sábado, 11 de setembro de 2021

MILHARES DE MULHERES INDÍGENAS MARCHAM EM BRASÍLIA CONTRA O GOVERNO BOLSONARO

Mulheres indígenas marcham durante manifestação para pressionar antes de decisão da Suprema Corte que definirá o futuro de suas terras ancestrais em Brasília (Carl de Souza/AFP)

Protesto critica política anti-indígena e projeto do marco temporal que será julgado no STF


Milhares de mulheres indígenas protestaram nesta sexta-feira (10) em Brasília contra a "agenda anti-indígena" do presidente Jair Bolsonaro e para pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) em um julgamento crucial para o destino de centenas de terras indígenas.

No fim da marcha, as manifestantes queimaram um boneco de papelão que representava Bolsonaro que, junto com seus aliados do agronégocio, está acelerando a tramitação de projetos vistos pelos indígenas como ameaças às suas terras ancestrais.

Com seus coloridos cocares de penas, cerca de 5 mil mulheres de 172 etnias de todo o país, segundo os organizadores, marcharam pela Esplanada dos Ministérios, entre músicas e gritos de "Fora Bolsonaro".

Chegaram a uma praça simbólica, onde em 1997 um indígena da etnia pataxó foi queimado vivo por cinco jovens. "As mulheres são as que mais precisam dos territórios demarcados", declarou Glicéria Jesus da Silva, uma mulher de 39 anos da etnia tupinambá, da Bahia.

"A vulnerabilidade das mulheres por não ter o território demarcado é pela violência dos fazendeiros, invadindo os territórios, agredindo o meio ambiente, derrubando as madeiras, jogando veneno nos rios, o que acaba envenenando os nossos filhos", acrescentou.

Os indígenas, que representam 0,5% dos 213 milhões de brasileiros, levam décadas em conflito com o setor do agronegócio para defender suas reservas, que ocupam 13% do território nacional e são alvo frequente de invasores de terras, mineradores e traficantes de madeira ilegal.

As mulheres estão acampadas em Brasília desde terça-feira. Nesse dia, também houve manifestações gigantescas a favor de Bolsonaro no Dia da Independência.

O STF retomou na quarta-feira um longo julgamento que deve decidir se é válida a tese do "marco temporal", segundo a qual só devem ser reconhecidas como terras ancestrais aquelas ocupadas por esses povos quando a Constituição brasileira foi promulgada, em 1988. "Justiça histórica. Nossa história não começa em 1988", dizia uma faixa nesta sexta-feira.

O julgamento, que pode afetar centenas de reservas pendentes de demarcação, continuará na semana que vem.

AFP/Dom Total

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