sábado, 25 de dezembro de 2021

NATAL SIGNIFICA QUE TODOS PERTENCEMOS A CRISTO E UNS AOS OUTROS

Nossa fé tem tantos belos ensinamentos que é uma maravilha que nossos corações não explodam de alegria.
Presépio de Guatemala(foto NCR / Teresa Malcolm)


Consideremos estes dois fatos:

A Encarnação. O Filho de Deus se torna o Filho do homem para que possamos nos tornar filhos de Deus. É o significado do Natal. É o início da nossa fé.

O corpo místico de Cristo. Tornamo-nos um com Cristo e uns com os outros. É uma extensão da Encarnação. É a nossa história de Natal.

São Paulo em sua carta aos Coríntios compara o corpo místico ao corpo que podemos tocar: “Ora, assim como o corpo é uma unidade, embora tenha muitos membros, e todos os membros, mesmo sendo muitos, formam um só corpo, assim também com respeito a Cristo.” (1 Coríntios 12,12).

A comparação me faz pensar no antigo hino espiritual que alguns de nós cantávamos quando crianças: assim como a espinha dorsal está conectada ao osso do ombro e o osso do ombro está conectado ao osso do pescoço e o osso do pescoço conectado ao osso da cabeça, e assim todas as partes de um corpo, em Cristo eu faço parte de você e você é parte de mim e nós somos realmente um, indivisíveis e interdependentes. O que poderia ser mais simples e mais profundo?

Todos nós pertencemos a Cristo e uns aos outros. Todo mundo tem um propósito. Somos um em Cristo Jesus e, apesar das aparências, ligados uns aos outros. Nós precisamos um do outro.

São Paulo escreve: “O olho não pode dizer à mão: "Não preciso de você! " Nem a cabeça pode dizer aos pés: "Não preciso de vocês!” (1 Cor 12,21). Somos muitos membros de um só corpo, e o que dói a um, dói a todos nós. O que honra um, honra a todos. Dependemos de Cristo "em quem vivemos, nos movemos e existimos" (Atos 17,28) e do Cristo que vive em cada um de nós.

Podemos rastrear o DNA bíblico do corpo místico até o próprio Jesus, que nos disse que um dia entenderíamos que "Eu estou em meu Pai, você está em mim e eu estou em você" (João 14,20), e foi para nos ensinar como orar, dizendo: "Pai nosso ..."

São Paulo então o descreveu, os santos o viveram, e em 1943 o Papa Pio XII promulgou o ensinamento em sua encíclica Mystici Corporis Christi. A encíclica descreve a Igreja como uma união mística de todos os cristãos com Jesus como sua cabeça, a palavra mística que significa "de natureza espiritual". O termo corpo místico significa uma união espiritual, uma unidade essencial, uma totalidade inquebrável.

Em 1965, o Concílio Vaticano II em um documento histórico chamado Lumen Gentium, ou "Luz do Mundo", expandiu a ideia do corpo místico para abraçar a todos de todos os tempos porque Cristo morreu por todos nós. Todos somos batizados - seja pela água ou fogo ou desejo - por um Espírito, e, como São Paulo nos lembra repetidamente, "agora somos o único corpo de Cristo".

Não é incrível como a ciência agora reforça a espiritualidade, afirmando o que os místicos têm escrito há séculos? Ouvimos sobre "o efeito borboleta", como quando uma borboleta bate suas asas na Índia, uma tempestade se forma em Indiana. O que acontece com cada um de nós acontece com todos nós. Quando uma criança em Calcutá passa fome, uma criança na Califórnia pode sentir sua dor. Quando um samaritano ajuda um homem ferido na beira de uma estrada, um hospital é inaugurado 2.000 anos depois.

O que abençoa um, abençoa a todos, independente do espaço e do tempo. O corpo místico de Cristo não é um dogma, é uma comunidade espiritual vibrante com Cristo como sua cabeça.

Então, precisamos um do outro porque somos um ao outro. Nosso trabalho na terra é brilhar para Deus e nos tornarmos luz uns para os outros: os fracos e os fortes, os celebrados e os ignorados, os de dentro e os de fora, os que estão nas sombras e até os que são desprezados.

