quarta-feira, 23 de junho de 2021

PACIÊNCIA EM TEMPO DE PANDEMIA: UMA CONTRIBUIÇÃO DE SÃO CIPRIANO DE CARTAGO




Paciência e esperança em tempo de pandemia 
| Imagem: divulgação


Dom Sebastião Lima Duarte
Bispo de Caxias do Maranhão


A humanidade vive tempos de perplexidade e sofrimento. Desde o início de 2020, assistimos, confusos, o surgimento e difusão de um novo Coronavírus que afeta milhões no mundo e provoca mortes. Não escolhe gênero, nem idade, assim como não olha para a condição social. Forçou-nos ao distanciamento social e na Igreja até mesmo litúrgico-sacramental.

Embora a ciência já tenha encontrado a vacina, interesses escusos, burocracia e outros fatores impedem que a imunização seja universal. Enquanto isso milhões de pessoas são infectadas e milhares morrem por causa da Covid-19. No Brasil, chegamos ao fatídico mais de 500.000 brasileiros e brasileiras que importam, que contam, pois são óbitos de filhos de Deus e irmãos nossos, vítimas do negacionismo e do se importar pouco com a vida, vítimas da covid19. Digno de nota, o sofrimento de quem foi acometido e de seus familiares, quantas sequelas deixadas; além da sobrecarga dos profissionais de saúde, obrigados ao contínuo estresse para salvar vidas e preservar a própria saúde.

Ninguém duvida que sejam tempos difíceis, árduos, exigentes, os que vivemos. Tempos que carecem de significado e ressignificação, explicação até, para que não nos permitamos cair no fatalismo ou fundamentalismo, desconsiderando a ciência e a esperança de dias melhores. Para lançar alguma luz sobre essa situação queremos nos inspirar em uma obra de São Cipriano, cujo título pode parecer inusitado: “O Bem da Paciência”.

1. O Autor e a Obra
São Cipriciano de Cartago | Imagem: Internet

O autor, é Táscio Cecílio Cipriano, nascido provavelmente em Cartago, norte da África, entre 200/210. Já adulto, versado em latim, grego, direito e reconhecido mestre de retórica, foi motivado à fé cristã pelo presbítero Ceciliano, converteu-se ao cristianismo e recebeu o batismo por volta de 246. Foi escolhido diácono, ordenado presbítero, eleito e consagrado bispo entre 248/249. São Cipriano era conhecido também como “Papa da África”, título usado por presbíteros de Roma numa carta. Durante a perseguição de Décio (249-251), achou melhor esconder-se e governar a sua Igreja através de cartas. Além da tensão persecutória, surgiram no interior da comunidade, disputas, desentendimentos e cisões. É nesse contexto que foi escrita a obra De Bono Patientia, em torno de 2561. Nosso santo bispo sofreu o martírio em 14 de setembro de 258, durante a perseguição de Valeriano.

Para que possamos apreender fielmente o conteúdo da obra é importante considerar o que fizeram as monjas beneditinas da Abadia Nossa Senhora das Graças, de Belo Horizonte - MG, ao ofereceram à língua portuguesa uma excelente tradução da obra em questão: o duplo significado da palavra latina patientia. Em sentido objetivo, patientia significa “ação de sofrer, de suportar”; o outro sentido é subjetivo e ganha o significado de “coragem de suportar, firmeza, constância”. As tradutoras lembram que, em português, paciência tem o significado de resignação, que se liga mais ao sentido subjetivo de patientia. As monjas fazem notar que São Cipriano usa, quase sempre, o termo no seu sentido objetivo, no sentido de sofrer ou suportar.

Nosso objetivo aqui é dar voz a São Cipriano para que ele nos instrua a vivermos neste tempo de pandemia e exercitarmos a necessária paciência com o alongar-se do tempo. Nosso santo mártir parte do princípio de que o caminho mais útil e adequado para a vitória é nos firmarmos nos preceitos do Senhor, com o obséquio do temor e da devoção, sem falsas doutrinas, vãs sabedorias e excessivo amor próprio.

o caminho mais útil e adequado para a vitória é nos firmarmos nos preceitos do Senhor

É claro que o contexto de São Cipriano é diferente do nosso. Lá havia a perseguição aos cristãos e o desejo de revigorar o paganismo, enquanto aqui experimentamos a incidência de uma doença sobre a humanidade inteira, deflagrada por um inimigo tão minúsculo, que invisível, como o descreveu Frei Raniero Cantalamessa, Cardeal Franciscano pregador da casa pontifícia: “Menor e mais informe elemento da natureza... Bastou isso para nos recordar nossa mortalidade e que a tecnologia e o poderio militar não bastam para nos salvar”. Em comum, ontem e hoje, os sentimentos e desafios que a morte e o sofrimento imprimem à vida humana.

