sábado, 6 de fevereiro de 2021

UMA FREIRA DÁ VOZ À METADE EXCLUÍDA DA IGREJA, NO MEIO DO CAMINHO SINODAL CATÓLICO ALEMÃO


Para mais uma sessão do “Caminho Sinodal” da Igreja Católica na Alemanha, que decorre desta vez online nestes dias 4 e 5 de fevereiro, muitos dos 230 delegados terão já sobre a mesa o contributo especial de uma das participantes: um livro de Philippa Rath, há mais de 30 anos freira beneditina do convento Santa Hildegard de Bingen, intitulado Weil Gott es so will (“Porque Deus assim quer”) e com o subtítulo “Mulheres falam da sua vocação para diaconisas e sacerdotisas”. O livro foi publicado no início desta semana (segunda, dia 1) na Editorial Herder e tem tudo o necessário para tornar-se um “best-seller”.
Num pequeno vídeo divulgado pela editora, a religiosa, formada em teologia, história e política, conta de onde lhe veio a ideia deste livro. Ao ouvir dois bispos no decurso da primeira assembleia sinodal a comentar entre si que afinal não havia na Igreja mulheres com vocação para os ministérios, encheu-se de vontade de comprovar o contrário. Escreveu a 12 mulheres suas conhecidas e pediu um testemunho. Por sua vez estas contactaram muitas outras. E o resultado é um livro com 150 testemunhos.
“Queria dar voz a todas as mulheres cuja vocação aos ministérios nunca foi sequer sujeita a um discernimento nem muitos menos aceite, mas apenas encarada com desprezo e ironia. Os testemunhos destas mulheres impressionam-me profundamente”, diz a carmelita. “São testemunhos de discriminação e desprezo, e ao mesmo tempo do desejo profundo de participação, corresponsabilidade e igualdade de direitos na Igreja. Mostram também quanta vitalidade, capacidade de proximidade às pessoas e chances de futuro a Igreja teria, se as mulheres tivessem acesso a todos os ministérios na Igreja, também aos ministérios ordenados.”
Philippa Rath afirma-se convencida – assim o afirmava ela no Forum sobre a Mulher, do Caminho Sinodal – de “que a nossa Igreja, tal como ela se apresenta, é uma igreja amputada, porque mais de metade de todos os seus fiéis, nomeadamente as mulheres, estão excluídas dos ministérios ordenados”.
Apesar de algum atraso devido à situação criada pelo vírus SARS-CoV-2, o “Caminho Sinodal” da Igreja alemã prossegue o seu trajecto. Nestes dois dias, a ordem de trabalhos era fazer um ponto de situação, com o relatório dos quatro grupos de trabalho (designados por “Forum”). As decisões são esperadas apenas para a assembleia de setembro próximo, caso seja possível fazer uma sessão com participação presencial.
Os quatro temas deste Caminho Sinodal são o poder e participação na Igreja, sexualidade e amor nas relações humanas, vida sacerdotal e celibato, lugar das mulheres nos serviços e ministérios da Igreja.

A irmã Philippa Rath, autora do livro “Porque Deus assim quer”. Foto: Direitos reservados

Fonte:setemargens


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