quarta-feira, 20 de julho de 2022

NA NIGÉRIA "SER PADRE HOJE É ASSUSTADOR". PELO MENOS 50 SEQUESTRADOS ALGUNS MORTOS


Foto de arquivo: o bispo da Diocese de Sokoto, na Nigéria, dom Mathew Kukah, com alguns sacerdotes

"Os sequestrados são muito maltratados. São forçados a caminhar na floresta sem parar, eles nunca param. Dormem ao ar livre, recebem pouca comida, alguns morrem porque doentes e sem remédios para se tratar", conta o padre somasco Ihejirika. Inicialmente, a Igreja nigeriana tomou uma posição firme: não pagava resgates, também porque eram criminosos comuns. Por um tempo, esta estratégia funcionou. Agora não é mais possível, sob pena de morte certa das pessoas sequestradas, diz ainda o religioso

Vatican News

"Ser padre na Nigéria hoje em dia é assustador." Quem fala à agência Sir é padre Tobias Chikezie Ihejirika, o primeiro sacerdote somasco de nacionalidade nigeriana e um confrade do missionário italiano padre Luigi Brenna, que sofreu uma tentativa de sequestro em 3 de julho em sua comunidade em Ogunwenyi, no estado nigeriano de Edo. Padre Brenna conseguiu se libertar quase milagrosamente depois de ter sido espancado e atacado com um facão. Ele agora está bem e voltou para sua família na Itália.

Segundo dados divulgados dias atrás pela fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre, 18 sacerdotes foram sequestrados até então em 2022, mas o padre Tobias informa que se fala de pelo menos 50 sacerdotes na Nigéria, a maioria deles nigerianos. E há um número desconhecido, porque muitos nem sequer relatam os fatos.
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"O padre Luigi foi muito corajoso porque resistiu - conta o padre Tobias -. Ele disse a seus sequestradores: 'Matem-me se quiserem, mas eu não vou segui-los'. Como não conseguiam fazê-lo andar, bateram nele e o deixaram no chão pensando que estava morto. Ele também teve sorte. É um homem de caridade e alegria."

Padre Tobias conhece outros quatro sacerdotes que passaram pela terrível experiência do sequestro, seja nas mãos de bandidos comuns ou dos mais temidos pastores Fulani, grupos armados muçulmanos que buscam pastagens para seu gado e se financiam através de sequestros.
Resgates são pagos pelas dioceses ou os membros da família

"Os sequestrados são muito maltratados - conta ele -. São forçados a caminhar na floresta sem parar, eles nunca param. Dormem ao ar livre, recebem pouca comida, alguns morrem porque doentes e sem remédios para se tratar. Alguns são até violentados. Quando a Igreja ou membros da família não pagam o resgate ou reconhecem algum dos sequestradores, eles são mortos."

Fala-se de resgates entre cinco e dez milhões de naire nigerianos (equivalentes a 10 mil/20 mil euros), mas ultimamente os Fulani têm exigido ainda mais. Inicialmente, a Igreja nigeriana tomou uma posição firme: não pagava resgates, também porque eram criminosos comuns. Por um tempo, esta estratégia funcionou. Agora não é mais possível, sob pena de morte certa das pessoas sequestradas. São as dioceses ou os membros da família que pagam.
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"Os padres são um alvo fácil porque estão presentes em cada aldeia - observa padre Tobias -. São vistos como pessoas que vivem com certo conforto econômico, possuem carros, por isso acham que é mais fácil conseguir um pagamento de resgate."

"Tornou-se um verdadeiro negócio para eles que serve para o financiamento da compra de armas. Há também um elemento de natureza religiosa. Diz-se que estes grupos podem ter contatos com o grupo jihadista Boko haram, que vê nos padres um obstáculo para a expansão do Islã". 

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