2. Deus é Paciência

A exortação do bispo para sua comunidade tem uma finalidade bem prática: incentivar o exercício da paciência. Por isso, começa sua mensagem, recordando que “a origem e grandeza da paciência tem Deus como autor”. Sobre esse fundamento, Cipriano repassa os sinais da paciência divina que ficaram mais explícitos com a vinda do Filho, recomendando: “Se Deus é nosso Senhor e Pai, imitemos a paciência tanto do Senhor como do Pai, pois cabe aos servos serem obedientes, e aos filhos não convém serem degenerados” (O bem da Paciência 3).

A paciência não só provém de Deus, mas é o modo de Deus ser e revelar pacientemente seu amor por nós ao longo do tempo, pois “ele faz o dia nascer e a luz do sol levantar igualmente sobre bons e maus; e, quando rega a terra com as chuvas, ninguém é excluído de seus benefícios, mas concede de igual maneira as mesmas chuvas aos justos e injustos; e ainda que Deus seja provocado por frequentes, ou melhor, por contínuas ofensas, ele modera sua indignação e guarda pacientemente o dia, determinado uma única vez, para o ajuste de contas. E ainda que tenha a vingança em seu poder, prefere conservar a paciência por muito tempo (...) para que, assim, a maldade por muito prolongada, sendo possível, algum dia se mude; e o homem, despojado da contaminação dos erros e dos crimes, se volte enfim para Deus, que admoesta, dizendo: ‘Não quero a morte do pecador, mas que se converta e viva’ (Ez 33, 11)” (O Bem da Paciência 4). É graças à paciência divina que perdura a esperança da salvação da humanidade, pois nela há ocasião e tempo para a conversão e abandono do pecado.

Cipriano nos recorda que o próprio Jesus Cristo ensinou a paciência com palavras e a realizou em obras. Sob esta chave de leitura, Cipriano repassa o itinerário da encarnação, demonstrando que todos os gestos, atitudes e palavras de Jesus Cristo estão sempre assinalados pela paciência: desceu para fazer a vontade do Pai, não desdenhou revestir-se da carne do homem, assumiu os pecados que não eram seus e morreu para salvação dos culpados; permitiu ser batizado, jejuou, sentiu fome, lutou com o diabo, não dirigiu os discípulos como servos; com muita paciência suportou Judas e os judeus; durante a paixão e a cruz quanta infâmia afrontosa pacientemente ouviu; Aquele que ofereceu o cálice da salvação foi alimentado com fel e vinagre; a Palavra de Deus é conduzida calada para a imolação. Ele resiste a dor sem manifestar sua majestade, suporta tudo até o fim com perseverança e sem interrupção, a fim de que a paciência plena e perfeita seja consumada no Cristo. Mas depois de tudo isso “benigno e paciente, com uma salutar paciência para poupar [os homens], a ninguém fecha a sua Igreja... É vivificado pelo sangue de Cristo mesmo aquele que derramou o sangue de Cristo. Tal e tanta é a paciência do Cristo que, se não fosse tal e tão grande, a Igreja nem mesmo teria Paulo como Apóstolo” (O Bem da Paciência 7-8).

O bispo de Cartago, citando 1Jo 2, 6 (Quem diz que permanece em Cristo, deve também caminhar como ele caminhou) nos incentiva a seguir as pegadas salutares de Cristo, observando seus exemplos. Segundo ele até mesmo os patriarcas, profetas e justos do Primeiro Testamento foram figuras do Cristo no que tange a paciência vivida: “Todos chegaram às coroas celestiais pela glória da paciência, pois não é possível receber a coroa das dores e dos sofrimentos, sem a precedência da paciência na dor e no sofrimento”. (O Bem da Paciência 10).

