terça-feira, 30 de março de 2021

FRANCISCANOS LANÇAM APELO PELA PAZ E DEMOCRACIA EM MIANMAR


Protesto contra golpe militar em Mandalay
Protesto em Monywa, região de Sagaing
Protesto em Monywa
Pessoas feridas que fogem da violência em Mianmar procuram tratamento médico na vila de Mae Sam Laep, na fronteira com a TailândiaSepultamento de jovem morto nos protestos em MonyeaSepultamento de jovem morto nos protestos em Monyea


Uma carta assinada pelo Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores, Frei Michael A. Perry, foi enviada ao ao Secretário-Geral da ONU, Antonio Guterres.

Vatican News

Não cessa a indignação mundial em relação à repressão em Mianmar contra os manifestantes que protestam contra o golpe militar de 1º de fevereiro, que pôs fim a um ciclo de reforma democráticas no país, após décadas de ditadura militar.

“Expressamos profunda tristeza e grave preocupação pela contínua repressão de milhões de cidadãos em Mianmar, após um golpe militar”, afirmam os franciscanos em uma carta enviada ao Secretário-Geral da ONU, Antonio Guterres.

A mensagem, também enviada à Agência Fides, é assinada pelo Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores, representando cerca de 12.500 religiosos católicos e sacerdotes presentes e trabalhando em 116 países.

“Os franciscanos de Mianmar – diz o texto - testemunharam em primeira mão a brutalidade das forças de segurança e à insegurança que isso tem gerado”, estigmatizando “a violência coordenada e contínua que cresce a cada dia”.

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Os religiosos deploram "as mortes de civis e a detenção arbitrária de milhares de pessoas envolvidas em protestos pacíficos, a destruição de proteções legais, as severas restrições ao acesso à Internet e às comunicações e a subversão da vontade do povo de Mianmar expressa nas eleições de novembro de 2020".

Os Frades menores que vivem e trabalham em Mianmar pediram a todos os franciscanos do mundo que intercedam pelo povo de Mianmar.

“Agora – é o apelo lançado pelos franciscanos - é a hora de a comunidade internacional agir de forma unida e decisiva para evitar ulteriores perdas de vidas, a destruição de propriedades e para garantir a restauração imediata do governo democraticamente eleito de Mianmar. Isso deveria incluir o pedido à junta militar para desistir imediatamente do uso da força contra o povo de Mianmar, libertar os detidos ilegalmente e restaurar as proteções garantidas por lei, incluindo o direito de protestar pacificamente”.

Frei Michael A. Perry, Ministro geral OFM, conclui, fazendo votos de que “o povo de Mianmar experimente novamente um retorno à democracia e que a crise atual encontre uma solução pacífica e duradoura”.

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Nos últimos dias, outra intervenção veio da Conferência dos Ministros do Leste Asiático e da Comissão "Justiça, Paz e Integridade da Criação" da Ordem dos Frades Menores: "Unimo-nos ao povo de Mianmar na sua luta diária pela autodeterminação, com um governo devidamente eleito. Estamos unidos a eles no apelo por uma resolução pacífica. Estamos com eles no apelo pela libertação de membros do governo eleitos democraticamente, ativistas e jovens. Apoiamo-los na defesa da dignidade e dos direitos humanos.”

Vendo o sofrimento do povo de Mianmar, os religiosos se dizem que "edificados pelo testemunho do povo de Mianmar pela justiça e pela verdade. Ficamos muito tocados com a caridade que eles exercem para com seus irmãos. Unimo-nos à sua dor e àquela de tantos cristãos em Mianmar - padres, missionários e leigos - rezando com eles para que este período de escuridão em sua terra acabe logo”.

Os frades franciscanos também se dirigem ao exército birmanês, "Tatmadaw": "Olhem para seus irmãos e irmãs. Olhe para o longo sofrimento de Mianmar, vítimas da ganância colonial, da opressão, da raiva. Cessemos o derramamento de sangue. Não permitamos que o ódio domine os nossos corações. Invoquemos o Senhor, que prometeu estar perto do seu povo, para que a justiça e a paz reine em Mianmar e que possa ter início a tão esperada reconciliação.”

A presença franciscana em Mianmar foi oficializada em 2005 com a "Fundação São Francisco de Assis". As Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria (FMM) e a Ordem Franciscana Secular acompanharam os Frades da Fundação desde o início. As vocações franciscanas floresceram no país e atualmente existem cinco frades locais professos solenes, quatro sacerdotes, outros professos temporários, noviços e aspirantes. 

Vatican News 

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