quinta-feira, 5 de novembro de 2020

CNBB ALERTA PARA 'BATALHA RELIGIOSA' NAS ELEIÇÕES 2020: 'QUEM CONVENCER, GOVERNARÁ'


Análise de conjuntura ressalta influência religiosa no pleito municipal, que deve pesar na escolha do eleitor apesar dos problemas locais

Material é oferecido aos bispos como subsídio, mas não se trata de um pensamento ou orientação da entidade. (Marcelo Camargo/ABr)

Thiago Ventura

As eleições brasileiras serão, mais uma vez, marcadas pela influência das igrejas com a ocorrência de uma 'batalha religiosa' na defesa de discursos e pautas morais. Esse é um dos pontos levantados por uma análise de conjuntura publicada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O material é oferecido aos bispos como subsídio, mas não se trata de um pensamento ou orientação da entidade.

Segundo o documento, os discursos negacionistas em relação à covid-19 e a crise econômica provocam descrença na ciência e na política, deixando os brasileiros mais suscetíveis ao discurso religioso em busca de certezas. Dessa forma, o estudo prevê uma "batalha de narrativas", que pode beneficiar políticos alinhados à religião. "O que estamos vivendo é ressignificação do certo e do errado, do bem e do mal, do que é justo e do que é injusto. E quem convencer, governará", diz o texto.

O documento foi preparado por uma equipe composta por bispos, professores universitários e representantes de entidades da sociedade e de organismos ligados à CNBB, peritos nas áreas da economia, direito, política, cultura e teologia. Trata-se do quinto material publicado pela conferência, com o título 'Eleições municipais de 2020 e o fortalecimento da democracia local'. A produção é do Grupo de Análise de Conjuntura, nomeado pela presidência da CNBB e sob a coordenação de dom Francisco de Lima Soares, bispo de Carolina (MA).

Ao longo das 20 páginas, o documento lista as mudanças no processo eleitoral e detalha a relevância do pleito municipal na conjuntura nacional, com vista a 2022. Contudo, na parte mais significativa, o texto se debruça sobre a influência religiosa nas eleições e o papel da CNBB.

O estudo aponta para o aumento do fenômeno dos políticos neopentecostais com alinhamento à extrema-direita e na defesa de pautas morais. O número de 5.555 candidatos com algum título religioso no nome de urna nas eleições é lembrado, além da informação de que a bancada evangélica triplicou no Congresso nos últimos 20 anos. O termo 'batalha' é citado nove vezes ao longo do texto, desde a disputa realizada ano passado na eleição dos conselheiros tutelares até o que o grupo considera como 'batalha de narrativas' neste ano.

Sem fechar nós, o texto conclui com apelo para que lideranças católicas não fiquem imobilizadas durante o processo eleitoral e sugere que a CNBB mantenha a defesa de maior participação de mulheres e negros na política e no combate à fake news eà corrupção. A conjuntura também recomenda o apoio a iniciativas e a responsabilidade política das leigas e dos leigos espalhados pelas inúmeras dioceses e paróquias em todo o país.

"Se valores importantes estão em xeque, de que forma podemos contribuir para a ressignificação dos conceitos, a partir de princípios verdadeiramente cristãos, que possam orientar as pessoas e ajudá-las a tomar suas decisões" Como estabelecer uma relação de respeito e diálogo, que possibilite a construção de alianças em torno de valores e princípios éticos cristãos, em uma sociedade tão polarizada? Como fazer para que a nossa mensagem de paz e bem possa ser ouvida em cada cidade, em cada bairro, em cada lar, em cada coração e mente dos cidadãos do Brasil? São questões que todos os cristãos precisam responder e com urgência.?

Fortalecimento da democracia

A ideia de tornar o material de acesso público é para  "contribuir para a ação de outras forças eclesiais e sociais que buscam protagonismo na construção de um novo tecido social gerador de uma sociedade justa, fraterna e solidária, em especial cuidado com a Casa Comum".

Segundo dom Francisco de Lima Soares, tem comunicado publicado no site da CNBB, a Análise de Conjuntura é um "instrumento norteador para os bispos fazerem sua própria análise, um instrumento de diálogo e um serviço à CNBB". Os documentos produzidos são:






Integram o Grupo de Análise de Conjuntura: dom Francisco Lima Soares (Bispo de Carolina" MA), frei Olávio Dotto (Pastorais Sociais/CNBB), Pe. Paulo Renato Campos (Assessor de Política da CNBB), Pe. Thierry Linard de Guterchin (Centro
Cultural de Brasília" CCB/OLMA), Antonio Carlos A. Lobão (PUC Campinas), Francisco Botelho (perito), Gustavo Inácio de Moraes (PUC-RS), Ricardo Ismael (PUC-RJ), Manoel S. Moraes de Almeida (Universidade Católica de Pernambuco), Marcel Guedes Leite (PUC-SP), Robson Sávio Reis Souza (PUC Minas), Melillo Dinis do Nascimento (Inteligência Política) e Maria Lúcia Fatorelli (Auditoria Cívica da Dívida e Tânia Bacelar (UFPE)


Redação Dom Total

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