Além das figuras do Primeiro Testamento, Cipriano evoca o exemplo de Estevão, o primeiro a imitar o mestre. O primeiro mártir não pedia vingança para si, mas o perdão para os assassinos, sendo assim não somete arauto da paixão do Senhor, mas também um imitador de sua pacientíssima brandura. Como Estêvão, um cristão deve ter paciência no coração para não dar lugar a ira, discórdia e inimizade, um domicílio pacífico onde o Deus da paz se compraza em habitar. Agindo assim, este cristão já está no porto do Cristo. (O Bem da Paciência 16).

um cristão deve ter paciência no coração para não dar lugar a ira, discórdia e inimizade

Os seguidores de Cristo também se inspiram nele com relação à paciência, pois ela é o melhor alívio diante das adversidades da vida mortal e foi de grande valia no tempo da perseguição que atormentava os cristãos no início da segunda metade do século III, quando Cipriano era encarregado de os animar e manter firmes na fé e na caridade: “para nós que, além das diversas e frequentes lutas das tentações, também temos, no certame das perseguições, de abandonar as riquezas, de enfrentar o cárcere, de ser postos a ferros, de dar a vida, de suportar, na fé e na virtude da paciência, a espada, as feras, as fogueiras, as cruzes e, finalmente, todas as espécies de tormentos e de penas”. Por isso, “Se nós, que renunciamos ao diabo e ao mundo, sofremos com maior frequência e violência os apertos e vexames do diabo e do mundo, tanto mais devemos conservar a paciência, com a qual, como auxiliar e companheira, aguentaremos todas as adversidades” (O Bem da Paciência 12). Pois, “a paciência não somente conserva as coisas boas, mas também afasta as adversidades” (O Bem da Paciência 14).

A paciência é preceito salutar: “Aquele que aguentar até o fim, este será salvo” (Mt 10, 22). Diz, nosso santo, que “é preciso aguentar e perseverar, a fim de que, uma vez introduzidos na esperança da verdade e da liberdade, possamos alcançar a própria verdade e a própria liberdade. Pois o fato de sermos cristãos é questão de fé e de esperança. Mas para que a esperança e a fé possam chegar ao seu futuro, é preciso paciência. Estas palavras exortam a perseverar corajosa e pacientemente, a fim de que seja coroado na paciência quem se esforça, estando já próxima a glória, por obter a coroa” (O Bem da Paciência 13).

3. Paciência é fortaleza na luta

Prosseguindo a exortação, Cipriano sublinha a importância da paciência para a vivência e convivência cotidiana, onde diversos sofrimentos nos são ocasionados e tentações nos são infligidas: perda dos bens, ardores das febres, dores das feridas, perda dos caros. Ele afirma que “a paciência é também necessária para enfrentar os incômodos da carne e os frequentes e duros tormentos do corpo, pelos quais o gênero humano é cotidianamente perseguido e sacudido. Só a força da paciência pode sustentar quem deve lutar e combater. Luta e combate que só podem ser sustentados pelas forças da paciência” (O Bem da Paciência 17).

Para fundamentar esse ângulo da paciência, Cipriano evoca dois personagens que dão testemunhos de virtude no meio das desgraças: Jó e Tobias. Examinado e provado, Jó, pela paciência, foi levado ao sumo da glória. “Quantos dardos do diabo lançados contra ele, quantos sofrimentos acarretados! A perda do patrimônio lhe é infligida, a privação de uma numerosa prole lhe é imposta. Senhor rico em haveres e pai mais rico em filhos, de repente não é mais nem senhor nem pai. Soma-se [a isso] a devastação das feridas, e ainda a dor devoradora dos vermes consome as articulações definhadas e débeis. E para que não faltasse absolutamente nada que Jó não experimentasse em suas tentações, o diabo, usando daquele antigo engenho de sua maldade, arma também a esposa, como se pudesse enganar e iludir a todos por meio da mulher, como o fizera no início do mundo. Jó, contudo, não é abatido pelos pecados e cerrados combates; pelo contrário, com a vitória da paciência, o louvor de Deus é proclamado no meio daquelas [suas] angústias e tribulações” (O Bem da Paciência 18).

