segunda-feira, 28 de junho de 2021

SOB SUSPEITA, PRECISA CRESCE 6.0000% EM CONTRATOS COM GOVERNO BOLSONARO

De R$ 27,4 milhões no governo Temer, Precisa Medicamentos saltou para R$ 1,67 bilhão com Bolsonaro em contratos. Empresa é suspeita no caso Covaxin
Sem experiência em vacinas, a Precisa representa o laboratório indiano Barath Biontech (Divulgação Precisa)

Empresa que está no centro das suspeitas envolvendo a compra da vacina indiana Covaxin, a Precisa Medicamentos teve um salto em seus negócios no governo do presidente Jair Bolsonaro. Antes dele, a firma havia assinado apenas um contrato, de R$ 27,4 milhões, para fornecer preservativos femininos ao Ministério da Saúde. Desde 2019, primeiro ano de Bolsonaro, a Precisa fechou ou intermediou acordos que somam R$ 1,67 bilhão. No atual governo, o empresário Francisco Maximiano, dono da Precisa, também ganhou acesso a ministérios, ao BNDES e à embaixada do Brasil na Índia.

Foi o próprio filho mais velho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), o responsável por abrir as portas do BNDES ao empresário. Após a revista Veja revelar que o Zero Um intermediou uma reunião de Max, como é conhecido em Brasília, com o presidente do banco público, Gustavo Montezano, o senador admitiu ter “amigos em comum” com o dono da Precisa.

Na sexta-feira passada, o deputado Luis Miranda (DEM-DF) afirmou à CPI da Covid no Senado que Bolsonaro atribuiu a Barros “os rolos” envolvendo a compra da vacina Covaxin. O líder do governo admitiu ontem ter sido citado pelo presidente, mas atribuiu a menção ao outro contrato suspeito envolvendo sua gestão no ministério.

O ex-ministro da Saúde, contudo, não é o único contato de Max no governo, como mostram registros da reunião no BNDES à qual Flávio o levou. Quando a família Bolsonaro se aproximou do dono da Precisa ele já era investigado por ter recebido R$ 20 milhões do Ministério da Saúde por medicamentos de alto custo que nunca entregou. O negócio, porém, foi feito por uma outra empresa em nome de Max, a Global Saúde.

Cronologia
Governo Temer

Dezembro de 2018

A Precisa é contratada para fornecer 11,7 milhões de preservativos femininos ao governo. O ministro da Saúde era Ricardo Barros (Progressistas-PR), atual líder do governo na Câmara.

Valor: R$ 27,4 milhões.


Governo Bolsonaro

Setembro de 2019

A Precisa fecha outro contrato para fornecer preservativos femininos. O Ministério da Saúde contratou 17,6 milhões de unidades.

Valor: R$ 41,2 milhões.

Novembro de 2020

Novo acordo, desta vez, para fornecer 5 milhões de preservativos femininos ao governo. Já foram pagos R$ 9,6 milhões já foram pagos.

Valor: R$ 15,7 milhões.

Fevereiro de 2021

Sem experiência em vacinas, a Precisa representa o laboratório indiano Barath Biontech na aquisição da vacina Covaxin. O negócio é investigado pela CPI da Covid.

Valor: R$ 1,6 bilhão.

O Estado de São Paulo

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