domingo, 31 de outubro de 2021

O AMOR SE APRENDE

Reflexão do Evangelho de Marcos 12,28-34, correspondente ao 31º domingo do Tempo Comum
Não há amor onde não há entrega generosa, doação desinteressada, presente (Tim Mossholder / Unsplash)

José Antonio Pagola*

Quase ninguém pensa que o amor é algo que se vá aprendendo pouco a pouco ao longo da vida. A maioria assume que o ser humano sabe amar espontaneamente. Por isso, se podem detectar tantos erros e tanta ambiguidade nesse mundo misterioso e atraente do amor.

Há quem pense que o amor consiste fundamentalmente em ser amado e não em amar. Por isso, passam a vida esforçando-se por conseguir que alguém os ame. Para essas pessoas, o importante é ser atraente, ser agradável, ter uma conversa interessante, fazer-se querer. Em geral, acabam por ser bastante infelizes.

Outros estão convencidos de que amar é algo simples, e que o difícil é encontrar pessoas agradáveis às quais se possa querer. Só se aproximam de quem lhes parece simpático. Assim que não encontram a resposta apetecida, o seu "amor" desaparece.

Há aqueles que confundem o amor com o desejo. Reduzem tudo a encontrar alguém que satisfaça o seu desejo de companhia, afeto ou prazer. Quando dizem "te amo", na realidade estão dizendo "te desejo", "me apeteces".

Quando Jesus fala do amor a Deus e ao próximo como a coisa mais importante e decisiva da vida, está pensando em outra coisa. Para Jesus, o amor é a força que move e faz crescer a vida, pois pode libertar-nos da solidão e da separação para nos fazer entrar na comunhão com Deus e com os outros.

Mas, concretamente, esse "amar o próximo como a si mesmo" requer uma verdadeira aprendizagem, sempre possível para quem tem Jesus como Mestre.

A primeira tarefa é aprender a escutar o outro. Procurar entender o que vive. Sem essa escuta sincera dos seus sofrimentos, necessidades e aspirações, não é possível o amor verdadeiro.

A segunda é aprender a dar. Não há amor onde não há entrega generosa, doação desinteressada, presente. O amor é todo o contrário de acumular, apropriar-se do outro, usá-lo, aproveitar-se dele.

Por último, amar exige aprender a perdoar. Aceitar o outro com as suas debilidades e a sua mediocridade. Não retirar rapidamente a amizade ou o amor. Oferecer uma e outra vez a possibilidade de reencontro. Devolver o bem pelo mal.

Publicado por IHU.

*José Antonio Pagola é padre e tem dedicado a sua vida aos estudos bíblicos, nomeadamente à investigação sobre o Jesus histórico. Nascido em 1937, é licenciado em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma (1962), licenciado em Sagradas Escrituras pelo Instituto Bíblico de Roma (1965), e diplomado em Ciências Bíblicas pela École Biblique de Jerusalém (1966). Professor no seminário de San Sebastián (Espanha) e na Faculdade de Teologia do Norte de Espanha (sede de Vitória), foi também reitor do seminário diocesano de San Sebastián e vigário-geral da diocese de San Sebastián. 

Domtotal 

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