"Estar conectado com a Igreja", escreve o teólogo Ronald Rolheiser, "é ser associado a canalhas, fazedores de guerra, falsos, molestadores de crianças, assassinos, adúlteros e hipócritas de todos os tipos. Também, ao mesmo tempo, identifica você com os santos e as melhores pessoas de alma heroica de todos os tempos, países, raças e gêneros. Ser membro da Igreja é carregar o manto do pior pecado e do melhor heroísmo da alma, porque a Igreja sempre se parece exatamente com o que parecia na crucificação original, Deus pendurado entre os ladrões."

O corpo místico de Cristo não apenas aponta para uma verdade profunda de nosso ser, é profundamente prático. É a base para a caridade, é a base para o perdão. Isso nos inspira a ver a verdade - e ser a verdade - em nossa vida diária.

Quando estou na fila do caixa, lembro-me de que a senhora à minha frente é, como eu, um membro do único corpo místico de Cristo, e que a injunção de amá-la como eu amo a mim mesmo (Marcos 12,31), é literalmente verdadeiro porque ela faz parte do nosso Ser único. Um pequeno milagre então acontece: eu não apenas a amo, eu gosto dela, e se o cartão de crédito dela não passa, não fico bravo.

Enquanto desço a rua, sorrio para um estranho que caminha com seu pitbull e escolho vê-lo da mesma forma que Deus me vê. Eu digo olá, e uma faísca da graça acontece: o estranho sorri de volta e diz olá, e nós não somos mais estranhos. O que damos, nós recebemos de volta. Até os cães sabem disso.

Enquanto assisto ao noticiário - vendo pessoas morrendo, crianças passando fome, famílias lutando - eu peço a Jesus, a cabeça do corpo conectada a todos aqueles que parecem estar "lá fora" - que veja por mim. Fecho os olhos e ouço-o sussurrar: "A minha paz te dou, a minha paz te deixo" (João 14,27). Somos todos membros de um corpo espiritual. Qualquer membro pode literalmente dar a outro membro sua paz, através do espaço e do tempo, e a paz de ambos aumentará e se multiplicará. Podemos assistir ao noticiário e pedir a Deus paz de espírito e dar essa paz a outra pessoa e, de repente, experimentar uma paz que está além da compreensão. Isso é o que significa ser um membro do corpo místico de Cristo!

Todos nós pertencemos. Somos Um. Amamos nosso próximo como a nós mesmos porque somos nossos vizinhos. E nosso vizinho somos nós. Amamos até mesmo aqueles que pensamos ser nossos inimigos, porque no reino de Deus não há inimigos. Só existe Cristo e cada um de nós, todos nós, membros inseparáveis de um grande corpo de amor. É real. Ele está aí. Está aqui.

Quando você olha para sua árvore de Natal e suas muitas luzes vermelhas, azuis e verdes, e seus muitos galhos segurando muitos enfeites de todas as formas e texturas, perceba que o estábulo abaixo dela com a criança em seu berço simboliza a Encarnação - Deus se tornou homem para que possamos nos tornar semelhantes a Deus - e que os muitos pastores e sábios e ovelhas junto com todas aquelas luzes e ornamentos nos lembrem de nossa realidade no corpo místico de Cristo - muitas partes brilhando como uma gloriosa árvore da vida.

E se você não tem uma árvore, tudo bem, essa é a ideia.

Então, quando você for à missa no dia de Natal e se sentar em seu banco, certifique-se de olhar para frente, para a esquerda, depois para a direita, depois para trás, e você verá o que já é, um membro indispensável de uma grande família brilhante em Cristo. O que na terra poderia ser mais bonito?

Traduzido por Ramón Lara.

*Michael Leach escreveu, editou e publicou mais de 3.000 livros ao longo de uma carreira de 50 anos, ainda em andamento. Esta coluna foi adaptada de um capítulo que ele escreveu para um livro recém-publicado Thirsty, and You Gave Me Drink: Homilies and Reflections for Cycle C, editado por Deacon Jim Knipper (Clear Faith Publishing).  

Domtotal 

Nenhum comentário:

Postar um comentário