domingo, 18 de abril de 2021

A FÉ NASCE DO ENCONTRO PESSOAL COM JESUS


Reflexão sobre o Evangelho do 3º Domingo da Páscoa, Lc 24,35-48

Algo novo se despertou nos discípulos de Emaús ao encontrarem-se com um Cristo próximo e cheio de vida (Free Bible Image/Lumo Project)

José Antonio Pagola*

Há muitas maneiras de colocar obstáculos à verdadeira fé. Há a atitude do "fanático", que se agarra a um conjunto de crenças sem nunca se deixar interrogar por Deus e sem jamais ouvir ninguém que possa questionar a sua posição. A sua é uma fé fechada, onde falta acolhimento e escuta do Mistério e onde sobra arrogância. Esta fé não liberta da rigidez mental nem ajuda a crescer, pois não se alimenta do verdadeiro Deus.

Há também a posição do "cético", que não procura nem se interroga, pois já não espera nada de Deus, nem da vida, nem de si mesmo. A sua é uma fé triste e apagada. Falta nela o dinamismo da confiança. Não vale a pena. Tudo se resume a continuar a viver, sem mais.

Há também a posição do "indiferente", que já não se interessa nem pelo sentido da vida nem pelo mistério da morte. Sua vida é pragmatismo. Só lhe interessa o que lhe pode proporcionar segurança, dinheiro ou bem-estar. Deus diz-lhe cada vez menos. Na verdade, para que pode servir acreditar nele?

Há também quem se sinta "proprietário da fé", como se esta consistisse num "capital" recebido no batismo e que está aí, não se sabe muito bem onde, sem ter que se preocupar muito. Esta fé não é fonte de vida, mas "herança" ou "costume" recebida de outros. Podia livrar-se dela sem sentir sua falta.

Há também a "fé infantil" daqueles que não acreditam em Deus, mas sim naqueles que falam dele. Nunca tiveram a experiência de dialogar sinceramente com Deus, de procurar seu rosto, ou de se abandonar no seu mistério. Basta-lhes acreditar na hierarquia ou confiar "nos que sabem dessas coisas". Sua fé não é experiência pessoal. Falam de Deus "de ouvir dizer".

Em todas estas atitudes falta o mais essencial da fé cristã: o encontro pessoal com Cristo. A experiência de caminhar pela vida acompanhados por alguém vivo com quem podemos contar e em quem podemos confiar. Só Ele nos pode fazer viver, amar e esperar apesar dos nossos erros, fracassos e pecados.

Segundo o relato do evangelho, os discípulos de Emaús contavam "o que lhes tinha acontecido no caminho". Caminhavam tristes e desesperançados, mas algo novo se despertou neles ao encontrarem-se com um Cristo próximo e cheio de vida. A verdadeira fé sempre nasce do encontro pessoal com Jesus como "companheiro de caminho".

*José Antonio Pagola é padre e tem dedicado a sua vida aos estudos bíblicos, nomeadamente à investigação sobre o Jesus histórico. Nascido em 1937, é licenciado em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma (1962), licenciado em Sagradas Escrituras pelo Instituto Bíblico de Roma (1965), e diplomado em Ciências Bíblicas pela École Biblique de Jerusalém (1966). Professor no seminário de San Sebastián (Espanha) e na Faculdade de Teologia do Norte de Espanha (sede de Vitória), foi também reitor do seminário diocesano de San Sebastián e vigário-geral da diocese de San Sebastián. 

Domtotal

Nenhum comentário:

Postar um comentário