sábado, 19 de dezembro de 2020

ATO INTER-RELIGIOSO E ECUMÊNICO RETOMA CHAMADO PARA O COMPROMISSO ANTIRRACISTA

Manifestantes em frente ao Carrefour em Porto Alegre protestam, em novembro, pelo assassinato de João Alberto, morto pelos seguranças da loja (Guilherme Gonçalves/FotosPublicas)

Organizações entendem que silêncio religioso sobre racismo é cúmplice e vergonhoso.

Neste domingo, 20 de dezembro, organizações do movimento negro, religiosas e de direitos humanos realizam o ato inter-religioso e ecumênico Minha fé é antirracista – em defesa de todas as vidas negras. A data marca um mês do assassinato de José Alberto Freitas e retoma o chamado feito pelo movimento social negro no dia 20 de novembro para o compromisso antirracista.

Na ocasião, entidades religiosas de diferentes credos e organizações de direitos humanos de todo o Brasil, convocam fiéis e cidadãos brasileiros comprometidos com a justiça social, para que manifestem sua indignação frente ao genocídio da população negra. "Também chamamos à sociedade brasileira a acompanhar as vozes do ativismo social negro em Porto Alegre, que junto aos entes queridos e amigos de João Alberto, irá manifestar sua inconformidade e indignação em frente ao Carrefour Passo D'Areia as 15 horas, no mesmo dia", afirma a organização do evento.

O clamor é também pela manutenção da vida de crianças, jovens, homens e mulheres negras. Um clamor histórico das vozes dos movimentos sociais negros que em junho deste ano culminou na publicação do Manifesto: "Enquanto houver racismo, não haverá democracia" articulado pela Coalizão Negra por Direitos. O documento político exige o comprometimento da sociedade brasileira com o fim do processo contínuo de genocídio da população negra.

Hoje as organizações que convocam o ato 'Minha fé é antirracista' entendem que passa da hora de romper um silêncio que é cúmplice e vergonhoso. É preciso que nos somemos às articulações do movimento social negro, como a Coalizão Negra por Direitos, e exijamos de conjunto a concretude de posturas antirracistas em cada canto do Brasil, afirma a organização do evento.

Participarão destas mobilizações os familiares do João Alberto Silveira Freitas, ao lado de lideranças do movimento negro de Porto Alegre e de entidades com atuação em âmbito nacional. A celebração contará ainda com as lideranças religiosas: Bàbá Diba de Iyemonjá, representando o Conselho do Povo de Terreiro do estado do Rio Grande do Sul; Ìyá Sandrali de Oxum, representando Mulheres de Axé da Rede Nacional de Religiões Afro brasileiras e Saúde; dom Zanoni Demettino Castro, representando a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB); a Monja Coen, representando a Comunidade Zen Budista; rabino Ruben Sternschein, da Congregação Israelita Paulista (CIP), e a pastora Luterana Cibele Kuss, representando o Fórum Inter-religioso e Ecumênico pela Democracia/RS.

A transmissão do evento se dará às 11h nas redes sociais da Coalizão Negra por Direitos, Twitter e Facebook, com retransmissão nas redes sociais das entidades que organizam o evento.


Dom Zanoni

O arcebispo de Feira de Santana, na Bahia, e bispo referencial da Pastoral Afro brasileira, dom Zanoni Demettino Castro, irá participar do evento representando a CNBB. Em vídeo gravado para a ocasião, ele falou sobre a motivação:

Faço minhas as palavras do papa Francisco, por ocasião da morte de um homem negro americano George Floyd: "Não podemos tolerar e fechar os olhos diante de nenhuma forma de racismo ou exclusão".

Toda essa violência ideologicamente sustentada não irá nos amedrontar. Não iremos retroceder às vidas negras. Justamente nesse tempo nós relembramos, fazemos memória dos 325 anos do assassinato de Zumbi dos Palmares, grande ícone da luta e da resistência do povo negro. O negro nunca aceitou esse crime que lesa a humanidade.

Nós queremos compreender como cristãos, a exemplo do ensinamento do apóstolo São Paulo: "Já não há judeu, nem grego, nem escravo, nem livre, nem homem, nem mulher, todos somos um em Jesus Cristo".

Que o senhor nos ajude nessa caminhada, nessa travessia. Jesus Cristo, o moreno da Galileia, o quilombola de Nazaré, e também com a sua mãe Maria, a soberana quilombola.

Nossa fé é antirracista!

Convocam o ato:

Artigo 19

Cenarab – Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira

CIP – Congregação Israelita Paulista

CNBB – Conferência Nacional do Bispos do Brasil/Pastoral Afro Brasileira

Coalizão Negra por Direitos

Comissão Arns

Conectas Direitos Humanos

CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil

Conselho do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul

FIRE – Fórum Inter-religioso e Ecumênico do RS

FLD – Fundação Luterana de Diaconia

Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito

IBD – Instituto Brasileiro de Diversidade

IDAFRO- Logotipo do comerciante

Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras

Iser – Instituto de Estudos da Religião

MNU – Movimento Negro Unificado

Mulheres de Axé da Renafro

Renafro – Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde

Themis – Gênero, Justiça, Direitos Humanos

UNI – União Nacional Islâmica

Zendo Brasil – Comunidade Zen Budista


 Fonte: CNBB

 


 

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