sexta-feira, 28 de maio de 2021

CHARLES DE FOUCAULD: AMOR E DESPONJAMENTO


O eremita fez a entrega de si, como dom ao mundo, testemunhando o amor vivenciado no encontro com Jesus
A santidade de Charles de Foucauld é uma inspiração de como viver a missão da Igreja na contemporaneidade (Reprodução)

Felipe Magalhães Francisco*

Quando lemos as páginas dos evangelhos descobrimos um convite à radicalidade. Esta, não no sentido de extremismo, como tem sido usada ultimamente. Mas em seu sentido etimológico, que está ligado à raiz, enraizamento. A radicalidade, à qual o Evangelho nos convoca, configura-se como comprometimento com a causa do Reino de Deus. Sim, causa. Jesus tinha uma causa, à qual devotou sua inteira vida com disponibilidade e generosidade amorosas. Ao anunciar e inaugurar o Reino, Jesus convida seus discípulos a se comprometerem de igual modo.

Charles de Foucauld (1858-1916) comprometeu-se com o discipulado de Jesus e do Reino, de forma radical. E isso, dizemos não porque adotou um modo de vida eremita, o que é um sinal fecundo, e sim pelo fato de ter compreendido, e assumido em sua existência, o valor profundo da inteireza na entrega de si, como dom ao mundo, testemunhando o amor vivenciado no encontro com Jesus. Charles, aquele que se irmanou a Jesus, testemunha a possibilidade de santidade para nossos tempos, que não se calcula em méritos, mas abertura à graça salvífica, que se desdobra em serviço amoroso aos irmãos e irmãs.

A santidade de Charles de Foucauld é uma inspiração de como viver a missão da Igreja na contemporaneidade: seu amor a Jesus não se confunde com fanatismo; sua pregação se dá por meio do testemunho de ações de amor e escuta, e não em solilóquios nos quais se tenta convencer o outro. Compreendeu que seu apostolado deveria ser o apostolado da bondade: "ao me verem, as pessoas devem dizer: 'Sendo esse homem tão bom, sua religião deve ser boa'". Sua vocação: viver a inteireza na entrega de si, vivendo para Deus.

A radicalidade com a qual Foucauld manifestou seu amor pelo seguimento de Cristo, revela-se como santidade: longe de uma tentação egoística, aproximou-se cada vez mais de seu amado Senhor: foi tocado pela santidade. A resposta de sua vida ao chamado do Amor foi a abnegação. Rezar a "oração do abandono", tal como rezou Charles de Foucauld, exige a coragem, que apenas os verdadeiros discípulos e discípulas têm, por força do Espírito Santo. Felizes somos nós, por termos tal inspiração!

No Dom Especial desta semana, dedicamos-nos à reflexão que visa à inspiração. Sobre a vida e missão de nosso santo, temos o artigo: Charles de Foucauld: o irmão universal, de Francisco Thallys Rodrigues. A respeito da mística do santo de nossos tempos: Oração: encontro com Jesus de Nazaré, Francisco Helton Rodrigues Melo. Por fim, a respeito da elevação aos altares, Jorge Gomes propõe o artigo: O processo de canonização de Charles de Foucauld.

Boa leitura!

*Felipe Magalhães Francisco é teólogo e professor. Coordena os especiais de religião deste portal. É co-autor do livro Teologia no século 21: novos contextos e fronteiras (Saber Criativo, 2020). E-mail: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com.

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