Também Tobias, depois das magníficas obras de sua justiça e misericórdia, tentado pela perda da vista, suportou a cegueira, pelo mérito da paciência se tornou grandemente digno de Deus (O Bem da Paciência 18).

4. Os Males da impaciência e o bem da paciência

Em sua missão pedagógica, Cipriano considera também os males que a impaciência acarreta na vida das pessoas para destacar ainda mais o bem da paciência, pois esta é um bem do Cristo e aquela é um mal do diabo. Ao elencar uma série de exemplos de impaciência, alerta os cristãos a permanecerem atentos a estas tentações e, ao mesmo tempo, ilumina por contradição, as conquistas da paciência.

Adão, impaciente por obter o alimento da morte, morreu; Caim, bastou ficar impaciente com o sacrifício e a dádiva do irmão para matá-lo; Esaú, impaciente para comer lentilha, perdeu a primogenitura; o povo judaico, por não suportar a demora de Moisés, que conversava com Deus, ousou pedir deuses profanos, um chefe bovino e uma estátua da terra, além disso, sendo que nunca se apartou da mesma impaciência, contra a bondade e a admoestação divinas, matou os profetas e justos, até que se atirasse por fim à cruz e ao sangue do Senhor; na Igreja, a impaciência cria os hereges, e, à semelhança dos judeus, leva os que se rebelam contra a paz e a caridade do Cristo a agressivos e furiosos ódios. Por isso, tudo sem exceção, que a paciência, por suas obras, edifica para a glória, a impaciência destrói para a ruína (O Bem da Paciência 19). Ao contrário, “não se pode conservar nem a unidade nem a paz, sem que os irmãos se tratem uns aos outros com mútua tolerância, e guardem, por meio da paciência, o vínculo da concórdia” (O Bem da Paciência 16).

O santo mártir anima que se preferira a observância da paciência permanecendo no Cristo, pois, “copiosa e variada, não se encerra em estreitos confins, nem se restringe a acanhados limites”. É a paciência que nos recomenda e nos conserva para Deus, pois ela incide em nós: modera a ira, freia a língua, governa a mente, guarda a paz, rege a disciplina; quebra o ímpeto das paixões, reprime a violência do orgulho, apaga o ardor da rivalidade; restringe o poder dos ricos, alivia a indigência dos pobres, conserva nas virgens a integridade ditosa, nas viúvas a custosa castidade, nos que estão unidos e casados o amor indiviso... Ainda: torna humildes na prosperidade, fortes nas adversidades, manso em relação às injustiças e às afrontas. Ensina a perdoar e suplicar o perdão, combate as tentações, aguenta as perseguições, leva à perfeição os suplícios e os martírios. Também: sustenta com firmeza os fundamentos da nossa fé e sublimemente promove o crescimento da esperança. Dirige nossa ação para trilharmos o caminho do Cristo e faz que perseveremos na filiação divina, enquanto imitamos a paciência do Pai (O Bem da Paciência 20).

5. A Paciência sabe esperar

Parece natural que os que padecem sofrimentos e tribulações aspirem pelo dia da vingança, pela hora de que a dor cesse e o seu causador padeça as consequências do mal que provocou. Uma vez mais, o pastor procura orientar seu rebanho. Lembra, que “a pressa é inimiga da paciência e de alcançar os frutos de sua perfeição”. Exprime a seu modo, um dito que ainda hoje repetimos: a pressa é inimiga da perfeição.

a pressa é inimiga da paciência e de alcançar os frutos de sua perfeição

Não parece que esse conselho pela calma seja um arrego ao sofrimento ou uma justificativa pela sua continuidade. Trata-se de encorajar quem sofre a suportar as dores, associando-as aos sofrimentos salvíficos de Cristo e a cultivar uma sadia confiança naquele que é Senhor da história e a quem somos convidados a depositar nossa esperança e nossa confiança e fala, no Apocalipse, dizendo: “Não seles as palavras da profecia deste livro, porque o tempo já está próximo, a fim de que aqueles que perseveram em fazer o mal o façam, e o que está nas imundícies ainda se suje; que o justo, porém, faça obras mais justas, e, semelhantemente, aquele que é santo [faça] obras mais santas. Eis que venho logo, e a minha recompensa está comigo, para retribuir a cada qual segundo as suas obras” (Ap 22, 10-12).

