terça-feira, 16 de novembro de 2021

ETIÓPIA: LIBERTADOS 17 SALESIANOS DETIDOS EM 5 DE NOVEMBRO


Jovens caminham ao lado de um tanque abandonado pertencente às forças tigrínias ao sul da cidade de Mehoni, na Etiópia. (Foto de EDUARDO SOTERAS / AFP) (AFP or licensors)

Dez dias atrás, forças militares do governo invadiram um centro de educação, prenderam religiosos e leigos, colocaram-nos em vans e os levaram a um local desconhecido. Os missionários voltaram para casa após um longo interrogatório, ao que parece, sobre aspectos financeiros da escola

Salvatore Cernuzio e Giancarlo La Vella - Cidade do Vaticano

Dez dias depois de serem embarcados em vans por forças de segurança e conduzidos para um local desconhecido, foram libertados os salesianos detidos em 5 de novembro na Etiópia. Eles voltaram para casa, junto com um agente humanitário italiano, também ele preso na mesma data, após terem sido interrogados por um longo tempo, conforme relatam fontes na Etiópia que também falam de momentos de tensão. A situação, no entanto, continua delicada. Os 17 religiosos e funcionários - todos de origem tigrínia - foram detidos pelas forças militares em um centro educacional na região de Gottera, em Addis Abeba.

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Interesse pelas finanças

No centro dos interrogatórios parece ter estado a questão dos aspectos financeiros da escola, como se o principal motivo da detenção pelos militares estivesse ligado a algum tipo de interesse econômico. A notícia da prisão de sacerdotes, diáconos e leigos etíopes e eritreus que viviam na casa inspetorial dos Salesianos - atuantes no país desde 1976 - deixou "consternado" o padre Mussie Zerai, presidente da agência Habeshia.

“Ainda não conseguimos compreender as motivações para um ato tão grave – afirmou ele -. Por que prender sacerdotes que exercem a sua missão de educação, aliás em um centro que sempre se empenhou em fazer o bem, muito frequentado durante anos por tantas crianças, onde se recuperam crianças de rua? Prenderam o provincial, sacerdotes, diáconos, pessoal da cozinha. Soubemos de incursões e buscas em outras casas religiosas. Mas está claro para todos que as igrejas, casas de religiosos, não são centros de política”.

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As declarações do cooperador italiano

Emblemático o que declarou após a libertação, Alberto Livoni, cooperador italiano da Ong VIS. “Estou feliz por estar de volta à Itália. Agora estou bem, apesar de terem sido dias complicados e de grande preocupação. Meus pensamentos agora vão para os meus colegas etíopes que ainda estão detidos”, acrescentou Livoni, segundo nota da Ong Volontariato Internazionale per lo Sviluppo (VIS).

Um país em guerra

Neste contexto de detenção é um país marcado por uma guerra civil que, em um ano, causou milhares de mortos e mais de 2,5 milhões de deslocados. Guerra travada por milicianos da etnia tigrínia, por isso as forças de segurança, por meio de detenções e prisões, controlam qualquer pessoa que possa sustentar financeiramente as forças tigrínias.

O mais recente apelo do Papa pela Etiópia foi no Angelus de 7 de novembro, quando invocou para o país “a harmonia fraterna e o caminho pacífico do diálogo”. 

Vatican News 

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