terça-feira, 13 de outubro de 2020

APESAR DE CRISE MUNDIAL, BILIONÁRIOS FICARAM AINDA MAIS RICOS NA PANDEMIA

Elon Musk, da americana Tesla, em visita ao local de sua futura fábrica de carros elétricos em Gruenheide, perto de Berlim, Alemanha (Odd Andersen/AFP)

Fortuna acumulada dos bilionários atingiu mais de US$ 10,2 trilhões

A fortuna dos bilionários cresceu durante a pandemia da Covid-19, passando de US$ 10 trilhões (cerca de R$ 55,8 trilhões), graças ao aumento das Bolsas e apesar do golpe sofrido pela economia mundial.

Segundo estudo do banco suíço UBS e da agência de auditoria e assessoria PWC, a fortuna acumulada dos bilionários atingiu mais de US$ 10,2 trilhões (R$ 57 trilhões), um novo recorde desde 2017, ano em que as fortunas dos mais ricos chegou a US$ 8,9 trilhões (R$ 49,7 trilhões).

Apesar do terremoto causado pela quebra do mercado de ações em março, que viu grandes fortunas abandonarem este seleto clube, a fortuna dos bilionários se recuperou rapidamente, graças aos gigantes da tecnologia e da saúde.

Segundo os autores do relatório, que todo o ano analisam a evolução da riqueza dos megarricos no estudo intitulado "Relatório dos bilionários", esse círculo privilegiado contava com 2.189 membros no final de julho, 31 a mais do que em 2017.

"Tanto para os bilionários quanto para a economia como um todo, 2020 será um ano importante", avaliam os autores do estudo, destacando que "o vendaval da Covid-19 acelerou a divergência" entre os milionários emergentes nos setores de tecnologia, saúde e indústria e as fortunas mais tradicionais.

Em março, a crise de saúde desencadeou uma quebra brutal do mercado de ações, após temores sobre o crescimento econômico e o risco de falências em cadeia de pequenas e médias empresas, bem como a queda da demanda e aumento do desemprego.

O vendaval atingiu a fortuna dos bilionários, que caiu 6,6% em algumas semanas de fevereiro e março, segundo os autores do estudo, embora essas perdas tenham sido rapidamente recuperadas. Entre abril e fim de julho, aumentou 27,5%, em com a recuperação das Bolsas.

Saúde e tecnologia

Esses números escondem, porém, movimentos importantes dentro do grupo de grandes fortunas.

Na Ásia-Pacífico, a região com o maior número de novos bilionários na última década, o valor acumulado de sua fortuna caiu 2,1% entre o fechamento de contas em 2019 e o início de abril, chegando a algo em torno de US$ 2,4 trilhões (R$ 13,4 trilhões).

Pelo menos 124 pessoas deixaram essa lista, embora a fortuna de 136 pessoas tenha aumentado para ingressar no clube dos megarricos. "As fortunas estão-se polarizando", apontam os autores do estudo.

Os maiores beneficiários são empresários que estão revolucionando os setores de tecnologia, saúde e equipamentos médicos, como o bilionário sul-africano Elon Musk, ou a chinesa Zhong Huijuan.

Esta ex-professora de Química tem uma fortuna estimada em cerca de US$ 20,4 bilhões (R$ 114 bilhões), de acordo com a revista Forbes, acumulados depois da entrada de sua empresa, Hansoh Pharmaceutical, na Bolsa no ano passado.

Desde 2018, a fortuna dos bilionários do setor de tecnologia aumentou para em torno de US$ 1,8 trilhão (R$ 10 trilhões), 42,5% a mais, de acordo com este estudo.

A dos bilionários da área da saúde aumentou 50,3%, com valor acumulado estimado em US$ 658,6 bilhões (R$ 36,7 trilhões).

Já as fortunas daqueles que estão no "lado ruim das tendências econômicas, tecnológicas, sociais e ambientais" encolheram. Comparativamente, o patrimônio líquido dos bilionários em setores como entretenimento, serviços financeiros, ou imobiliário, cresceu, no máximo, "apenas" 10%.

Domtotal 
AFP

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