quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

BISPO SUÍÇO PRETENDE REDUZIR O NÚMERO DE PADRES PARA METADE

Bispo suíço Charles Morerod de Lausanne-Genebra-Friburgo, em 15 de maio de 2018 em Genebra. (Jea-Christophe Bott/Maxppp)
Dificuldade de aceitar a cultura igualitária do país também levará a redução do clero estrangeiro incardinado
O bispo suíço Charles Morerod anunciou planos para reduzir o número de padres da sua diocese de Lausanne-Genebra-Friburgo (LGF), que dirige desde 2011, dos atuais 345 para 170.
Atualmente com 59 anos, o prelado é um teólogo dominicano que desempenhou já a função de secretário-geral da Comissão Teológica Internacional e foi reitor da Pontifícia Universidade de Santo Tomás de Aquino (o Angelicum), de Roma. Tem-se manifestado sobre a necessidade de uma profunda reforma eclesial, chegando mesmo a discordar dos seus confrades. Em declarações recentes à agência católica suíça Cath.ch, Morerod observou que, "na maioria das vezes, as pessoas falam sobre a falta de padres, ao passo que (aqui) há uma abundância de padres". E acrescentou: "Só em Friburgo, uma pequena cidade de 38 mil habitantes, há 40 missas todos os domingos, o que excede a procura."
Explicando o sentido e alcance das medidas que defende, o bispo Morerod disse estar convencido de que, havendo menos padres, isso fará com que haja mais fiéis por celebração. "Esta é uma estimativa esquemática, que leva em conta o envelhecimento dos padres e os católicos praticantes", continuou." Além disso, o reagrupamento já é uma realidade para os jovens católicos praticantes que se reúnem em algumas igrejas nos centros das cidades", acrescentou.
O bispo suíço considera que a situação atual é "deprimente, especialmente no campo, onde muitas vezes há apenas uma dúzia ou pouco mais de pessoas que seguem silenciosamente a liturgia nos bancos de trás". A pandemia também fortaleceu a determinação do bispo: "Os crentes mais velhos não vão voltar às igrejas rapidamente por medo do vírus", disse ele.
O seu plano também visa reduzir o número de padres estrangeiros na diocese suíça. "Uma igreja na qual a maioria dos fiéis são imigrantes precisa de um clero multicultural. Mas, com 50 por cento de padres estrangeiros na diocese, foi atingido um limite. As diferenças culturais estão a acumular-se", explicou o bispo Morerod. Exemplificando, observou que alguns padres, sobretudo africanos e polacos, além do obstáculo com a língua, têm manifestado dificuldade de aceitar a cultura igualitária da Suíça, que reconhece os direitos de palavra e de participação dos leigos e nomeadamente das mulheres.
O prelado diz ter também presente a falta que alguns dos sacerdotes podem estar a fazer nos países de origem. "O Vaticano adverte regularmente contra uma espécie de ‘fuga de cérebros'" das dioceses africanas ou asiáticas, explicou ele, em declarações citadas pelo jornal digital La Croix International.

Sete Margens

 


 

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