sábado, 17 de outubro de 2020

NOVA IGREJA, GERA NOVOS MISSIONÁRIOS PARA NOVOS TEMPOS

Via crucis de Esquivel
Desde que assumiu em 2013 o pontificado, o novo Papa, adotou o nome de Francisco, que na história da igreja fala muito. Este nome significa  uma mudança, uma ruptura com os nomes dos papas e uma lembrança de Francisco de Assis que mesmo durante a Idade Média foi uma luz para a humanidade e a igreja que vivia a contradição da acumulação no meio da grande exploração e miséria  de muitos. 

Hoje, este contexto tem novos adornos e novos personagens, em especial  em nosso Brasil, onde o cristianismo protestante  tem se tornado um negócio lucrativo e apoiado todo tipo de injustiças em nome de um Deus da morte aliado a governantes  corruptos e autoritários. Da outra parte ainda continua um cristianismo  católico   que ainda não se reconciliou com os novos tempos,  nem com sua origem, e vive namorando o cristianismo protestante  acima citado. Existe ainda um cristianismo popular que vive alimentado pelas devoções católicas  e pelo tradicionalismo  religioso  do imaginário popular. Finalmente ainda existe alguns traços de um cristianismo de libertação que em alguns momentos e em alguns pouco lugares  teve uma breve emancipação, mas  hoje serve geralmente para pesquisas.

Na sua última carta  dirigida a igreja e a humanidade, o papa Francisco nos lembra uma grande verdade esquecida, somos todos irmãos, num mundo onde todos querem ser donos ou superiores.  E em breve o Papa Francisco  deve anunciar uma importante reforma  que é da administração da comunidade  cristã  que deve ser orientada  pelo anúncio do Evangelho e não pela burocracia  que não leva em conta a vida e realidade das pessoas.

Além desta reforma, uma outra reforma é muito urgente. A reforma  na formação dos líderes religiosos católicos  chamados de padres que ainda refletem no mais otimismo cenário  o século XIX, alguns veem ainda como o pré iluminismo. Onde um dos  objetivos fundamentais  da religião  era combater o ateismo.

Numa nova igreja que pretende gerar novos missionários  para novos tempos, a padronização deve abrir espaços para uma pluralidade e diversidade  de formas de comunhão e participação visto a diversidade  de culturas e multiplicidades  realidades.

Hoje, num mundo pós moderno e de múltiplas tecnologias a formação de um padre dura em média uma década, as pessoas de carne e osso  não esperam e não entendem por que de  centenas de milhões de católicos só conseguem formar algumas centenas de padres por ano. A resposta é simples e precisa da coragem dos nossos bispos, formadores e conselhos dos consultores diocesanos  para a realidade local. Pois o nosso povo precisa de líderes que amam seu povo e sejam uma presença servidora e animadora da comunidade. Os burocratas que falam  para pessoas do século XIX  e responde  questões  abstratas formados nos antigos e atuais seminários com raras e honrosas exceções, apenas são caros  e passam a maior parte do tempo cuidando dos seus paramentos.

É necessário e urgente em nosso tempo priorizar a formação inicial de verdade: o que leva o jovem para ser padre? Certamente não é ficar trancafiado  uma década num seminário para fazer parte de uma elite sacerdotal, tempo que pode ser reduzido pela metade  priorizando a formação teológica, humana e missionária com uma vivência mais próxima da realidade onde ele deve viver.

Nosso povo não quer títulos acadêmicos dos religiosos e outras certificações que o cristianismo católico perde muito tempo. Nosso povo precisa de líderes que sejam presença junto as pessoas que não podem esperar uma década  para ouvir líderes religiosos que se esquecem da mensagem de Jesus Cristo para anunciar uma cultura ou uma doutrina que não faz mais sentido no século XXI.

Que estas provocações possam nos ajudar a despertar de um sono que já dura algumas décadas.

Pe. Antonio Rodrigues

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