terça-feira, 31 de agosto de 2021

CATEQUESE; CUIDANDO DA FÉ COMO TESOURO

A catequese é um tesouro que se carrega em vasos de barro (Unsplash/Egor Myznik)
Para o cristianismo, a catequese é um dos pilares da vida comunitária

Felipe Magalhães Francisco*

Há duas memórias que são sempre vivas em mim, quando penso em catequese: a primeira, quando ainda criança, pedia com insistência à minha mãe, para me deixar faltar à catequese; a segunda já bem mais crescido, passando próximo a uma sala de catequese, e a catequista passando dever de casa para os catequizandos. Fora as cadeiras postas em roda e a reza no início e no fim dos encontros, em nada mais havia diferença entre o que fazia na escola e na igreja, aos sábados, quando a catequese acontecia. Entre a primeira e a segunda lembranças, vários anos haviam se passado e a prática continuava a mesma. E esta não era uma realidade singular, isolada: é o que acontecia e acontece em grande parte das comunidades de fé.

Diz-se que a catequese é um dos pilares da vida comunitária, para o cristianismo. O valor dessa afirmação é proporcional à preocupação que devemos ter, quando pensamos que uma das práticas eclesiais que sustentam a vida comunitária seja tão relegada à própria sorte e à boa-vontade de mulheres e homens que se dedicam, como podem e sem investimentos necessários, à iniciação à fé, sobretudo das crianças.

Recentemente, o papa Francisco reconheceu o exercício de catequistas como ministerial. E não só, ressalta que se trata de um antiquíssimo ministério. A importância disso não é de status ou posição, mas do reconhecimento da importância da catequese para a formação do discipulado cristão. A atuação de mulheres e homens que se dedicam como catequistas deve ser compreendida não como voluntariado (não que isso seja pouco ou ruim), e sim como verdadeira missão-vocação: não se trata de um tempo livre que se dedica a uma ação pontual, mas de uma atuação constante e permanente, pois, antes de mais nada, um/a catequista contribui para a educação da fé dos irmãos e irmãs, desde o seu próprio testemunho cotidiano de seguimento de Jesus e do Evangelho.

A catequese é um tesouro que se carrega em vasos de barro, para citar o Apóstolo Paulo (cf. 2Cor 4,7). Não se pode compreender a Tradição cristã sem o serviço de catequistas que guardam a fé e a transmitem. Neste sentido, é preciso que compreendamos a dimensão apostólica da fé cristã, não apenas a partir do episcopado, mas também a partir do ministério de mulheres e homens que atuam como curadores da fé da comunidade. E é também por isso que precisamos cuidar de nossos catequistas, oferecendo boa e permanente formação, investindo na atuação como verdadeiro compromisso de toda a comunidade.

O Dom Especial desta semana é um convite para a realidade da catequese. No primeiro artigo, Tão antiga e tão nova, Solange do Carmo traça um itinerário histórico a respeito da catequese, destacando a importância de cuidado para com a formação e investimentos no trabalho de catequistas. Tânia Mayer, no artigo Catequese: ressoar o mistério de Cristo, aponta para o significado da catequese e sua importância para o contribuir com o seguimento de Jesus e de seu Evangelho. Por fim, trazendo o fundamental elemento da experiência como fundante de todo discipulado, Daniel Reis propõe o artigo Provai e vede como o Senhor é bom: a catequese como experiência de encontro e relação com Jesus.

Boa leitura!

*Felipe Magalhães Francisco 

Domtotal

Nenhum comentário:

Postar um comentário