sexta-feira, 2 de abril de 2021

QUE MIANMAR POSSA RESSURGIR DO SEPULCRO DO ÓDIO, DIZ CARDEAL BO NA MENSAGEM DE PÁSCOA


Uma mulher chora durante um protesto contra o golpe militar em Mandalay, Mianmar, em 1º de abril de 2021. O Comitê Representando o Pyidaungsu Hluttaw, um governo de Mianmar no exílio que representa a Liga Nacional para a Democracia (NLD) de Aung San Suu Kyi, anunciou que planeja formar um novo governo de coalizão com outras forças democráticas no país. EPA / STR
Esta captura de tela fornecida por meio de um vídeo da AFPTV feito em 1º de abril de 2021 mostra os manifestantes usando maquiagem vermelha para simular lágrimas de sangue, fazendo a saudação de três dedos durante uma manifestação contra o golpe militar no município de Hlaing de Yangon. (Foto por - / várias fontes / AFP)
Esta captura de tela fornecida por meio de um vídeo da AFPTV feito em 1º de abril de 2021 mostra uma manifestante, usando maquiagem vermelha para simular lágrimas de sangue, chorando durante uma manifestação contra o golpe militar no município de Hlaing de Yangon. (Foto por - / várias fontes / AFP)
Membros da etnia Karen protestam contra golpe militar no Estado de KarenPneus queimados durante um protesto contra o golpe militar em Mandalay, em 01 de abril de 2021A fumaça de um incêndio no Ruby Mart em Yangon na manhã de 1º de abril de 2021 com o Pagode Shwedagon visto iluminado ao fundo, enquanto o país continua turbulento após o golpe militar de fevereiro. (Foto por STR / AFP)Uma mãe (C) segura um retrato de seu filho que morreu durante um protesto contra o golpe militar em Mandalay, Mianmar, em 01 de abril de 2021. O Comitê Representando Pyidaungsu Hluttaw, um governo de Mianmar no exílio que representa a Liga Nacional para a Democracia de Aung San Suu Kyi (NLD), anunciou que planeja formar um novo governo de coalizão com outras forças democráticas no país. EPA / STRFuneral de Kyaw Min Latt, também conhecido como Poe Toe, depois de ter sido baleado por forças de segurança enquanto estava em sua motocicleta, em 27 de março. (Foto de várias fontes / AFP)

O arcebispo de Yangon e presidente da Conferência Episcopal do país asiático, dirige-se em particular aos militares, pedindo para que o exército volte aos quarteis, respeite o veredicto das urnas e pare de atacar e matar cidadãos. O purpurado também pede que o ódio entre grupos étnicos e religiões seja sepultado de uma vez por todas, para reviver um novo Mianmar de paz e inclusão.

Vatican News

“Uma nação ferida pode encontrar consolo em Cristo, que suportou tudo o que estamos passando: foi torturado, abusado e morto na Cruz por poderes arrogantes. O mesmo sentimento de abandono por parte de Deus, é sentido por tantos de nossos jovens“.

Em sua mensagem de Páscoa, o arcebispo de Yangon e presidente da Conferência Episcopal de Mianmar, cardeal Charles Bo, faz um premente apelo à esperança pela ressurreição do país asiático, naqueles que são os “dias mais tristes de sua história”. Uma Páscoa, de fato, marcada pela sangrenta repressão militar aos protestos contra o golpe de 1º de fevereiro, que até agora custaram a vida a mais de 500 pessoas e a prisão de pelo menos outras 2.500.

Onde está Deus em tudo isso?

No texto - relata o jornal on-line Matters of India - o purpurado fala de uma verdadeira Via Sacra, um calvário que continua: “Centenas de pessoas foram mortas. Um banho de sangue se derramou sobre nossa terra - escreve ele -. Jovens e velhos, e até mesmo crianças foram mortas sem misericórdia. Milhares de pessoas foram presas e jogadas na prisão. Outras milhares estão fugindo para escapar das prisões. Milhões estão morrendo de fome”, denuncia a mensagem divulgada na quarta-feira, dia 31 de março.

Essa tragédia naturalmente faz surgir a pergunta de Jó na Bíblia: "Onde está Deus em tudo isso?" Para responder, o cardeal Bo se refere ao episódio do Evangelho do sepulcro vazio de Jesus, encontrado pelas três mulheres, que recorda o que está acontecendo em Mianmar: jovens, mulheres e precisamente, túmulos vazios. “Sua mensagem - diz o cardeal - é a da ressurreição e de um novo mundo”.

Quatro tipos de ressurreição

O convite, portanto, é o de acreditar que Mianmar também poderá se reerguer novamente. Dirigindo-se em particular aos militares, o arcebispo de Yangon pede quatro tipos de ressurreição. O dos "sonhos de democracia sepultados nos túmulos da opressão nos últimos dois meses". Em segundo lugar, o cardeal Bo pede a devolução do poder ao governo civil, "enterrado pelo golpe de Estado", e que o exército volte aos quartéis, respeitando o veredicto das urnas e deixe de atacar e matar os cidadãos de Mianmar. A mensagem pede então, que seja sepultado de uma vez por todas o ódio entre grupos étnicos e as religiões no país, e que do túmulo desse ódio histórico possa emergir "um novo Mianmar de paz, inclusão e atenção aos vulneráveis". Por fim, o cardeal Bo pede para que sejam “sepultadas nos túmulos vazios as sete décadas de totalitarismo. Que seja escrito o último epitáfio do golpe de Estado”.

Apelo aos jovens pela não-violência

O presidente dos bispos birmaneses dirige-se também aos manifestantes, e em particular aos jovens, com um apelo renovado para não recorrer à violência: “Usem métodos não violentos. Não morram inutilmente. Se vocês viverem muito, a democracia se fortalece, o mal se enfraquece”, aconselha o purpurado. Recordando que o inimigo “só conhece uma linguagem: a violência implacável”. “Ele quer arrastar vocês para o terreno dele, onde ele é mais forte. Não deem essa vantagem a ele”, conclui a mensagem.

Vatican News Service - LZ

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