sexta-feira, 9 de outubro de 2020

SANTA SÉ PEDE CANCELAMENTO DA DÍVIDA DE PAÍSES VULNERÁVEIS NA ONU

Dom Gabriele Giordano Caccia é o representante da Santa Sé junto à ONU (Reprodução Youtube ?" Loyola School of Theology)
Dom Caccia defendeu que pacotes de retomada econômico e de regeneração sejam usados para o para o bem comum
"A Santa Sé encoraja este comitê a encontrar a maneira de enfatizar as implicações éticas e mais amplas da atividade econômica nos próximos anos e a necessidade de transformar a economia para que esteja realmente a serviço da pessoa humana."
Foi o que disse o observador permanente da Santa Sé, na ONU, dom Gabriele Caccia, durante seu discurso nesta quarta-feira (07), em Nova York, no qual ofereceu algumas reflexões sobre questões de política macroeconômica.
Primeiramente, dom Caccia sublinhou que a inclusão financeira e o desenvolvimento sustentável foram gravemente atingidos pela pandemia da Covid-19, e teve "um impacto devastador na economia, no emprego, na produção sustentável, no comércio internacional e nacional". Estados, famílias e indivíduos, quase ninguém escapou das dificuldades econômicas devido às consequências do vírus, mas algumas pessoas e alguns países sentiram mais o impacto. "Os países em desenvolvimento, ao administrar a pandemia com sistemas de saúde muitas vezes inadequados, foram atingidos por um triplo choque econômico: queda na demanda de exportação, queda nos preços das matérias-primas e uma fuga de capital sem precedentes".
Para superar esta recessão econômica global, dom Caccia convidou todos a trabalharem juntos para garantir que os "pacotes de retomada" econômicos, os "pacotes de regeneração", estejam a serviço do bem comum. "O objeto de particular atenção nos esforços de retomada devem ser as micro, pequenas e médias empresas, pois são elas que constituem a espinha dorsal das economias tanto dos países desenvolvidos quanto dos países em desenvolvimento", frisou o representante vaticano, e os trabalhadores com empregos "informais", com trabalhos de meio período ou sazonais, muitos deles migrantes, que recorrem a organizações beneficentes e instituições religiosas para sobreviver.
Diante da obrigação dos Estados em desenvolvimento de desviar os recursos nacionais escassos para o pagamento da dívida, prejudicando o desenvolvimento integral, enfraquecendo os sistemas de saúde e educação, reduzindo "a capacidade dos Estados de criar condições para a realização dos direitos humanos fundamentais", o arcebispo salientou que "a Santa Sé deseja incentivar a Comunidade internacional a enfrentar os crescentes desequilíbrios econômicos entre os Estados através da reestruturação da dívida e, em última instância, "o cancelamento da dívida dos países mais vulneráveis", em vista a crise de saúde, social e econômica que devem enfrentar por causa da Covid-19.
Dom Caccia convidou à cooperação internacional a fim de combater os fluxos financeiros ilícitos (IFF), que subtraindo "recursos dos gastos públicos e cortando os capitais disponíveis para os investimentos privados, privam os países dos recursos necessários para fornecer serviços públicos, financiar programas de redução da pobreza e melhorar a infraestrutura", e incentivam atividades criminosas que prejudicam o Estado de Direito e a estabilidade política.
"O trabalho das Nações Unidas sobre questões de política macroeconômica deve refletir atentamente sobre as implicações éticas a fim de que cada pessoa possa alcançar a prosperidade econômica e cada país possa viver em paz", concluiu o representante da Santa Sé.

Vatican News

 


 

Nenhum comentário:

Postar um comentário