terça-feira, 15 de março de 2022

ONU DENUNCIA CRIMES CONTRA HUMANIDADE EM MIANMAR

Comissariado pede à comunidade internacional que adote medidas imediatas para conter a espiral de violência em Mianmar
Soldados do Exército de Libertação Nacional Taaung (TNLA), grupo armado da etnia Palaung, perto da cidade de Kyaukme, no estado de Shan, norte de Mianmar, em 4 de janeiro de 2022 (STR/AFP)

O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos denunciou, nesta terça-feira (15), os massacres em Mianmar e acusou o exército de possíveis crimes contra a Humanidade e crimes de guerra após o golpe de Estado do ano passado.

Em um relatório que cobre o período após o golpe de Estado - iniciado em 1 de fevereiro de 2021 -, o Comissariado pede à comunidade internacional que adote medidas imediatas para conter a espiral de violência em Mianmar.

"Conseguimos identificar a existência de um padrão de comportamento ao longo do último ano que mostra ataques sistemáticos, coordenados e planejados, e há sinais claros de que podem configurar crimes contra a Humanidade e crimes de guerra", declarou a porta-voz do organismo, Ravina Shamdasani, na apresentação do relatório.

Em comunicado, a alta comissária Michelle Bachelet denunciou "a terrível magnitude das violações do direito internacional sofridas pelo povo de Mianmar" e exigiu "uma resposta internacional firme, unida e determinada".

A ex-presidente chilena acusou o exército birmanês de cometer "violações sistemáticas e generalizadas e ataques aos direitos humanos" e de mostrar "desrespeito flagrante pela vida humana".

Algumas violações "podem ser equiparadas a crimes de guerra e crimes contra a Humanidade", estimou a ONU, que tem o costume de deixar para os tribunais decidir.

Mais de um ano após o golpe que derrubou Aung San Suu Kyi e encerrou um hiato democrático de 10 anos, Mianmar continua mergulhada no caos.

Milícias contrárias à junta no poder pegaram em armas contra os generais, que asfixiam violentamente qualquer oposição.

Shamdasani ressaltou ainda que antes do golpe, o Alto Comissariado já havia notado que as Forças Armadas birmanesas "cometeram crimes contra a humanidade pelo tratamento dispensado aos rohingyas", a minoria muçulmana do país.

O golpe de 1º de fevereiro de 2021 desencadeou protestos em massa e uma sangrenta repressão que deixou mais de 1.500 civis mortos e quase 12.000 presos, segundo uma ONG local.

Suu Kyi, por sua vez, permanece detida desde o golpe e enfrenta várias acusações que podem resultar em penas de mais de 150 anos de prisão.

AFP

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