sábado, 26 de dezembro de 2020

NATAL: QUE O AMOR RENASÇA ENTRE NÓS!

Nenhum tipo de discriminação se justifica diante do presépio de Belém (Pixabay)Difícil celebrar o Natal em meio a uma pandemia, depois de um ano tão triste
No Natal os cristãos celebram um dos eventos mais significativos da sua fé. É quando Deus demostra todo o seu amor por nós, se faz humano na figura do menino Jesus. "Não tenham medo! Anuncio a vocês uma Boa Notícia, uma grande alegria: Nasceu para vocês um Salvador, que é o Messias e Senhor" (Lucas 2,10-11). O verdadeiro Messias é amor. Vem trazer a paz!
Deus se deu a conhecer no que há de mais vulnerável no ser humano: uma criança. Um bebê recém-nascido é uma fragilidade a ser protegida. Deus também nasceu de uma mulher e necessita dos cuidados dela. Ele quer ser encontrado em nossa humanidade. O "Santo dos Santos" não está na ostentação, no milagroso, no poderoso. O "Salvador" se fez presente em uma criança em um estábulo. Não é esse Deus a antítese de todos os nossos mitos de grandeza, riqueza e poder? "A simplicidade é o último grau da sabedoria e só os sábios conseguem vê-la" (Khalil Gibran).
Nenhum tipo de discriminação se justifica diante do presépio de Belém. Jesus não nasceu entre os poderosos, ricos e violentos, mas junto aos insignificantes e na absoluta simplicidade. Filho de um casal de trabalhadores é o maior transgressor da história. Subversivo desde a concepção! Assim Deus começa sua passagem entre nós. É o Deus dos que sofrem, dos maltratados, dos esquecidos, dos desprezados. Seu primeiro ato foi compartilhar seu destino com os milhões de abandonados da terra.
O que menos valorizamos é o que mais necessitamos. Necessitamos de mais humanidade! Sermos verdadeiramente humanos. Deus se humanizou. Armou sua tenda no meio de nós para nos ensinar a simplicidade, o amor, o respeito, a partilha e cuidarmos uns dos outros. É disso que se trata. Quer fazer a diferença na vida de alguém? Aja como um ser humano.
O Natal é revolucionário! A construção de um mundo mais humano é uma realidade começada há mais de dois mil anos com o nascimento de Jesus. O Cristo do Natal nasce para nos libertar das trevas geradas pelo ódio, pela indiferença, pelos preconceitos, pela desigualdade social, pela justiça corrompida, pelas religiões fundamentalistas intolerantes.
Jesus pertence a toda a humanidade. Ele não é monopólio de nenhuma religião. No Natal não se aprende uma doutrina, mas uma forma de ser e de estar no mundo. Celebrar o Natal é estar do lado de Jesus Maria e José, nunca do lado dos inimigos da humanidade e das políticas geradores de morte dos Herodes de hoje.
Deus-conosco estabelece relações de amor. Ampliemos na sociedade o sentido da fraternidade, recuperando a importância das relações humanas. A misericórdia é o princípio inspirador do cristianismo. Aqueles por quem ninguém se interessa, são os que mais interessam a Deus. Todos os desprezados pela sociedade ou discriminados pela religião devem alegrar-se com essa mensagem.
Olhemos para o estábulo de Belém. Ali estão as raízes da nossa humanidade. Que os sinos de imponentes catedrais não sufoquem o choro e o grito revolucionário do bebê de Maria e José. Que Ele nos desperte do sono da hipocrisia, da covardia e da indiferença.
O nascimento de Jesus também se deu em um contexto de violência, escuridão e angústia. Contudo, fez ressurgir a esperança em tempos tenebrosos. Deus vem na noite do mundo, na angústia dos aflitos. A luz vem nas trevas para vencer as trevas. No meio da noite do mundo, celebremos o Natal. Que seja uma festa do nascimento de Jesus com Jesus! Na beleza e na profundidade das coisas simples. Como pede a ocasião. É preciso amar para "ver" de fato o Natal.
Quem entendeu o sentido do Natal é capaz de tornar o Amor presente neste mundo. Sem o amor, o que restaria do cristianismo? Ubi caritas, Deus ibi est.
Que a luz vença as trevas. "Eu vi para que todos vivam plenamente" (João 10, 10).
*Élio Gasda é doutor em Teologia, professor e pesquisador na Faje. Autor de: 'Trabalho e capitalismo global: atualidade da Doutrina social da Igreja' (Paulinas, 2001); 'Cristianismo e economia' (Paulinas, 2016)

 Fonte:domtotal.com


 

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