segunda-feira, 14 de setembro de 2020

MANDANTE E EXECUTOR DO MASSACRE DE JESUÍTAS EM EL SALVADOR CONDENADO A 133 ANOS DE PRISÃO NA ESPANHA





Estudante salvadorenho leva retrato do sacerdote jesuíta Ignacio Ellacuría, assassinado em 16 de novembro de 1989 
O julgamento dos responsáveis pelos assassinatos dos jesuítas espanhóis em El Salvador teve início em 8 de junho do corrente em Madri. O processo teve início há mais de dez anos, sendo movido pelos jesuítas e pela Associação Espanhola de Direitos Humanos (APDHE).

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O ex-coronel e vice-ministro Inocente Orlando Montano Morales foi condenado pela Audiencia Nacional de Madrid a 133 anos e 4 meses de prisão como um dos mandantes e executores do massacre perpetrado pelas Forças Armadas salvadorenhas no campus da Universidade Centro-americana José Simeón Cañas (UCA), em 16 de novembro de 1989, na qual foram assassinados o reitor, padre Ignacio Ellacuría, e os sacerdotes Armando López, Juan Ramón Moreno, Segundo Montes e Ignacio Martín Baró, todos jesuítas espanhóis.

Montano também foi declarado culpado pelo assassinato do jesuíta salvadorenho Joaquín López, da cozinheira Julia Ramos e de sua filha Celina, ocorrido na mesma circunstância, mas não pode ser condenado por estes últimos crimes, pois não se enquadram na extradição do imputado, concedida em 2017 pelos Estados Unidos.

A Província espanhola dos jesuítas expressou satisfação pela sentença relativa aos "mártires da UCA", como são conhecidos. Congratulando-se com as organizações de direitos humanos e os familiares das vítimas, que moveram o processo na Espanha, o Superior Provincial, padre Antonio Espana - na enviada à Agência Fides – faz votos de que a sentença “facilite o trabalho da justiça em El Salvador”, promovendo o reconhecimento às vítimas, a reconciliação do país e a paz.

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“A Companhia de Jesus na América Central e a UCA – acrescenta o religioso - continuarão trabalhando, como fizeram até agora, por um julgamento justo em El Salvador, conforme anunciado na declaração conjunta emitida em 7 de junho”.

Por fim, recordou que os jesuítas expressaram sua disponibilidade em perdoar aqueles que planejaram e cometeram este crime horrendo, “mas é necessário primeiro que se reconheçam os fatos, a verdade seja esclarecida e identificadas as correspondentes responsabilidades”.

Também a Universidad Centroamericana José Simeón Cañas (UCA) publicou um comunicado - enviado à Fides - no qual, entre outras coisas, reitera a importância de que “o julgamento relativo à matriz intelectual do massacre dos jesuítas e seus colaboradores, seja feito em El Salvador”.

As provas e os testemunhos examinados durante o julgamento na Espanha deixaram evidente "o sistema de ocultação e impunidade que norteou as Forças Armadas e, em certa medida, o Estado salvadorenho, em face das gravíssimas violações dos direitos humanos cometidas durante a guerra civil".

Com o processo ficou claro que as Forças Armadas, e em particular a Escola Militar de 1966, foram "uma máquina criminosa e ocultadora dos graves atentados contra a cidadania salvadorenha e o estado de direito, apropriando-se de um poder de fato que vai além do direitos e funções que lhe são atribuídos pela constituição".

A UCA faz votos que esta decisão ajude a consciência nacional e a justiça salvadorenha "a dar passos concretos em direção à verdade e à justiça, não só no caso dos jesuítas, mas também em todos os casos pendentes de graves violações dos direitos humanos".

“As condenações judiciais por homicídio ou terrorismo nunca são motivo de alegria - continua o texto - mas constituem um reconhecimento formal, jurídico e democrático da verdade e um estímulo e uma garantia de que tais atos desumanos não se repitam”.

Reiterando que “o caminho de reparação passa pelo conhecimento da verdade, pela prática da justiça e do perdão”, a UCA sublinha que continuará o seu trabalho “para contribuir para uma nova realidade onde o amor, a reconciliação e a justiça sejam valores essenciais".

(SL - Agência Fides)
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