora, sei que os processos de renovação e mudança levam muito tempo na Igreja", reconhece Irmentraud Kobusch, diretora da associação que criou o curso, a "Rede Diaconica de Mulheres". Kobusch afirma que não pode "dizer quando, mas estou firmemente convencida, como todos os homens e mulheres da rede, de que os esforços para abrir o diaconato às mulheres vão acabar dando frutos".

Previsto para três anos de duração, o curso terá início em breve. "Já temos 16 mulheres na linha de partida", diz Kobusch. O curioso é que esta não é a primeira edição do curso, que já foi ministrado em 1999 e 2003. Mas é, na perspectiva de Kobusch, a que vai se materializar em um panorama eclesial mais propício à reforma.

O curso busca que mulheres interessadas "adquiram aptidões que possam utilizar em muitos lugares da Igreja", assumindo que, atualmente, elas estão empenhadas no trabalho social da Igreja ou no "cuidado pastoral de enfermos e idosos", mas não têm acesso ao diaconato .

"Devemos ter em conta que daqui a dois anos pode não ser possível, sem virarmos as costas para a Igreja ou cair em uma raiva destrutiva e decepção", explica Kobusch. Consequentemente, o curso ajuda as mulheres a administrar a tensão gerada pelo veto sofrido e as convida à esperança .

Enquanto isso, formam-se em "diaconia, liturgia e proclamação. Sempre com o olhar voltado às necessidades das pessoas de hoje", afirma Irmentraud Kobusch, as alunas devem fazer um caminho pessoal de reflexão sobre sua vocação. O papa Francisco, desde que foi realizado o Sínodo da Amazônia, assim como a Igreja alemã em meio ao seu processo sinodal, também tem muito a refletir para chegar a uma Igreja menos estreita, que inclua mulheres em seus ministérios.

Publicado originalmente em Religión Digital


Tradução: Gilmar Pereira

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