sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

CAMPANHA DA FRATERNIDADE: CONVITE À UNIDADE E AO DIÁLOGO EM TEMPOS DE POLARIZAÇÃO

Se há reações negativas é porque a Campanha chegou aonde precisava chegar, além de manifestar quem se serve ao Evangelho ou quem serve si mesmo
Se há reações negativas é porque a Campanha chegou aonde precisava chegar, além de manifestar quem se serve ao Evangelho ou quem serve si mesmo

Felipe Magalhães Francisco

Todos os anos, no período quaresmal ?" importante tempo litúrgico ?", a Igreja no Brasil propõe a Campanha da Fraternidade, que tem temas relevantes para cada contexto social que vive o país. Há cada cinco anos, a Campanha da Fraternidade é realizada de modo ecumênico, quando todas as Igrejas que fazem parte do CONIC ?" Conselho Nacional das Igrejas Cristãs ?" se unem para meditar e articular ações pastorais que visem à fraternidade.

A Quaresma é um tempo bastante forte para a Igreja. É um tempo de preparação para o Tríduo Pascal, que é o coração de todo o ano litúrgico. Pela importância deste tempo, a Campanha da Fraternidade aponta para uma pedagogia muito importante: o caminho de conversão cristão, de comprometimento de nossa vida com Jesus morto-ressuscitado, precisa incidir de forma prática e efetiva na realidade do mundo. A espiritualidade cristã, portanto, só pode ser concebida a partir de uma encarnação, na história, do seguimento de Jesus por parte dos cristãos e cristãs.

Todos os anos, setores reacionários da Igreja se colocam na oposição ?" boicote! ?" da Campanha da Fraternidade. Este ano, quando a Campanha é realizada de modo ecumênico - o que reflete a consciência de que a unidade cristã em prol do diálogo e da paz, em tempos de polarização é profundamente importante - as reações estão mais agressivas, o que inclui até mesmo bispos. De nossa parte, ficaremos com o que realmente importa: aprofundar o sentido da Campanha da Fraternidade, sobretudo neste contexto sociocultural tão difícil em que vivemos. Se há reações é porque, de alguma forma, a boa provocação da Campanha chegou em setores que precisava chegar, além de manifestar quem se serve ao Evangelho ou quem, simples e unicamente, serve a si mesmo e à sua visão de religião.

Viver a unidade na diferença e nutrindo o diálogo a partir da fé é, para nossos tempos atuais, uma das maneiras de redescobrir o espírito eclesial dos primeiros séculos do cristianismo. Eis mais um serviço evangélico da Campanha da Fraternidade neste ano de 2021. Não só: trata-se de um chamamento aos cristãos e cristãs verdadeiramente comprometidos com o Evangelho de Jesus, de atuarem no mundo de modo eficaz, seguindo a interpelação do Mestre da Galileia de nos convertermos e crermos no Evangelho (cf. Marcos 1,15). É sobre isso, sobretudo, que se debruçam os autores do Dom Especial desta semana.

No primeiro artigo,Campanha da Fraternidade e sua importância para a unidade cristã, Fabrício Veliq reflete sobre o ecumenismo que se pretende viver nesta Campanha, como um comprometimento com a tão desejada unidade dos cristãos e cristãs, em prol do Reino de Deus. Flávia Gomes, no artigo 'Cristo é a nossa paz:' uma análise do lema da Campanha da Fraternidade 2021 ajuda-nos a mergulhar no sentido teológico-pastoral da Carta aos Efésios, da qual surgiu o lema da Campanha do presente ano. Por fim, Francisco Thallys Rodrigues, no artigo Campanha da Fraternidade 2021 amplia diálogo entre religiões, faz uma leitura da importância desta campanha em específico, para os tempos em que temos vivido.

Boa leitura e adesão à unidade e ao diálogo cristãos! 

Domtotal

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