segunda-feira, 16 de novembro de 2020

JOSÉ ANTONIO PAGOLA: "NO FINAL NÃO SEREMOS JULGADOS DE UMA FORMA GERAL SOBRE O AMOR"

Nós, cristãos, falamos sobre amor há vinte séculos. No entanto, Jesus quase nunca pronuncia a palavra "amor" nos Evangelhos.
No final, não seremos julgados de uma forma geral sobre o amor, mas sobre algo muito mais concreto: o que fizemos quando encontramos alguém que precisava de nós?
Estamos preparando nosso fracasso final sempre que fechamos os olhos para as necessidades dos outros
O último e decisivo ensinamento de Jesus é este: o reino de Deus é e sempre será daqueles que amam os pobres e os ajudam em suas necessidades.
Nós, cristãos, falamos sobre amor há vinte séculos. Repetimos constantemente que o amor é o critério último para toda atitude e comportamento. Afirmamos que do amor o julgamento final será pronunciado sobre todas as pessoas, estruturas e realizações dos homens. Porém, com aquela bela linguagem do amor, muitas vezes podemos estar escondendo a mensagem autêntica de Jesus, muito mais direta, simples e concreta.
É surpreendente observar que Jesus quase não pronuncia a palavra "amor" nos Evangelhos. Nem nesta parábola que descreve o destino final dos humanos. No final, não seremos julgados de maneira geral sobre o amor, mas sobre algo muito mais concreto : o que fizemos quando encontramos alguém que precisava de nós? Como reagimos aos problemas e sofrimentos de pessoas específicas que encontramos em nosso caminho?
O que é decisivo na vida não é o que dizemos ou pensamos, o que acreditamos ou escrevemos. Nem são os sentimentos bonitos ou os protestos estéreis suficientes. O importante é ajudar quem precisa de nós.
Muitos de nós, cristãos, nos sentimos contentes e calmos porque não causamos a ninguém um mal especialmente grave. Esquecemos que, segundo a advertência de Jesus, estamos preparando nosso fracasso final sempre que fechamos os olhos às necessidades dos outros, sempre que fugimos de qualquer responsabilidade que não seja em nosso próprio benefício, sempre que nos contentamos em criticar tudo, sem dar uma mão. a ninguém.
A parábola de Jesus nos obriga a nos colocarmos em questões muito específicas: Estou fazendo algo por alguém? Que pessoas posso ajudar? O que faço para que um pouco mais de justiça, solidariedade e amizade reine entre nós? o que mais eu poderia fazer?
O último e decisivo ensinamento de Jesus é este: o reino de Deus é e sempre será daqueles que amam os pobres e os ajudam em suas necessidades. Isso é o essencial e o definitivo. Um dia nossos olhos se abrirão e descobriremos com surpresa que o amor é a única verdade e que Deus reina onde há homens e mulheres capazes de amar e cuidar dos outros.

 

Fonte:religiondigital

 


 

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