quarta-feira, 23 de junho de 2021

IGREJA CONCEDE INDULGÊNCIA PARA QUEM VISITAR IDOSOS

Indulgência inclui o como critério dedicar tempo para 'visitar real ou virtualmente os irmãos idosos necessitados ou em dificuldade' (Unsplash/Nick Karvounis)

Papa evoca sofrimento dos mais velhos durante a pandemia em mensagem para o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos

O papa publicou nesta terça-feira (22) a sua mensagem para o 1º Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, que a Igreja Católica vai celebrar a 25 de julho, evocando o sofrimento dos mais velhos durante a pandemia. Por essa ocasião, a Penitenciária Apostólica (Santa Sé) anunciou que a celebração vai contar com indulgência plenária.

"A pandemia foi uma tempestade inesperada e furiosa, uma dura provação que se abateu sobre a vida de cada um, mas a nós, idosos, reservou-nos um tratamento especial, um tratamento mais duro", escreve Francisco, de 84 anos.

A mensagem, intitulada Eu estou contigo todos os dias, dirige-se na primeira pessoa aos avôs e avós de todo o mundo, num "tempo difícil".

"Muitíssimos de nós adoeceram – e muitos partiram –, viram apagar-se a vida do seu cônjuge ou dos seus entes queridos, e tantos – demasiados – viram-se forçados à solidão por um tempo muito longo, isolados", recorda o papa.

Francisco apresenta-se como um idoso e sublinha a importância de manter viva a fé, num momento de particular sofrimento.

"Toda a Igreja está solidária contigo – ou melhor, conosco –, preocupa-se contigo, ama-te e não quer deixar-te abandonado", refere.

O texto evoca a experiência de sofrimento de São Joaquim e Santa Ana, os pais de Maria, mãe de Jesus, para falar das "noites de insónia" de muitos idosos, "povoadas por lembranças, inquietações e anseios".

"Mesmo quando tudo parece escuro, como nestes meses de pandemia, o Senhor continua a enviar anjos para consolar a nossa solidão", indica.

O papa sublinha que este Dia Mundial se celebra pela primeira vez depois de "um longo isolamento e com uma retoma ainda lenta da vida social"

"Oxalá cada avô, cada idoso, cada avó, cada idosa – especialmente quem dentre vós está mais sozinho – receba a visita de um anjo", deseja. "Neste período, aprendemos a entender como são importantes, para cada um de nós, os abraços e as visitas, e muito me entristece o facto de as mesmas não serem ainda possíveis em alguns lugares", prossegue.

Francisco sustenta que os mais velhos têm um papel a desempenhar na Igreja e na sociedade, afirmando que "não existe uma idade para reformar-se da tarefa de anunciar o Evangelho, da tarefa de transmitir as tradições aos netos".

"Como sabeis, o Senhor é eterno e nunca vai para a reforma. Nunca", acrescenta.

A mensagem considera que avós e idosos têm a missão de "salvaguardar as raízes, transmitir a fé aos jovens e cuidar dos pequeninos".

"Há necessidade de ti para se construir, na fraternidade e na amizade social, o mundo de amanhã: aquele em que viveremos – nós com os nossos filhos e netos –, quando se aplacar a tempestade", realça.

O papa aponta três "pilares" para esta reconstrução – "os sonhos, a memória e a oração" – em que os mais velhos têm um papel fundamental.

O texto cita Bento XVI, papa emérito, "um idoso santo, que continua a rezar e trabalhar pela Igreja", para referir que "a oração dos idosos pode proteger o mundo, ajudando-o talvez de modo mais incisivo do que a fadiga de tantos".

Em janeiro deste ano, Francisco anunciou a instituição do "Dia Mundial dos Avós e dos Idosos", que se vai assinalar anualmente no quarto domingo de julho, junto à celebração litúrgica de São Joaquim e Santa Ana (26 de julho).

Indulgências

A indulgência é definida no Código de Direito Canônico (cf. cân. 992) e no Catecismo da Igreja Católica (n.º 1471) como "a remissão, perante Deus, da pena temporal devida aos pecados cuja culpa já foi apagada", que o crente obtém em "certas e determinadas condições pela ação da Igreja".

A possibilidade de obtenção de indulgência plenária, sob as condições tradicionais na doutrina católica (confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do sumo pontífice) estende-se à celebração presidida pelo papa e às que vão decorrer em todo o mundo, bem como a quem dedique tempo para "visitar real ou virtualmente os irmãos idosos necessitados ou em dificuldade".

"Poderão igualmente lucrar a indulgência plenária, pressupostos o desapego a qualquer pecado e a intenção de cumprir assim que possível as três consuetas condições, os idosos doentes e todos os que, impossibilitados de sair de casa por grave motivo, se unirem espiritualmente às funções sagradas do Dia Mundial, oferecendo a Deus Misericordioso as suas orações, dores e sofrimentos da própria vida", acrescenta o decreto assinado pelo cardeal Mauro Piacenza, penitenciário-mor.

O papa vai presidir à Missa, com avós e idosos da Diocese de Roma, no dia 25 de julho, pelas 10h locais (5h em Brasília), na Basílica de São Pedro, com participação limitada.

A Santa Sé cada diocese e cada paróquia a dedicar uma das Missas dominicais para a celebração do 1º Dia Mundial dos Avós e dos Idosos; nos dias mais próximos desta data, sugere-se que se organizem celebrações eucarísticas ou momentos de oração em hospitais e lares de idosos.

Ecclesia/DomTotal

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