segunda-feira, 26 de julho de 2021

FADINHA DO SKATE, RAYSSA LEAL TRAZ MEDALHA DE PRATA NO STREET FEMININO

A skatista de apenas 13 anos, seis meses e 21 dias, se tornou a mais jovem atleta do Brasil, entre homens e mulheres, a conquistar uma medalha nos Jogos Olímpicos (JEFF PACHOUD / AFP)
A skatista de apenas 13 anos, seis meses e 21 dias, se tornou a mais jovem atleta do Brasil, entre homens e mulheres, a conquistar uma medalha nos Jogos Olímpicos

A maranhense Rayssa Leal se tornou a atleta brasileira mais nova a conquistar uma medalha nas Olimpíadas. Aos 13 anos, a "fadinha do skate" foi prata na modalidade street nos Jogos de Tóquio, nesta segunda-feira (26).

A brasileira ficou atrás apenas da japonesa Momiji Nishiya, da mesma idade, que levou a medalha de ouro. Funa Nakayama, também do Japão, completou o pódio, e conquistou o bronze. Na classificação final, Momiji somou 15.26 pontos, Rayssa ficou com 14.64 e Nakayama teve 14.49.

"Não caiu a ficha ainda sobre poder representar o Brasil e ser a mais nova a ganhar uma medalha. Estou muito feliz, esse dia vai ficar marcado na história", declarou afirmou Rayssa. "Eu tento ao máximo me divertir porque tenho certeza que se divertindo as coisas fluem", completou a medalhista de prata.

Essa foi a terceira medalha do Brasil na capital japonesa, e a segunda no skate. Na véspera, o paulista Kelvin Hoefler também foi prata na modalidade street, enquanto o gaúcho Daniel Cargnin ficou com o bronze no judô, na categoria até 66kg.

Rayssa foi a única das três representantes brasileiras a avançar à final, disputada no Ariake Urban Sports Park. Letícia Bufoni e Pâmela Rosa ficaram em nono e 10º lugares, respectivamente, na fase de classificação, mas apenas as oito melhores seguiam para a disputa por medalhas.

Já Nishiya, prata no último Mundial da categoria e que completa 14 anos no dia 30 de agosto, não é a campeã mais jovem da história dos Jogos Olímpicos. O recorde de precocidade pertence desde 1936 à americana Marjorie Gestring, que foi foi ouro nos saltos ornamentais, na modalidade trampolim de 3m, aos 13 anos e 267 dias.

O skate é um dos cinco esportes que estreiam nessa edição dos Jogos Olímpicos, ao lado do surfe, escalada, caratê e beisebol. A modalidade entrou no programa olímpico de Tóquio-2020 como parte do projeto do COI de rejuvenescer a audiência dos Jogos. Das oito finalistas desta segunda-feira, seis tinham entre 13 e 20 anos.

Duas modalidades do skate estão no programa: "street", que consiste em fazer manobras numa pista com elementos do mobiliário urbano encontrados nas ruas, como corrimões, lombadas, rampas ou escadas, por exemplo. Já no "park" as manobras são realizadas em "bowls", grandes bacias de concreto que podem ter até três metros de profundidade.

'O skate é para todo mundo'

A skatista de apenas 13 anos, seis meses e 21 dias, se tornou a mais jovem atleta do Brasil, entre homens e mulheres, a conquistar uma medalha nos Jogos Olímpicos, superando a marca que pertencia a Rosângela Santos, do 4x100m do atletismo, bronze aos 17 anos em 2008; além de ser a atleta mais jovem do Brasil numa edição dos Jogos Olímpicos.

Após subir no pódio, Rayssa Leal fez questão de lembrar o apoio que recebeu do pai e da mãe para fazer a história com tão pouca idade e deixou uma mensagem de inspiração. "Se você pode sonhar você pode realizar. Não desista dos seus sonhos, persista que tudo vai dar certo", destacou a jovem skatista, em entrevista à TV Globo.

"Não consigo explicar a sensação de estar aqui realizando meu sonho e de toda a minha família. Meu pai e minha mãe estiveram nos piores e melhores momentos. É muito gratificante todo o esforço que eles fizeram. Essa medalha é muito especial pra mim", festejou a maranhense.

A "Fadinha", como ficou conhecida por andar de skate fantasiada quanto tinha somente seis anos, chegou a ouvir que skate não era um esporte para meninas. A sua prata em Tóquio reforça que não há espaço para preconceitos no skate, um esporte democrático e que, em sua estreia no programa olímpico, já garantiu duas medalhas ao Brasil.

"É muito louco. Saber que no início só minha mãe e meu pai me apoiavam e saíam com a cara e coragem para eu poder estar aqui. Skate é, sim, para todo mundo, assim como qualquer esporte, como futebol e handebol. Muita gente fala que handebol é só para meninas. É pra todos e skate não é só para meninos", ressaltou a vice-campeã olímpica em Tóquio.

Na final do street feminino, disputada na madrugada desta terça (horário de Brasília), chamou a atenção a descontração de Rayssa, que, entre uma manobra e outra, foi flagrada dançando e se divertindo com a sua amiga e oponente Margielyn Dida, de Filipinas. Ela parecia não se importar com o que acontecia à sua volta e lidava com a pressão como se não estivesse em uma disputa olímpica.

"Quando eu estou feliz fico animada, fico brincando, me divertindo. Estava dançando com a Didal porque fizeram falta as brasileiras na final comigo", disse ela, em referência às ausências de Pamela Rosa e Letícia Bufoni, que não conseguiram um lugar na final.

AFP/Agência Estado/Dom Total

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