Também nesse ensinamento, Cipriano toma o exemplo de Jesus Cristo. Partindo da profecia de Isaias que diz "tenho-me calado, por acaso sempre me hei de calar?" (Is 42,13s), o bispo de Cartago comenta: “Quem, pois, é este que diz ter-se calado antes, e que não se calará sempre? Sem dúvida é aquele que como uma ovelha, foi conduzido à imolação, aquele que não gritou e cuja voz não foi ouvida nas praças, aquele que não foi recalcitrante nem protestou quando expôs suas costas aos açoites e sua face aos escarros. Sem dúvida é aquele que, enquanto era acusado pelos sacerdotes e anciãos, nada respondia e que, à admiração de Pilatos, conservou um pacientíssimo silêncio. É esse que tendo se calado na paixão, não se calará mais tarde no castigo. Esse é nosso Deus, isto é, não de todos, mas o Deus dos fiéis e dos crentes, que não se calará quando vier manifestado no segundo advento, pois, tendo antes estado oculto na humildade, virá manifesto com poder” (O Bem da Paciência 23).

Feito o percurso, São Cipriano, conclui sua exortação com as seguintes palavras: “Nos nossos sofrimentos e perseguições, irmãos diletíssimos, pensemos na sua paciência. Prestemos ao seu advento um obséquio cheio de esperança. Não nos apressemos, com ímpia e atrevida precipitação, em sermos defendidos, nós servos, antes do Senhor. Ao contrário, fiquemos firmes; trabalhemos e observemos os preceitos do Senhor, vigiando de todo o coração e permanecendo inabaláveis em tudo o que aguentamos; a fim de que não sejamos castigados com os ímpios e pecadores quando vier aquele dia de ira e de reivindicação, mas, com os justos e os que temem a Deus, nós o glorifiquemos. (O Bem da Paciência 24).

6. Nota Conclusiva

Escrevemos no início de nossa reflexão que há uma grande diferença entre a realidade vivida pela comunidade de Cartago no meio do terceiro século e a realidade que nos toca viver no alvorecer do século XXI. Além dos desafios diferentes, também a forma de entendê-los e o modo de expressá-los têm suas características específicas. Não se trata simplesmente, portanto, repetir a exortação de Cipriano para as nossas comunidades. 

Parece, porém, bastante oportuno e atual a exortação à paciência. Não tanto no seu conteúdo corriqueiro de resignação, mas naquele objetivo de “suportar com força e esperança” as adversidades que a pandemia trouxe consigo. Enquanto cristãos somos convidados e revisar com atenção e paciência nosso modo de viver, avaliando o modo de consumir, de trabalhar, de estabelecer relações e os critérios que usamos para ordenar fatos, compromissos, atividades. Sob a batuta da paciência podemos avaliar até o lugar que Deus ocupa em nosso cotidiano e como nos colocamos na sua presença e que confiança temos na sua ação.

“suportar com força e esperança” as adversidades que a pandemia trouxe consigo

Ao mesmo tempo, paciência em tempos de pandemia pode significar assumir novas formas de estabelecer relações, incorporar atitudes e práticas que não eram de nossa rotina. Exercitar a paciência é assumir as indicações das autoridades sanitárias e ser capaz de postergar atividades e eventos que não são imprescindíveis. Sobretudo nos tempos que estamos vivendo, parece ser urgente o exercício da paciência com aquelas pessoas que pensam diferente de nós. Não significa aceitar ingenuamente tudo o que é dito, nem substituir nosso modo de compreender as coisas e até mesmo detectar as responsabilidades de quem se omitiu a enfrentar os males desta pandemia desde o início. Trata-se de fazer o processo de ponderar os diversos pontos de vista, perceber as verdades, as falhas, os embustes, as maldades que podem estar presentes tanto no discurso do outro quanto em nosso próprio. Para termos coragem de fazer isso, haja paciência! 


Caxias, 22 de junho de 2021

Com agradecimento ao Prof. Me. Frei José Bernardi-OFMCap, pela revisão.

CNBB NE5

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