quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

BENTO XVI RECEBERÁ A VACINA CONTRA A COVID-19

O papa Francisco cumprimenta o papa emérito Bento XVI no Mosteiro Mater Ecclesiae do Vaticano (Vatican Media)
Vacinação do papa emérito, admirado por movimentos conservadores, reforça posição da Igreja contra negacionismo
O secretário pessoal de Bento XVI revelou esta terça-feira (12) que o papa emérito irá receber a vacina contra o coronavírus assim que ela for disponibilizada. A decisão endossa o posicionamento positivo de Francisco pela vacinação.
Em entrevista à CNA Deutsch, o arcebispo Georg Gänswein disse que não só o anterior pontífice de 93 anos o fará, como ele próprio e todos no mosteiro onde Bento vive desde sua renúncia em 2013.  "Também serei vacinado junto com toda a casa do Mosteiro Mater Ecclesiae", disse Gänswein.
O Vaticano anunciou no dia 2 de janeiro que iniciaria sua campanha de vacinação contra a Covid-19 na segunda quinzena do mês. Dentre residentes e funcionários, "será dada prioridade ao pessoal de saúde e segurança pública, aos idosos e ao pessoal mais frequentemente em contato com o público", afirmou o diretor de Saúde e Higiene do Vaticano, Andrea Arcangeli. Ele revela que a cidade-Estado comprou uma geladeira de baixa temperatura para armazenar a medicação e planeja administrá-la no átrio do Auditório Paulo VI.
O papa Francisco também já se pronunciou, dizendo que seria vacinado. Em entrevista ao Canal 5 da televisão italiana transmitida este domingo (10) afirmou: "Eu acredito que eticamente todos devem receber a vacina, é uma opção ética, porque está em causa a tua saúde, a tua vida, mas também a vida de outros". A perspectiva do papa e da Santa Sé é a de que vacinar-se não implica uma questão meramente pessoal, mas comunitária, tendo a vulnerabilidade do outro como princípio ético.
Sobre a confiabilidade na ciência, o pontífice na mesma entrevista fez memória às vacinas que tomou ao longo da vida. "Não entendo por que alguns dizem que esta pode ser uma vacina perigosa. Se os médicos o apresentam como algo que pode estar bem e não tem perigos especiais, por que não tomá-la?", encoraja Francisco. O mesmo endossa o dr. Andrea Arcangeli.  "Os testes de segurança realizados são muito rigorosos e as autoridades no campo da saúde no mundo, antes de dar a autorização para a sua utilização no mercado, garantem sua aplicação com estudos específicos e rígidos", pronunciou-se o responsável vaticano. O Estado usará a medicação do laboratório Pfizer.
Apesar da insistência do santo padre aos governos, pedindo que garantissem o acesso de todos à vacina, sobretudo os mais pobres, como o fez na benção de Natal Urbi et Orbi, movimentos reacionários na Igreja estão desincentivando fieis. No dia 1º de janeiro, o padre Elenildo Pereira, da comunidade Canção Nova de Cachoeira, pregou em missa televisionada contra o uso da vacina. "Cuidado, é só a capa. Só a capa. Eu não estou dizendo que sou contra a vacina, não sou. Desde que passe por todos os testes possíveis e imagináveis, em todas as fases, com comprovação científica. Aí sim, eu tomarei. Mas enquanto não houver comprovação científica, padre Elenildo não tomará", disse o padre demonstrando total desconhecimento de biologia básica e do processo pelo qual a ciência passou nos últimos tempos.
Julgando-se autoridade competente, Elenildo cobrou explicações. "Ministério da Saúde, que já comprou essa vacina me responda. Como eu compro um produto, sem comprovação científica, sem passar por todas as fases científicas e depois eu corro atrás da legalização? Dê um jeito. Mande um e-mail ou ligue para mim. Como se coloca em risco a vida da pessoa?", disse promovendo desconfiança sobre assunto que não domina. Isso precisou ser rebatido por dom Joaquim Mol. "Prezado povo de Deus, essa não é a posição da Igreja no Brasil, dada pela CNBB. Procurem ler o pronunciamento da Igreja, com as devidas orientações. Essas posições pessoais dividem, é um desserviço. Paz e vacina autorizada pelas autoridades sanitárias para todos", disse o bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte (MG) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Segundo sua assessoria de imprensa, em nota, a Comunidade Canção Nova, disse reconhecer e respeitar "o esforço mundial dos cientistas na busca por uma vacina contra a Covid-19 e não se opõe às conquistas da ciência a favor da vida". Apesar do claro desconhecimento ou afronta de um de seus membros em relação ao posicionamento da Igreja sobre a vacina, a comunidade afirma seguir "os preceitos e as orientações da igreja, que valoriza a vida desde a concepção até o seu fim último, e já se manifestou favorável às vacinas contra o vírus SarsCov-2, reconhecidas como clinicamente seguras e eficazes". E endossa que "eventuais posicionamentos diferentes de seus membros expressam apenas opinião pessoal".
Em sua primeira mensagem de 2021, a presidência da CNBB também defendeu a vacina contra a Covid-19 como um direito de todos os brasileiros. A vacinação, de acordo com os bispos, é compreendida como fato social, não individual, para alcançar metas indicadas pelos epidemiologistas. "É uma questão de responsabilidade a rápida definição de estratégias para se começar imediatamente a vacinação", defende o documento. A Igreja defende o acesso universal à vacina.

Dom Total/CNBB/AFP/Vatican News/CNA/Canção Nova

 


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